Política

Você está aqui: Página Inicial / Política / 2012 / 12 / 24 / Dilma na TV: o desastre ferroviário !

Dilma na TV: o desastre ferroviário !

Já que ela não vai fazer a Ley de Medios, precisaria encontrar, nos Medios existentes, mecanismos para chegar à galera.
publicado 24/12/2012
Comments


A expressão é do Mino Carta: um “desastre ferroviário” !

Foram os onze minutos da Presidenta Dilma Rousseff no horário mais nobre da televisão brasileira, o domingo às 20h30.

Começou mal:

“Estamos chegando ao Natal e em breve um novo ano se iniciará”.

Só não é pior do que aquela manchete de um jornal de Nova Friburgo:

“Quando menos se espera chega o Natal !”

Primeiro, a forma.

Onze minutos de um mesmo plano, um mesmo enquadramento.

A mesma imagem, fechada nela.

Nem de Winston Churchill se aguentariam onze minutos fechados no rosto dele.

Não havia uma imagem de “cobertura”, um grafismo para enfatizar e dar diversidade.

E ritmo.

Ritmo, amigo navegante, é a alma desse negócio.

(A propósito: aquela blusa escura de listras brancas … Quantas vezes já vimos ?)

E o texto ?

E o texto !

A diferença entre o texto de televisão e o texto de jornal é a diferença que vai de um texto do Armando Nogueira a um texto do Ali Kamel.

Ou seja, do genial ao ridículo, diria o Napoleão.

Um texto escrito para jornal – como foi o da Dilma – na televisão é como um tratamento de canal.

O redator do pronunciamento fez lembrar o Dr Roberto.

Nos plantões do Fantástico, ele costumava telefonar para ler o editorial (escrito pelo Jorge Serpa) do Globo que ele queria reproduzir, de preferência na íntegra.

E, a certa altura, ele dizia assim, ao fim de uma sentença: “ponto e vírgula”.

O redator do pronunciamento da Dilma também seria capaz de advertir um locutor de televisão a não se esquecer do ponto e vírgula.

O Palácio poderia recorrer à Alice Maria, sobrevivente das aulas do Armando a todos os que chegavam da imprensa escrita ao jornal nacional.

O Palácio poderia recorrer ao Lucas Mendes, um mestre em texto de reportagem de televisão.

Ou ao Boni, que, além de tudo, sabe escrever para televisão.

Ali em Brasília não há vivalma que saiba.

Dentro e fora do Palácio.

E o conteúdo ?

Seria mais eficaz chamar o simpático William Waack para ler o Diário Oficial.

(O amigo navegante percebeu que estamos sempre, aqui, no universo Global ...)

O que interessa à Tia Ofélia, às voltas com o Peru de Natal, saber quantos quilômetros de ferrovias serão construídos ?

E a crise internacional ?

Quantas vezes será necessário citar a crise que o Tio Aurélio – preocupado com as Brahma que tem que comprar para a ceia – não sabe onde fica ?

Internacional, qual ?

De Porto Alegre ?

Como dizia o Boni, toda vez em que você ouvir falar em TV para classe “A”, saia correndo, porque você vai ficar sem emprego.

O pronunciamento foi para a classe “A“.

Para os leitores da Urubóloga.

Uma resposta a ela.

Não houve um pingo de emoção, afeto, carinho, mel.

Espírito natalino.

Da avó que vai encontrar o neto.

Foi como um paraninfo que usa o discurso para ler as notas da cadeira de Matemática.

Ou a homilia da Missa do Galo para tratar da Tesouraria da Diocese.

Chama o Duda !

Chama o João Santana !

Manda rodar uns tapes do Chávez !

Desse jeito, não há como enfrentar o poder de comunicação do PiG (*).

E esse é o buzilis da questão.

Já que ela não vai fazer a Ley de Medios, precisaria encontrar, nos Medios existentes, mecanismos para chegar à galera.

Para enfrentar a editoria do “Brasil é uma m...”, chefiada pelo Ali Kamel.

Não é apenas uma questão que diga respeito ao Governo Dilma.

Diz respeito à Democracia.

À pluralidade de opinião.

À disseminação de “outra” informação, diferente da editoria do “Brasil é uma m...”.

Um desses instrumentos – previstos inclusive pela professora Marilena Chauí, quando o PiG (*) quase derruba o presidente Lula no desastre da TAM – seriam boletins da Presidenta, com mais frequência, no horário nobre da tevê.

O Governo precisa falar.

Não porque a Presidente seja simpática.

Mas, porque a Democracia exige !

E por que falar só de Economia ?

Nao houve eleição municipal em 2012 ?

O Haddad perdeu ?

O Supremo instalou a Supremocracia ?

Isso faz bem à Democracia ?

Que tal o Fux fechar o Congresso e deixar o país sem Orçamento ?

O papelão do Sergio Cabral com os royalties – por que não criticar ?

Não valeria a pena uma menção à coragem do Marco Maia ?

Por que não agradecer ao apoio do Congresso e dos Governadores ?

De que partido é mesmo o Dirceu, hein ? E o Genoíno ?

Ou ela é o Ministro da Economia ?

Ano que vem, recomenda-se ao Palácio, quando “estivermos chegando ao Natal”, chamar o Tombini para ler o relatório de fim de ano do Banco Central.

Em tempo: o Globope do pronunciamento não piscou. A audiência ficou imóvel. Como pegou, largou. Ou seja, o espectador ficou à espera do que vinha depois, na Globo e na Record. É como o jornal nacional. A galera está interessada é no pão do sanduíche. O antes e o depois. O recheio é o de menos.

Em tempo2: antes que algum gaiato faça insinuações. O ansioso blogueiro não precisa de emprego …

Em tempo3: qual a diferença entre o pronunciamento da Presidenta e os dos presidentes militares do coronel Ludwig ? Só muda o lado do espectro político.

Em tempo4: quem adorou o pronunciamento foi o Padim Pade Cerra.

Não deixe de ler “Dilma tem a ver com o mensalão, sim”.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.



Conteúdo relacionado
STF deixa o Brasil sem Orçamento