Política

Você está aqui: Página Inicial / Política / Despreparo de Bolsonaro atrapalha ações nos estados

Despreparo de Bolsonaro atrapalha ações nos estados

Dino: "O governo federal ignora os Estados e isso é um escândalo absoluto"
publicado 23/03/2020
Comments
1584876386995835784747x4291.png

Montagem: Imirante.com

O despraparo do presidente Jair Bolsonaro para lidar com a crise é assunto recorrente entre os governadores. Segundo matéria de Malu Delgado, do Valor Econômico, a sensação geral é de incapacidade de Jair Bolsonaro para agir de maneira republicana e suprapartidária, como o momento exige.

Os governadores cobram do presidente que articule, com urgência, uma coordenação nacional com um gabinete de crise em sintonia com os Estados para controlar, de maneira organizada, todas as ações de saúde pública, assistência social e medidas econômicas de combate à pandemia de coronavírus no Brasil.

De acordo com a publicação, os 27 governadores do país tentarão fazer uma reunião emergencial amanhã com os ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e da Economia, Paulo Guedes. Os governadores cobram do presidente Jair Bolsonaro que articule, com urgência, uma coordenação nacional com um gabinete de crise em sintonia com os Estados para controlar, de maneira organizada, todas as ações de saúde pública, assistência social e medidas econômicas de combate à pandemia de coronavírus no Brasil.

“Paulo Guedes tem que chamar uma reunião com os Estados. No meio de uma crise gravíssima como essa, sanitária e econômica, de saúde pública, o governo federal ignora os Estados. Ignora, como se não existíssemos! Isso é um escândalo absoluto. A exceção é o ministro Mandetta, que tem conversado com todos os secretários de Saúde e tenta organizar alguma coisa”, afirmou ao jornal o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

As medidas que os governadores estão implementando, segundo Dino, são as possíveis, dentro da margem de atuação que possuem. Os governadores reclamam, por exemplo, de ainda não haver uma central organizada para a compra e distribuição de insumos médicos. “A gente faz uma medida aqui, outra acolá, compensatória. Botei o álcool gel na cesta básica, para diminuir ICMS. São pequenas medidas, porque não temos espaço fiscal nos Estados e não temos instrumentos de política econômica. Eu não tenho o BNDES, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal. Eu não posso emitir títulos da dívida pública”.

No fim de semana, os governadores receberam comunicados de presidentes de agências reguladoras. “Recebi um monte de cartinhas. O presidente do Banco Central mandou ofício dizendo que ele que manda nos bancos; o presidente da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) dizendo que ele que manda nos portos; o da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) dizendo que ele que manda nos aeroportos. Ou seja, eles estão preocupados em saber quem manda em quê, e parece que estão fora do mundo real. O Brasil se acabando e eles mandando cartinhas para dizer que eles é que mandam”, criticou o governador do Maranhão.

Para o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), falta coordenação. “Estamos desmobilizando todas as atividades econômicas, e isso tem um impacto fenomenal na nossa receita, no desemprego, na atividade empreendedora. Tudo isso precisa ser coordenado de forma ampla pelo governo federal, e é isso que queremos que ele faça. Quem tem os instrumentos para enfrentar essa crise é o governo federal, porque precisa emitir títulos, o Executivo federal tem papel moeda, pode aumentar déficit, etc. Numa hora dessas o déficit está em segundo plano porque é a vida das pessoas que está em jogo. Precisamos dessa coordenação nacional”, disse.