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Assessor de ministro pagou despesas da campanha com dinheiro dentro de caixa

Depoimento de dirigente do PSL aponta irregularidades na campanha de Álvaro Antonio
publicado 08/10/2019
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Originais: Reprodução/Banco Central do Brasil/Wikimedia Commons e Reprodução/AllEarsEnglish

Na noite de ontem 7/X a Justiça decidiu decretar sigilo sobre o processo que aponta Marcelo Álvaro Antonio, ministro do Turismo do governo Bolsonaro, como chefe de um esquema de candidaturas de fachada nas eleições de 2018.

É o caso dos laranjas do PSL de Minas Gerais: segundo a Polícia Federal, o esquema consistia em cadastrar candidaturas femininas nas eleições de 2018 com o objetivo de desviar verbas públicas dessas campanhas para outras candidaturas consideradas mais promissoras.

De acordo com a investigação, as candidatas recebiam o dinheiro de campanha, sob condição de repassar a maior parte dos valores a outros nomes indicados pelo PSL. Segundo a PF, as candidatas sabiam que estariam atuando como laranjas.

Marcelo Álvaro Antonio era candidato a deputado federal, presidente do PSL em Minas Gerais e coordenador da campanha de Jair Bolsonaro no estado. Ele foi indiciado pela Polícia Federal no dia 4/X.

No último domingo 6/X o Conversa Afiada mostrou - a partir de reportagem da Fel-lha - que, em depoimento à PF em junho, um ex-assessor do ministro revelou que "acha que parte dos valores depositados para as campanhas femininas, na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro".

A Polícia apreendeu também uma planilha de gastos com material de campanha, onde constam os nomes de Álvaro Antonio e de Jair Bolsonaro, seguidos de valores com as expressões "NF" e "out".

Segundo os investigadores, as expressões significam, respectivamente, pagamentos "com nota fiscal" e "por fora" - o que seria um indício de caixa dois. A PF poderá abrir uma nova investigação sobre o caso.

Ao comentar a reportagem da Fel-lha, o presidente Jair Bolsonaro atacou a imprensa: "ontem, a Folha de São Paulo quis me ligar ao problema de Minas Gerais. Um esgoto, a Folha de São Paulo! Lamento a imprensa brasileira agir dessa maneira, o tempo todo mentindo, distorcendo, difamando! Cês querem me derrubar? Eu tenho couro duro!"

Hoje 8/X nova reportagem na Fel-lha, por Camila Mattoso e Ranier Bragon, mostra que uma dirigente local do PSL em Minas Gerais afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que recebeu dinheiro vivo, dentro de uma caixa de uma marca de roupas, das mãos de um assessor de Marcelo Álvaro Antonio dois dias antes do primeiro turno das eleições de 2018.

O valor - cerca de R$ 17 mil - seria referente ao pagamento do aluguel de um salão que serviu para a festa de lançamento da campanha de Álvaro Antonio a deputado e de panfleteiros para distribuir santinhos e cartazes na região de Conselheiro Lafaiete, a cerca de 100 km de Belo Horizonte.

Diz a Fel-lha que, segundo a dirigente, "um assessor do ministro não quis receber os recibos dos serviços prestados. De acordo com as investigações, nenhum desses casos figura na prestação de contas entregue à Justiça pelo ministro ou pelo PSL".

Após as eleições, ela ainda tentou entrar em contato com o assessor do então candidato para entregar os recibos - ele disse que não seria necessário e, em seguida, parou de atender as ligações.

Os depoimentos fazem parte do inquérito e estão, agora, com a Promotoria e com a Justiça de Minas Gerais - que decretou sigilo sobre o caso.

Leia a reportagem completa na Fel-lha.

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