O Conversa Afiada recebeu de Rafael Rodrigues, que trabalha na assessoria do deputado Edson Santos (PT-RJ), o seguinte e-mail:
Oi PHA,
Boa tarde. Não me contive e acabei te escrevendo um pouco mais sobre o litígio entre o Jardim Botânico e a comunidade do Horto. É muito animador ter a oportunidade de esclarece esta estória em um veículo como o Conversa Afiada.
Inicialmente, cabe esclarecer que o primeiro núcleo do Horto já existia antes da criação do Jardim Botânico no Século XIX. Desde 1578, a região já era habitada pelos trabalhadores – negros escravizados – de dois engenhos de cana. A segunda onda populacional ocorreu em 1808, quando D. João VI desapropriou um destes engenhos para a construção da antiga fábrica de pólvora e do Real Horto, instituição que deu origem Jardim Botânico. Era prática da administração do Jardim Botânico ceder lotes nos arredores para que seus funcionários pudessem construir e fixar moradia perto do local de trabalho. Assim, gerações de famílias de funcionários e seus descendentes construíram uma comunidade no Horto, sempre com autorização das sucessivas administrações do JB.
Hoje, a região é ocupada por 589 famílias de baixa renda, composta em sua maioria por pessoas idosas, majoritariamente negras, que formam uma comunidade tradicional considerada patrimônio humano da cidade. A noção de pertencimento desta comunidade impediu a deterioração da área e sua preservação, uma vez que as famílias de jardineiros estão altamente integradas àquele meio ambiente. Durante anos, os moradores do Horto vêm cuidando desta localidade como extensão de suas vidas, impedindo, inclusive, a implantação de projetos de grande impacto sócioambiental, como a construção do cemitério Santa Catarina de Siena – iniciativa do então governador Carlos Lacerda – e de um conjunto residencial do BNH, de 35 blocos de 6 andares cada, ambos na década de 1960.
Sem qualquer constrangimento, no entanto, a atual administração do JB conseguiu disseminar entre os cariocas, sobretudo na Zona Sul, a imagem dos moradores do Horto como “invasores” e “espertos” que se apropriam de área pública da União. “Que absurdo, uma favela em área tão nobre da cidade!” Desconsidera relatos de moradores com mais de 80 anos, nascidos na localidade, como Dona Conceição, cujos avós já trabalhavam e moravam ali, remontando a uma ancestralidade com mais de 120 anos. Ignora que os moradores possuem raízes profundas com a área, e muito contribuíram para a construção do bairro, do Parque Jardim Botânico e para a preservação da enorme área verde em seu entorno. E deixa de reconhecer que a própria área do Instituto Jardim Botânico nunca foi demarcada e encontra-se em situação fundiária irregular Dessa forma, a atual direção do JB e os que lhe fazem coro, muitos dos quais inadvertidamente, demonstram enorme rancor social que os incapacita de aceitar a convivência harmônica entre pobres e ricos na região. Pois, aparentemente, não causam incômodo clubes e condomínios de alto padrão que ocupam a mesma área.
Finalmente, alguns anos atrás, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), órgão subordinado ao Ministério do Planejamento que tem como função cuidar dos próprios da União, resolveu regularizar a situação fundiária tanto dos moradores do Horto quanto dos limites do Instituto de Pesquisa Jardim Botânico. Baseada em um levantamento técnico da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, a SPU concluiu que é perfeitamente possível conciliar os interesses dos moradores com a expansão da área de visitação (arboreto) do JB e a preservação do meio ambiente na região. A solução seria o reassentamento em localidade próxima das pessoas que hoje ocupam imóveis em situação de risco ou construídos na área atualmente abrangida pelo arboreto. A atual direção do Jardim Botânico, no entanto, refuta o diálogo, insiste em qualificar os moradores como “ilegais” e aciona repetidamente a Justiça para que todas as casas sejam removidas sem qualquer entendimento com as famílias, colocando as mesmas em estado permanente de tensão.
A partir de então, lamentavelmente, recrudesceram as manifestações de intolerância. Apesar disso, a comunidade continua disposta ao diálogo e acredita que a resolução do litígio pode ser exemplar para o Rio de Janeiro, rompendo com a tradição de isolamento dos pobres e criando novas pontes para esta cidade ainda “partida”. Os moradores reconhecem a importância histórica e científica do Instituto, instituição de renome internacional, que tem um importante papel a cumprir para o desenvolvimento da pesquisa científica no Brasil. E não enxergam qualquer contradição entre a expansão do trabalho do JB e a manutenção de suas casas. Em recente decisão, o Tribunal Regional Federal da Segunda Região, suspendeu todas as ações de reintegração de posse na área, mostrando aos moradores que eles estão no caminho certo.
Muito obrigado, e tenha um ótimo carnaval
Eis a decisão da Justiça, que impediu a petição de Pinheirinho:







Sou moradora da vila major Rubens vaz na nossa vila nao tem nada de favela,e querem tirar todos e mentira do j botanico, os animais estao envadindo as casas para comer raçao dos caes. tem muita gamba com fome e ouriço comendo nas casas salve o j botanico.
A elite brasileira, não contente em ser completamente ignorante, burra mesmo, faz questão também de ser profundamente perversa. Que vergonha eu tenho dessa elite nojenta!
É. O RIO parece manter costumes antigos de “limpeza” das áreas nobres até hoje.
Antes, como tão bem tratou Lima Barreto em diversos textos denunciantes, quem não tinha calçado era preso circulando pelo centro… agora essa política suja do JB de ir contra os moradores que fizeram o que o JB é hoje.
Que o JB não seja o Pinheiro e que o povo de lá consiga apoio antes de serem expulsos.
http://coisasmiudasegraudas.blogspot.com/2012/02/sem-saldo-e-sem-saida_16.html
Sobre manifestações de professores do Goiás: http://coisasmiudasegraudas.blogspot.com/search/label/Coisas%20de%20professores
Não vão contar pro Alkmin que a justiça está contendo a reintegração de posse desse lugar senão ele manda a PM de São Paulo mostrar quem é que manda mesmo sendo no Rio de Janeiro.
E quando será que a Dona Dilma vai demitir a diretoria do JB?
Parabéns à Advocacia da União que teve que alertar o judiciário para a iniciativa da União de solução pacífica do caso e ainda foi condenado pessoalmente em multa diária de dois mil reais por não querer que as pessoas fossem despejadas imediatamente. Lamentável postura do juiz de primeira instância revertida no TRF.
Acho que o MMA,IJB, prefeitura e demais atores envolvidos estão perdendo oportunidade de promover um modelo exemplar de preservação ambiental e ocupação sustentável do território. A proposta da UFRJ me parece bastante interessante, basta vontade política e inteligência dos gestores desses órgãos para tranfarmmá-la em um modelo para o Brasil. Lembrando que a Rio + 20 está aí, vai pegar muito mal pro IJB um escandalo dessa natureza.
O que carioca sabe é que o número de moradores daquela localidade aumentou.
Medo de venderem a área para milionários construírem suas mansões e puxadinhos, adentrando o Jardim Botânico.
Antigamente visitantes elogiavam os morros do Rio, de tanta vegetação cobrindo suas encostas, hoje só se vê barracos e casas de milionários.
Tem uma casa no Cosme Velho, pertencente a uma senhora idosa, que foi invadida; até hoje ela não consegue retomar seu patrimônio.
Sou contra invasão, de rico ou de pobre.
Estamos a caminho: os bons têm que se manifestar, pois os maus e poderosos nunca tiveram o menor escrúpulo em berrar suas ambições o tempo todo, impondo-se arbitrariamente, o que vêm fazendo sistemáticamente, amparados pelo pig e pelas togas alugadas que os servem. Estamos a caminho, começamos a nos manifestar e isso não vai parar: os bons são muito mais poderosos, e numerosos. Ótimo texto, Rafa, parabens pela lealdade aos bons princípios.
Jardim Botânico? Está com sinais evidentes de abandono: plantas invasoras, falta de limpeza, cuidados. Tá largado.
Outro abandono: Central do Brasil. Fedentina total: fezes, urina, comida estragada. Sujeira – aquele piso nunca foi lavado. Camelô para todo lado atrapalhando a circulação. Sem sinalização, sem passagem de pedestre. Pedestre correndo entre ônibus desrespeitosos. Absurdo.
Quem precisa daquele terminal já chega mal humorado.
É que lá não tem Alckimins, Nahas e tucanos o bastante.
PHA, Um repórter do SBT marcou uma reserva num restaurante chique de Higienópolis e ,no dia e hora marcados,apresentou-se vestido de morador de rua .Advinha se o deixaram entrar ?
O lugar não é uma favela, é uma comunidade de trabalhadores do Jardim Botânico, é um Quilombo em plena Zona Sul do Rio de Janeiro. Tem um clube dos moradores e é um lugar lindo. Vida longa ao Caxinguelê.
Prudente o parecer do Juiz.
Na verdade,ele simplesmente entende o que é real: os moradores do local preisam ter seu problema de moradia devidamente equacionado antes que se faça a reintegração de posse pela União.
Não existe comparação com a situação de Pinheirinho,onde um terreno plano,vazio,foi transformado num bairro pobre.
No caso presente a situação é muito diferente. A área pública invadida pertence ao Jardim Botânico,instituição de estudos e pesquisas em Botânica,um dos locais mais famosos do Rio de Janeiro por seu valor cultural e científico.
É algo similar a se construir uma favela dentro do Parque Ibirapuera,ou num campus universitário,no Aterro do Flamengo ou algo no gênero. Um total contrasenso.
Uma solução deverá ser encontrada que atenda o problema de moradia dos favelados mas que não impeça o desenvolvimento das atividades de bem público de tanta importância econômica,cultural e histórica.
O mesmo ocorre no chiquerésimo bairro do Leblon em relação à Cruzada São Sebastião, no Jardim de Alah. Os moradores foram removidos da favela do Morro do Pinto, no final da Carlos Góes, para o conjunto habitacional Cruzada São Sebastião, de Dom Helder Câmara. Só que no lugar da favela, surgiu a famosa Selva de Pedra, destinada aos bem nascidos. O tempo passou, o Leblon virou bairro nobre, graças a Manoel Carlos e suas novelas sempre idênticas, e todas ambientadas num fictício bairro do Leblon. Os “novos” moradores hoje se horrorizam com a Cruzada São Sebastião. Só não tocam fogo nela porque colocaria em risco o luxuosíssimo Shopping estrategicamente construído GRUDADO à Cruzada. Manoel Carlos, sempre cioso das mazelas que afligem a humanidade, parece não ter “percebido” a Cruzada, que em suas novelas sequer menciona. Mais informações sobre a Cruzada, veja em http://www.museudacruzada.com.br
Lula vai ser tema da escola de samba “Gaviões da Fiel”.
Cerra será homenageado pela “Vai-Vai” embora!
Ai carioca, num vai dá uma de paulista, heim?
Na ilha de Caratateua, na vila da praia de Outeiro, o carnaval vai ser animadíssimo. Vai sair pela vila o bloco Falso, Hipócrita e Calhorda. O enrêdo do bloco: “Bahamas é a Solução”. Feliz Carnaval Brasil!!!
Acho um absurdo deixar que o Jardim Botânico e o Horto Florestal passem a ter em seu lugar uma grande favela.
Isso já aconteceu com o Parque da Cidade e até certo ponto está acontecendo no Parque Lage.
Ou uma área pública éum jardim botânico e um horto florestal ou é uma favela. Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço.
Acho incrível que o Deputado Federal Edson Santos não compreenda a importância econômica, científica e cultural do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e defenda o indefensável: que a área se torne um bairro, a partir da invasão sob forma de favela que lá existe e se propaga a cada dia mais.
Isso não tem nada a ver com Pinheirinho.
O Ministério do Meio Ambiente deve uma explicação ao povo brasileiro.Por que está se omitindo na busca de uma solução digna e justa para com o Brasil inteiro? O Jardim Botânico é patrimônio do país.
pais dos ricos que vão continuar morando lá.
O brasil esta tomando um caminho sem volta, que tão logo, somente uma Revolução Social, Cultural e Política dará jeito!
Que com certeza não será com debates, e sim, com combates!
Temos que abolir a velha política e acima de tudo a velha mídia!
Sempre digo em conversa com amigos, que o Brasil só não esta melhor, por conta da mídia comandada por grandes interesses internacionais, que se apavoram a cada dia com o nosso crescimento!
Desacórdão desta decisão os Desembargadores do TJ da Província de Piratininga.
O assessor do Deputado Edson Santos força um pouco a barra da História. Em todas as fazendas de cana de açúcar evidentemente a mão de obra era escrava.
Mas nas terras públicas destinadas ao Jardim Botânico logo após a chegada de D. João VI ao Brasil, em 1808,não houve nenhum quilombo ou coisa parecida,comprovada com documentos históricos. Isso é pura apelação.
Quem quiser saber de fato o que vem ocorrendo naquela área deve pesquisar com seriedade,começando no próprio site do Jardim Botânico:
http://www.jbrj.gov.br/
Uma matéria esclarecedora:
http://www.sosjardimbotanico.com.br/entenda-a-questao/
No mais é ir ao local e constatar o que está acontecendo.
Ora, visitar o site do JB? Seria a mesma coisa de visitar o site do Nahras no caso Pinheirinho.
Viva o Tribunal Regional Federal do Rio! Viva a Comunidade do Horto! Exemplo para o Brasil!!!
Certamente todas as alegações feitas por militantes racistas e pelos que se consideram defensores dos moradores da área que pertence ao JB são falsas. No entanto, o embasamento delas, que é um suposto direito de propriedade simplesmente por estar lá, mesmo que ilegalmente, é absurdo em qualquer situação. É incrível que alegações como estas, que incluem inclusive a raça dos posseiros como se isto fortalecesse suas pretensões, é levado a sério por alguns. É incrível que o JB, raro patrimônio que pertence a todos os cariocas e brasileiros (de todas as raças) ainda não tenha recuperado sua área. Só um país que não consegue tomar conta de si pode ser paralisado por movimentos racistas, por movimentos sem representatividade de todo tipo como ambientalistas estrangeiros, pelo PIG, pela elite corrupta etc..
Só quem não conhece o lugar é que pode qualificar esse arruado – modesto, mas maior que uma vila – de favela. São todas casas de alvenaria, com devido reboco, pintadas e com sistema de água encanada e esgotamento. Têm telhas e não “lajes”. E não tem boca de fumo nem de drogas outras.
Essa é a mesma turma que não quer o metrô na Praça da Paz. Como aí em SAMPA, os caras de Hygienópolis…
Obrigado Sr. João de enloco(testemunho visual) nos passar tal informação, pois trollzinhos replicantes, não faltam em todo o Brasil, o que falta é Vergonha na Cara, Com Sua Benção, Um Abração…maumau
Querem tirar alguém das terras que ocupa? Começem pelo costão do Joá e suas megamansões. É tudo invasão!!!!
…depois passem pelo litoral de Santa Catarina e desocupem as mega construções em áreas da marinha.
Isso mesmo! Passem também por São paulo e desocupem o Pontal do Paranapanema, e a mega invasão da Crutale. Todas, terras invadidas por latifundiários, muito ao gosto dos “bandidos de toga” e pdsbistas da província de São Paulo.
Invadir praias públicas como faz o sr. luciano huck, pode, né?!
“O BRASIL PARA TODOS não passa na glObo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS”
Logo,logo acontecerá com as favelas pacificadas e dirão a mesma coisa ” manter favelas nos morros é inadmissível, afinal são lugares com vista maravilhosa da cidade” e, os pobres serão exotados para dar lugar aos carissímos hotéis e mansões da nossa elite medíocre.
Devem querer construir um condominio de luxo. Não odiemos perder a esperança que pelo menos uma vez o pobre vença.
Bom carnaval a tods
Excelente texto,muito elucidativo.Parabems.Pinheirinho nunca mais.
Grande Juíz Poul EriK Dyrlund !! Pelo nome e pela sentença, percebe-se logo que não se trata de um juíz ‘braZileiro’.
“O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS”
Muita coisa para ler, só para gente conhecedora da arte, que com certeza tem neste blog, mas eu um simples mortal digo, se for coisa boa parabens, se for para o mal……vai se abraçar com o Serra.
Incrível como esse país se recusa respeitar pobres e negros, querem sempre esses fiquem bem longe de tudo e todos, que sejam escurrassados se preciso, mas que sumam….a estrada da civilidade ainda é longa nas terras tupiniquins…
Os pobres foram escorraçados pelos latifundiários ruralistas em décadas passadas (os que resistiram foram mortos e são mortos até hoje, a mando dos mesmos). Hoje, os latifundiários urbanos completam o “serviço”, derrubando suas moradias ( e muitas vezes até matando) para entregar a tipos como naji nahas.
Sou morador da Rocinha mas passei boa parte da minha vida escolar ali no Horto, nas escolas Capistrano de Abreu e Camilo Castelo Branca, tinha muita amizade com os moradores e fico muito feliz com o resultado, em um trabalho de filmagem que fui fazer no Jardim Botânico alguns dias atras reencontrei 3 amigos dos tempos de escola fazendo o que os pais faziam quando nos éramos crianças. Hoje são eles que tem pela frente um futuro mais seguro e prospero pela frente com essa decisão da justiça.
Se a CPI da Privataria Tucana não acontecer eu nunca mais voto no PT
Tá certo que o Rio tem muita coisa ainda para melhorar.
Mas taí uma das grandes diferenças que fazem com que Paulistas e Cariocas tenham uma grande rivalidade.