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Carina, da UNE: como PM atacou estudantes em Brasília

"A ordem era reprimir sem diálogo”
publicado 01/12/2016
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Reprodução: Facebook

BREVE RELATO SOBRE A CARAVANA CONTRA A PEC 55 EM MEIO AO ESTADO DE EXCEÇÃO

A primeira coisa que precisa ser dita: A CARAVANA CONTRA A PEC 55 FOI GIGANTE E LINDA. Somos mais de mil escolas e 229 universidades ocupadas e fomos mais de 40 mil estudantes, professores e trabalhadores da educação protestando em Brasília contra a PEC que vai colocar um fim na educação pública. Lutamos porque sabemos que sem investimentos o próximo passo é mensalidade e privatização.

Durante mais de um mês, o movimento estudantil se dedicou para construir uma grande caravana à Brasília que pudesse demonstrar ao Congresso Nacional e ao governo a força das ocupações estudantis que acontecem em todo o país. Foi um trabalho intenso de construção coletiva porque o movimento estudantil é diverso e organizado, então, ou a caravana era construída por muitas mãos, ou não seria. E foi com unidade e ajuda dos professores e trabalhadores que chegamos até Brasilia.

No dia 29 - dia da votação do primeiro turno da PEC 55 no senado - pouco a pouco as caravanas iam chegando, nos concentramos em frente ao Ministério da Educação onde nos escondíamos do sol quente de Brasília, e nada foi quebrado, ou "vandalizado", como a mídia gosta de dizer. De lá, nos organizamos para iniciar a manifestação que foi pacífica do início ao fim, caminhamos do Museu Nacional até o Congresso. Ocupamos o espelho d'água e ali ficaríamos espalhados pelo gramado até a votação da PEC 55.

Neste momento, um grupo se separou da passeata e organizou a ação que virou o carro da TV Record. Não foi seguido pela maioria dos manifestantes, que seguiram ao lado Câmara dos Deputados, e queriam dar continuidade ao ato. Eis que a Polícia Militar começa a jogar bombas indiscriminadamente em toda a manifestação. Bombas e mais bombas surgiam do alto, e depois a cavalaria reprimia a todos nós. Nesse momento, o corre corre era generalizado, pessoas sendo pisoteadas, estudantes passando mal e sendo socorridos pelos colegas.

O carro de som que era utilizado para dar as coordenadas e pedir calma da manifestação foi apreendido, impossibilitando qualquer tentativa de diálogo. A Polícia Militar não estava ali para dialogar, "a ordem era reprimir sem diálogo”, como ouvi de um comandante. Recuamos para nos reagrupar e ficar em segurança, mas as bombas não cessavam, queriam varrer a manifestação de lá. Os estudantes não podiam sequer entrar nos ônibus para ir embora, pois a PM jogava bombas onde os ônibus estavam parados. As bombas só terminaram às 22 horas quando não havia mais manifestantes na esplanada.

Não organizamos a manifestação para depredar o patrimônio público pois achamos que esses atos em nada contribuem para derrubar a PEC 55, pelo contrário, dão argumentos para a mídia tomar lado do governo Temer e da repressão e jogar a população contra o movimento social. O nosso foco era e sempre será derrubar a PEC 55 e o governo ilegítimo que tenta acabar com a educação pública.

Não pudemos terminar o nosso ato, nos foi impedido o direito constitucional à manifestação. A repressão que vivemos ontem é uma prova do estado de exceção em que estamos metidos. A ação de um grupo isolado não justifica a carnificina feita em cima de 50 mil pessoas. Nada justifica a atuação da Polícia Militar, além de um governo autoritário que tenta enfiar goela abaixo seu projeto de desmonte dos direitos.

Nós estudantes seguiremos unidos. Seguiremos em luta. No segundo turno da votação vai ser maior! Construiremos marchas em cada estado desse país e seremos milhões!

- Carina Vitral é presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE)

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