Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Publicado em 02/04/2011

O discurso de Jango na Central. Que o Lula e a Dilma podem fazer hoje

O Conversa Afiada reproduz o Blog do Miro que teve a boa ideia de publicar discurso de João Goulart.

Crescer com inclusão

 

O Conversa Afiada reproduz o Blog do Miro que teve a boa ideia de publicar o notável discurso do grande presidente João Goulart, na Central do Brasil, duas semanas antes de ser deposto.

O Miro deve se solidarizar com aqueles que, até, hoje, celebram – de forma aberta ou fechada – a intervenção militar de 1o de abril de 1964.

(Como se sabe, este ansioso blog evitar chamar de “ditadura”, palavra que se banalizou na mão de historialistas brasileiros.)

Este discurso merece estar ao lado da Carta Testamento de Vargas.

É uma pena que o PT e o próprio Lula reneguem a filiação a Vargas, Jango e Brizola.

Ao primeiro trabalhismo.

Esse discurso trata da reforma agrária.

Toma medidas para fortalecer a Petrobrás, sempre ameaçada pelo que Jango chamou de “reação” (o amigo navegante sabe quem é ela, hoje).

Exige democracia e o direito de expressão e de reunião.

Ou seja, uma Ley de Medios (a que povoca coceira no Ministro Paulo Bernardo).

Como dizia o meu colega no Jornal do Brasil, Raul Ryff, que foi assessor de imprensa de Jango, “Jango caiu por suas virtudes”.

Quel é o lema do discurso, amigo navegante ?

Desenvolvimento com igualdade.

Que Lula e Dilma adaptaram para “crescer com inclusão”.

A Kátia Abreu não deve ler esse discurso.

O Bolsonaro também não.

Nem o Padim Pade Cerra, que estava no palanque como presidente da UNE e duas semanas depois se pirulitou heroicamente para o Chile.

Essa é boa leitura para os que pensam que o trabalhismo do PT foi uma “geração espontânea”.

Vão ter uma surpresa.

Ao Jango, pela mão do Miro:

O discurso de Jango e o golpe de 1964



Reproduzo o corajoso discurso de João Goulart no comício de 13 de março de 1964, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Poucos dias depois, em 1 de abril, os generais – a serviço dos latifundiários e do grande capital nacional e estrangeiro, com o apoio direto do governo dos EUA e o respaldo da mídia patronal – deram o golpe e depuseram um presidente eleito democraticamente, que prometia importantes reformas de base no país:


Devo agradecer em primeiro lugar às organizações promotoras deste comício, ao povo em geral e ao bravo povo carioca em particular, a realização, em praça pública, de tão entusiasta e calorosa manifestação. Agradeço aos sindicatos que mobilizaram os seus associados, dirigindo minha saudação a todos os brasileiros que, neste instante, mobilizados nos mais longínquos recantos deste país, me ouvem pela televisão e pelo rádio.


Dirijo-me a todos os brasileiros, não apenas aos que conseguiram adquirir instrução nas escolas, mas também aos milhões de irmãos nossos que dão ao brasil mais do que recebem, que pagam em sofrimento, em miséria, em privações, o direito de ser brasileiro e de trabalhar sol a sol para a grandeza deste país.


Presidente de 80 milhões de brasileiros, quero que minhas palavras sejam bem entendidas por todos os nossos patrícios.


Vou falar em linguagem que pode ser rude, mas é sincera sem subterfúgios, mas é também uma linguagem de esperança de quem quer inspirar confiança no futuro e tem a coragem de enfrentar sem fraquezas a dura realidade do presente.


Aqui estão os meus amigos trabalhadores, vencendo uma campanha de terror ideológico e sabotagem, cuidadosamente organizada para impedir ou perturbar a realização deste memorável encontro entre o povo e o seu presidente, na presença das mais significativas organizações operárias e lideranças populares deste país.


Chegou-se a proclamar, até, que esta concentração seria um ato atentatório ao regime democrático, como se no Brasil a reação ainda fosse a dona da democracia, e a proprietária das praças e das ruas. Desgraçada a democracia se tiver que ser defendida por tais democratas.


Democracia para esses democratas não é o regime da liberdade de reunião para o povo: o que eles querem é uma democracia de povo emudecido, amordaçado nos seus anseios e sufocado nas suas reinvindicações.


A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia antipovo, do anti-sindicato, da anti-reforma, ou seja, aquela que melhor atende aos interesses dos grupos a que eles servem ou representam.


A democracia que eles querem é a democracia para liquidar com a Petrobrás; é a democracia dos monopólios privados, nacionais e internacionais, é a democracia que luta contra os governos populares e que levou Getúlio Vargas ao supremo sacrifício.


Ainda ontem, eu afirmava, envolvido pelo calor do entusiasmo de milhares de trabalhadores no Arsenal da Marinha, que o que está ameaçando o regime democrático neste País não é o povo nas praças, não são os trabalhadores reunidos pacificamente para dizer de suas aspirações ou de sua solidariedade às grandes causas nacionais. Democracia é precisamente isso: o povo livre para manifestar-se, inclusive nas praças públicas, sem que daí possa resultar o mínimo de perigo à segurança das instituições.


Democracia é o que o meu governo vem procurando realizar, como é do seu dever, não só para interpretar os anseios populares, mas também conquistá-los pelos caminhos da legalidade, pelos caminhos do entendimento e da paz social.


Não há ameaça mais séria à democracia do que desconhecer os direitos do povo; não há ameaça mais séria à democracia do que tentar estrangular a voz do povo e de seus legítimos líderes, fazendo calar as suas mais sentidas reinvindicações.


Estaríamos, sim, ameaçando o regime se nos mostrássemos surdos aos reclamos da Nação, que de norte a sul, de leste a oeste levanta o seu grande clamor pelas reformas de estrutura, sobretudo pela reforma agrária, que será como complemento da abolição do cativeiro para dezenas de milhões de brasileiros que vegetam no interior, em revoltantes condições de miséria.


Ameaça à democracia não é vir confraternizar com o povo na rua. Ameaça à democracia é empulhar o povo explorando seus sentimentos cristãos, mistificação de uma indústria do anticomunismo, pois tentar levar o povo a se insurgir contra os grandes e luminosos ensinamentos dos últimos Papas que informam notáveis pronunciamentos das mais expressivas figuras do episcopado brasileiro.


O inolvidável Papa João XXIII é quem nos ensina que a dignidade da pessoa humana exige normalmente como fundamento natural para a vida, o direito ao uso dos bens da terra, ao qual corresponde a obrigação fundamental de conceder uma propriedade privada a todos.


É dentro desta autêntica doutrina cristã que o governo brasileiro vem procurando situar a sua política social, particurlamente a que diz respeito à nossa realidade agrária.


O cristianismo nunca foi o escudo para os privilégios condenados pelos Santos Padres. Nem os rosários podem ser erguidos como armas contra os que reclamam a disseminação da propriedade privada da terra, ainda em mãos de uns poucos afortunados.


Àqueles que reclamam do Presidente de República uma palavra tranqüilizadora para a Nação, o que posso dizer-lhes é que só conquistaremos a paz social pela justiça social.


Perdem seu tempo os que temem que o governo passe a empreender uma ação subversiva na defesa de interesses políticos ou pessoais; como perdem igualmente o seu tempo os que esperam deste governo uma ação repressiva dirigida contra os interesses do povo. Ação repressiva, povo carioca, é a que o governo está praticando e vai amplia-la cada vez mais e mais implacavelmente, assim na Guanabara como em outros estados contra aqueles que especulam com as dificuldades do povo, contra os que exploram o povo e que sonegam gêneros alimentícios e jogam com seus preços.


Ainda ontem, trabalhadores e povo carioca, dentro da associações de cúpula de classes conservadoras, levanta-se a voz contra o Presidente pelo crime de defender o povo contra aqueles que o exploram nas ruas, em seus lares, movidos pela ganância.


Não tiram o sono as manifestações de protesto dos gananciosos, mascarados de frases patrióticas, mas que, na realidade, traduzem suas esperanças e seus propósitos de restabelecer a impunidade para suas atividades anti-sociais.


Não receio ser chamado de subversivo pelo fato de proclamar, e tenho proclamado e continuarei a proclamando em todos os recantos da Pátria – a necessidade da revisão da Constituição, que não atende mais aos anseios do povo e aos anseios do desenvolvimento desta Nação.


Essa Constituição é antiquada, porque legaliza uma estrutura sócio-econômica já superada, injusta e desumana; o povo quer que se amplie a democracia e que se ponha fim aos privilégios de uma minoria; que a propriedade da terra seja acessível a todos; que a todos seja facultado participar da vida política através do voto, podendo votar e ser votado; que se impeça a intervenção do poder econômico nos pleitos eleitorais e seja assegurada a representação de todas as correntes políticas, sem quaisquer discriminações religiosas ou ideológicas.


Todos têm o direito à liberdade de opinião e de manifestar também sem temor o seu pensamento. É um princípio fundamental dos direitos do homem, contido na Carta das Nações Unidas, e que temos o dever de assegurar a todos os brasileiros.


Está nisso o sentido profundo desta grande e incalculável multidão que presta, neste instante, manifestação ao Presidente que, por sua vez, também presta conta ao povo dos seus problemas, de suas atitudes e das providências que vem adotando na luta contra forças poderosas, mas que confia sempre na unidade do povo, das classes trabalhadoras, para encurtar o caminho da nossa emancipação.


É apenas de lamentar que parcelas ainda ponderáveis que tiveram acesso à instrução superior continuem insensíveis, de olhos e ouvidos fechados à realidade nacional.


São certamente, trabalhadores, os piores surdos e os piores cegos, porque poderão, com tanta surdez e tanta cegueira, ser os responsáveis perante a História pelo sangue brasileiro que possa vir a ser derramado, ao pretenderem levantar obstáculos ao progresso do Brasil e à felicidade de seu povo brasileiro.


De minha parte, à frente do Poder Executivo, tudo continuarei fazendo para que o processo democrático siga um caminho pacífico, para que sejam derrubadas as barreiras que impedem a conquista de novas etapas do progresso.


E podeis estar certos, trabalhadores, de que juntos o governo e o povo – operários , camponeses, militares, estudantes, intelectuais e patrões brasileiros, que colocam os interesses da Pátria acima de seus interesses, haveremos de prosseguir de cabeça erguida, a caminhada da emancipação econômica e social deste país.


O nosso lema, trabalhadores do Brasil, é “progresso com justiça, e desenvolvimento com igualdade”.


A maioria dos brasileiros já não se conforma com uma ordem social imperfeita, injusta e desumana. Os milhões que nada têm impacientam-se com a demora, já agora quase insuportável, em receber os dividendos de um progresso tão duramente construído, mas construído também pelos mais humildes.


Vamos continuar lutando pela construção de novas usinas, pela abertura de novas estradas, pela implantação de mais fábricas, por novas escolas, por mais hospitais para o nosso povo sofredor; mas sabemos que nada disso terá sentido se o homem não for assegurado o direito sagrado ao trabalho e uma justa participação nos frutos deste desenvolvimento.


Não, trabalhadores; sabemos muito bem que de nada vale ordenar a miséria, dar-lhe aquela aparência bem comportada com que alguns pretendem enganar o povo. Brasileiros, a hora é das reformas de estrutura, de métodos, de estilo de trabalho e de objetivo. Já sabemos que não é mais possível progredir sem reformar; que não é mais possível admitir que essa estrutura ultrapassada possa realizar o milagre da salvação nacional para milhões de brasileiros que da portentosa civilização industrial conhecem apenas a vida cara, os sofrimentos e as ilusões passadas.


O caminho das reformas é o caminho do progresso pela paz social. Reformar é solucionar pacificamente as contradições de uma ordem econômica e jurídica superada pelas realidades do tempo em que vivemos.


Trabalhadores, acabei de assinar o decreto da SUPRA com o pensamento voltado para a tragédia do irmão brasileiro que sofre no interior de nossa Pátria. Ainda não é aquela reforma agrária pela qual lutamos.


Ainda não é a reformulação de nosso panorama rural empobrecido.


Ainda não é a carta de alforria do camponês abandonado.


Mas é o primeiro passo: uma porta que se abre à solução definitiva do problema agrário brasileiro.


O que se pretende com o decreto que considera de interesse social para efeito de desapropriação as terras que ladeiam eixos rodoviários, leitos de ferrovias, açudes públicos federais e terras beneficiadas por obras de saneamento da União, é tornar produtivas áreas inexploradas ou subutilizadas, ainda submetidas a um comércio especulativo, odioso e intolerável.


Não é justo que o benefício de uma estrada, de um açude ou de uma obra de saneamento vá servir aos interesses dos especuladores de terra, quese apoderaram das margens das estradas e dos açudes. A Rio-Bahia, por exemplo, que custou 70 bilhões de dinheiro do povo, não deve bemeficiar os latifundiários, pela multiplicação do valor de suas propriedades, mas sim o povo.


Não o podemos fazer, por enquanto, trabalhadores, como é de prática corrente em todos os países do mundo civilizado: pagar a desapropriação de terras abandonadas em títulos de dívida pública e a longo prazo.


Reforma agrária com pagamento prévio do latifundio improdutivo, à vista e em dinheiro, não é reforma agrária. É negócio agrário, que interessa apenas ao latifundiário, radicalmente oposto aos interesses do povo brasileiro. Por isso o decreto da SUPRA não é a reforma agrária.


Sem reforma constitucional, trabalhadores, não há reforma agrária. Sem emendar a Constituição, que tem acima de dela o povo e os interesses da Nação, que a ela cabe assegurar, poderemos ter leis agrárias honestas e bem-intencionadas, mas nenhuma delas capaz de modificações estruturais profundas.


Graças à colaboração patriótica e técnica das nossas gloriosas Forças Armadas, em convênios realizados com a SUPRA, graças a essa colaboração, meus patrícios espero que dentro de menos de 60 dias já comecem a ser divididos os latifúndios das beiras das estradas, os latifúndios aos lados das ferrovias e dos açudes construídos com o dinheiro do povo, ao lado das obras de saneamento realizadas com o sacrifício da Nação. E, feito isto, os trabalhadores do campo já poderão, então, ver concretizada, embora em parte, a sua mais sentida e justa reinvindicação, aquela que lhe dará um pedaço de terra para trabalhar, um pedaço de terra para cultivar. Aí, então, o trabalhador e sua família irão trabalhar para si próprios, porque até aqui eles trabalham para o dono da terra, a quem entregam, como aluguel, metade de sua produção. E não se diga, trabalhadores, que há meio de se fazer reforma sem mexer a fundo na Constituição. Em todos os países civilizados do mundo já foi suprimido do texto constitucional parte que obriga a desapropriação por interesse social, a pagamento prévio, a pagamento em dinheiro.


No japão de pós-guerra, há quase 20 anos, ainda ocupado pelas forças aliadas vitoriosas, sob o patrocínio do comando vencedor, foram distribuídos dois milhões e meio de hectares das melhores terras do país, com indenizações pagas em bônus com 24 anos de prazo, juros de 3,65% ao ano. E quem é que se lembrou de chamar o General MacArthur de subversivo ou extremista?


Na Itália, ocidental e democrática, foram distribuídos um milhão de hectares, em números redondos, na primeira fase de uma reforma agrária cristã e pacífica iniciada há quinze anos, 150 mil famílias foram beneficiadas.


No méxico, durante os anos de 1932 a 1945, foram distribuídos trinta milhões de hectares, com pagamento das indenizações em títulos da dívida pública, 20 anos de prazo, juros de 5% ao ano, e desapropriação dos latifúndios com base no valor fiscal.


Na índia foram promulgadas leis que determinam a abolição da grande propriedade mal aproveitada, transferindo as terras para os camponeses.


Essas leis abrangem cerca de 68 milhões de hectares, ou seja, a metade da área cultivada da Índia. Todas as nações do mundo, independentemente de seus regimes políticos, lutam contra a praga do latifúndio improdutivo.


Nações capitalistas, nações socialistas, nações do Ocidente, ou do Oriente, chegaram à conclusão de que não é possível progredir e conviver com o latifúndio.


A reforma agrária não é capricho de um governo ou programa de um partido. É produto da inadiável necessidade de todos os povos do mundo. Aqui no Brasil, constitui a legenda mais viva da reinvindicação do nosso povo, sobretudo daqueles que lutaram no campo.


A reforma agrária é também uma imposição progressista do mercado interno, que necessita aumentar a sua produção para sobreviver.


Os tecidos e os sapatos sobram nas prateleiras das lojas e as nossas fábricas estão produzindo muito abaixo de sua capacidade. Ao mesmo tempo em que isso acontece, as nossas populações mais pobres vestem farrapos e andam descalças, porque não tem dinheiro para comprar.


Assim, a reforma agrária é indispensável não só para aumentar o nível de vida do homem do campo, mas também para dar mais trabalho às industrias e melhor remuneração ao trabalhador urbano.


Interessa, por isso, também a todos os industriais e aos comerciantes. A reforma agrária é necessária, enfim, à nossa vida social e econômica, para que o país possa progredir, em sua indústria e no bem-estar do seu povo.


Como garantir o direito de propriedade autêntico, quando dos quinze milhões de brasileiros que trabalham a terra, no Brasil, apenas dois milhões e meio são proprietários?


O que estamos pretendendo fazer no Brasil, pelo caminho da reforma agrária, não é diferente, pois, do que se fez em todos os países desenvolvidos do mundo. É uma etapa de progresso que precisamos conquistar e que haveremos de conquistar.


Esta manifestação deslumbrante que presenciamos é um testemunho vivo de que a reforma agrária será conquistada para o povo brasileiro. O próprio custo daprodução, trabalhadores, o próprio custo dos gêneros alimentícios está diretamente subordinado às relações entre o homem e a terra. Num país em que se paga aluguéis da terra que sobem a mais de 50 por cento da produção obtida daquela terra, não pode haver gêneros baratos, não pode haver tranquilidade social. No meu Estado, por exemplo, o Estado do deputado Leonel Brizola, 65% da produção de arroz é obtida em terras alugadas e o arrendamento ascende a mais de 55% do valor da produção. O que ocorre no Rio Grande é que um arrendatário de terras para plantio de arroz paga, em cada ano, o valor total da terra que ele trabahou para o proprietário. Esse inquilinato rural desumano é medieval é o grande responsável pela produção insuficiente e cara que torna insuportável o custo de vida para as classes populares em nosso país.


A reforma agrária só prejudica a uma minoria de insensíveis, que deseja manter o povo escravo e a Nação submetida a um miseravel padrão de vida.


E é claro, trabalhadores, que só se pode iniciar uma reforma agrária em terras economicamente aproveitáveis. E é claro que não poderíamos começar a reforma agrária, para atender aos anseios do povo, nos Estados do Amazonas ou do Pará. A reforma agrária deve ser iniciada nas terras mais valorizadas e ao lado dos grandes centros de consumo, com transporte fácil para o seu escoamento.


Governo nenhum, trabalhadores, povo nenhum, por maior que seja seu esforço, e até mesmo o seu sacrifício, poderá enfrentar o monstro inflacionário que devora os salários, que inquieta o povo assalariado, se não form efetuadas as reformas de estrutura de base exigidsa pelo povo e reclamadas pela Nação.


Tenho autoridade para lutar pela reforma da atual Constituição, porque esta reforma é indispensável e porque seu objetivo único e exclusivo é abrir o caminho para a solução harmônica dos problemas que afligem o nosso povo.


Não me animam, trabalhadores – e é bom que a nação me ouça – quaisquer propósitos de ordem pessoal. Os grandes beneficiários das reformas serão, acima de todos, o povo brasileiro e os governos que me sucederem. A eles, trabalhadores, desejo entregar uma Nação engrandecida, emancipada e cada vez mais orgulhosa de si mesma, por ter resolvido mais uma vez, pacificamente, os graves problemas que a História nos legou. Dentro de 48 horas, vou entregar à consideração do Congresso Nacional a mensagem presidencial deste ano.


Nela, estão claramente expressas as intenções e os objetivos deste governo. Espero que os senhres congressistas, em seu patriotismo, compreendam o sentido social da ação governamental, que tem por finalidade acelerar o progresso deste país e assegurar aos brasileiros melhores condições de vida e trabalho, pelo caminho da paz e do entendimento, isto é pelo caminho reformista.


Mas estaria faltando ao meu dever se não transmitisse, também, em nome do povo brasileiro, em nome destas 150 ou 200 mil pessoas que aqui estão, caloroso apelo ao Congresso Nacional para que venha ao encontro das reinvindicações populares, para que, em seu patriotismo, sinta os anseios da Nação, que quer abrir caminho, pacífica e democraticamente para melhores dias. Mas também, trabalhadores, quero referir-me a um outro ato que acabo de assinar, interpretando os sentimentos nacionalistas destes país. Acabei de assinar, antes de dirigir-me para esta grande festa cívica, o decreto de encampação de todas as refinarias particulares.


A partir de hoje, trabalhadores brasileiros, a partir deste instante, as refinarias de Capuava, Ipiranga, Manguinhos, Amazonas, e Destilaria Rio Grandense passam a pertencer ao povo, passam a pertencer ao patrimônio nacional.


Procurei, trabalhadores, depois de estudos cuidadosos elaborados por órgãos técnicos, depois de estudos profundos, procurei ser fiel ao espírito da Lei n. 2.004, lei que foi inspirada nos ideais patrióticos e imortais de um brasileiro que também continua imortal em nossa alma e nosso espírito.


Ao anunciar, à frente do povo reunido em praça pública, o decreto de encampação de todas as refinarias de petróleo particulares, desejo prestar homenagem de respeito àquele que sempre esteve presente nos sentimentos do nosso povo, o grande e imortal Presidente Getúlio Vargas.


O imortal e grande patriota Getúlio Vargas tombou, mas o povo continua a caminhada, guiado pelos seus ideais. E eu, particurlamente, vivo hoje momento de profunda emoção ao poder dizer que, com este ato, soube interpretar o sentimento do povo brasileiro.


Alegra-me ver, também, o povo reunido para prestigiar medidas como esta, da maior significação para o desenvolvimento do país e que habilita o Brasil a aproveitar melhor as suas riquezas minerais, especialmente as riquezas criadas pelo monopólio do petróleo. O povo estará sempre presente nas ruas e nas praças públicas, para prestigiar um governo que pratica atos como estes, e também para mostrar às forças reacionárias que há de continuar a sua caminhada, no rumo da emancipação nacional.


Na mensagem que enviei à consideração do Congresso Nacional, estão igualmente consignadas duas outras reformas que o povo brasileiro reclama, porque é exigência do nosso desenvolvimento e da nossa democracia. Refiro-me à reforma eleitoral, à reforma ampla que permita a todos os brasileiros maiores de 18 anos ajudar a decidir dos seus destinos, que permita a todos os brasileiros que lutam pelo engrandecimento do país a influir nos destinos gloriosos do Brasil. Nesta reforma, pugnamos pelo princípio democrático, princípio democrático fundamental, de que todo alistável deve ser também elegível.


Também está consignada na mensagem ao Congresso a reforma universitária, reclamada pelos estudantes brasileiros. Pelos universitários, classe que sempre tem estado corajosamente na vanguarda de todos os movimentos populares nacionalistas.


Ao lado dessas medidas e desses decretos, o governo continua examinando outras providências de fundamental importância para a defesa do povo, especialmente das classes populares.


Dentro de poucas horas, outro decreto será dado ao conhecimento da Nação. É o que vai regulamentar o preço extorsivo dos apartamentos e residências desocupados, preços que chegam a afrontar o povo e o Brasil, oferecidos até mediante o pagamento em dólares. Apartamento no Brasil só pode e só deve ser alugado em cruzeiros, que é dinheiro do povo e a moeda deste país. Estejam tranqüilos que dentro em breve esse decreto será uma realidade.


E realidade há de ser também a rigorosa e implacável fiscalização para seja cumprido. O governo, apesar dos ataques que tem sofrido, apesar dos insultos, não recuará um centímetro sequer na fiscalização que vem exercendo contra a exploração do povo. E faço um apelo ao povo para que ajude o governo na fiscalização dos exploradores do povo, que são também exploradores do Brasil. Aqueles que desrespeitarem a lei, explorando o povo – não interessa o tamanho de sua fortuna, nem o tamanho de seu poder, esteja ele em Olaria ou na Rua do Acre – hão de responder, perante a lei, pelo seu crime.


Aos servidores públicos da Nação, aos médicos, aos engenheiros do serviço público, que também não me têm faltado com seu apoio e o calor de sua solidariedade, posso afirmar que suas reinvindicações justas estão sendo objeto de estudo final e que em breve serão atendidas. Atendidas porque o governo deseja cumprir o seu dever com aqueles que permanentemente cumprem o seu para com o país.


Ao encerrar, trabalhadores, quero dizer que me sinto reconfortado e retemperado para enfrentar a luta que tanto maior será contra nós quanto mais perto estivermos do cumprimento de nosso dever. À medida que esta luta apertar, sei que o povo também apertará sua vontade contra aqueles quenão reconhecem os direitos populares, contra aqueles que exploram o povo e a Nação.


Sei das reações que nos esperam, mas estou tranqüilo, acima de tudo porque sei que o povo brasileiro já está amadurecido, já tem consciência da sua força e da sua unidade, e não faltará com seu apoio às medidas de sentido popular e nacionalista.


Quero agradecer, mais uma vez, esta extraordinária manifestação, em que os nossos mais significativos líderes populares vieram dialogar com o povo brasileiro, especialmente com o bravo povo carioca, a respeito dos problemas que preocupam a Nação e afligem todos os nossos patrícios. Nenhuma força será capaz de impedir que o governo continue a assegurar absoluta liberdade ao povo brasileiro. E, para isto, podemos declarar, com orgulho, que contamos com a compreensão e o patriotismo das bravas e gloriosas Forças Armadas da Nação.


Hoje, com o alto testemunho da Nação e com a solidariedade do povo, reunido na praça que só ao povo pertence, o governo, que é também o povo e que também só ao povo pertence, reafirma os seus propósitos inabaláveis de lutar com todas as suas forças pela reforma da sociedade brasileira. Não apenas pela reforma agrária, mas pela reforma tributária, pela reforma eleitoral ampla, pelo voto do analfabeto, pela elegibilidade de todos os brasileiros, pela pureza da vida democrática, pela emancipação econômica, pela justiça social e pelo progresso do Brasil.





 

Comentários

  • André Oliveira

    Vou pesquisar mais os detalhes, mas Jango pecou gravemente em não afastar um comando das Forças Armadas que não lhe fosse fiel no Rio e em Minas Gerais e também na FAB..Um discurso desses equivalia a uma declaração de Guerra.. Boa lembrança e parabéns ao Miro..

  • André Oliveira

    Fez bem a Dilma de proibir comemorações no dia 31 de março..

  • Verônica

    Nascí em 66,em plena ditadura.Quando tive a oportunidade de conhecer Jango,o seu governo e tudo q ele sonhou para o Brasil,percebo o quanto minha vida teria sido diferente.Agradeço á ele,que mesmo sem ter conseguido implantar as reformas de base,as coloca aí ,até hoje para discutirmos ,falarmos delas e lutarmos para que seja implantadas.
    “Progresso com justiça”
    “Desenvolvimento com igualdade”
    Finalmente a verdadeira história de Jango começa a ser contada!!!
    Viva Jango!

  • aloisio

    Só há uma falha neste discurso, quando cita por duas vezes nossas “forças armadas”, denominando-as de gloriosas. Que fiquem mos seus clubes do exército, marinha e Aeronáutica e nomeem o sr. José Serra para presidente de honra. O que me consola é vê-los chegar ao poder um partido criado e por eles consentido durante a ditadura, para dividir os movimentos populares e iniciar a tentativa de por fim à era Vargas.

  • rossetto1939

    O MST não percebe que a concentração de terras é uma distorção tributária. Nosso sistema tributário pune o produtor e premia quem não produz. Nosso ITR é cosmético. Já os tributos sobre os produtos da terra ascendem aos dois dígitos. Se a terra for devidamente tributada e seus produtos isentados de todos tributos (ICMS, taxas de pedágios), ninguém mais usará a terra como reserva de valor. Estará feita a verdadeira e necessária reforma agrária, a REFORMA AGRÁRIA TRIBUTÁRIA. Quando um caminhão de alimento paga pedágio, quem produziu paga, os proprietários improdutivos não pagam nada. Pedágio sobre alimento é absurdo, todo povo termina pagando pelo repasse do custo, não é uma taxa (tributo estadual) é imposto disfarçado (precisaria ser previsto na constituição). Sem REFORMA AGRÁRIA TRIBUTÁRIA não há justiça e sem justiça não há paz.

  • quero ver se a esquerda vai perder a oportunidade de novo de punir os criminosos das ditaduras e seus apoiadores civis como a falha de sp.

  • Adalberto Gullar

    Tá aí um grande e honrado brasileiro. Viva João Goulart!

  • maísa paranhos

    Parabéns, PHA, por dar voz a Jango e por afirmar, em linhas claras, que o PT não surgiu de uma geração espontânea. Finalmente !…Bom ler isto em teu Blog.

  • Alexandre Lins

    JANGO, Grande Patriota! O Brasil poderia ser outro!

  • Alice Silva

    Vou copiar e usar nas minhas aulas. Nossos jovens não sabem o que é viver numa ditadura, muito menos a importância da reforma agrária. Só o fato de jango sofrer o golpe fala mais que mil palavras. Obrigada PHA.

  • Leonardo

    Pelos primeiros minutos do discurso as bravas e gloriosas Forças Armadas da Nação já tinham preparado o golpe.Uma pena!Eu nem tinha nascido ,mas o Brasil com certeza seria melhor se Jango tive feito 10% do que prometeu e as bravas e gloriosas Forças Armadas da Nação não tivessem feito o que fizeram como capacho dos EUA.Nem adiantou o Jango ter dito que era Cristão.

  • Rodrigo Evora

    Tenho 33 anos e nunca havia lido o corajoso discurso.
    Por décadas, qualquer coisa que se refira ao período de Jango, seus escritos, pronunciamentos, considerações e decretos, são alijados da grande mídia, das escolas e universidades.

    O discurso, com alguns ajustes a Constituição que hoje vige, é atualíssimo e coerente!

  • Dulcirom G

    Acreditem nao se pode dar mais golpes ainda mais numa democracia como a nossa com quase duzentos milhoes de habitantes,os tempos sao outros, os golpes de hoje sao dados pela midia golpista fantasiada de meios de comunicaçao, esta sim tem que ser combatida incasavelmente sem tregua, ate que volte a cumprir o seu papael verdadeirto. vamos correr, e arrumar assinaturas com mais de milhao para obrigar o congresso a regulamentar a lei de medios, nao percamos tempo vamos começar.

  • Maria do Rosário Amparado

    Lindo…MAravilhoso…glorioso!!!!!!! OBRIGADA POR ESSE PRESENTE!!!!

  • Marcos Chaves - BH

    Esse discurso tem um “q” de atual. Para que pudessémos nos beneficiar dessas mudanças desejadas por João Goulart, certamente que lhe faltou apoio popular (de massa mesmo), como faltaria a qualquer um que como o então presidente se lançasse a esta empreitada.

    De todo modo, se (se!) estas reformas tivessem sido realizadas poderiámos nos vangloriar deste Brasil de mil virtudes, “gigante pela própria natureza” mas adormecido em “berço esplêndido”.

    Acorda Brasil!

  • ANA REGINA SIQUEIRA MARTINS

    Sensacional! Atualíssimo!
    Esse 1º de abril foi a “mo” mentira, oh!

  • Preto Velho

    Discurso muito atual.

    O Brasil não mudou.

  • Pedro Soto

    Esse discurso do presidente João Goulart foi um dos momentos mais importantes da história do Brasil.
    E além de destacar o conteúdo do mesmo, cabe mencionar que as patrióticas medidas ali propostas foram democraticamente encaminhadas ao Congresso Nacional, ao contrário do que sempre afirmaram as forças maléficas civis e militares que, covardemente, utilizando as armas que a nação lhes confiou, derrubaram sorrateiramente o legítimo governo do país.
    E não seria por demais lembrar que integravam também essas forças reacionárias, como um dos principais propulsores do golpe, o que hoje chamamos de Partido da Imprensa Golpista (o famigerado PIG) que nunca fez jus, com tanto merecimento, à alcunha que carrega até hoje.
    Parabéns, PHA, pela divulgação de um documento que deveria ser disseminado por todas as escolas e universidades do país.
    PARABÉNS, GRANDE E INESQUECÍVEL PRESIDENTE JOÃO GOULART!

  • Domingos

    O neoliberalismo já morreu, mas o trabalhismo é eterno, ou seja, o BRASIL a cada dia precisa ser mais do povo brasileiro.

  • Toni

    Apesar de passados 47 anos, as estruturas permanecem as mesmas! E as tais reformas se fazem ainda mais necessárias do que antes! Porém sabemos q novamente eles não irão aceitar q a justiça substitua a ganância. A reação das feras parasitárias será tão virulenta quanto qualquer lepra! Mas desta vez, a justificativa será a luta contra o terror, o novo inimigo eleito pelo império! Em virtude desta ameaça, resta a seguinte questão: A vida vale a pena sob a escravidão ou a luta diante da possibilidade da morte torna-se um ganho diante de tanto sofrimento e humilhação? Ao escravo nada lhe resta, nem mesmo a sua suposta vida!

  • ricardo silveira

    A vida dos brasileiros melhorou, mas ainda falta melhorar muito para se dizer que há justiça social. O que parece não ter mudado é o nível de politização da população e isso é a pior condição do país, hoje, pois se o fascismo voltar, até porque o discurso do Presidente Jango vale para hoje como valia para 64, que população vai fazer frente a ele.

  • Rosinete-Recife

    PHA, obrigada por esse presente: o discurso de Jango, no memorável comício de 13 de março de 1964. Atualíssimo!

    A história ainda fará justiça ao nosso ex-presidente Jango.

    Parabéns e mais uma vez obrigada.

  • CláudioZJ

    E hoje, o mesmo PIG com os mesmos políticos da elite, que derrubaram Jango, continua tentando fazer o mesmo, pelo mesmo motivo. Beneficiar só a elite.

  • Eduardo

    Caramba! Esse discurso foi de arrepiar, e infelizmente ainda é. Não gosto de usar o termo “e se”, mas é inevitável.
    Uma verdadeira tragédia, o golpe de 64, pois é sem dúvida responsável pela situação ainda hoje de nosso país. Educação de quarto mundo, saúde precária, problemas em todas as áreas, e que somente nos últimos 8 anos tivemos uma melhora significativa. Falta muito para avançar, mas fiquemos espertos, não podemos permitir que essa turma que ainda se faz presente, volte ao poder. Não podemos permitir que os avanços conquistados, sejam minimizados ou ridicularizados.
    Abraço a todos.

  • Hélio

    Não creio que o PT/Lulismo tenha menosprezado o passado do
    trabalhismo brasileiro.
    Entendo que, após a mordaça e o silêncio imposto pela ditadura,
    minha geração, que adolescia à época do golpe,durante os anos
    de chumbo, liamos publicações ‘clandestinas’(para eles), e
    tínhamos alguns professores que de forma sutil, nos alertavam
    da necessidade de nos organizarmos, em associações de bairro,
    gremios estudantis, sindicatos e outros.
    Aí surgiu o Lula e, para nós que trabalhavamos e estudavamos à
    noite, veio o ‘insight’; porque nós, que somos trabalhadores,
    temos que votar nos candidatos dos patrões?
    Então, o que nos parecia novo, nos moveu, o PT.
    Cresceu e, finalmente elegemos o presidente operário.

  • maria do ceará

    Obrigada, PHA, por esta publicação de um documento historico e que já deveria constar dos nossos manuais de ensino. Presidente digno e honrado, João Gulart foi duramente punido por ter se colocado sempre ao lado do povo e que visão de estadista! Viva Jango! Viva o Brasil !

  • Marco

    Enquanto isso, Prates (aquele que saiu da RBS para “projetos pessoais”), agora no SBT catarinense (hauhauha), faz apologia à ditadura. É esse tipo de gente que elege os Bolsonaros da vida. O pior de tudo, é que se utiliza de uma concessão pública para legitimar o período mais sombrio da história político brasileira.
    http://www.youtube.com/watch?v=qFSzH6YK3PQ&feature=player_embedded

  • Piragibe Silva Borges

    Sublime. A “reaçao” matou Getúlio, matou jango, matou Juscelino. Aniquilou a Constituição de 46, belíssima e coerente carta magna. Tudo, fica tão claro, por um motivo. Razao que fez Lula abordar de forma paliativa e quase homeopática a questão. Razão que hoje torna herois um Caiado e uma Abreu (para alguns, bem entendido): A bendita distribuição de terras, propriedades de raízes longínquas e obscuras, muitas vezes. A bendita reforma agrária. Não nos iludamos, farão de tudo, como exaustivamente demonstram, para preservarem o que alegam ser seu por direito divino. Ponhamos as barbas de molho. Toda a sorte de reformas, realizadas sempre com amplitude universal para satisfazer e proteger interesses privados específicos é apenas um dos instrumentos disponíveis no arsenal dessa plutocracia incorformada com a perda da boquinha (temporariamente, eles acham).

  • ELIZETE

    Pensei que jamais teria acesso a esse histórico discurso. É o carrossel paralisado de nossa história, mas que estamos retomando desde 2002, depois de lutas e sacrifícios de heróis torturados e mortos.

  • Davi

    Este é um discurso que minha geração não viu, até hoje, alguém que o repita. Há um excesso de vênia à “reação”. Ninguém fala mais em Bem Estar Social. Acho uma pena.

  • RicardoJ.

    A história do Brasil, precisa ser recontada oficialmente… Depois de ler na íntegra o discurso de Jango, na Centra do Brasil – Rio, Março de 1964, prestando contas ao povo de seus decretos assinados, 15 dias antes do Golpe Militar, confesso estar surpreso… Seus decretos garantiriam ao povo, exatamente, os mesmos acessos desenvolvimentistas que Lula abriu ao povo e tirou este país da servidão eterna, rumo ao desenvolvimento, com respeito e reconhecimento mundial. Eu era criança e nas escolas públicas que estudei, o qualificaram de “Bicho-Papão”… Jango deve ser resgatado do lixo da História, impôsto pelos ditadores… E atribuir ao golpe militar e a seus apoiadores a Treva sócio-econômica e cultural, vivido pelo povo, nos 20 anos de vigência.
    É a prova incontestável de que o Golpe só serviu a uma elite previlegiada.

  • Lourival Filho

    Foi quando mesmo esse discurso?

    13 de abril de 2011?

    Imaginar que não demos um unico passo até agora!

    Entendem qual a razão do nosso atraso?

  • Silvio

    PHA:
    Em esse comício também discursou o cerra. Em essa época ele era comunista, leninista, marxista trocista, maoísta e outras ervam mais. Será interessante si se pudesse conseguir esse discurso e publicá-lo para comparar, o que fez o tempo. Eu pessoalmente acredite que ele estava enganando, e a serviço de alguém em aquela época, que sérvio no Chile, ao mesmo que sérvio durante o governo FHC, e estaria servindo si tivesse sido eleito.

  • rosana

    Jango é imortal.

  • Márcia Nogueira

    PHA,

    Eu não era nascida nessa época… acho q a população finalmente amadureceu e está pronta pra reler esse discurso e enxergar o fabuloso erro q foi não ter defendido o Presidente Jango… as pessoas, manipuladas e ingênuas se deixaram levar pela mídia reinante e tb pelos setores mais conservadores da sociedade, os mesmo q tentaram eleger Alckimin e Serra pra Presidência e foram derrotados.

    O Brasil mudou e precisa continuar atento, pq eles não vão desistir de continuar derrubando o Jango ou o Vargas…

  • walaci

    Caro PHA,
    defendo uma tese que PT foi uma criação do Sindicato de Chicago de chicago que ameniza as relações pelegas entre trabalhador e patrão, financiado pelas multinacionais. O PT paraou o brizolismo e acabou por jogar uma pá de cal na era vargas, destruída por FHC.Acredito que Luala deve ter sido agente da cia,pois nunca explicou que ele o Lula esteve na ,archa da família, em São Paulo, que ajudou a derrubar jango. ele foi em troca d e uma folguinha na quarata-feira.
    Ainda não tivemos as mudança~s pregadas por Jango.o PT tornou-se a nova direitae o sindicatos cada vez mais pelegados, entreguistas e neoliberais…sim ,sindicatos neoliberais a la chicago

    • Mônica Santos

      Dá para você citar a fonte da informação de que Lula estava na Marcha da Família? Só por curiosidade. A de que ele é agente a CIA pode deixar pra lá…

    • I.F.Neto

      Depois de ler tanta besteira, jovem walaci, me convenço de que estamos(finalmente!) no caminho certo. O Brasil será grande, erga omnes(apesar dos outros, em bom latim!). Quanto a Chicago, vá estudar mais história e veja o que aconteceu depois, na história recente americana, sobre o que fizeram os sindicatos pelegos, como vc disse acima. Gosto do debate, quando o nível é bom. Quando o nível é mau, deixo apenas a reflexão. Estudem mais. Depois, conversaremos. Muito ainda por fazer, vamos trabalhar.

    • Leonardo Mauricio - IOS

      Esses demotucanoides estão desesperadamente apelando até para chamar LULA agente da cia, imagine!!!

  • Neri, fdo

    Um discurso ainda infelizmente atualissimno, mas o trecho:
    “Nenhuma força será capaz de impedir que o governo continue a assegurar absoluta liberdade ao povo brasileiro. E, para isto, podemos declarar, com orgulho, que contamos com a compreensão e o patriotismo das bravas e gloriosas Forças Armadas da Nação.” parece dizer bem nas entrelinhas que àquela altura JANGO já estava ciente do que se tramava às suas costas. Foi uma tentativa última de abortar o já inabortável golpe!!! É o que me parece!!!

  • Gerson França

    PHA,

    Não creio que o Lula chegue a renegar o trio Getúlio/Jango/Brizola, ou seja a história do Trabalhismo. Talvez não lhe dê o devido crédito, mas não acho que renegue. Quando Lula, por exemplo, “sujou” as mãos de petróleo numa das plataformas da Petrobrás, creio que ele sabia muito bem a quem estava homenageando. De resto, parabéns (a você e ao Miro) pelo post.

  • vera

    Merorável discurso, um som distante anunciando o possível surgimento de uma nação justa e equânime . Não tardou a desatrosa consequência, bastou o feitor a mando do patrão substituir o chicote por rosários e baionetas , e o resto da história é um vagaroso caminhar …

  • Heitor

    SENSACIONAL DISCURSO. A quem ele se referia como conservadores golpistas? Ao PSDB/DEMo/PPS/PV e PIG?

  • Paulo Cesar

    Um presente de Miro e PHA
    Para ser relembrado e permitir que nossos filhos e netos o leiam.
    Sobre Jango,
    ELE SABIA O QUE ESTAVA POR VIR
    Jango não deu um tiro no peito
    Mas se despediu com este discurso
    Saiu atirando

    • maísa paranhos

      Linda, a sua reflexão sobre Jango. Fiquei comovida. Ele sabia o que estava por vir,é isso aí, e fez o seu derradeiro discurso aberto…Foi o seu tiro, tudo o que, tragicamente, poderia ter feito…a última cartada.

  • Junior

    O golpe apenas atrasou o nosso país,realmente é uma pena o Jango não ter posto em prática as reformas de base que o Brasil necessita ainda hoje.

  • Aracy

    Que beleza de discurso! Que Dilma e os brasileiros de bem transformem o ideal de Jango no real de todos e todas nós.

  • Francisco

    O PT passou oito (08) anos no poder. Este discurso não consta de nenhum (00 = zero) livro didático escolar brasileiro. Nos EEUU, o discurso de Gettisburg, de Lincoln é obrigatoriamente lido, estudado e interpretado pelas crianças e pelos adolescentes. Nem a Carta-testamento de Vargas é lida e nem, muito menos, esse texto de Goulart é estudado (conhecido, na realidade…).

    Quem nos defenderá do próximo golpe? O povo? O povo “brasileiro (…) amadurecido, [que] já tem consciência da sua força e da sua unidade, e não faltará com seu apoio às medidas de sentido popular e nacionalista.” (GOULART, 1964)? O povo que assistiu com paciência bovina à ditadura e à tortura, MENOS DE UM MÊS DEPOIS DESSE DISCURSO?

    Aí, irmão, fica dificil!

    • Silvio

      Francisco:
      Não pode chamar a tua atenção isso. Quando joga Brasil ao futebol todos saímos com as Bandeira Brasileira no carro pintamos com ela as ruas,adornamos nossas janelas.Agora o dia da pátria, o seja o 7 de setembro você não vê em nenhum balcão ,janela ,carro com a Bandeira do Brasil.Todos foram convencidos pelo PIG que a ditadura era uma beleza. E durante 21 anos não pararão de enganar ao povo,e a cabeça se encontrava a rede globo.

    • simas

      Mas… Francisco, a democracia dos EEUU procura dar contrapartidas ao povo. É a tal da “maneira de viver”, deles… E, isso, é cultuado por tdos; inclusive na imprensa, maldita, deles, lá. Nos EEUU, as liberdades, democráticas e as benesses, do desenvolvimentos são propagandeadas, mesmo. E outras “coisitas más” são cultivadas; como, p.exemplo, q são inteligentes, saudáveis, poderosos, cultos… Ou vc não acha q, o passo q um cidadão dos EEUU deu na superfície lunar não foi uma tremenda jogada de mídia?… A terra é azul… em contrapartida à declaração do astronauta, russo, de q não via Deus, lá do alto?… A democracia dos EEUU usa e abusa da propaganda, pra se manter dominante e, tbm, enrolar o próprio povo americano. Fica sabendo. E nós… Ora, não temos essa estrutura, tda, em nosso favor, pra tão pouco, heim?… Franciso: a nossa democracia, com a nossa dependência, não estão com essa bola, tda, ainda . Do Pres Jango, até hj, já demos mtos passos importantes; porém, falta mto, meu irmão. Fiquemos alerta!

  • mauricio augusto martins

    Este deveria ser, obrigatório em sala de aula, normalmente, longos discursos, costumam ser mal iterpretados, porém muito assunto tinha que ser tratado, àquela época, perfeito, de alguém que sabia e sentia o que estava falando, muitas foram as conquistas, de lá até os dias de hoje, só faltou uma, relatada pelo nosso Ilustríssimo Jango, a reforma no meio de comunicação, pois, passaria despercebido tão nobre discurso, caso não houvesse, comunicação de gente alinhada com seu tempo, pessoas humanas, que pregam, custando o que for o preço, a democracia popular, como o Blog do Miro, e a Grande Mídia Honesta, Ó grande PHA, hoje eu ainda não te dei os Parabéns, portanto Parabéns, Ó grande Pha… maumau

  • Marcio

    ao começar a ler, não consegui interronper até o fim da leitura… deveria ser leitura obrigatória nas aulas de história…
    Não creio no suicidio de Getulio, o mataram e com ele tentaram enterrar este país.
    Discurso de 1964 permanece atual, explica o que é o Brasil de hoje e trás muitos dos desafios que ainda temos que enfrentar.
    Desde o golpe o Basil permaceu sem rumo e começa a se recuperar com a eleição do metalurgico.

  • Julio de Andrade Fonseca

    Jango está ressuscitando: ossos serão desenterrados. Mães estarão repousando. Arquivos serão esvaziados.Algumas tevês estão falando. Arautos dão seus derradeiros brados. O rei Dom Sebastião,Como Nunca Dantes e na boca do profeta de Glauber, em seu discurso alucinado, transpõe as águas e diz que o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão e,sobretudo, que a terra é do povo. Não é de Deus nem do diabo. DNA de fragmentos do legado de Jango trarão de volta heróis para esmagar os dinossaros guardiões do templo.(fragmentos do livro Quadros de Família) Lula 2018

  • Haroldo de Godwinson

    Era o destino de quem ousava contrariar a elite latifundiária e militar, mas é claro, tudo nos negros tempos pré Lula.

    • Silvio

      Haroldo:
      Tem que lembrar que ainda existe no Brasil, uma elite que conta com a mídia. Que existem os ruralistas no congresso.Esse congresso que não deu um pio, quando a deputada Cidinha Campos, dias passados lês diz todo que tênia que disser, e algo mais. Pus a todos esses marmanjos no bolso.

  • ROBERVAL

    Quase meio século se passou depois desse memorável discurso, um dos discursos mais belos que ouvi em toda a minha vida. E só agora nota-se uma pequenina luz no fim do túnel, luz de uma vela, bruxuliante que ameaça a se apagar a qualquer momento. Obrigado PHA e Miro pela postagem desse artigo. Me emocionei.

    Por falar nisso, onde está a Reforma Agrária do Lula?

    A Dilma, falou algo sobre o assunto durante a campanha e/ou depois de eleita?

  • gilberto

    Fato…é do povo…para o povo e pelo povo…

  • José Ivan Mayer de Aquino

    PHA,

    Histórico e atual.

  • Luis Rodrigues

    Heróico.

  • fradinho

    O Padim estava lá. Evadiu-se, o prédio da Une pegou fogo e a conta bancária, tambem?

  • joão.

    Nunca vou me perdoar por não ter feito campanha para Brizola em 89.

    • Silvio

      joão:
      Não adianta chorar sobre o leite derramado. Brizola não chegou à presidente em este pais, graças a força da rede globo, de roberto marinho, que sempre estive ao serviço de interesses, externos e seus.Agora vamos a apoiar a Dilma para que consiga fazer um bom governo.

  • Marcos Antônio

    É um absurdo que várias questões colocadas há quese 50 anos ainda povoam as discussões do presente!
    Por isso os Eua são o que são!
    Eles conseguiram resolver a reforma agrária ANTES DO COMUNISMO – da Guerra Fria, por que aqui direito do POVO é comunismo, significa incongruentemente atrazo!
    É atrazo intelectual de nossa elite, acostumada a pagar baixos salários, mão-do-obra barata, baixa disputa de mercado, por via de consequência – atrazo politico de nossas elites de compreensão minima.
    A nossa industria de automóveis NÃO É NOSSA, nossos produtos manufaturados NÃO SÃO NOSSOS ou alguem pode dizer que a Ford e a sony são brasileiras?
    para mim são americana e japonesa!
    Que interesses eles terão de exportar a partir do Brasil se as decisões de suas matrizes não estão no Brasil?

    • Silvio

      Marco Antonio:
      Os EUA fizeram a reforma agrária faz mais de 200 anos. Foi o presidente Jefferson que a fez.Agora eles se opõem que em América dos Sul, se faça e se intitula de comunista quem intenta fazer,ou que esta contra o avanço do pais.

    • melo

      O interesse é porque o Brasil tem mão de obra barata e Manaus tem um excelente incentivo tributátio. Muitas empresas, por exemplo as automotivas, produzem muitos carros aqui que não são aquela maravilha. O mercado brasileiro é muito grande e o excedente pode ser exportados para países com economia parecida com a do brasil em termos de poder de compra. Outras empresas utilizam o mercado brasileiro para ter volume a nível mundial. Ter volume de produção é essencial em uma economia globalizada. etc

    • I.F.Neto

      Vocês não conhecem os EUA mesmo… A reforma agária deles foi de fachada, os latifundiários americanos são os mesmos, A ultra conservadora direita republicana americana continua no poder, o país é dominado pelas elites endinheiradas da armas, das telecomunicações, do petróleo, das indústrias cinematográficas, das indústrias farmacêuticas e do sistema financeiro. O Obama é um poder que não pode, pois não tem maioria no congresso nem no senado. Ou seja, o equívoco no que vc diz é constante, jovem Marco Antonio. Muito ainda por fazer, vamnos trabalhar.

  • Eduardo

    Caro Miro e PHA, obrigado por divulgar esse momento para as novas gerações. A história pode ser contada em diferentes versões. Não existe uma única.
    Um abraço e bom fim de semana

  • antonior762

    Senhor PHA amanhã é 04 de Abril, eu fico com receio!

    • Receio de que 762?
      Que os fantasmas do passado incorporem novamente com a tropa prendendo e arrebentando, tirando do ar blogs como o CAF e tanques ocupando a esplanada dos ministerios em Brasilia a cinelandia e central do Brasil no Rio de Janeiro?
      A Democracia em curso não permitirá isso, sabe por que?
      Porque a presidenta eleita foi uma das que foi torturada fisica e mentalmente pelo sistema vigente à época e apesar disto tudo,acredita e defende esta alternativa como unica para consolidar um País mais justo para todos, embora, é claro exista o eterno xororô dos descontentes!

    • mauricio augusto martins

      Fique não, amanhã é o aniverssário de meu irmão, o churrasco está servido, e ele vai apagar 72 velinhas, com muita saúde e disposição, agora eu faço aniverssário, dia 11 de Setembro, o Sr. desde já está convidado, abraços… maumau

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