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Bolsonaro acompanha com preocupação protestos na América Latina

Presidente afirma que Brasil vive "normalidade democrática"...
publicado 24/11/2019
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Policiais chilenos distribuem "normalidade democrática" a manifestantes em Santiago, capital do país, 22/XI (Créditos: Carlos Vera M./Colectivo 2+)

Neste sábado 23/XI o presidente Jair Bolsonaro afirmou a jornalistas que o governo acompanha com atenção a onda de protestos na América Latina.

O pronunciamento foi feito na Vila Militar do Rio de Janeiro, durante a mesma coletiva em que Bolsonaro apelou às forças divinas para resolver os vazamentos de petróleo no norte do estado.

"Nós temos que nos preparar sempre para não sermos surpreendidos pelos fatos. Não tem motivo nenhum, nós entendemos dessa forma, para que esse movimento venha para cá", disse o Jair Messias.

Ele completou: "nunca o Brasil viveu numa normalidade democrática como vivemos no momento!"

Normalidade democrática...
serto...

A declaração foi feita após uma jornada de lutas na Colômbia reunir mais de um milhão de pessoas nas ruas contra o governo direitista de Iván Duque, aliado de Bolsonaro.

"É lógico que a América do Sul é uma preocupação de todos nós (...) Eu acho que ninguém no Brasil quer que nós caminhamos (sic) nessa direção", disse.

Bolsonaro aproveitou para atacar as manifestações no Chile, que são motivadas especialmente pelo descontentamento da população com as medidas neoliberais: "Pelo menos o que eu estou vendo em alguns países, há um excesso, pelo menos no Chile. Aquilo não são manifestações, são atos de terrorismo", disse o presidente.

Obviamente, Bolsonaro não se referia ao banho de sangue promovido pela polícia, sob comando do presidente Sebastián Piñera. Desde o início dos protestos, ao menos 230 manifestantes perderam a visão após serem atingidos nos olhos por balas de borracha disparadas pelos policiais.

O temor do Governo Federal de que o Brasil possa se tornar um Chile já havia sido revelado em 19/XI pelo Painel da Fel-lha.

Durante sua viagem pela Ásia em outubro, o presidente Jair Bolsonaro deixou claro mais de uma vez que poderia usar o Exército contra manifestantes em um cenário de protestos de massa.

O filho 03 do Jair Messias, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, também falou em "um novo AI-5" como uma possível reação do governo contra manifestações populares.

Por via das dúvidas, o Governo Federal pressionou a equipe econômica para "suavizar" a reforma administrativa, o mega-pacote de arrocho econômico que poderá cortar em 25% o salário de servidores públicos, acabar com os gastos obrigatórios em Saúde e Educação e suspender o aumento real do salário mínimo.

O temor é que o arrocho, somado à lenta recuperação da economia, além dos altos números de desemprego e informalidade, possam servir como uma fagulha para a eclosão de grandes protestos contra o governo de Jair Bolsonaro.