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“Não vão jogar o Cachoeira no colo do Palácio”

Dessa vez foi o passarinho que saiu de Brasília, uma fera. Pousou na janela lá de casa, e já chegou de mau humor.
publicado 15/05/2012
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Dessa vez foi o passarinho que saiu de Brasília, uma fera.

Pousou na janela lá de casa, e já chegou de mau humor.

- Você viu essa matéria do Globo ?

- Qual ?, pergunta o ansioso blogueiro. A colona (*) do Merval ?

- Meu filho, eu ainda não li o Dante … você acha que eu vou ler o Merval ?

- Não, meu caro, é que caiu a ficha do Merval.

- Caiu onde ?

- No colo do Perillo, da tucanagem de Goiás, nos Leréias da vida.

- Sim, ele descobriu a pólvora …

- Não, passarinho amigo, é que ele reluta, sofre, se angustia, mas lá no fim ele reconhece que não tem nada contra o Agnello.

- É um jenio !

- Não, desculpe, jenio é o Cerra.

- Mas, eu não aguento esse Globo …, retomou o passarinho.

- Nem os filhos do Roberto Marinho …

- É possível. “O mais velho”, se fosse vivo, não caía nessa de defender o Robert(o) Civita …

- Esse era malandro … sabia que o Civita era morte certa …

- Mas, você viu, ansioso blogueiro, o que o Globo disse da Delta e a Dilma ?

- De novo, mas ela já não baixou uma nota oficial, já tinha dado um alerta de que havia uma investigação em curso na CGU ?

- Sim, meu filho, mas o Globo é o Globo.

- E o que é que o Globo fez ?

- Na pág 9, assim como quem descobriu o segredo do cofre do Ali Babá, sete repórteres do Globo …

- Sete ?, passarinho ?

- Por aí … uns nove …  dizem que a Dilma agora, AGORA e só AGORA, quer tolerância zero com a Delta.

- Caramba, mas é uma semana de atraso.

- Eles arrombam a porta aberta. Olha só: dizem os quatorze repórteres investigativos: Presidente cobra investigação detalhada da AGU em todos os contratos que ainda estão em vigor …

- Bom, interessante seria se ela cobrasse investigação sobre contratos que não estão em vigor …, observa o passarinho, com certo sarcasmo.

- É o chamado “jornalismo investigativo brasileiro”... O que fazer ? É o que temos ...

- A posição é muito clara. Se a CGU descobrir maracutaia, Justiça em cima da maracutaia. Se não tiver nada, toca-se o burro pra frente …

- Passarinho, você acha que os vinte e sete repórteres do Globo e o Merval gostariam que a Delta quebrasse, que o PAC parasse e os estádios da Copa não saíssem …

- Ora, meu filho, é obvio.

- Você sabe que eu entrevistei Junior da J&F. E ele disse na Record News que eles estão fazendo uma auditoria com a KPMG. Se tiver problema, manda chamar a polícia. Se não tiver, vamos em frente que atrás vem gente …

- Vem gente ?, como assim … pergunta o passarinho.

- São as outras empreiteiras que não conseguiram o filé mignon da Delta …

- Ah, entendi.

- O Junior acha que não vai ter problema. Que vai tocar a empresa profissionalmente. E que, depois de estar tudo arrumadinho, com as contas refeitas, eles vão procurar os governo federal, estadual e municipal e perguntar: posso continua a tocar as obras ?

- Aí é que está o problema: tocar as obras …

- Você acha que o bom era não tocar as obras …

- É obvio, diz o passarinho. Atolar o Governo, empacar o PAC …

- Mas, passarinho, sabe que eu li o Valor hoje (primeira página) que a “União pode ter um pesadelo judicial com a Delta”...

- Que pesadelo ? Mais um ?

- Não, é que para os contratos em andamento vale o que está escrito. Para rasgar um contrato já assinado com a Delta, o Governo vai ter que enfrentar uma batalha judicial interminável...

- Sim, mas e se a CGU considerar a Delta inidônea ?, pergunta o passarinho.

- Se ela for inidônea, isso só vai valer para o futuro. Quer dizer, a Delta não vai poder fazer futuros contratos com o Governo Federal.

- Mas, se a Delta já tem 60% das obras do PAC, a família do Junior deve achar que já tá bom, né ?

- É, passarinho, mas o Globo não acha.

- Sim, mas o Globo manda em que ?

Pano rápido.


Paulo Henrique Amorim


(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.