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Bolsonaro pede desculpas por ofensas à China

Reunião do BRICS termina sem consenso sobre América Latina
publicado 15/11/2019
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O presidente chinês Xi Jinping e Jair Bolsonaro em encontro no dia 13/XI (Créditos: Isac Nóbrega/PR)

O encontro dos chefes de estado do BRICS, o bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, terminou na tarde desta quinta-feira 14/XI em Brasília.

A 11a Cúpula dos BRICS durou dois dias - ainda que a submissão de Bolsonaro aos interesses de Donald Trump quase tenha promovido um "braxit" no início de 2019...

O documento final do encontro fala em redução do desmatamento de acordo com as metas do Tratado de Paris, reforma "abrangente" das Nações Unidas, defesa de "mercados abertos" no comércio internacional e adoção de medidas de combate à corrupção.

Notadamente, a declaração omite qualquer menção à instabilidade na América do Sul. Não há uma linha sequer sobre os protestos no Chile e Equador, ou sobre o Golpe na Bolívia que levou o presidente Evo Morales ao exílio no México.


Chefes do BRICS em reunião no Itamaraty, 14/XI (Créditos: Alan Santos/PR)

As repórteres Patrícia Campos Mello e Talita Fernandes, da Fel-lha, relataram uma outra importante reunião que aconteceu na quarta-feira no Palácio do Itamaraty.

Uma reunião a portas fechadas, desta vez, com a participação dos cinco líderes do BRICS: além de Bolsonaro, Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e Narenda Modi (Índia).

Bolsonaro aproveitou a oportunidade para "fazer uma retratação" sobre as críticas feitas à China durante as eleições de 2018. Bolsonaro confirmou aos líderes do bloco que "falou mal" do país asiático quando era candidato - mas disse que, hoje, "todos sabem" que isso não reflete a verdade...

Ou seja: ele pediu desculpas... Mas não falou por mal!

Ele não falou por mal, por exemplo, quando disse que "a China está comprando o Brasil".

Ou quando disse que uma rodada de privatizações poderia "deixar o Brasil na mão do chinês".

Ou quando, em 2017, ainda antes da campanha presidencial, disse que "o chinês não tem coração"...

É parte da retórica anti-comunista do bolsonarismo.

Mas, agora, tudo mudou: Bolsonaro está tentado pela possibilidade de investimento chinês no Brasil.

Tanto que durante sua visita ao país asiático, em outubro, afirmou estar "em um país capitalista"!

O chanceler Ernesto Araújo, aquele que falou em "levantar barricadas contra a China maoista", deve estar bem confuso agora...

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