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Marielle renasceu em Nova York

Rezende: McCray foi quem não deixou Bolsonaro pisar lá!
publicado 06/05/2019
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O prefeito e a mulher (Reprodução/NY Daily News)

O Conversa Afiada tem o prazer de publicar primoroso artigo de Marcos Rezende:

Com o passado escravagista e a colonização protestante e conservadora, os Estados Unidos são um país de origem racista, machista e homofóbica. E Nova York, coração do capitalismo, não poderia ter características diferentes.

No entanto, foi em Nova York que despontaram importantes movimentos de resistência contra a violência perpetrada pelo próprio sistema. Daí, Nova York ter essa característica dúbia. De um lado tem o capital e o coração financeiro do império; de outro lado, foi uma das primeiras cidades do mundo a abolir a escravidão, sem 1799.

Em 6 de maio de 1912, ocorreu em Nova York uma das mais importantes passeatas de mulheres pelo direito ao voto.

Também foi em Nova York que despontaram o sociólogo negro W. E. Du Bois, os líderes políticos Marcus Garvey, Adam Clayton Powell Jr., Malcolm X. E foi também em nessa cidade, nos limites do Harlem, na Igreja Riverside, que Martin Luther King fez um de seus mais brilhantes discursos. Ele tinha ao lado uma importante ativista dos direitos dos negros e LGBT Coretta Scott King, sua mulher.

Foi também no Harlem que o poeta negro, novelista e ativista Langston Hughes escreveu muitos dos seus poemas e Asa Phillip Randolph, um dos líderes das lutas pelos direitos civis, membro do Partido dos trabalhadores e socialista fundou uma das mais importantes Associações de Trabalhadores dos Estados Unidos.

Nova York é a cidade de Al Sharpton, ativista pelos direitos civis, líder religioso, que foi conselheiro da Casa Branca na gestão de Barack Obama.

Foi em Nova York, que despontaram também outras lideres como Monifa Bandele e Chirlane MCCray.

Ah, Chirlane MCcray é um caso à parte e merece atenção especial.

Negra, bissexual e socialista, foi ela quem arquitetou a estratégia da campanha do prefeito Bill de Blasio, seu marido.

(A propósito, eles passaram a lua de mel em Cuba...)

Numa entrevista ela disse: “o importante é que Nova York volte a ser a cidade das oportunidades. Mas, para todos. Nova York não pode ser apenas do 1% super rico.

Nenhuma mulher em Nova York é hoje mais influente do que essa ativista.

Feminista radical, Chirlane McCray foi o ponto focal da queda de braço entre o prefeito Bill de Blasio e o presidente Jair Bolsonaro.

Aliás, eu não chamaria de queda de braço, porque o machismo,o racismo e a homofobia de Bolsonaro não resistiram a um round.

E o nocaute foi De Blasio chamar Bolsonaro de covarde e fujão.

Ao enfrentar o racismo, machismo, a homofobia de Bolsonaro, McCray foi uma Marielle Franco.

Só que está viva!

E Bolsonaro longe dela!

(McCray já avisou que pretende substituir o marido na Prefeitura. Bolsonaro não vai tao cedo a Nova York!)

Marcos Rezende, professor de História, membro do Coletivo de Entidades Negras da Bahia, religioso do Candomblé e atualmente bolsista do Centro Cultural África Caribe - Harlem-NY