Publicado em 31/05/2012
MP ouve Guerra, o
torturador da “Guerra Suja”
Saiu no SUL 21: Agentes da tortura falam pela primeira vez: MP ouve depoimento de Guerra e Marival por 16 horas.

Lei da Anistia: Marival e Guerra (D), numa nice (Fotos: Reprodução / Topbooks / iG)
Saiu no SUL 21:
Por Luiz Cláudio Cunha
Especial para o Sul21
Em sigilo, começou esta semana a autópsia da ditadura brasileira. Durante 16 horas de depoimento em Vitória, ES, ao longo de segunda (28) e terça-feira (29), o ex-delegado do DOPS Cláudio Antônio Guerra e o ex-sargento do DOI-CODI Marival Chaves Dias do Canto falaram pela primeira vez e formalmente ao Ministério Público Federal, na presença da coordenadora da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça da Câmara de Deputados, deputada Luiza Erundina de Souza (PSB-SP).
Uma força tarefa de cinco procuradores do MP de quatro Estados (SP, RJ, MG e ES) foi enviada discretamente à capital capixaba pela subprocuradora geral da República, Raquel Elias Ferreira Dodge, para a inédita oitiva dos dois únicos agentes da repressão brasileira que ousaram testemunhar e confessar os abusos e crime praticados nos porões da ditadura. O depoimento de Guerra e Marival acontece apenas doze dias após a instalação oficial pela presidente Dilma Rousseff da Comissão Nacional da Verdade, ainda enrolada na discussão burocrática de seu regimento de trabalho.
Ninguém da imprensa teve acesso ou soube dos depoimentos em Vitória. Uma equipe da TV Câmara, que acompanhava Erundina e o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), membro da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça, não teve permissão dos procuradores para presenciar o ato. Uma equipe da própria Procuradoria Geral da República gravou os dois depoimentos na íntegra.
O ex-delegado Guerra, autor do livro recém-lançado Memórias de Uma Guerra Suja, em depoimento aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, falou durante 12 horas — nove horas na segunda-feira, entre as 9h e as 18h, e outras três horas na manhã seguinte, respondendo a uma bateria de perguntas dos procuradores. Na tarde de terça-feira, entre as 14h e as 18h, o ex-sargento Marival deu o seu testemunho, o primeiro que faz desde a histórica entrevista que concedeu em novembro de 1992 ao repórter Expedito Filho, da revista Veja.
No livro, o delegado do DOPS admite que matou com disparos à queima roupa, envolveu-se em atentados como o Riocentro e coordenou a incineração de corpos de presos políticos no forno de uma usina de açúcar em Campos, interior fluminense. Na revista, o sargento do DOI confirma, na frase dura que ilustra a reportagem de capa: “Eles matavam e esquartejavam”.
“É a primeira vez que o Estado brasileiro ouve formalmente os seus depoimentos”, observou o procurador Sérgio Gardenghi Suiama, que acompanhou o histórico evento na sede do Ministério Público Federal em Vitória, na companhia dos procuradores Antônio Cabral, Ivan Cláudio Marx, Silmara Goulart e Paulo Augusto Guaresqui. Os dois agentes da repressão falaram longamente sobre o que viveram e viram, apontando nomes e locais que servirão para instruir os três procedimentos criminais já abertos no MP.
Guerra, apesar de se sentir ameaçado por ex-colegas que serviram à rede do DOPS, DOI-CODI e SNI, dispensou a sua inclusão no Programa de Proteção a Testemunhas, instituído em 1998 pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério da Justiça. Apesar disso, a deputada Erundina, como coordenadora da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça, formalizou ali mesmo, em Vitória, um pedido ao procurador da República em Campos dos Goytacazes, RJ, Eduardo Santos de Oliveira. “O depoente encontra-se sob frágil proteção policial executada pela PM do Espírito Santo”, ressaltou Erundina no ofício de terça-feira, 29, solicitando a cobertura da Polícia Federal ao ex-delegado.
“O Estado brasileiro, a partir desse ato formal perante o MP, é o responsável pela segurança pessoal de Guerra e de Marival e pela preservação dos locais e endereços onde foram praticados os crimes de tortura, morte e desaparecimento forçado”, observou Luiza Erundina, animada com as revelações detalhadas e as novas pistas oferecidas.
A deputada da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça espera, agora, que outras pessoas se inspirem no exemplo dos dois agentes da ditadura, contando o que viram e sabem sobre os porões da repressão. “Guerra e Marival provam que podemos e devemos buscar e revelar a verdade, por mais terrível que ela seja. A verdade está aí, basta ter vontade e coragem para ir atrás dela”, diz Erundina.
Luiz Cláudio Cunha é jornalista
Essa é a Comissão da Impunidade. Não quero saber quem morreu, porque não quero passar raiva sabendo que tudo que foi feito não teve punição a altura da justiça brasileira ( que convenhamos é muito aquém do ideal).Fizessem o seguinte : quem sumiu na época da ditadura é “desaparecido” e pronto. Funcionário da ditadura que matou e torturou é assassino e torturador.Essa lei criminal que tem prazo de validade é nojenta.Crime é crime não importa quantos séculos se passe. Além do que instituições (Exército,Marinha e Aeronáutica) mantém padrões de conduta engessados tal qual certa vertente religiosa, por isso perde adeptos.Servico militar OBRIGATÓRIO?Voto eleitoral OBRIGATÓRIO? Os deveres para com o estado são muito maiores que os direitos que dele se obtém.
É necessário cautela pois os senhores foram torturadores, será que converteram, será que falam a verdade, será que não são plantados para confundir?De toda forma se confirmado o que dizem é de bom valor, afinal o torturador é acima de tudo covarde!
Valeu Eru.
Aqui vai uma certeza! Eles deixaram de ser soldados para transformarem em verdadeiros assassinos cruéis! E tudo fizeram em nome dos valores da família, moralidade e proteção e defesa da democracia e liberdade?!?! Agora explique uma coisa em nome das mesmas?! Porque então tivemos de viver 21 anos em regime da Besta da falta de racionalidade, inteligência e compaixão?!?! Roubaram de todos uma parte do destino em sermos uma nação livre e soberana, diziam que estava protegendo o país dos “comunistas comedores de criancinhas” para nos colocar diante dos devoradores de riquezas, propriedades e soberanias! É mais do que justo agora que a comissão faça a verdade valer para que fins serviu toda aquela imoralidade e indecência! Aqueles que tem consciência e sobrou algum valor de homem que apareça e conte tudo o que sabe!?
Liberdade de imprensa ? Isso existe ? Bobagem , o que existe é liberdade para a imprensa de quem tem dinheiro. Nenhuma imprensa é imparcial , o que se deseja é que haja sempre as duas versões ( ou mais ) , ou seja , cada mídia apresenta a sua versão mas que todos saibam que é a versão daquele pensamento . O P.I.G. representa a direita e é necessário que haja IMPRENSA LIVRE que represente a esquerda , com o mesmo poder de comunicação e alcance. Isso não existe e nunca existirá . Por isso temos apenas uma democracia pela metade : DEMOcracia burguesa ! E o Lula ficou quietinho, muito , muito estranho …
É a hora da verdade se aproxima. Eu que estive no olho do furacão, e minha história está registrada parte num livro de publicação acadêmica, que teve tiragem de 500 exemplares, título – HISTÓRIAS CONTADAS – DEZ MULHERES em trabalho de 10 professores de História há três anos aproximadamente, expus passagens muito tristes da minha vida, de meu marido e de minhas quatro meninas. Há também depoimentos num vídeo do Sindicato dos Metalúrgico de Osasco. OSASCO 1968. Tem de chegar a hora da verdade.
Certo. Legal para História do país. E só.
Meu velho camarada falecido Bigode/ES está sorrindo no tumulo . Nada como um dia atrás do outro .
E a verdade resplandescerá !!
O regime militar acabou, mas a “media nostra” continuar a manter a Verdade sob cárcere privado, nos porões escuros de suas redações, submetida aos mais torpes métodos de abusos e violações morais e corporais, quando não a matam e esquartejam.
Profundamente irresponsável sobre o ponto de vista da nossa história, a imprensa brasileira. Não tem nenhum respeito ao futuro do pais.São lesa pátria de carteirinha e comemoram por isso.
Depoimento discreto, sem as luzes dos refletores, isso é um trabalho sério, e leva a credibilidade à populacäo, principalmente acompanhado de uma deputada como Erundina. Que continue assim, deixam fora a imprensa fedida que temos no Brasil. Depois de tudo pronto entäo poderá ser publicado. Botei fé.
Importnte: ninguém soube, ninguém viu, ninguem de fora acompanhou os depoimentos. Nem o PIG que a essa altura está se roendo.
Um ajornalistazinha (coitada dela) na globonews falou que cercou Lula na palestra; depois o cercou no hotel e nada de Lula falar. Ao invés de cobrir um importante eventa estava lá para “fofocar”. É triste essa imprensa! (desculpem pelo desvio)