
O Conversa Afiada reproduz artigo de Mauro Santayana, do JB online:
A ousadia dos bancos e a refundação do Estado
por Mauro Santayana
A convite do Instituto dos Advogados de Minas Gerais, participei, ontem, em Belo Horizonte, de um debate em torno da reforma política, que vem sendo anunciada e postergada no Congresso Nacional. O tema, durante a discussão, saltou do círculo de giz em que está contido, para ampliar-se à crise do estado contemporâneo, ocupado, na maioria dos países, pelos representantes do poder econômico. Enfim, apesar da resistência política, aqui e ali, e da indignação dos povos, nas manifestações contra a ditadura dos bancos, o Estado perdeu a sua natureza histórica, de integrar-se nas sociedades nacionais. Separou-se, para se opor às comunidades, a serviço do novo e diabólico fundamentalismo mercantil.
Uma reforma política que se limite aos ritos eleitorais e à organização partidária, e não atinja os alicerces dos estados contemporâneos – uma vez que o tema não se limita às nossas fronteiras – será inútil. O problema não é o da estrutura formal do Estado; é de sua legitimidade. O instituto da representação, sobretudo na formação dos parlamentos, se encontra corrompido pela ação, a cada dia mais ousada, dos interesses econômicos.
Os partidos não reúnem idéias – apesar de sobreviverem ainda, em suas fileiras, homens públicos de bem, mas acoitam servidores das corporações, quase todas econômicas e financeiras, mesmo que se dissimulem em algumas seitas religiosas.
A separação dos poderes, regra constitucional básica, para o bom funcionamento republicano, se tornou uma farsa em algumas comunidades políticas, como é o nosso caso. Os partidos são aglomerados de interesses corporativos, que não atraem a participação da cidadania.
Nos períodos de campanha eleitoral, o proselitismo doutrinário e ideológico, que reunia os cidadãos no passado, é substituído pela técnica da propaganda, e as alianças se formam em busca do maior tempo de exposição nos meios eletrônicos de comunicação. Em razão disso, o desinteresse dos cidadãos abre caminho para a erosão do Estado, que deixa de ser a alma das sociedades nacionais.
As velhas regras da política internacional são escandalosamente violadas, e os governos se colocam a serviço dos reais donos do mundo. Alguns poucos chefes de famílias poderosas, ao controlar as finanças mundiais, controlam as matérias primas e a energia. Grandes empresas industriais se assenhoreiam das pesquisas científicas e tecnológicas, subtraindo seus resultados do domínio dos inventores, mediante contratos que lhes transferem os direitos de patente.
As relações diplomáticas sempre foram formalmente de governo a governo, no diálogo entre poderes soberanos, mesmo que as embaixadas servissem e sirvam para a avaliação da força dos estados, mediante os métodos clandestinos de espionagem. Hoje as embaixadas se tornaram instrumentos desembuçados de interferência nos assuntos internos dos estados, que perdem, assim, sua soberania.
A nova subsecretária de Estado dos Estados Unidos para a América Latina, Roberta Jakobson, ao ser sabatinada no Senado, disse, textualmente, que “em alguns países, trabalharemos mais com a sociedade civil do que com os governos, conforme a circunstância”. E, a pedido do democrata Robert Menendez listou, entre esses países, a Venezuela, a Bolívia, o Equador, a Nicarágua, Belize e, “até certo ponto”, a Argentina. Ela informou, ainda, que deverá “monitorar” com preocupação os relatos de observadores das eleições na Nicarágua, no dia 6, e estar atenta para “garantir que os venezuelanos possam expressar seu desejo político” no pleito de 2012, que é visto pelo Comitê de Relações Internacionais do Senado como “o evento crucial da década na região”.
Não há confissão mais aberta de ingerência nos assuntos internos de nossos países e da violação dos princípios da autodeterminação dos povos. Os governos regionais devem manter-se vigilantes. Sempre que essa intromissão se tornar evidente, têm o dever de declarar os diplomatas envolvidos personae non gratae, e expulsá-los sumariamente de seus territórios.
A crise européia faz lembrar o desespero dos jogadores de pôquer que, a cada rodada perdida, aumentam a aposta, na esperança de um milagre. Ainda agora, se anuncia que Berlusconi será substituído, na chefia do governo italiano, pelo economista Mário Monti. Mário Monti é um dos nomes citados no recente livro do jornalista francês, Marc Roche, La Banque: Comment Goldman Sachs dirige le monde. Monti, ex-comissário europeu para assuntos de concorrência, que advogou o esquartejamento de todas as empresas estatais restantes e sua privatização imediata, é conselheiro permanente do Goldman Sachs para o continente europeu. Ele não representará, na chefia do governo da Itália, nenhum partido político, e muito menos o povo italiano. Irá reportar-se ao sistema financeiro internacional, que continua a se mover em torno de sua peça mais poderosa, o Goldman Sachs.
A única esperança de que os Estados se libertem da ditadura dos interesses do “mercado” está na ação dos cidadãos do mundo, que já demonstram sua indignação em quase todas as grandes cidades de todos os continentes.
Já não se trata de uma utopia, mas de projeto realizável, se, ao contrapor-se à globalização da economia, os povos conseguirem unir-se para a restauração dos estados nacionais.
Deve ser por causa do domínio dos banqueiros nos estados que o PT de São Paulo, estado e município, parece do PSDB.
Deve ser por isso também, que o Congresso Nacional, hoje maioria do Governo, está inoperante desse jeito.
O tal Roberto Martins acha que a esquerda não apresenta soluções, como se a direita apresentasse. A direita só cria alguma coisa quando é para beneficiar a minoria privilegiada.
Caro tal Saulo,
dentre ser esquerda ou direita, prefiro o centro, pois daqui consigo enxergar defeitos nos dois lados.
Aliás, dos defeitos que vejo na esquerda esse é o pior – a cegueira fanática.
PH
O artigo do Santayana é simplesmente maravilhoso.
A verdade nua e crua.
O que fazer?
Caminhar.
http://blogdosentapua.blogspot.com/2011/11/que-briga-feia-quem-e-mais-corrupto.html
Que briga feia! Quem é mais corrupto???
Banco pagou fornecedores de campanha tucana para que Estado quitasse débito.PanAmericano deu R$ 1 mi para receber dívida de AL
Banco pagou fornecedores de campanha tucana para que estado quitasse débito
E-mails trocados em 2010 revelam que repasse foi feito ‘a título de doação para campanha do PSDB………………
acho meio fora de interesse discutir nesse momento um assunto tão pouco importante quanto essa reforma política. O que me interessa no momento é saber o que significa “reinventar o futuro” (sic), como diz o grande filosofo FHC…. um gênio!!!
Quero saber do Santayana se pediu a algum deputado ou senador para investigar o caso da VIVO que pegou 3 bilhões com BNDES e esta usando lucros para comprar ações?????
Desse jeito vou abrir uma empresa e pegar dinheiro no BNDES e vou dar calote! Vou por na conta do PAPA PIRULITO III !!!!
Concordo plenamente; só resta saber a data da nova Queda da Bastilha!
Análise perfeita dos dias atuais !! [2]
Como sempre o artigo reflete a atual situação. Chegaremos certamente na situação dos argentinos da era Menen, daí só resta o calote, um calote revolucionário.
E o que o Estado Brasileiro pode fazer para se proteger de brasileiros como os dois jornalistas da Folha e um da Globo que, como se soube pelo Wikileaks, são informantes do governo dos Estados Unidos sobre os assuntos pertinentes à vida brasileira?
Uma aula de RI.Bravo!!
O Brasil tem uma chance de fazer o chassi de uma verdadeira democracia que funcione, e com ela adentrar um novo mundo de paz e prosperidade. Um mundo onde os capitalistas estejam tão representados quanto qualquer outro segmento da sociedade. Mas muito mais fiscalizados, como merecem e deve ser. Onde não lhes seja possível comprar votos dando dinheiro para compra direta ou compra indireta através de milionários investimentos privados na publicidade. Não vamos desperdiçar esta chance.
Hahahahhhhhhhh!… Vc me parece um presidente dos EEUU, falando à platéia… Sim, nós podemos!… Bradou, o famoso primeiro “colored”, em campanha eleitoral. E fez badalados pronunciamentos pelas praças… das Europas; onde se viu ovacionado como uma das futuras maravilhas, da democracia americana… Imagina. O primeiro negro, nos padrões da família americana, a ser eleito. Um “obanana”, real e verdadeiro. E, meu caro Virginia (perdão!… Washington. Eu me enganei de lado do rio…). os eleitores americanos não perderam a oportunidade; bem como, os demais aflitos, o elegeram, igualmente, O Senhor da Paz, conferindo-lhe um Nobel…
Esse Santayana. Qual jornalista do PIG tem esta visão, lucidez e liberdade de escrever igual?
Análise irretocável.
Em síntese: É preciso menos ganância e mais vergonha na cara!
Em outras palavras, quem paga a orquestra escolhe a música, ou seja, aquele para quem o governo foi vendido (a banca, os investidores, o mercado), sempre volta um dia para cobrar sua parte. É preciso prestar muita, mas muita atenção, à dívida pública, à entrega do erário às empresas privadas via BNDES, das estradas, dos aeroportos, de tudo aquilo que poderia representar renda para o Estado…
Mas vai ser uma “maravilha” (ironia), Amorim!
A Grécia nomeia como Premier alguém ligado ao sistema financeiro. Agora, será a vez da Itália… Isso nunca vai dar certo!
Como se sabe, estão á caminho do abismo.
TEXTO IRRETOCÁVEL! Sempre alertei que o objetivo do “deus mercado” é tornar cada Estado numa sociedade anônima com sua respectiva lei nolugar da constituição (Estados s/a). EUA = Empresas Unidas Apátridasou USA = União das Sociedades Anônimas
Enquanto esses alucinados pelo regime neoliberal de estado mínimo não estiverem longe do poder, essa derrocada mundial não terá freio, pois o pensamento deles é um só: venda de patrimônio público para o privado com alusão de que essa é a melhor saída adicionada com recessão, corte dos gastos públicos, aumento do tempo para a aposentadoria, desemprego em massa, é a própria cartilha do DEMos/PSDB/Çerra/FHC.
Esses sujeitos, os neoliberais, gostam de falar em quebra de monopólio, mas quando é pra quebrar o monopólio deles a historia muda.
Tenho alguns amigos que são servidores público, regime pela lei 8112/90 e são defensores do neoliberalismo, então disse para alguns sai do serviço público e vai trabalhar na iniciativa PRIVADA (CLT) pra ver o quê é bom. Mudam logo de assunto.
Boas sendas para o Fórum Social Mundial de janeiro em Porto Alegre; para a resistência na USP; para quem se indigne contra a ALESP e o Governo de São Paulo.
José Ivan Mayer de Aquino
Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida
A minha desesperança em alguma reforma vem exatamente disto, recai sobre nós, sociedade desorganizada a única esperança, mas, o que esperar de nós se estamos ocupados em defendermos o nosso prato de comida de hoje?, se o sistema político eleitoral não nos oferece a mínima chance de escolher alguém que tenha alguma possibilidade de mudar, se o eleito será sempre o dono do capital ou alguém a seu serviço?, quantas são as vozes no congresso que não ecoam única exclusivamente as ideias e os interesses dos seus patrões?, e a guerra dos royalties do pré-sal é em benefício de quem?, chego a imaginar que melhor seria se o Brasil não tivesse descoberto essa nova riqueza, parece que as coisa iam melhor antes, no meu estado ideal (utópico) estaríamos agora felizes cada qual com seu quinhão, a riqueza seria dividida irmãmente entre todos os estados conforme o tamanho da sua população e os estados “produtores” receberiam um percentual maior para cobrir despesas de infraestrutura e de recuperação de eventuais danos ambientais, mas é uma utopia, né?.
Estatização de todos os bancos, já!
Santayana traduziu em miúdos o que todos já sabem, e se não sabem, desconfiam, e se nem desconfiam é porque são muito ingenuo e/ou mal-intencionados. Os Estados Nacionais foram cooptados pelo poder econômico. O que é evidente com o surgimento da figura da “instituição grande demais para quebrar”, em detrimento do dos interesses dos povos e de países inteiros, que podem quebrar numa boa para salvar seus bancos. E agora a Itália será governada por um neoliberal a serviço do Goldmann Sachs… Os italianos estão correndo para o precipício. È o fim da picada!!!
“O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS”
Choveu no molhado, o redator do texto. Não apresenta dados novos e satisfaz-se em repetir as mesmas reclamações de sempre, sem apontar soluções democráticas. A ideia de fundo do redator – como de toda a esquerda nos últimos 150 anos – é a mudança do mundo através de revoluções socias, nunca de evoluções sociais.
Dar sobrevida a vozes roucas é perda de tempo. Lamentável, embora bem escrito. Deve fisgar quem acabou de chegar ao mundo.
\O/ \O/ \O/ …Análise perfeita dos dias atuais !!
Att.
Martin