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Itamar e FHC: FHC não escolheu o sucessor. Eles se odiavam

Itamar jamais perdoou FHC por se apropriar do Plano Real
publicado 03/07/2011
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Como se sabe, Itamar e Fernando Henrique se odiavam.

Itamar jamais perdoou FHC por se apropriar do Plano Real (“na imprensa de São Paulo” e na Globo – poderia ter adicionado).

Fernando Henrique menosprezava Itamar.

Sobretudo do ponto de vista intelectual.  

O Farol de Alexandria precisava se desincompatibilizar do Ministério da Fazenda de Itamar para ser candidato a Presidente (escolhido por Itamar, à falta de alternativa).

O Plano Real ainda não existia.

Era uma hipótese.

Um rascunho do Governo do Presidente Itamar.

O Farol precisava (como precisou em toda a Presidência) do aval do FMI ao projeto que ainda não existia.

O Farol tinha ficado dez meses e dez dias no Ministério e não tinha feito nada que demonstrasse capacidade de domar a inflação.

Na verdade, o que fez o FHC no Ministério da Fazenda, amigo navegante ?

Àquela altura, ele também era um projeto de candidato.

Viajou para Nova York como ministro.

Pegou em La Guardia a ponte aérea para Washington.

Este ansioso blogueiro era correspondente da Globo em Nova York, tinha que cobrir o memorável encontro no FMI, e aboletou-se ao lado do Ministro da Fazenda-candidato.

Deu-se um daqueles engarrafamentos na pista do aeroporto e o ansioso blogueiro ouviu inconfidências do candidato.

A primeira observação do candidato: a posse no dia primeiro de janeiro é uma chateação.

Que chefe de Estado estrangeiro pode sair correndo do Reveillon para assistir a uma posse no dia primeiro de janeiro ?

Quem vai ficar no seu lugar, quando o senhor sair do Ministério ?

O Clovis Carvalho.

O Itamar vai espernear, mas tem que ser o Clovis Carvalho.

Como se sabe, Clovis Carvalho é um anônimo tucano de São Paulo que sempre trabalhou com o Farol, até que o Farol o demitisse do Ministério da Indústria.

Insisti: mas o Clovis Carvalho ?

Tinha que ser uma pessoa da confiança dele, FHC.

E, aí, o Farol enumerou todas as deficiências (intelectuais) do Presidente que o indicara para sucedê-lo.

Quem sucedeu FHC no Ministério, como se sabe, foi Rubens Ricupero, que caiu num estúdio da Rede Globo.

Os brasileiros devem a consolidação do Plano Real ao Itamar e ao sucessor de Ricupero, Ciro Gomes, aquele que conhece a alma do Padim Pade Cerra.

(E do Fernando Henrique.)

O FMI de Michel Camdessus não avalizou o que não havia para avalizar.

Camdessus distribuiu uma nota de “boa sorte” que, no Brasil, correspondeu a um apoio irrestrito ao candidato.


Paulo Henrique Amorim