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Você sabe o que é feminismo?

É difícil ter liberdade!
publicado 30/05/2016
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mulheres

Mulheres protestaram em frente ao STF neste domingo (29) (Foto: Mídia Ninja)

O Conversa Afiada reproduz mensagem que recebeu de Clara Ant, com sugestão do artigo de Clara Averbuck:

[email protected] [email protected],

Domingão para algumas reflexões. Em parte óbvias. Mas necessárias.

As mulheres vem ocupando um lugar de destaque nas manifestações políticas desde o ano passado. Parte do ambiente favorável para a recuperação da Dilma se deve a essa energia.

Não é por acaso:

Nos últimos anos vem se formando coletivos de jovens nas escolas e faculdades como meio de se defender de assédios e estupros. O fator que mais expôs Cunha no ano passado foi a sua insistência em votar o PL que suprime direitos e garantias da mulher já vigentes atualmente.

E hoje novamente, lá em Brasília, são as mulheres que expõe o monstro Gilmar Mendes, aquele que tem na sua biografia o absurdo de deixar solto um ginecologista estuprador.

O episódio ocorrido estes dias, o estupro inqualificável de uma menina no Rio por uma quantidade já nem importa mais se de 20 ou 30 vândalos, deixou mais feridas em aberto e recolocou com uma força sem precedentes a luta pelo fim da CULTURA DO ESTUPRO que se manifesta abertamente nas palavras, nos gestos, nas ações e nos crimes na nossa sociedade. Tenho vergonha do que o delegado responsável pela investigação vem fazendo e falando. Ele tem que sair mas infelizmente ele não é o único. A misoginia permeia todas as instituições de estado e as organizações da sociedade. E o golpe obviamente anda de mãos dadas não só com a misoginia como também a homofobia, o racismo e demais preconceitos que envenenam a sociedade. É agora que mulheres e homens tem que se unir e somar o que há de bom na nossa sociedade para extirpar essa cultura.

Um pequeno passo será certamente a desmistificação e a descriminalização da palavra e da militância feminista. Daí porque resolvi reproduzir o texto (anexo e também abaixo). É apenas um texto muito simples numa imensidão de reflexões que vem sendo feitas estes dias pelas redes sociais.

Pela democracia, pelas mulheres, por todos,

Clara Ant

Será que você sabe o que é feminismo? Descubra

Por Clara Averbuck - Carta Capital – 29-5-16

É assustadora a quantidade de gente que não sabe o que é feminismo. Ninguém tem a obrigação de saber, é claro, mas a partir do momento em que você decide opinar sobre um assunto, é de bom tom saber do que se trata.

As pessoas são "contra" o feminismo sem sequer saber o que significa.

É comum escutar:

"Não sou feminista, sou feminina",

"Não sou feminista e nem machista",

"Não sou feminista e nem machista, sou humanista",

"Não sou feminista, acho que todos deveriam ser tratados igualmente e ter os mesmos direitos".

Bom, vamos lá.

Feminismo não prega ódio, feminismo não prega a dominação das mulheres sobre os homens. Feminismo clama por igualdade, pelo fim da dominação de um gênero sobre outro.

Feminismo não é o contrário de machismo. Machismo é um sistema de dominação.

Feminismo é uma luta por direitos iguais.

Então se você diz "não sou feminista, acho que todos deveriam ser tratados igualmente e ter os mesmos direitos" você está dizendo, exatamente: "não sou feminista, mas sou humanista". E se você se diz humanista, bom, acredito que saiba então que o humanismo é uma filosofia moral baseada na razão humana e na ética, que coloca o ser humano acima do sobrenatural, de deuses, de dogmas religiosos, da pseudociência e das superstições e que não tem nada a ver com o assunto.

Existe essa grande falha lógica que é o sujeito achar que você tem que ser contra uma coisa pra ser a favor de outra; neste caso, "contra" os homens para ser "a favor" das mulheres. O feminismo não luta contra os homens, e sim contra o supracitado sistema de dominação, que, veja só, privilegia os homens e foi criado por... homens. Fica clara a diferença entre lutar contra um sistema e lutar contra todo um gênero?

Feminismo não tem nada a ver com deixar de usar batom, salto ou cercear sua liberdade sexual. Ninguém vai confiscar sua carteirinha de feminista se você usar rímel. Mas te abre para a possibilidade de só usar maquiagem quando quiser, não porque tem que obrigatoriamente estar impecável e linda todos os dias a enfeitar o mundo.

Feminismo não tem nada a ver com ser inimiga dos homens. É claro que existem feministas que não os toleram, mas até aí, existem mulheres que não são feministas e também odeiam homens, né? E você não é obrigada a ser uma delas.

Feminismo não tem nada a ver com esconder o corpo; muito pelo contrário, exigimos o direito de andar com a roupa que bem entendermos sem assédio ou constrangimentos. Taí a Marcha das Vadias que não me deixa mentir.

Feminismo não tem nada a ver com não ter filhos, e sim com a escolha de como e quando esses filhos virão, e se virão.

Feminismo não tem nada a ver com não ser feminina. E nem com ser.

Feminismo tem a ver com liberdade, com eu, você, elas e eles podermos todos viver e ser sem ninguém dando pitaco em como devemos nos portar, como devemos nos vestir, o que devemos dizer, do que devemos fazer com nossos corpos.

Outra coisa importante: nem todas as feministas estão de acordo a respeito de todos os tópicos. Cada um constrói seu feminismo. Como disse a Tavi Gevinson, a jovem editora da RookieMag, em uma palestra do TEDxTeen, o feminismo não é um livro de regras, mas uma discussão, uma conversa, um processo. E cada um tem o seu.Feminismo, caros, não é uma seita que reprime e excomunga quem quebra seus preceitos.

Vale sempre lembrar que o mundo machista também faz mal aos homens com esse negócio de que eles têm que ser os provedores, que eles têm que ser durões, que não podem chorar, que não podem demonstrar nenhuma característica atribuída ao feminino porque isso é considerado uma fraqueza já que as mulheres são consideradas mais fracas, logo, inferiores. Gay é "xingamento" porque ser gay é ser um homem mulherzinha. Chega de reproduzir conceitos sem sequer parar para pensar neles.

Há um teste simples, criado por Cynthia Semíramis, pra saber se você é uma pessoa que se identifica com o feminismo:

1. Você concorda que uma mulher deve receber o mesmo valor que um homem para realizar o mesmo trabalho?

2. Você concorda que mulheres devem ter direito a votarem e serem votadas?

3. Você concorda que mulheres devem ser as únicas responsáveis pela escolha da profissão, e que essa decisão não pode ser imposta pelo Estado, pela escola nem pela família?

4. Você concorda que mulheres devem receber a mesma educação escolar que os homens?

5. Você concorda que cuidar das crianças seja uma obrigação de ambos os pais?

6. você concorda que mulheres devem ter autonomia para gerir seu dinheiro e seus bens?

7. Você concorda que mulheres devem escolher se, e quando, se tornarão mães?

8. Você concorda que uma mulher não pode sofrer violência física ou psicológica por se recusar a fazer sexo ou a obedecer ao pai ou marido?

9. Você concorda que atividades domésticas são de responsabilidade dos moradores da casa, sejam eles homens ou mulheres?

10. você concorda que mulheres não podem ser espancadas ou mortas por não

quererem continuar em um relacionamento afetivo?

Respondeu sim pra tudo?

Está confortável na cadeira?

Você é pró feminismo, ou até... Feminista! Uau!

Você não precisa ser ativista para ser feminista. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Se você acredita na igualdade de direitos entre homens e mulheres, você é feminista.

As pessoas confundem feminismo com um monte de coisas. As pessoas têm medo da palavra FEMINISMO. Feminismo. Feminista. Feminismo. Feminista. FEMINISMO.

Feminismo é sobre liberdade.

E é difícil ser realmente livre neste mundo