
É mais complicado do que parece ao PT e ao PMDB
O Conversa Afiada reproduz artigo de Mauro Santayana:
Que se ouça a voz do povo
Mauro Santayana
Não se trata de uma simples lei ordinária, nem de mera reforma no processo eleitoral, mas de profundo golpe no sistema democrático que há quase 200 anos estamos construindo no Brasil. É triste que os principais patrocinadores dessa “lista preordenada”, como o leguleio Henrique Fontana, em jogo semântico, a denomina, sejam parlamentares do Partido dos Trabalhadores, que, a um tempo, foi a mais bela promessa de realização democrática de nosso povo.
Ainda que os partidos políticos brasileiros fossem organizações sérias, com diretórios em todas as circunscrições eleitorais funcionando regularmente e a participação de filiados (todos em dia com sua contribuição para seu funcionamento), e que esses filiados fossem ouvidos para a composição das listas eleitorais, em consultas prévias e honestas, o sistema seria viciado. A Constituição não exige do eleitor a sua filiação a qualquer partido político. Os partidos são instâncias intermediárias entre o voto e o poder, que facilitam o processo, mas não são absolutamente necessários à legitimidade do sistema. O que faz a legitimidade do poder é a expressão clara da vontade de cada um dos cidadãos em escolher quem o representará no poder legislativo, e quem o representará (no sistema presidencialista que adotamos) na chefia do poder executivo, no município, no estado e na união. Os partidos são a reunião, eventual (não há partidos eternos) de cidadãos em torno de ideias, quando as há, o que não é exatamente o nosso caso, e de interesses corporativos. Eles nasceram, no modelo moderno que conhecemos, dentro da Casa dos Comuns, na Inglaterra, ao longo do século 17, com a divisão entre whigs e tories; com os primeiros contestando o poder estabelecido e os segundos, o apoiando. Em suma, na linguagem de hoje, entre a esquerda e a direita, entre conservadores e progressistas.
Não se tratando de uma questão tão simples, como querem fazer os líderes dois grandes partidos que dividem hoje a maioria na Câmara, o poder – o PT e o PMDB – é preciso que os legítimos senhores do poder político, ou seja, os cidadãos, sejam ouvidos. Os eleitores não lhes conferiram mandato tão amplo, como pretendem. A imposição das listas eleitorais fechadas corresponde a nova regra constitucional, ainda que a votação uninominal não seja claramente estabelecida na Carta Maior. Desde que há eleições no Brasil, o voto tem sido uninominal. O que, felizmente tem mudado, é a qualificação dos eleitores. A República, ao eliminar o voto censitário, estabeleceu o sufrágio universal masculino. A Revolução de 30 trouxe o voto feminino. O voto uninominal é regra consuetudinária, que jamais foi posta em dúvida.
Os partidos, se fossem organizados, poderiam agora ouvir seus filiados – mas os filiados são minoria inexpressiva e, em nosso caso, cooptados e escolhidos pelos donos das legendas, mediante seus representantes nas bases municipais. Ainda assim, conviria que houvesse, mediante convenções regionais, a consulta a esses filiados, que deveriam ouvir seus eleitores. Eles preferem votar em listas fechadas ou diretamente nos candidatos?
No caso em que se aprovasse o sistema, haveria que decidir quem iria elaborar a lista. Se essa elaboração não partisse dos filiados, em número expressivo, dentro do círculo eleitoral próprio, seria uma violência intolerável ao processo democrático de escolha. O voto em lista fechada é admissível em certos países europeus, onde os partidos têm programas definidos, filiados pagantes e que se reúnem normalmente, e que escolhem previamente seus candidatos.
Os que têm mais votos prévios assumem os primeiros lugares da lista. Nesse caso, é comum que os filiados escolham nomes de prestígio, de pouco apelo eleitoral, mas que podem dar substância moral e ideológica à bancada. Aqui no Brasil, a escolha será dos dirigentes partidários que sempre irão ouvir os seus financiadores. Enfim, irão fortalecer-se as já numerosas bancadas da Febraban, do agronegócio, das igrejas, dos sindicatos.
Se os eleitores não forem ouvidos, o povo se fará ouvir, nas ruas. Disso não tenham dúvidas.
[...] consigo discordar de um texto seu, o “Que se ouça a voz do povo”* (publicado no blog Conversa Afiada, jornalista Paulo Henrique Amorim em 06 de abril de [...]
A contragosto, avalio o artigo deste fantástico jornalista de forma negativa.
É superficial e evita a questão central, que é a implantação do financiamento público de campanha.
O artigo não analisa o sistema atual, em contraposição com o sistema proposto, trazendo apenas duas questões:
Temos tradição no voto uninominal.
Os caciques é que decidirão a sequencia da lista.
É pouco para alguém da dimensão do autor do artigo.
Sr. Santayana,
Entendo seus argumentos para que se ouça a voz povo, mais até esta pratica infelizmente é perigosa. O exemplo de referendo que a voz do povo foi distorcida e manipulada pelos meios de comunicação foi a do desarmamento. Como o proprio Conversa Afiada recentemente publicou um topico sobre o apoio das Organizações Globo e da Bandeirantes entre outras em defesa contra o desarmamento da população. Só quando o PIG não deter o poder pelos MCM que poderemos conceber a vontade do povo que será legitima, muitos ainda são influenciados por noticiarios parciais e comentaristas que apoiaram a ditadura
PHA, obrigada pelo texto excelente sobre a “reforma politica”. Ele é claro sobre deixar o povo de fora como sempre e ouvir da boca desses “eleitos” que vivemos uma democracia solida! (sic) Outro ponto da “reforma” é a limitaçao de apenas 1 mandato. Como estudante aprendi nas classes de um grande jurista Guy Carcassone que na verdade, limitar mandato é anti-democratico pois o povo tem todo direito de eleger quem quiser e se houver um governo bem-sucedido e que o povo quer manter, porque limitar? O limite a um mandato tem de vir do povo, pois é ele quem vota e decide se é “por” ou “contra”. No mais, partindo do principio da continuidade isso faz bem ao pais e a seus cidadaos pois sabemos que quando entra outro, desfaz tudo e começa outra coisa…
O que Santayana descreve é uma oportunidade de criar outro grupo de “lobbyistas” dentro dos partidos politicos que se entenderao perfeitamente com os interessados (Febraban, do agronegócio, das igrejas, dos sindicatos, entre outros).
E o povo continuaria a existir somente para pedir o voto no momento certo! Viva o Brasil…
Alterar as eleições, só vai dar mais confusões, principalmente, que não se sbe a verdadeira intenção. O certo seria a realização de um pebliscito contendo as mudanças e deixar o eleitorado decidir. Do jeito que está não tem tem grandes confusões. Deverá ser revisto o seguinte:as verbas dos partidos e candidatos, os vices de senadores bem como a duração dos respectivos mandatos.
Mauro Santayana é mestre!
Ao Povo os destinos da Nação.
Um país para se desenvolver e se tornar uma nação soberana e de primeiro mundo, precisa incansavelmente de cabeças pensantes e trabalho, muito trabalho no congresso mesmo. Não dá para os congressistas ficarem lá só de vez quando e olhando para as estrelas. Nada cai do céu de graça, só o sol e a chuva que o criador manda democraticamente para todos, sem distinção de raça, cor, classe social, sexo,etc, etc, e ainda sem impostos, por enquanto. Apenas o trabalho dignifica o homem. O nosso país precisa voltar seriamente ao trabalho. Pensar e agir pra valer. O resto é bandidagem e corrupção.
Um país se faz com homens e livros, e eu acrescento, e trabalho juntos. O poder emana do povo. Só o trabalho constrói uma nação. O discurso político vem depois.
Estas reformas deveriam ser à base de plebiscito popular nas urnas. A reforma agrária está no papel há mais de 60 anos, e nada. A reforma tributária se arrasta como lagartixa. O judiciário um verdadeiro caos. A reforma política sobre financiamentos de campanha, fraudes, compra de votos, ficha limpa e fidelidade partidária sem contar outras irregularidades não avança. Realmente estamos vivendo hoje uma democracia à moda Sacy Pererê.
Brasília pode ser deles: políticos, empresários, lobistas, corruptos, corruptores, coniventes, omissos, e mais um monte de nada.
Mas a rua, a rua, a rua é de quem anda nela. Passa pelas esquinas, cruza ruelas, atrevessa pela faixa, anda nos becos, come com fumaça, ouvi os ruídos, bafafás, piadas e, muito claramente, revoltas, reviravoltas, revoluções, resitência, indignação, e lutas, diárias-pacíficas-necessárias.
Caro Diobral,
sou brasiliense, minha história se confunde com a história da cidade, que amo por ser minha casa. Esta que com toda a sua pluralidade nos mostra todos os dias as diversas caras/culturas/vozes do Brasil. Nós, e falo por todos os meus conterrâneos, não pertencemos (em nossa enorme maioria) a nenhuma das categorias arroladas pelo senhor (que vão de “corruptos” a “monte de nada”). Apenas estamos fisicamente próximos ao centro do poder, estando tão distantes quanto qualquer outro cidadão do verdadeiro poder, nessa nossa representatividade torta. Estamos no mesmo barco, lutamos todos os dias por um país melhor. Assim, peço que retifique sua colocação. E peço reflexão a todos: Brasília é do Brasil, e dos Brasileiros.
Sou contra o voto em lista fechada, da mesma forma que sou contra o Distritão, que tem o apoio do PHA. Pra mim, ou fica do jeito que está, ou muda pro distrital-misto: metade das cadeiras para candidatos de um distrito com o maior número de votos e a outra metade para os votos em legenda, distribuídas proporcionalmente, sendo preenchidas pelos candidatos mais votados, independente do distrito.
Outra vez: eleição parlamentar deve ser com dois votos.
Um voto para definir quantas cadeiras cada partido vai ter, dado no partido.
Outro voto, para definir quem vai ocupar essas cadeiras, dado num candidato.
Propaganda eleitoral dividida, parte para o partido apresentar suas propostas, parte para os candidatos se apresentarem ao eleitor.
Voto só em candidato despolitiza o voto.
Voto só em partido abre porta para venda de posição na lista.
Financiamento público, acrescido de doações privadas ao fundo eleitoral: quem quiser, doa X ao seu partido ou candidato, através do fundo, e acrescenta mais Y, que serão divididos entre os outros partidos e candidatos.
Não vejo nada que possa ser reformado no sistema político. O que precisa ser reformado URGENTE é a Justiça Eleitoral e o financiamento de campanha. Se querem fazer experiências políticas, que fossem criando aumentando as possibilidades de impedimento de autoridades, da forma de escolha dos Ministos do Supremo, que deveriam ter mandato de 8 anos. Sem uma lei de comunicações sempre haverá manipulação grotescas das eleições.
Quando no Brasil as coisas dao certo querem mudar. O gente inconstante. A unica coisa que precisa mudar e esse quociente eleitoral q e injustissimo, o resto ta certo. A reeleicao fez um bem danado ao pais, quem quer acabar com ela eos demo-tucanos (os retrogrados). Acabar com reeleicao e golpe dos demo-tucanos, acorda PT!!!! Em vez de ficarem mudando o q da certo por que nao preocupam em fazer coisas produtivas para o pais???? Sera q nem o aumentaco q tiveram serviu de estimulo para voces fazerem alguma coisa util para o pais?????
Concordo com cada vírgula. Acertando a questão do quociente eleitoral, já fica muito bom, mesmo com a reeleição, que para um único mandato me parece razoável.
Só acrescentaria que não se deve mexer, também, no financiamento das campanhas. Os partidos já têm um custo enorme para o país. Gastar mais com eles não impediria, de nenhuma forma, a corrupção e o caixa dois.
Disse bem, Santayana!
Ressalto que a Democracia brasileira é recente, e grandes mudanças podem trazer de volta problemas antigos, os quais não queremos que voltem. Ou seja, o autoritarismo e a usurpação da livre liberdade de escolha.
P.s. – Como militante petista, não concordo com os rumos que estão sendo tomados pelo partido em relação a reforma política.
É correto acreditarmos que o comportamento do eleitor continuaria o mesmo diante de novas regras? Não se cogita, nem de longe, que o partido defenda as mudanças por razões mais nobres. Ademais, o PT sozinho (nem com o PMDB, que não é um, mas vários) conseguiria aprovar a reforma. A crítica dele é cruel com os partidos e seus representantes, e seus filiados (interesseiros e paus-mandado dos caciques dos partidos?). Em que o sistema político-eleitoral atual ajudou, até aqui, para transformar tudo isso? Não foi o voto em lista, nem a fidelidade partidária, nem o financiamento público das campanhas que nos trouxe todo esse descalabro político-partidário diuturnamente criticado e apontado como causa de muitos dos nossos males! Será que querer mudá-lo é algo tão incompreensível assim?
Santayana, excelente , a voz do povo é a voz de DEUS.ACESSEM> http://bernardoalerta.blogspot.com/2011/04/serra-disse-ate-logo-e-nao-adeus.html
Parabens mestre Santayana o primeiro que tem que ser feito é convocar um PLEBISCITO e apresentar essas ideias ao sagrado Povo da Nação Continental e que ela em suas bases e/ou afiliados a partidos, sindicatos, e toda organização que a represente tem que ser consultada, do contrario o Povo vai fazer-se ouvir e a sua maneira sem intermediarios. A Lei de Medios já é uma impossição. Dilma neles
Essa proposta é um absurdo, por várias razões. 1) A grande maioria do eleitorado brasileiro não vota em partido. Vota em pessoas. Basta olhar alguns resultados das últimas eleições para se comprovar isso:Acre – Serra e Tião Viana. Pará – Dilma e Jatene. Tocantins – Dilma e Campos. Alagoas – Dilma e Teotônio. Rio Grande do Norte Dilma e Rosalba. Minas Gerais – Dilma e Anastasia. Rio Grande do Sul – Serra e Genro. 2) Votar em uma lista da qual não se tem conhecimento de quem a compõe? Nem pensar! 3) Serviria como instrumento para perpetuar com mandatos os “figurões” de cada partido e, por consequência, impediria a renovação de nomes tão necessária à saúde da democracia. Repito: ISSO È UM ABSURDO!!!
Luiz Carlos Cavalcanti de Albunquerque:
Isso de fazer união de diferentes candidatos, de diferentes partidos, e a tradicional política dos conchavos, para continuar a elite levando o país, de acordo com seus interesses.Isso de união de diferentes partidos, tem que ser proibido. Cada partido se diferença um do outro, por sua plataforma de governo.Não se pode misturar óleo com água. Fazendo a lista dentro dos partidos podem passar a intervir na política outros cidadãos, não sempre os mesmos.Veja ate o dia de hoje temos integrantes do congresso cidadãos, que estão em esses lugares faz 50 anos.Estas listas tem que ser feita entre todos os cidadãos que são afiliados Ao partido.Não como se faz em alguns partidos que de reúnem 5 o 6 figurões ao redor de uma mesa de Whisky e elegem entre eles, quem vai ser o candidato a presidente, governador,e a prefeito Qualquer parecido com a realidade, e pura casualidade
Reforma política sem o “Recall” é o mesmo que fazer aquela necessidade básica e não usar a falha de São Paulo depois; mas sem nem mesmo folhear, claro, pois causa disfunção intestinal.
Mais uma prá gente lamentar, justamente com a ajuda do partido do Lula!.
O PT mais uma vez está dando um tiro no pé. A maioria dos votos que o povo deu ao Lula e Dilma nada tem a ver com o Partido dos Trabalhadores. Votaram nas figuras que eles conheciam e respeitavam. Assim foi também o voto em tantos outros candidatos. Querer impor tradição européia no Brasil é no mínimo burrice. Brasileiro não dá importância a partido, seja de esquerda ou de direita. Ele escolhe seus candidatos pelos seus nomes e feitos, não pelos partidos que representam. Só uma minoria faz isso. Portanto, não é uma simples lei que vai criar tradição de republicanismo autêntico. Fidelidade partidária por parte do eleitorado exige tempo e prática. Exige também uma tremenda consciência de cidadania, cuja implantação neste país é bastante recente. E não estou falando de eleitorado pobre só. Estou falando de pessoas até com curso superior que não têm a menor consciência dos direitos e deveres de um cidadão. Por isso, tudo por aqui é frágil: dos políticos aos membros da Justiça e imprensa. É bom não esquecer que a Europa passou a ter consciência de cidadania e de República a partir de 1789.
O Santa, como sempre tem a inteira razão, basta ver quem quer a lista fechada, sómente os caciques, e muitas vezes, não acrescentam realmente nada em prol, a ideologia do partido, pois veem de uma época, do segure-se quem puder, e a mediocridade pig a todo vapor, lembrem-se dos anos 95/96, parecia que o cortador de pulsos era imbatível, ai tiveram que apelar, aos candidatos com mais intensão de voto, em detrimento ao melhor preparado, salvo raras exceções, uma lista fechada, talvez perpetue os cidadãos, que pensam que estão bonitos na foto… maumau
Os cidadãos se fossem ouvidos 70% dos politicos não estariam aonde deviriam estar, mas como um ex-presidente do STF disse: Não devemos dar ouvido ao clamor público.
Estamos na república dos poderosos quem manda é quem tem a verdinha.
Sr Victor,
Permita-me discordar: os cidadãos são chamados a falar sim, através do voto. São os cidadãos que votam, que escolhem. Tenho a impressão que o povo meio que macumunado com os políticos (candidatos) os escolhem, e depois, nós, o povo, individualmente, colocamos a culpa no povo. Convenhamos, o povo não vota, quem vota são as pessoas. O voto não é o exercício de um ente (o povo), mas dos individuos.
Grande abraço.