O Conversa Afiada saúda e dá passagem à excelente articulista Maria Inês Nassif, agora na Carta Maior:
Carta Maior – Política – Uma decisão do STF que trocou seis por meia dúzia
O Supremo Tribunal Federal conseguiu provar, com sua decisão sobre a fidelidade partidária, que a história política não se constrói por decretos. O STF segurou as migrações partidárias nos últimos quatro anos, mas foi incapaz de resolver um problema estrutural da direita brasileira: com poucos vínculos ideológicos com o eleitor e sustentada em políticas de clientela, esse segmento ideológico não tem fôlego para sobreviver na oposição por muito tempo. A ilustrada decisão não mudou em nada o quadro: os partidos de esquerda mantêm uma lealdade relativa de seus eleitos; os de direita acumulam defecções. O artigo é de Maria Inês Nassif.
Maria Inês Nassif
Impregnado da ideia conservadora de que o mercado deve ser regulado o mínimo, porque é movido pela racionalidade do lucro, e de que a política, destituída de racionalidade e de bons propósitos, precisa de intervenções constantes que inibam a ação de interesses individuais e malfeitos coletivos, o senso comum brasileiro tende a apoiar as interferências constantes da Justiça nas regras eleitorais e a clamar por mais restrições legais à vida partidária.
A história da democracia recente do país, todavia, é a prova cabal de que são no mínimo discutíveis os efeitos de uma legislação draconiana, no que se refere a partidos politicos; e que o direito divino autoassumido pelo Supremo Tribunal Federal de regular coisas “mundanas e sujas”, como o voto e os políticos, independentemente do que dizem as leis, é incapaz de resolver, por decreto, as limitações de um sistema partidário jovem, porém fundado em práticas tradicionais. Em suma, não existe lei partidária que mude, por si, uma realidade histórica.
Um exemplo de como são estéreis regras rígidas em um quadro partidário pouco maduro é o debate sobre a fidelidade partidária. No julgamento da consulta do antigo PFL (hoje DEM), sobre se o mandato parlamentar pertence ao eleito ou ao partido, o relator, ministro Gilmar Mendes, teceu considerações sobre um sistema que é, no seu entender, intrinsicamente corrupto, e em socorro do qual uma decisão favorável à fidelidade partidária – independente de o instituto estar claramente definido por lei – viria a atuar de forma favorável. A decisão do Supremo segurou as migrações partidárias nos últimos quatro anos, mas foi incapaz de resolver um problema estrutural da direita brasileira: com poucos vínculos ideológicos com o eleitor e sustentada em políticas de clientela, esse segmento ideológico não tem fôlego para sobreviver na oposição por muito tempo. Os dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) foi mais do que quadros do DEM poderiam suportar na oposição.
Em vez de uma migração partidária média de 30% que tradicionalmente ocorria entre a eleição e a posse dos deputados federais desde 1982, segundo cálculo do cientista politico Carlos Ranulfo de Melo (Retirando as cadeiras do lugar: migração partidária, 1985-1998), e que era fracionada entre diversos partidos, a porteira fechada pelo STF em 2007 resultou na formação de um novo partido, o PSD, e no total destroçamento do ex-PFL, aquele que pediu a Gilmar Mendes para colocar grades nas agremiações partidárias. O PSD não vai se beneficiar da média histórica de defecções anterior à decisão do Supremo, mas o prefeito Gilberto Kassab, que inventou a história do novo partido, atirou no que viu e pegou no que não viu.
A legislação partidária prevê como exceções à regra da fidelidade a fusão ou incorporação de um partido a outro (os incomodados com o processo podem tomar o rumo que desejar) ou a formação de um novo partido. A criação de uma legenda é o máximo da liberalidade permitida na lei endurecida pela ação do STF: sai de qualquer partido quem quer participar da fundação do novo. Isso Kassab viu. O que não viu é que o chamado “partido-bonde”, teoricamente constituído para permitir as defecções partidárias, poderia tornar-se, de fato, partido político – não apenas governista, mas com poder de barganha maior do que os pequenos partidos de direita, aliados de primeira hora mas com pouca bancada, e com parlamentares excessivamente despreocupados da repercussão de seus atos como participantes do governo.
O PSD se configura, hoje, como a única porta de saída para políticos marcados para morrer nas próximas eleições, ou por falta de espaço em seus partidos, ou por impossibilidade de manter a fidelidade de eleitores fora do governo. O prefeito Gilberto Kassab, sem querer, conseguiu ser o catalisador das dificuldades políticas impostas aos parlamentares abrigados no DEM e no PPS, que amargam oito anos na oposição, e dos pequenos partidos de direita, que estão no governo mas terão maior poder de barganha se se juntarem ao novo partido. A necessidade vai transformar um “partido-ônibus” numa legenda de fato. O PSD tem potencial para ser a terceira bancada na Câmara e ganha poder de fogo não apenas por apoiar o governo, mas por enfraquecer drasticamente a oposição.
Segundo um integrante do novo partido, o DEM deve perder de 11 a 13 parlamentares de uma bancada de 43 deputados federais (vai ser maior do que um PDT e menor do que um PSB). Ainda na oposição, o PPS, antigo Partidão, perde proporcionalmente mais bancada do que qualquer um para Kassab: 4 deputados em 12, ou seja, um terço dos eleitos em 2010 – uma defecção que não desmente a regra de que os partidos de direita são menos coesos, já que o ex-PC rumou fortemente para o conservadorismo, acompanhando a guinada do grupo tucano de José Serra.
Na bancada governista, perdem massa parlamentar os pequenos partidos com os quais o governo Dilma Rousseff vem acumulando problemas, como o PR e o PP. Por razões estratégicas – até para não inviabilizar coligações nas eleições municipais -, o PSDB foi poupado. O partido kassabista pode ganhar uma bancada federal com dois deputados a mais do que o PSDB e 12 a mais do que a bancada do DEM. Na sua frente, permanecem o PT e o PMDB.
A ilustrada decisão do STF não mudou em nada o quadro: os partidos de esquerda mantêm uma lealdade relativa de seus eleitos; os de direita acumulam defecções. Quando Luiz Inácio Lula da Silva conquistou o seu primeiro mandato de presidente, em 2002, com o apoio apenas de partidos de esquerda e pequenos partidos de direita, as legendas que apoiaram seu adversário tucano, José Serra, perderam deputados como se perde agulhas: entre a eleição e a posse, o PMDB passou de 75 para 69; o PSDB, de 70 para 63 federais; o PFL, de 84 para 75. O PPS, que era da base de apoio de Lula naquela eleição, engordou 6 deputados: sua bancada passou de 15 para 21 parlamentares. O PTB, governista sempre, aumentou sua bancada de 26 para 41 às custas das bancadas dos partidos derrotados no segundo turno das eleições presidenciais.
O Supremo Tribunal Federal (STF) conseguiu provar, com sua decisão sobre a fidelidade partidária, que a história política não se constrói por decretos. Um avanço mais significativo na distribuição de renda pode ser muito mais efetivo para a modernização política do país do que uma canetada da Suprema Corte.

É no que dá quando o STF (Gilmar Dantas (*)) resolve administrar o Legislativo, o Judiciário (e a imprensa).
Acabou de matar o DEMO, partido do Senador Demostenes Torres, que estava do outro lado da linha do grampo sem áudio.
O DEMO é contra as cotas, o Pro Uni e a pasta de dente.
Paulo Henrique Amorim
(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.



Demos, neoliberalismo, Farol e urubólogos, tudo isto cheira naftalina.
É Navalha, eu acho que cada macaco no seu galho. Colunista Maria Inês Nassif, você é Genial. parabéns! Acho que entendi o que você escreveu, mas não tenho palavras pa comentar a altura do mesmo. STF deve ficar nas suas funções que são muitas, mas decretar que a vaga é do Partido, não, deve ser do candidato que mostrou acara e foi eleito, que deve ser com os votos ganhos e não de outro.
Minha gente não se engane, o Kassab chamou um trabalhador de vagabundo quando ele reclamou que não tinha atendimento, isso que ele apenas era o poste, imagina se ele pega cargo melhor!!! vai mandar todo mundo tomar no ………..
Kassab to fora!!!!!!!
Está nesse ponto a chave de toda a distroção.
Não venham me mentir que vivemos numa democracia.
Vem aí o PMDB II: PSD. Mas um partido do toma lá da cá.
Duvido muito desse adesismo do Kassab. O sujeito é flácido em todos os sentidos. Vade Retro, DEMOníacos!
Quem tem que julgar os políticos são os eleitores, nas eleições, penso que todos podem mudar de partido. Existem pessoas que mudam de ideia durante a vida e navegam da direita para a esquerda ou o contrário.
Serra irá para o PSD. O PSDB ficará com os parlamentares que desejam ir para a base aliada – formando o PSDB do B. Os comandados de Kassab rejeitarão – em parte – o modelo Nospheratu de fazer oposição. O núcleo original do PSDB sem Serra vai se associar ao PSD em diversas cidades em 2012. 2014 está tão longe para os vampiros que faltarão jugulares de cofres públicos na sua nutrição corrupta. É a hora do PT, PC do B, PSB e PDT clarearem suas unidades possíveis e formarem coesão nas prefeituras. Torço para o conflito de egos inflar o do Min. Marco Aurélio e não permita o arquivamento do impedimento.
José Ivan Mayer de Aquino
Ação da Cidadania Contra Fome, a Miséria e Pela Vida
Belíssima frase: “O DEMO é contra as cotas, o Pro Uni e a pasta de dente.”
PHA,
Os partidos que hoje migram para engrossar a base política do governo descobriram que, na verdade, estão mais linhados ideologicamente com os programas do PT.
Não há nisso, portanto, interesse pessoal, cargos, demonstração de poder, liberação de emendas a ONGs etc e tal.
Aliás, um bom exemplo dessa harmonia ideológica foi visto ontem, quando o ministro da Agricultura do PMDB (dos ruralistas) usou o boné do movimento Via Campesina.
Eis o país que todos acham e acreditam que a vontade do povo é a vontade de Deus!!
“Acabou de matar o DEMO, partido do Senador Demostenes Torres, que estava do outro lado da linha do grampo sem áudio”. Genial PHA.
Quanto a Inês, concordo plenamente com o Fred Azevedo e o Rubens, achei ótimo o comentário dela, perfeito.
Ahhhhhh…. Eles são contra a pasta de dente!!! Agora ‘tá explicado, porque eles tem cara de quem tem mau-hálito. Cruzes!!
“O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS”
DEMO é do demônio mesmo.
Dilma é Lula é Brasil.
PHA,
Os fracassados e derrotados nas urnas, delegaram a sua prerrogativa de fazer oposição para o PIG. Mas como sabemos o PIG não sabe fazer oposição, tampouco sabe praticar um jornalismo decente.
Em relação ao Gilmar, esse é herança maldita deixada pelo Farol de Alexandria.
Agora todo mundo usa a palavra “malfeito”, desculpa aí, mas é de mal gosto. Lula era mais criativo e usava melhor a lábia quando dizia “maracutaia”.
considero essa tendencia de troca ou abertura de novo partido,a porta do futuro golpe,vão pros braços do governo e depois punhalada.A oposição pendendo pro governo é a entrada dessa porta.
Ja disse!!!!!!!Paulo Enrique Amorim; Você e o Calo é a Gota da globomente pig, e da oposição!!!! heheheheheheheheh!!!!!!!
Alvaro Dias é nosso é do Paraná aqui nós somos assim Beto Richa e familia também é coisa nossa. ixi, como somos ruins de voto, até parece que somos uma pequena São Paulo.
Sejamos justos, o STF ultimamente deu uma arejada, o Mendes já não apita mais nada e até levou uma bola nas costas do ministro Marco Aurélio.
Mas é sempre bom lembrar: o STF não tem voto, não tem mandato popular portanto não pode governar o governo.
Sabe o que Satã falou quando os demotucanos invadiram o inferno? Por Deus,não fico nem mais um momento aqui!!!
Toma distraídos quem junta força com TFP, Opus Dei, massa cheirosa, seita PIG e direitalhas macabra acaba todos lascados. PHA você podia localizar o Zé do caixão e dê a ele uma ideia para fazer um filme daqueles famosos terrir, porque a história é boa o título pode ser DEMônios e PPSatânicos vende a alma para não cair no esquecimento.
Dilma é Lula.
Demo é Cerra.
Não fique enciumado, PHA, mas a Inês Nassif é indubitavelmente a melhor analista política do país.
Você, em compensação, é o analista de humor mais afiado. A frase final “O DEMO é contra as cotas, o Pro Uni e a pasta de dente” tem a grife desse seu humor bem carioca. Rachei de rir.
Eu adoraria ver vocês dois juntos num programa de tv: ela fazendo as análises e você condensando tudo com esse seu humor desconcertante.
Realmente, ela é fantástica. Está melhor situada na Carta Maior, agora.
Estou com o Lenir ! Cuidado com o Kassab, afinal ele foi “cria” do Serrojas.
O que pode acontecer é os patidos de direita não cobrarem fidelidade, facilitando ou até incentivando a mudança de seus quadros atuais para que possam passar para os partidos da base do governo atual.
Esperariam então uma nova mudança de legislação, e de governo, para se reencontrarem na ralé da direita.
Não é fácil assim não, cara.
A Carta Maior ganha muito com Maria Inês Nassif entre seus colunistas. Enfim, vai dar mais gosto de ler sobre política e aprender um pouco mais…sempre!
Acho que o PSD – no momento oportuno – será a nova roupagem da UDN, PDS, PFL, DEM; e por aí vai! Para mim, só estão tentando se tranformarem em cordeiros, mas com a velha “fome” de Lobo por dentro.
Para mim, tudo isso é obra do Jênio!
Me engana que eu gosto, Padim!!!
Crianças, tsc tsc tsc tsc. Façam o dever de casa. Com os dedinhos, escolham seus candidatos(não os delles!!!) na urna eletrônica(com o papelzinho do Brizola). Com os dedinhos, escolham os canais que querem(e não querem) ver e ouvir. Com a carteira, não escolham os produtos de quem anuncia nas mídias deles. Simples assim. Vamos continuar a limpeza. Brasília ainda está muito suja, mas vai ficar mais limpinha e cheirosa. Muito ainda por fazer, vamos trabalhar.
D,Dem,Demo,Demônio,Demóstenes,Demência…
Fidelidade partidária só garantiria aos caciques fazerem altos negócios com a totalidade dos votos da bancada. Sem a fidelidade partidária, os caciques não conseguem garantir ao comprador a totalidade dos votos negociados. Abaixo este monstrengo que escraviza a consciência do parlamentar!
Perfeito, perfeito.Inês e o comentário do Paulinho.Esse balaio de gatos do partido do Kassab ainda vai dar muito o que falar.Não diferem em nada do oportunismo que sempre pautou o Demo.A Dilma que se cuide não vá dar trela pra eles.Quanto ao Supremo, ele abriu a porta para a criação dos monstrinhos, ai estao eles pois, a proliferar.
O Supremo legislando… Até quando?
Gillmar Dantas é um outro jênio !
DEMO é DEMO. DEMO já diz TUDO.
É diabólico : Demo, Democratas, Demóstenes.