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Requião a Lula: tem que mexer na economia

Política econômica da Dilma é igual a do Aécio
publicado 09/03/2016

Nesta quarta-feira (9), o Presidente Lula  se reuniu com senadores do PMDB e do PT na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Um dos presentes foi o senador Roberto Requião (PMDB-PR), que conversou com Paulo Henrique Amorim, por telefone, sobre o encontro.

Leia a íntegra:

PHA: Senador, o senhor esteve no encontro do Presidente Lula com 25 outros senadores na casa do Renan Calheiros, presidente do Senado. O que o senhor disse ao Presidente Lula?

Requião: Eu e os senadores falamos da impossibilidade de se manter essa política econômica. A Presidenta Dilma governa com as propostas do Aécio Neves, com uma política econômica da oposição. Imagine se é hora de aumentar o tempo de aposentadoria das mulheres, quando, na verdade, Brasil e Estônia são os dois únicos países que não taxam os lucros dos acionistas.

Veja se é hora de aumentar o empréstimo consignado dando como garantia o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) através de bancos privados que cobram 3% de juros, quando o Governo poderia entregar esse projeto para a Previdência Social operando por meio da Caixa Econômica. Resolveria o problema da Previdência e baixaria os juros.

Temos uma política dominada pelos interesses do capital e pelos interesses que a Dilma derrotou na eleição.  O grito do conjunto foi a volta das propostas de  campanha.

PHA: Inclusive dos pemedebistas presentes?

Requião: Todos presentes.

PHA: E com relação ao impasse político, agravado com o sequestro do Presidente Lula pelo juiz Moro?

Requião: O Lula teve a solidariedade. Todos têm que receber por suas práticas. Mas, por lei, ele só poderia ser levado coercitivamente se tivesse se recusado e, na prática, se tivesse se recusado pela segunda vez. É assim que procede a Justiça brasileira.

PHA: Se tratou nesse encontro da possibilidade do Lula ser ministro para ter foro privilegiado?

Requião: Não por isso. Aventou-se a hipótese de Lula ser ministro para, junto com a Dilma, reconciliar com o eleitorado. Uma possibilidade de uma volta aos compromissos eleitorais de campanha, mas o Lula não demonstrou interesse para isso. Na verdade, ele mais escutou do que falou.

PHA: O que o Lula foi fazer nesse encontro, senador?

Requião: Escutar e saber o que os senadores pensam da situação política e econômica. O problema é a economia, pois todos os outros teriam um tratamento normal se não fosse a decepção com a economia.

PHA: O senhor acha que existe a disposição do juiz Moro de prender o Lula? Acabou de sair a notícia que o promotor Conserino denunciou Lula por ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.

Requião: Eu acho que o promotor gosta muito é de aparecer. Parece que, segundo denúncias que escutei, é sócio do filho de um famoso bicheiro de São Paulo. Não tenho certeza, mas ouvi falar. O Lula tem que responder pelos atos, mas é evidente que estão promovendo espetáculos para a mídia. O que pretendem atingir não é o Lula e sim o Estado brasileiro. Porque atrás disso vem as propostas de privatização do petróleo, do Banco Central, e um limite no endividamento do país, acabando com as políticas cíclicas. Foi o que os EUA fizeram na última crise, que aumentaram o endividamento e colocou a economia para funcionar.

PHA: E quem não deixa o Obama se endividar é o Partido Republicano do Trump?

Requião: Mas mesmo assim colocou a economia para funcionar. Os juros nos EUA estão a 0,25% ao ano. Então, precisamos mexer na economia. Colocar R$ 100 bilhões das reservas cambiais para a construção civil. Tudo isso foi aventado e o Lula escutou.

A minha posição foi essa: que a economia é o problema e estamos sem norte na economia.

O que achou da reunião lá em SP?  [ Ato em defesa da liberdade de expressão e contra a tentativa da Rede Globo de censurar blogs e mídias alternativas realizado no Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo em 7 de março de 2016]. Assista  ao discurso do senador aqui.

PHA: Muito boa. Temos que impedir o Eduardo Guimarães de ser preso pelos procuradores.