O Conversa Afiada tem a honra de publicar outro artigo do professor Fábio Comparato.
Clique aqui para ler o que Comparato disse, aqui, sobre lamentável decisão do Supremo que equivale a absolver os torturadores do regime militar.
Neste novo artigo, Comparato acaba por demonstrar por que , como ele pretende, é necessário entrar no Supremo com uma ADIN por Omissão contra o Congresso Nacional, que até hoje não deliberou sobre três artigos da Constituição de 1988 que tratam da Comunicação.
Comparato aceitou liderar esse esforço com a colaboração do Instituto Barão de Itararé.
Clique aqui para ver que a ação está em curso.
HOMENS NOVOS PARA UM MUNDO NOVO
Fábio Konder Comparato*
A legitimidade do poder
Toda sociedade ou associação estável organiza-se em função do poder, que é a capacidade atribuida aos dirigentes de impor suas decisões, com base em princípios fundamentais, consensualmente aceitos.
Na sociedade política, que engloba todas as demais, essa aptidão a impor decisões funda-se, em última instância, na disponibilidade da força pública, isto é, da organização dos meios de coerção, postos oficialmente à disposição dos governantes. Mas ela supõe, normalmente, uma obediência voluntária dos governados, obediência essa que se apoia, em última análise, no reconhecimento da legitimidade do poder; ou seja, na convicção geral de que ele é justo e necessário.
Com efeito, em uma sociedade cujo poder organizador é tido como injusto pela maioria dos sujeitos, os dirigentes são obrigados, para se fazerem obedecer, a recorrer sistematicamente à força. É uma situação anormal, que não pode subsistir por muito tempo.
Para manter inabalada a obediência voluntária dos governados, por conseguinte, importa sempre zelar pelo reconhecimento geral da legitimidade, quer do sistema de poder em geral, quer da pessoa de seus detentores em particular.
Ora, esse juizo de legitimidade do poder nunca é feito intelectualmente, de modo abstrato, mas sempre concretamente, em função das preferências valorativas, dos sentimentos, das crenças e opiniões, que formam o que hoje se denomina a mentalidade social.
O advento da sociedade de massas
As sociedades do passado eram compostas de grupos sociais distintos e heterogêneos, até mesmo quanto ao seu estatuto jurídico. Em toda a Idade Média européia, por exemplo, as pessoas distinguiam-se pelo fato de pertencerem a um dos três estamentos distintos em que se dividia a sociedade: o clero (“os que rogam a Deus”), a nobreza (“os que portam armas”) e o povo.
A partir das Revoluções do século XVIII – a industrial e as duas políticas, a norte-americana e a francesa – bem como da expansão mundial do capitalismo, esse panorama mudou radicalmente. Surgiu algo sem precedentes na História, qual seja a formação das primeiras sociedades de massas. Nelas, as diferenças estamentais foram suprimidas, e as classes sociais, embora afastadas entre si pela crescente desigualdade de níveis de vida, tenderam a fundir-se em uma massa homogênea sob o aspecto cultural, com o abandono dos costumes tradicionais e o enfraquecimento da fé religiosa.
Assentou-se aos poucos um modo de vida voltado para o progresso material, com a inoculação daquilo que Max Weber, em ensaio célebre, denominou o “espírito do capitalismo”. Ele se funda na preocupação exclusiva com os interesses próprios e no descaso com a coisa pública, isto é, o bem comum do povo. Segundo a justificativa apresentada por Adam Smith1, até hoje largamente utilizada pelos próceres do capitalismo, a busca racional do próprio interesse acaba por realizar, involuntária mas necessariamente, o interesse coletivo.
Os forjadores dessa mentalidade de egoismo racional – repito, sem precedentes na História – foram os empresários industriais modernos. Eles atuaram com um objetivo bem definido: legitimar a instauração do capitalismo, não apenas como sistema econômico, mas também como modo global de vida em sociedade, no qual tudo – a política, a religião, a família, a escola, as forças armadas – deve subordinar-se ao princípio da utilidade econômica.
Com a instauração mundial do sistema de produção em série e de padronização do consumo, criaram-se rapidamente (ou seja, em menos de dois séculos) modos de vida homogêneos em todos os quadrantes da Terra. Em obra publicada em 2004,2 C. A. Baily traça um panorama impressionante da uniformidade mundial de vestuário, alimentação, registros horários, estrutura linguística, atribuição de prenomes às pessoas, práticas de esporte e lazer, a partir do século XIX, como efeito da expansão sem fronteiras do sistema capitalista. Toda essa camada cultural uniforme, contudo, passou a recobrir, ainda por efeito da expansão mundial do capitalismo, uma desigualdade cada vez mais pronunciada de níveis de vida, não apenas dentro do mesmo país, mas também entre paises desenvolvidos e subdesenvolvidos.
Os mal chamados meios de comunicação de massa
Nas sociedades de massas assim criadas, além do contato tradicional de pessoa a pessoa, criou-se um relacionamento impessoal e coletivo, mediante o envio de mensagens homogêneas a destinatários anônimos, para consumo em bloco e sem possibilidade de diálogo. É o que se denominou, segundo a expressão de origem anglo-saxônica, mass media communication; ou seja, um sistema englobando a grande imprensa, o cinema, o rádio e a televisão.
Acontece que o vocábulo comunicação sofre, no caso, notável variação semântica. Na lingua matriz, communicatio e o verbo cognato communico, -are, significam pôr ou ter em comum, receber em comum, ou entrar em relações pessoais com alguém.
Ora, no campo da mass media communication, a verdadeira comunicação foi excluida. A partir de determinados centros emitentes, cada vez menos numerosos, mensagens coletivas são enviadas impessoalmente a consumidores, que se comportam como recipientes puramente passivos.
Em suma, instaurou-se nesse campo o mesmo sistema aplicado pelo capitalismo industrial com pleno êxito, no mundo todo: produção em série e consumo padronizado.
Sem dúvida, a invenção da internet, agora interligada aos meios de comunicação móveis, como telefones celulares, i-pods e MP3, veio alterar o esquema original de comunicação de massa, ao criar um ambiente de diálogo coletivo a envolver um número crescente de pessoas, no mundo todo. Mas não extrapolemos inconsideradamente os efeitos de democratização que esse avanço tecnológico irá produzir. Lembremo-nos de que o público usuário desses engenhos eletrônicos pertence à minoria do estrato econômico superior da sociedade.
Para que se compreenda bem a notável transformação social ocorrida com a introdução dos meios de comunicação de massa, é importante verificar a evolução da imprensa periódica a partir do início do século XIX. A esse respeito, o testemunho de Alexis de Tocqueville, que morou nove meses nos Estados Unidos na primeira metade daquele século, merece ser lembrado.
Ao comparar as características fundamentais da sociedade norte-americana em relação à sociedade européia, ele apontou a multiplicidade de jornais locais, então existentes nos Estados Unidos. “Não há quase nenhuma aldeia que não tenha o seu jornal”, observou ele.3 Contrariamente ao que ocorria nos paises europeus, na América do Norte não se exigia nenhuma licença oficial para a criação de um periódico; e bastava reunir um pequeno número de assinantes, para que um só jornalista editasse o seu próprio jornal.
Tocqueville acrescentou que, para os americanos mais esclarecidos, a razão da fraqueza da imprensa, nos Estados Unidos, residia exatamente nessa incrível disseminação dos jornais. “Constitui um axioma da ciência política, nos Estados Unidos,” observou ele, “que a única maneira de neutralizar os efeitos dos jornais é multiplicar o seu número.”
Já no segundo volume dessa mesma obra,4 publicado dez anos depois do primeiro, Tocqueville não hesitou em dizer que a liberdade de imprensa constitui o modo mais seguro de se garantirem os direitos individuais, nas sociedades democráticas. “Nos nossos dias,” afirmou ele segundo o estilo grandiloquente da época, “o cidadão oprimido possui um só meio de defesa: dirigir-se a toda a nação e, se esta não o ouve, ao gênero humano”. E isto, concluiu, só pode ser feito por meio da imprensa livre.
Menos de um século depois que essas linhas foram escritas, porém, operava-se nesse setor uma revolução de 180º. Percebeu-se simultaneamente, em todos os quadrantes do globo, que a junção da imprensa com o cinema, e em seguida com o rádio e a televisão, constituia o meio mais eficaz de se forjarem mentalidades novas e de se modificarem os costumes ancestrais, no sentido de levar as multidões a obedecer cegamente, senão de modo entusiástico, às orientações veiculadas por esses canais de difusão unilateral de mensagens.
Na União Soviética e seus satélites, assim como na Alemanha nazista e demais Estados fascistas, todos os meios de comunicação de massa foram concentrados em mãos das autoridades políticas, para atuar na propaganda do regime. Essa organização autoritária persiste ainda hoje em alguns paises autoritários, como a China, o Irã e Cuba.
Ao mesmo tempo, nas nações do chamado “mundo livre”, sob a batuta de grandes empresários capitalistas, iniciou-se um vigoroso movimento de rápida concentração do controle privado de jornais, emissoras de rádio e canais de televisão. Nos Estados Unidos, a pressão neoliberal logrou revogar em 1996 a lei de 1934, que estabelecia limites na concentração de controle empresarial desses veículos. No mesmo sentido, em 2003 a Federal Communications Commission eliminou as proibições então existentes para a participação cruzada no capital das empresas do setor. O resultado não se fez esperar: enquanto em 1983 havia no mercado de comunicação de massa 50 empresas de médio porte, hoje este é dominado por apenas cinco macroempresas.5
No Brasil, assistimos ao mesmo fenômeno. Quatro grandes redes dominam todo o mercado nacional de televisão: a Globo controla 342 empresas; a SBT, 195; a Bandeirantes, 166; e a Record, 142.
Com essa formidável concentração de controle empresarial, operou-se uma modificação de monta no grau de influência dos meios de comunicação de massa, sobre a sociedade em seu conjunto.
Como salientei, quando Tocqueville visitou a América do Norte na primeira metade do século XIX, quase todos os municípios americanos tinham o seu periódico local, e cada um desses pequenos jornais divulgava notícias e comentários à sua maneira. Hoje, a grande maioria dos periódicos locais desapareceu, e os poucos jornais restantes de ampla difusão quase não se distinguem entre si quanto à sua orientação editorial.
Por outro lado, as emissões de televisão e de rádio são hoje captadas nos Estados Unidos, respectivamente, por 98,3% e 99% das moradias. Tirante algumas diferenças de estilo sem maior importância, a escolha das notícias e o teor dos comentários difundidos por essas emissoras obedecem ao mesmo denominador comum: a defesa dos valores tradicionais da sociedade norte-americana, como a garantia das liberdades individuais, a intangibilidade da propriedade privada, a redução das atividades do Estado ao mínimo indispensável e o nacionalismo dominador nas relações internacionais.
Quem quiser se manifestar contra essas posições dogmáticas, ao contrário do que sucedia no tempo de Tocqueville, encontrará fechadas todas as portas dos mass media communication.
Pode-se dizer que um cenário análogo existe no Brasil há pelo menos meio século.
Em pesquisa realizada em 2008, verificou-se que o consumo médio diário da televisão aberta, entre nós, é de quatro horas e quarenta e dois minutos por pessoa. Observou-se, aliás, que nos últimos 7 anos o brasileiro tem passado quase 30 minutos a mais por dia em frente ao aparelho de televisão. Quanto ao rádio, estima-se que 80% da nossa população ouvem as suas emissões pelo menos 15 minutos por dia.
Na verdade, o nosso oligopólio privado de meios de comunicação de massa não surgiu espontaneamente, mas foi montado com o apoio direto das autoridades políticas, durante o regime militar. Tratava-se, de um lado, de demonstrar que o Estado autoritário, instaurado com o golpe de 1964, garantia a democracia, salvando-nos do terror comunista. Cuidava-se, de outro lado, de difundir em todas as programações o consumismo de massa, em benefício da expansão capitalista.
Com isto, reforçou-se sobremaneira, no seio do povo, a tradicional mentalidade passiva e conformista, indiferente à política, considerada pelo vulgo como um jogo reservado exclusivamente àqueles que, na linguagem saborosa de Camões, nasceram não para mandados, mas para mandar.
Como se percebe, o que Tocqueville estimara ser o melhor, senão o único meio de garantia dos direitos individuais contra o Estado, transformou-se, nos dias atuais, em novo poder político de natureza privada, capaz de ombrear-se com os órgãos públicos, ou de servir de principal instrumento de propaganda de regimes autoritários. Nos paises que se declaram paladinos da liberdade de expressão, estabeleceu-se, a esse respeito, uma partilha de competências: enquanto as autoridades estatais subjugam os corpos, os patrões da comunicação social, à semelhança dos chefes religiosos, dominam as almas.
A nossa Constituição, em seu art. 220, proclama livres “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo”. Mas no campo da grande imprensa, dos serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens, essa liberdade só existe para os controladores das respectivas empresas.
Curiosamente, ao final do segundo volume de Da Democracia na América,6 Tocqueville conjecturou sobre a possibilidade de surgir um novo despotismo nos tempos modernos, diverso daquele que se impôs nas sociedades antigas. “Ao que parece,” escreveu ele, “se o despotismo vier a se instalar nas nações democráticas dos nossos dias, ele apresentaria outras características: seria mais extenso e mais ameno, e degradaria os homens sem os atormentar.” Acrescentou que ele assemelhar-se-ia ao pátrio poder, se tivesse por objeto preparar os homens para a vida adulta. Mas o que ele busca, na verdade, é fixá-los irrevogavelmente em um estado de perpétua menoridade, de modo que os atos mais importantes da vida de cada um devam ser praticados sob a supervisão dessa autoridade tutelar.
Não tenho dúvidas em afirmar que esse regime de despotismo aprazível existe entre nós, e se apresenta como um sistema de dupla face: sob a moderna fachada democrática, exposta na Constituição e louvada na imprensa, no rádio e na televisão, continua a vigorar a oligarquia tradicional. O povo somente é admitido à cena política no momento das eleições. Mas estas, em lugar de representarem o exercício normal da soberania popular, ocultam na verdade a sua alienação.
Dois exemplos bastam para ilustrar a estrutura dúplice do nosso regime político.
Ao forjar no século XVI o conceito moderno de soberania como poder absoluto e perpétuo, Jean Bodin enfatizou que “o ponto principal da majestade soberana e do poder absoluto consiste em dar lei aos súditos em geral, sem o seu consentimento”.7 Pois bem, é esse o privilégio reconhecido, entre nós, aos mal chamados representantes do povo: além de fazerem as leis, eles se atribuem a competência exclusiva para reformar a Constituição.
Como se isso não bastasse, a nossa inventividade jurídica chegou ao extremo de exigir a prévia autorização do Congresso Nacional para a realização de plebiscitos e referendos, que a Constituição reconhece expressamente como expressões da soberania popular (Constituição, art. 14). Ou seja, o mandante precisa da permissão do mandatário para manifestar sua vontade soberana!
Ora, no desenvolvimento desse enredo caviloso, a colaboração do oligopólio privado dos chamados meios de comunicação de massa não pode ser desprezada. O seu poder de pressão sobre o Congresso Nacional e os políticos em geral tem sido irresistível nos últimos decênios. A própria Constituição Federal de 1988 foi elaborada sob a influência dominante dos empresários do setor.
Um programa republicano e democrático para os meios de comunicação de massa
A magna tarefa que se impõe hoje, por conseguinte, no mundo inteiro, consiste em elaborar e instituir outra forma de relacionamento coletivo, pela qual os homens possam verdadeiramente se comunicar; isto é, pôr em comum suas idéias, sentimentos e opiniões. Sem isto, é inútil pretender ensaiar um verdadeiro regime democrático, pois ele pressupõe a capacidade do povo soberano de discutir entre si as grandes questões, de âmbito nacional ou internacional, sobre as quais deve decidir, e de interpelar constantemente os agentes estatais sobre as justificativas de sua conduta.
Algumas diretrizes impõem-se, para tanto.
Em primeiro lugar, é indispensável contar com uma alternativa fiável aos meios de comunicação de massa. Nesse sentido, deve-se estimular a criação de blogs autônomos e das chamadas redes sociais na internet. Muito embora até o momento restritas à minoria rica, é incontestável que elas restabelecem um relacionamento pessoal e direto entre os homens, agora no plano macrossocial. Não se deve, aliás, esquecer que a eleição de Barack Obama, nos Estados Unidos, deveu-se em boa parte à ação dessas redes sociais.
No terreno próprio das comunicações de massa, duas grandes diretrizes de reforma devem ser seguidas.
A primeira delas consiste em superar a carência legislativa.
Nunca é demais relembrar que a supressão das liberdades fundamentais pode ocorrer, tanto pelo excesso, quanto pela ausência de leis.
Nos regimes totalitários ou autoritários, as prescrições normativas são abundantes e minuciosas, e muitas delas vigoram secretamente, ao arbítrio dos que comandam. De modo que os cidadãos jamais sabem, ao certo, o que podem fazer sem sofrer sanções repressivas.
Mas o vácuo legislativo, tão louvado pelo liberalismo hodierno, provoca a mesma supressão das liberdades, porque o terreno social se abre então, amplamente, à dominação sem limites dos ricos e poderosos.
Ora, em nosso País o setor de comunicação social encontra-se, há vários decênios, largamente desprovido de leis. Até hoje, permanece em vigor o Código de Telecomunicações de 1962, cujas disposições já foram em grande parte revogadas, e as que ainda se encontram formalmente em vigor são descumpridas. É o que ocorre, por exemplo, com as normas constantes de seus artigos 38, alínea h, e 124, que fixam em 5% e 25%, respectivamente, o tempo mínimo para a transmissão de informações e o tempo máximo para a publicidade comercial.
Por outro lado, posto que promulgada a Constituição há mais de duas décadas, continuam sem regulamentação quase todas as suas disposições sobre a comunicação social; notadamente as que estabelecem as diretrizes gerais sobre a programação das emissões de rádio e televisão, e a proibição do estabelecimento em todo o setor, direta ou indiretamente, de monopólio ou oligopólio (artigos 220 e 221).
Para completar esse quadro em branco, o Supremo Tribunal Federal, em lamentável decisão de 30 de abril de 2009, jubilosamente acolhida pelos patrões das grandes empresas do setor, julgou implicitamente revogada pela Constituição a lei de imprensa de 1967. Somos, assim, um caso raro no mundo, de país que se dá ao luxo de viver sem lei de imprensa.
Diante dessa grave indigência legislativa, impõe-se a propositura, perante o Supremo Tribunal Federal, de uma ação de inconstitucionalidade por omissão, relativamente às disposições constitucionais pertinentes à comunicação social.
A segunda diretriz geral a ser seguida para a reformulação do setor de comunicação de massa em nosso País diz respeito, especificamente, ao rádio e à televisão.
Ambos utilizam-se, para as suas emissões, de um espaço público, ou seja, em boa etimologia e melhor doutrina, um espaço pertencente ao povo. Tratando-se de bem público, comum a todos, escusa lembrar que ele não pode ser apropriado por ninguém, nem pelo Estado nem pelos particulares. A função do Estado é simplesmente a de administrar a sua utilização em benefício do povo.
É exatamente por isso que, tanto aqui como alhures, a prestação do serviço público de radiodifusão sonora e de sons e imagens depende de autorização, concessão ou permissão da autoridade administrativa competente (Constituição Federal, art. 21, XII, alínea a).
Acontece que, entre nós, o decantado oligopólio empresarial que domina o setor atua na prática, e se considera em teoria, como proprietário desses canais de comunicação pertencentes ao povo. Chega-se até ao cúmulo do arrendamento de canais pelo seu concessionário. Ou seja, analogamente ao que ocorre com o soberano no campo político, aqui o legítimo dono é substituido por um usurpador que, a todo momento, alardeia seus pretensos direitos adquiridos e denuncia a censura estatal quando os Poderes Públicos procuram regulamentar o funcionamento desse serviço público.
A gestão do espaço público de comunicação deve, por conseguinte, competir a um órgão igualmente público, isto é, não subordinado a nenhum Poder estatal e muito menos a particulares. O Conselho de Comunicação Social, criado por força do art. 224 da Constituição Federal, não preenche tais requisitos. De um lado, porque foi declarado órgão auxiliar do Congresso Nacional; de outro, porque a Lei nº 8.389, de 1991, que o regulamentou, dele fez uma entidade solenemente inútil.
Importa assim criar, em todas as unidades da federação, um órgão regulador das atividades de comunicação social, que não seja mera agência estatal nem mandatário do oligopólio empresarial que domina o setor.
Da mesma forma, a utilização do espaço público de comunicação há de ser reservado preferencialmente a entidades públicas, vale repetir, não estatais nem privadas.
Sugiro, assim, que se crie, em todas as unidades da federação, sob a forma de fundação pública, um organismo de rádio e televisão, cujos administradores sejam designados pelo competente Conselho de Comunicação Social.
Por outro lado, vale a pena repetir que, se as emissões de rádio e televisão constituem um serviço público, as empresas privadas somente podem ser admitidas a prestá-lo mediante regular contrato de concessão, com a observância das exigências normais, como a licitação prévia (Constituição Federal, art. 175), inclusive para a renovação do contrato.
Escandalosamente, porém, não é o que ocorre no Brasil. Sob a pressão dos grandes empresários do setor, o Congresso Nacional inseriu na Constituição (artigos 223 e parágrafos) que as concessões de exploração de rádios e televisões sejam submetidas, em última instância, à decisão do próprio Congresso (Constituição, artigos 223 e parágrafos), o qual se revelou, nessa matéria, bem mais flexível que o Poder Executivo. Impõe-se, pois, a revogação dessas disposições aberrantes do sistema administrativo comum.
Na concessão do serviço público de comunicação social, preferência deve ser dada às rádios comunitárias, que têm sofrido toda sorte de preterições e constrangimentos, inclusive sanções penais, por iniciativa das macroempresas do setor.
É mister, além disso, suprimir o poder autocrático no seio das empresas privadas de imprensa, rádio e televisão, em razão do qual os patrões dispõem do privilégio de difundir suas opiniões pessoais na massa do público sobre todos os assuntos, e gozam até mesmo da prerrogativa de insultar impunemente seus desafetos! Em tais empresas, portanto, a partir de certa dimensão, a orientação editorial deveria competir a um conselho de administração composto, por metade, de representantes dos jornalistas que nela trabalham.
Tudo isso, contudo, seria vão, se não se garantisse efetivamente, a todos, o direito fundamental de expressão nessa área.
Proponho, com esse objetivo, duas medidas principais.
A primeira delas consiste na criação, a par do direito tradicional de resposta, destinado a garantir o respeito à verdade e à honra individual, um direito de defesa de interesses coletivos ou difusos, a ser exercido por associações ou fundações, cujos estatutos contenham essa previsão.
A segunda medida de reforço ao direito fundamental de expressão é a adoção do chamado direito de antena, já criado nas Constituições de Portugal (art. 40º) e Espanha (art. 20, alínea 3, in fine). Ele consiste na prerrogativa – a ser reconhecida, de preferência, a entidades representativas de setores dignos de proteção especial, como os grupos sociais vulneráveis – da livre utilização do rádio e da televisão, em tempo e horário fixados pela autoridade administrativa reguladora. Atualmente, esse direito existe no Brasil tão-só para os partidos políticos, por ocasião das campanhas eleitorais. Importa estendê-lo, permanentemente, aos grupos sociais relevantes da nossa sociedade civil.
Conclusão
Como arremate, permito-me voltar os olhos ao berço do regime democrático, a Atenas do século V a.C. Segundo o testemunho unânime dos grandes autores da antiguidade clássica, o traço fundamental da democracia ateniense era a liberdade de palavra, reconhecida indistintamente a todos os cidadãos (isegoria). Sócrates, por exemplo, um de seus críticos mais acerbos, queixou-se, no diálogo Protágoras de Platão, de que nas reuniões da Ekklésia, a assembléia do povo que decidia sobre as questões mais importantes da pólis, qualquer cidadão – carpinteiro, ferreiro, sapateiro, comerciante, armador – rico ou pobre, aristocrata ou plebeu, instruido ou ignorante, tinha o direito de usar da palavra e exprimir sua opinião. Na visão socrática, essa prerrogativa deveria ser reservada exclusivamente aos melhores cidadãos (aristoi).
Ao reinventarmos a democracia nos tempos modernos, o pretexto ridículo da impossibilidade de se reunir o povo em uma só praça fez com que a liberdade de expressão passasse a ser garantida, doravante, tão-só aos governantes e controladores dos meios de comunicação de massa.
Para abolir essa farsa, não basta, na verdade, criar as instituições adequadas, como sugeri nesta exposição. Elas são necessárias, mas não suficientes. É preciso também formar a consciência cívica do povo, segundo o princípio republicano e o ideal democrático.
Eis a grande missão pedagógica, destinada a formar uma nova humanidade para um mundo sem precedentes na História.
* Professor Emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra.



Excelente texto. Introduziu-me em um mundo antes desconhecido.
[...] vai entrar com uma ADIN por Omissão no Supremo, para obrigar o Congresso a regular os três artigos da Constituição de [...]
Constituição do Brasil – Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. (…) § 5º – Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.
Eis aí, um grande aula de conhecimento, esclarecimento, e democracia para todos nós Brasileiros.
Cumpre a todos que a leem, difundí-la aos amigos, familiares e demais concidãos, para alcançarmos seus objetivos de forma mais rápida.
Esse artigo do professor Comparato deveria ser lido esta semana em todas as escolas de comunicação. Excelente! Objetivo, denso, analítico, reflexivo, propositivo e acima de tudo, feito com uma escrita primorosamente saborosa
O Professor Comparato atirou no centro do alvo. O maior problema da humanidade é a mentira. Sócrates dizia: Não há mal sem a mentira e não há bem sem a verdade. Para acabar com a mentira e resolver os problemas todos da humanidade, só mesmo assegurando o direito de livre comunicação entre as pessoas para que o povo tenha informações verdadeiras. Hoje o poder militar foi substituído pelo poder da mídia oligopolizada e mentirosa. Vivemos em uma midiocracia mentirosa e precisamos evoluir para a democracia autentica. Parabéns Professor Fabio Konder Comparato.
As cabeças pensantes do governo Lula já estão atentas às advertências que se extraem desta magnífica aula de HISTÒRIA que o mestre ministrou no belo artigo.Os passos estão sendo dados em doses que não provoquem e permitam que a ruptura da ordem seja violada até porque a imprensa e o congresso ainda estão impregnados de sabujos e bajuladores.Vejam que as verbas do Estado foram pulverizadas nos meios de comunicação;a Confecom foi realizada aguardando-se assim um congresso mais favorável para implementar as suas diretrizes;a TV dos trabalhadores já se encontra instalada;a Blogosfera com a bandalarga acessível à todos e a internet nas escolas tornará este novo instrumento mais abrangente, popular e democrático.Outras medidas ,com certeza, já estão sendo pensadas e implementadas.É o que penso. Amigos vamos eleger um Congresso à altura dos interesses do povo brasileiro, votando em candidatos que apoiem as medidas benéficas à sociedade brasileira. O governo Lula beneficiou os pobres sem afundar os empresários e estes ainda reclamam pela avareza que estão possuidos.
Ali não se exige nada. Apenas, se ajoelha e se pede pelamordeDeus que, pelo menos, não se apequenem.
Excelente artigo, PH! Que sejam publicados outros mais como esse, do qual destaco este parágrafo:
“Para abolir essa farsa, não basta, na verdade, criar as instituições adequadas, como sugeri nesta exposição. Elas são necessárias, mas não suficientes. É preciso também formar a consciência cívica do povo, segundo o princípio republicano e o ideal democrático.”
A “consciência cívica” dos brasileiros tem de ser despertada o mais rapidamente possível. E tudo leva a crer que este é o momento para isso. Eleita presidente, Dilma tem a obrigação de priorizar a comunicação no Brasil, mesmo que isso exija um embate direto com a velha mídia. Se ele tiver de acontecer, que aconteça logo.
PHA,
Quero acentuar a falta de compromisso da OAB com esse assunto de relevância nacional, é inadmissível que uma instituição como a OAB dê mais ênfase às licenças médicas do Ministro Joaquim Barbosa, ou seja, prefere se afastar do princípio republicano e o ideal democrático.
Por oportuno, é digno destacar que no Estado Democrático de Direito não há direito absoluto, não deve ser diferente para os meios de comunicação, que devem ser submetidos à égide das leis, como todo simples mortal é submetido. No dia que os meios de comunicação no Brasil tiverem um mínimo de regramento a ser seguido e principalmente for submetido ao controle social, não mais existirá bandido travestido de jornalista perseguindo, caluniando e injuriando os cidadãos.
Divulgar os blogs sérios e comprometidos com a verdade é um primeiro passo para desmascarar essa mídía podre.Boicotar seus canais,bem como os produtos dos patrocinadores.Não comprar seus jornais e tampouco revistas.Por fim,criar uma consciência cívica a respeito,o que está sendo feito,passo a passo.
Parabéns pela iniciativa,de ir ao Spremo,Comparato.
Lembrando que o Fábio K. Comparato apóia a candidatura do Plínio de Arruda Sampaio. E eu também!
Já que eles querem censurar a Internet, regulamentação já das rádios e tv.
PHA, o Edu Guimarães no blog Cidadania.com postou a redação final da representação do MSM contra a globo e o SBT por partidarização das noticias. Vamos todos assinar.Será enviada ao MPE
A Internet é parte de uma nova grande mudança.
Ex presidente Fidel Castro afirma que “modelo” de Cuba não funciona mais.
Desenvolvidos e Subdesenvolvidos: A agenda global classificará os países pela respeitabilidade aos Direitos Humanos,respeitabilidade à diversidade, nível de Ensino, Instrução e democracia participativa.
Como afirma o mestre Comparato “Homens Novos Para Um Mundo Novo”.
Parabéns, ao professor Fabio Comparato, pela brilhante explanação desse tema tão importante para todos nós, enquanto seres coletivos inseridos no seio social. Permita-me, caro PHA, apenas acrescentar que essa decisão desarrazoada e temerária do STF, em 30 de abril de 2009, julgando revogada a lei de imprensa no nosso país, põe em risco a integridade da nação brasileira, já que muitos veículos de comunicação, capitaneados pela Globo, Folha e Estadão, fazem do princípio da liberdade de expressão um sinônimo de calúnia, injúria e difamação. Precisamos sim de uma lei que regule a imprensa, garantindo a liberdade de expressão aos verdadeiros jornalistas e punindo os pseudo-jornalistas, golpistas, fajutos, hipócritas, sujos e medíocres.
Parabéns, ao professor Fabio Comparato, pela brilhante explanação desse tema tão importante para todos nós, enquanto seres coletivos inseridos no seio social. Permita-me, caro PHA, apenas acrescentar que essa decisão desarrazoada e temerária do STF, em 30 de abril de 2009, julgando revogada a lei de imprensa no nosso país, põe em risco a integridade da nação brasileira, já que muiota veículos de comunicação, capitaneados pela Globo, Folha e Estadão, fazem do princípio da liberdade de expressão um sinônimo de calúnia, injúria e difamação. Precisamos sim de uma lei que regule a imprensa, garantindo a liberdade de expressão aos verdaeiros jornalistas e punindo os pseudo-jornalistas, golpistas, fajutos, hipócritas e sujos.
Para o conhecimento de todos, existe uma lei que isenta de impostos os Jornais e encartes de Jornais, adivinhem de quando é a Lei e seus legisladores, agora imaginem desde 1988, em plena força do Pig, se existi no congresso alguém que vai peitar tal iniciativa, pago para ver.
Qual é o debate que temos nesses quatros canais de comuni-
cação com os pobres deste país?Não vejo nada a respeito.
Tenho um grande dispreso por esses ditadores malditos.
Me sinto um inútil em matéria de representatividade na mí-
dia impressa e na televisiva!Vejo que é uma representação dos burguêses,nada mais.Os pobres são tratados pela mídia
como ladrões,assassinos,ou seja,escória!Como vamos elevar
o nível deste povo se não fazemos debates com a participa-
ção de todos?Maldita ditadura da comunicação!
Faz algum tempo eu vi um comentário em um destes blogs , que foi estatizada pelo governo da Venezuela uma poderoza rede de televisão e que seu propietário, um grande empresário das comunicações agora é um dos maiores acionista de um semanario aqui no brasil;Não sei se este comentário procede,mas em todo o caso se alguem souber alguma coisa sobre esste assunto,comente.
Ru as vezes sinto-me constrangida de opinar pois não tenho intrução mas acho ótimo poder participar e esses blogues e uma santa porta p/ a gente poder manifestar o livre direito de se expressar mesmo cometendo erros na escrita. Achei excepicional essa matéria é pena que dentro da camara dos deputados e senado não tenha gente das camadas menos favorecida pois normalmente quem nos “representa”? são geralmente politicos de muita grana , pois pessoas pobres não tem grana p/ fazer campanha politica e a midia fecha a porta para essas pessoas, então fica uma coisa elitizada. Ficamos sempre longe de podermos falar de manifestar nossos pontos de vistas e ajudar a melhorar ou fazer uma lei melhor etc… só os poderosos é que tem acesso aos meios e fins…
Cara Lis Maria,
Se o montão de gente arrogante, metida a culta, tivesse só um pouquinho da sabedoria que voce manifestou em seu comentário, este país já seria uma grande potência.
Qual ministro do Supremo que acaba de absolver o Maluf?
Acabei de encontrar o tema que Jandira Feghali debateu na conferência do Instituto Barão de Itararé, “Políticas públicas para democratização da comunicação.”
Não encontrei o conteúdo, pode ser que com a experiência no Rio de Janeiro ela tenha alguma solução para reverter o decreto que ela mesma impôs aos artistas de rua, para execer sua livre expressão e comunicação. Se alguém tiver esse discurso por favor enviar para o email: parapizarro@yahoo.com.br.
Agradecido.
É proibido qualquer direcionamento ou interpretação do fato ou noticia pelo orgão de imprensa.
Só lhes deve relatar o fato, cabe ao ouvinte, leitor, telespectador ou especialistas da matéria qualquer análise.
O que se hoje são mentiras, manipulações e muito desrespeito a sociedade quando não uma enorme incapacidade para uma concessão que é da sociedade para a sociedade.
A liberdade de expressão é uma exclusividade das quatro famílias mencionadas. Pois é para o MST usam o termo invasão, mas fico com o velho ditado “quem usa cuida’.
Sem inocentar e desejando maior diversidade na tela, Justiça seja feita à TV Record que não faz editoriais contra movimentos sociais e que nos seus programas jornalísticos tem mostrado o Brasil real.
Eu já comentei o texto do prof.Comparato na Carta hoje.Soberbo, perfeito! Temos que fazer um movimento realinado com o prof.Precisamos de provar que o povo brasileiro está conseguindo formar sua consciência cívica .Só precisamos é de mais gente como o prof. para nos encorajar a agir.
Que deputados, por São Paulo, apóiam a luta pela democracia da mídia? Alguém sabe?
PHA, vc viu o pronunciamento da secretário de Estado dos EUA, Hilary Clinton, para o povo brasileiro em comemoração ao 7 de setembro?
Vale a pena ver. Segue o link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=k15KyVlRofM
Será por quê a grande imprensa não divulgou? Será por quê o JN não falou nada a respeito?
Veja o vídeo e veja a resposta.
Belo texto para ser lido e distribuido aos que não acreditam no que acontece no Brasil nos dias de hoje.
Brilhante e inspirador o texto do Prof. Comparato.
Com relação ao poder exercido pelas empresas privadas de comunicação, gostaria apenas de acrescentar o aspecto tributário.
A Constituição Federal concede imunidade tributária (não incidência de ICMS) às empresas de rádio e televisão de sinal aberto (CF, Art.155, §2º, X, d). Trata-se de um privilégio injustificável e que se opõe flagrantemente ao princípio da isonomia.
As manchetes desta quarta, 8 de setembro, no “trio de ouro” da mídia nacional:
- Globo: Lula ignora denúncias e diz que a oposição faz baixaria
- Folha: Lula vai à TV e afirma que Serra partiu para ‘baixaria’
- Estadão: Lula vai à TV defender Dilma após escândalo
Obs.: é ou não é para rir? ou, quem sabe, chorar?
Existe comentário de pessoas ligadas à campanha do Serra que o candidato esta pretendendo, junto à imprensa, acabar pelo menos até as eleições, com os comentários que são abertos a nós internautas. Proibindo-nos de comentarmos as noticias publicadas pelo PIG, Esta dão, Glo bo, Foião, Terra, etc. Segundo eles, 80% dos comentários são a favor da Dilma. Mais uma vez Serra esta querendo censurar os nossos direitos. VAMOS DAR O TROCO VOTANDO DILMA.
Após leitura e releitura, analiso que: Ao povo não é permitido informações corretas, que permitam pensar, agir, cobrar. O que acreditamos que mudou, na realidade se acomodou/travestiu-se de bom democrata, mas continuam no poder, representados pela mídia oligárquica, seus “patrocinadores”, sem controle e sem compromisso com a memória, verdade e a justiça.
Excelente texto!As democracias modernas são um arremedo de ditaduras. O pior é que, nosso inimigo é invisível, pousa de guardião da liberdade,mas não passa de seu algós. No preríodo da ditadura, nosso inimigo era claro, existia em carne e osso. Hoje, temos esses pseudo-jornalistas, que não passam de “escravos da casa grande”, repassando as mensagens de seus “senhores” para a turma da senzala. Ou melhor, estes pseudo-jornalistas são mais parecidos com “feitores”,que, no afã de reconhecimento de seu “superior”, cumpre cegamente suas ordens, doa a quem doer. Ainda, vale ressaltar a estupidez desses “feitores da mídia”, que se consideram tão invulneráveis, que sequer preocupam-se com sua (im)postura diante de seus telespectadores, ouvintes ou leitores.
No Brasil, o primeiro passo para a democracia já começou com o Presidente Lula: garantir a satisfação das necessidades básicas do povo,pois a fome é o veneno que aliena.
Abaixo a midiacracia! Pela DEMOCRACIA DIRETA JÁ! É DILMA LÁ E MERCADANTE AQUI!
Olá PHA,
Parabéns pelo seu trabalho e por disponibilizar esse belo texto do Prof Fábio Comparato. Eu sempre digo aos meus alunos, o maior latifúndio que temos no Brasil é o do controle dos Meios de Comunicação Social, que não há discussão sobre esse controle, como aconteceram os processos de concessões, quais são as relações de poder que estão enolvidos com esses agentes. Exemplo: veja o caso da Veja que é distribuída na rede pública do Estado de São Paulo. Considero isso como um abuso de poder, uma forma de lavar o dinheiro público mascarando com o discurso de propiciar informações aos docentes, que na verdade exsite uma articulação para mentê-los calados e subrodinados ao mando de uma Educação onde os professores devem seguir os Caderninho do Secretário Paulo Renato, que queria privatizar as Universadades Públicas Federais no tempo do FHC.
PHA, excelente o artigo do prof. Comparato, penso que ele deveria ser divulgado e estudado por todos os brasileiros e sua decisão de ir ao Supremo vai revolucionar a comunicação no Brasil. Agora com a internete aberta e ampla, a mídia privada não poderá escondê-lo do debate natural.
A mídia não deveria interpretaros fatos, mas narrar os fatos.
Ao interpretar, procura passar sua ideologia, faz com as massas adotem a ideologia de seus inimigos. Isto é um perigo para a democracia. A mídia brasileira, como dos EE.UU. é dominada por grupos ideológicos da extrema direita. Querem mandar na soberania, mas sem mandato. Arvoram-se juizes e pregadores da verdade ideológica. O país precisa acordar e saber que isto não é liberdade de imprensa. A filosofia política deveria estudar isso seriamente. A soberania que é a vontade geral deve ser formada na análise e confronto de idéias e não na lavagem cerebral…
O Conversa Afiada com esta publicação já está engajado na missão pedagógica que nosso mestre Fabio Comparato exalta.
É um chamado para um papo cabeça, pensar, pensar e refletir, somar, atuar como cidadão soberano.
A expansão mundial do capitalismo, criou a desigualdade cada vez mais pronunciada de níveis de vida, como bem explica a matéria, e também mantém a violência, apatia social, a exclusão, a indiferença ao sofrimento alheio e divide o país entre os meritosos e competentes e os que nasceram sem o talento do “berço de ouro”.
Comparato é sábio!
Vida longa Comparato!
Pois é, vai ver que é por isso…
DOMINGO Pontos no Ibope: De 20h45 às 23h15
Domingo Espetacular: 15 (com Paulo Henrique Amorim)
Fantástico: 17
Silvio Santos: 11
Pânico na TV: 8 pontos
Este texto é uma homenagem ao povo “esquecido” brasileiro, oxalá fique na página durante o mês inteiro.
O oligopólio dos meios de comunicação utilizam serviço de concessão pública, para promover e garantir seus privilégios e distinções, e os da “burguesia” má do país, que impedem justiça, diálogo, igualdade e, promovem exclusão, violência e distração social.O fato novo é que os meios de comunicação estão dissociados das questões sociais (que são criminalizadas) cuidam de seus interesses privados, perderam credibilidade porque hoje a população identifica o poder ditatorial que exercem desde a origem das concessões durante o regime ditatorial.
Mais um Blablablá socialista. Chavez fez isso na venezuela e lá apenas existem emissoras estatais. Eu quero o capitalisimo
Texto extraordinário. Se tivessemos acesso real à liberdade de expressão não alimentaríamos o medo (irracional e, ao mesmo tempo, nem tanto irracional) de sermos manipulados por uma novelinha das seis, por exemplo. Desculpe, se depois de um texto desse, venho com uma teoria da conspiração sobre a nova novela da globo. Por que ela se chama Araguaia e ainda por cima tem Regina Duarte? E vai começar na semana que vem. O horário das seis não atinge muitos trabalhadores, mas…
Precisamos excluir definitivamente os verdadeiros bandidos deste País. O Vicente disse bem. “Eles” querem liberdade de imprensa, mas para dizer só, e exatamente o que lhes interessa. $$$$$$$$$$$. Quando o ser humano coloca o dinheiro acima de qualquer coisa, ele já perdeu a suu própria liberdade. A liberdade dele depende do dinheiro, ou do acesso à ele.
Muitas e muitas vezes fico pensando, como no governo FHC puderam fazer o que fizeram. Deram quase tudo para os estrangeiros e de graça, quando não com financiamento do BNDS (dinheiro do tabalhador brasileiro). O brasileiro que tem o mínimo de decência, fica totalmente indignado.
Os verdadeiros bandidos estão aí. O resto é consequência.
Por isso é tão difícil no Brasil, se manter honesto. Ponto.
Cumprimento o Conversa Afiada pela publicação deste texto magistral.É documento para celebrar o espírito republicano e democrático do professor Fábio Konder Comparato e a lembrança/possibilidade “Homens Novos Para um Mundo Novo”, é uma esperança para os que estão pessimistas diante da realidade cruel.
“o povo somente é admitido à cena política no momento das eleições”.
Eu particularmente entendo que o momento das eleições, para o eleitor resume-se ao voto obrigatório, porque o povo não participa da escolha dos candidatos, do programa de governo, dos debates, da escolha de ministros, da vida política para o bem comum.Sobre o oligopólio dos meios de comunicação é de estarrecer que lei de 1962, mantenha o poder midiático que promove o efeito ‘bumerangue” o que eles promovem como “propaganda” o povo consome e, os lucros retornam para eles mesmos. Este é o projeto perfeito de manutenção de poder intocável, dos intocáveis, que submetem o povo à escravidão consentida.
“Odeio o monopólio.Para mim, tudo o que não pode ser dividido com as multidões é tabu”.Mahtma Gandhi.
Não se pode esquecer que a própria “mídia brasileira” possui muitos dos seus “proprietários” encastelados no Congresso Nacional, contrariando a própria Constituição. Assim, creio ser conveniente e coerente, com essa nova ordem, a condição de que as Concessões em poder dos Congressistas sejam devidamente canceladas, promovendo, ao menos numa primeira abordagem, o cumprimento da Lei vigente porém desrespeitada vergonhosamente.
Irretocável exemplo do poder do conhecimento. Um artigo obrigatório para a compreensão do momento atual brasileiro no que tange ao (baixo) debate que tem sido feito sobre a questão do controle social da mídia. Debate que vem sendo proposto pelos donos dos meios, temerosos de perder o poder que não lhes foi delegado.
Quem eram os terroristas?
http://www.youtube.com/watch?v=eYKBoiPZoCM&feature=player_embedded
Por falar em se comunicar…
Faço a seguinte proposta para o Conversa Afiada.
É um alento ter o Conversa Afiada, O Escrevinhador, Vi o Mundo entre outros para ter onde expressar as angustias que vivemos no dia a dia com as informações do PIG e seus golpes contra nos povo.
Fico realmente feliz em ter isso.
Porque não criar um CHAT aberto 24 horas por dia? Poderia ser um CHAT divulgado em todos so blogs progressistas. Seria bacana o papo de todos aqui em tempo real debatendo e colocando ideias. Precisamos desse espaço. Deve ser organizado por vocês que fizeram o 1º encontro de blogueiros do bem!
Garanto que seria um sucesso e traria cada vez mais internautas para o movimento fazendo com que todos exercitem o direito da comunicação numa grande masturbação cognitica publica. =D
Tô contigo.
Entendi.
Esse Comparato é simplesmente necessário. Aliás, esse artigo, irretocável, por esclarecer a falsidade de nosso regime político, junta-se a outros do mesmo autor que devem ser fonte de consulta para qualquer um interessado em assuntos sérios.
Mais que isso, Comparato traz em uma línguagem acessível o que muitos não conseguem traduzir em livros. E esse tema revela o quanto temos a fazer para que esse Brasil avance rumo à Democracia. Porém, enquanto a maioria da população persistir assistindo aos canais ”abertos” de televisão e usando-os como fonte de informação, estaremos fadados a derrota demmocrática.
Obrigado ao PHA por ceder espaço aos pensamentos do Comparato e que outros jornalistas, juristas e afins divulguem ideias nobres nessa bendita internete para termos um contra-ponto às falsas ideias do PIG – muito bem apelidada pelo mesmo PHA.
Sugestão para nova lei da mídia:
1) Conhecimento e informação é poder. Democracia é o poder do povo, exercido pelo povo e para povo. Todo cidadão tem direito e acesso ao poder.
2) Conhecimento e informação são fundamentais para formação do juízo. Justiça só existe e é aperfeiçoada se todos os cidadãos tiverem acesso ao conhecimento e informação fidedigna. A justiça fortalece e pacifica a sociedade.
3) Conhecimento e informação são fundamentos do arbítrio e tomada de decisões acertadas. Ocultar conhecimento e manipular informação é crime hediondo e contra a segurança nacional.
4) Revogam-se todas as práticas e disposições contrárias, pelo bem e direito do povo e nação.
Excelente texto, puro suco de democracia.
Espero que consigamos implantar como lei, e acabar de uma vez por todas com os monopólios de comunicação de massa, e colocar esse instrumento operando em nome do povo brasileiro, e não servindo apenas aos interesses dos proprietários do até então quarto poder.
Paulo,
Concordo com você.
A militância de jornalistas na campanha do PSDB a favor de Jose Serra é vergonhosa, os grandes veículos de comunicação estão atuando como partidos politicos, o Presidente Lula deveria proibir a presença deles em todos os eventos em que ele participar e os candidatos da coligação que apóia a Dilma também, porque eles não querem mais noticiar, eles querem caluniar, achincalhar, debochar e mais ainda eles querem que a opinião deles seja a verdade absoluta, mesmo sendo sabendo que estão sofismando.
Resta-me aplaudi-lo. É um mestre. Só complemento que com a popularização da internet,a ampliação da banda-larga com ou sem fio,o quadro realmente estará mais favorável à democracia. Faço minha parte. Emito aqui e ali meus pareceres. As vezes escrevo tanto que passo das 15 linhas(aqui mesmo acontece). Não faz mal,mas alguém viu o peixe que vendi,é o que vale. Além de emitir meus pareceres, sinto-me na obrigação democrática de divulgar este e demais blog-jornalistas progressistas,pois precisamos afrontar os discípulos de Goebbels e suas redes.
Pensamento claro, argumentação irretocavel, ideias justas.
Oxalá se consiga, pelo menos discutir decente e seriamente o assunto. Podemos colaborar oportunamente com milhares ou milhões de apelos ao Supremo, e aos deputados e senadores que agora elegermos.
Sobre o que virá por aí depois do fracasso da “Operação Sigilo”, reuni os links no meu blog
http://josecarloslima78.blogspot.com
Fabio Comparato é um jurista sério e competente. Sabe o que e o faz com propriedade. Esta OAB é parte da elite deste país. Com ela não contamos se queremos democracia nas comunicações no país.
Não dá para entender porque a TV Brasil não criou programas que discutissem assuntos como esse (me desculpem, mas Observatório da Imprensa já caducou mergulhado em corporativismo, uma doença, na minha modesta opinião). O próximo governo (Dilma, assim esperamos) irá enfrentar esse problema, como quer a sociedade?
Os pobres, filhos de pobres, famílias pobres, o povo pobre, do Brasil vão votar em Dilma. Os pobres votam em Dilma, as famílias pobres votam em Dilma, os filhos de pobres votam em Dilma!!! O almoço do pobre, casa de pobres do humorista Zé Lezin.
http://www.youtube.com/watch?v=7po06xW-4KQ
O programa de Dilma do dia 07/09/2010(da noite) está muito bom, de bom nível, sem baixaria, sem calúnias, sem difamações, sem radicalismo político, mas apresentando propostas, mostrando que o Brasil melhorou em todas as regiões brasileiras e para todos os brasileiros. O programa de Dilma com o presidente Lula ajuda os mais pobres, carentes, humildes, sofridos, com propostas, idéias, projetos, ações que melhorem a qualidade de vida do povo pobre, filhos de pobres, famílias pobres, os que precisam do Bolsa-Família, programas sociais do governo Lula. O povo pobre, os filhos de pobres, as famílias pobres, votam em Dilma. O povo pobre vota em Dilma, os filhos de pobres votam em Dilma, as famílias pobres votam em Dilma,…
Serra está desesperado, é o desespero dos oposicionistas que querem destruir o presidente Lula!!!
” É preciso também formar a consciência cívica do povo,”
Senti isso ontem na pele ao tentar argumentar com uma pessoa que se diz intelectualizada.Todos os argumentos que ele usou,citava que tinha visto no tal jornal nacional.Como eu conseguia desmontar as teses dele,meio irritado ele me perguntou como eu “sabia disso”.Respondi,o primeiro fato é que eu não me informo pela globo,porque ela não informa,ela manipula e vc é a prova cabal disso,segundo,eu não sou desmiolado e muito menos preguiçoso mental e terceiro,hoje pela internet vc tem fontes muito mais confiáveis e em caso de dúvida,uma simples pesquisa desmascara todos os factóides criados pelos que não pensam no Brasil,mas em manter os privilégios,muitos deles recebidos em troca de favores prestados contra a população brasileira.Essa consciência cívica só acontecerá quando os zumbis,sairem da inércia e terem ânimo de pelo menos usar um simples dedo para apertar um botão em um controle remoto.Esse simples gesto fará uma grande diferença.
Tal fato também acontece comigo. O pior disso que tem gente que acessa a rede para acessar os sites dos mesmos e afirmar que foi na internet e não viu nada. Como aquela propaganda canta:
“… que coisa triste… que coisa triste!”
Como no comentário anterior: vamos divulgar.
A internet é a Feira-Moderna.
Paulo,
Esse é um assunto que deve ser esmiuçado para melhor entendimento do cidadão comum. A partir do entendimento de como funciona essas concessões, ele possa fazer pressão junto a seus representantes no Congresso para mudar este estado de coisas diferentes do que estabelece a Constituição. No entanto, a mudança tem que começar em 3 de outubro, pois com a maioria dos politios que estão hoje no Congresso, nada irá mudar.
Esse trabalho de conscientização do cidadão comum dos seus direitos, será um trabalho nobre e recompensador para a blogosfera de um forma geral.
Eu apóio esta iniciativa, mas pessoalmente acho que ela é muito tímida.
É preciso ir na garganta dos barões da mídia e regulamentar os princípios constitucionais que norteiam a liberdade de imprensa, inclusive e principalmente para FREAR o abuso descarado e partidário que está sendo feito diariamente nos jornais, revistas, rádios e TVs em favor do tucano empalhado extinto.
DEM/PSDB são partidos incompetente e preguiçosos. Não se preocupam em criar bases de apoio porque contam com a militância jornalística. E se beneficiam da militância jornalística porque ela goza da aura de imparcialidade.
“O professor Comparato fez, inicialmente, essa proposta à Ordem dos Advogados do Brasil, mas, até agora, a OAB não moveu uma palha.”
Claro, a OAB só se mete onde não é chamada e quando não é necessário. Isso mostra os interesses políticos da entidade que defende corporativamente apenas o que não lhe interessa. E a OAB vai querer comprar briga com o PIG?
PHA,
Como e porque a mídia está pautando o debate sobre a quebra de sigilo evitando que se saiba o conteúdo dele?
Eles estão agindo de forma anti-democrática e parcialíssima uma que são useiros e veseiros de conseguirem informações sigilosas e jogarem na mídia.
Seria bom saber se houve acesso ao sigilo da Dilma.
Esse é o modus operandi da direita torpe, representante da elite perversa brasileira: Matam a cobra mas não mostram a cobra morta, ou seja, acusam mas não mostram as provas de suas acusações.
Acusam compra de dossiê mas não mostram o conteúdo do tal dossiê, acusam a quebra de sigilo mas não mostram os dados da declaração cujo sigilo foi quebrado. Eles são cheios de segredinhos. Porque não mostram o conteúdo das declarações, senão teem nada a esconder???? Mafiosos de araque.
Só fazem o que fazem, por que contam com a cobertura da grande média, digo, mídia nacional, que é uma vergonha de entreguismo e trairagem. BASTA dessa corja segurando as rédeas do país. Sem fim será selado de uma vez por todas, em 03/10/2010.
“O BRASIL para TODOS não passa na gLOBo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS”