Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

Publicado em 23/01/2012

Ah, que inveja da Argentina ! O STF e a Anistia

O Conversa Afiada publica excelente artigo de Luiz Claudio Cunha, extraído da Sul21

 

Forti: "Juro por la pátria, mi madre y los 30 mil desaparecidos"


O Conversa Afiada publica excelente artigo de Luiz Claudio Cunha, extraído da Sul21:

 

O passado que a Argentina enfrenta com a coragem que o Brasil não tem


Luiz Cláudio Cunha

Especial para Sul21


A frase inesperada congelou a plateia colorida de azul, branco e marrom cáqui que lotava na segunda-feira, 12 de dezembro, o Salão San Martín, o espaço nobre do Edifício Libertador, sede do comando do Exército em Buenos Aires.  Perfilados diante do ministro da Defesa, Arturo Puricelli, os brigadeiros, almirantes e generais do Alto Comando das Forças Armadas argentinas ouviram, crispados, a sentença súbita e cortante da autoridade que subvertia o rígido protocolo castrense:

—  Juro por la pátria, mi madre y los 30 mil desaparecidos! — improvisou o advogado e diplomata Alfredo Waldo Forti, 61 anos, ao prestar o juramento de praxe para renovar seu mandato como Secretário de Assuntos Internacionais da Defesa. Nenhum militar aplaudiu, mas nenhum protestou. Todos respeitaram a frase atrevida de Forti, que dava ali o seu corajoso testemunho pessoal diante da corporação fardada que legou à Argentina, no período da chamada ‘guerra suja’ de 1976 a 1983, o desonroso título de ditadura mais sangrenta entre os regimes militares que sufocaram a democracia no Cone Sul do continente, na segunda metade do Século 20.

Nélida Azucena Sosa de Forti: presa no avião quando saía do país com os 6 filhos


Forti e sua mãe são símbolos dessa violência — ele como sobrevivente, ela como um nome a mais na multidão de desaparecidos políticos no período da repressão militar. A bela morena Nélida Azucena Sosa de Forti, ex-integrante dos Montoneros, o movimento guerrilheiro da esquerda peronista, tinha acabado de embarcar no voo 284 da Aerolíneas Argentinas que sairia do aeroporto de Ezeiza rumo a Caracas, na manhã de 18 de fevereiro de 1977.


Fugindo do clima político cada vez mais fechado do país, desde o golpe militar desfechado um ano antes, Azucena levava consigo os seis filhos, de 6 a 16 anos, incluindo Alfredo, o mais velho. Já com os cintos afivelados para a decolagem, tiveram que desembarcar, chamados de repente para resolver ‘problemas de documentação’. A mãe e as crianças foram recebidas por agentes armados da polícia de Buenos Aires, subordinada ao Primeiro Corpo de Exército. Com os olhos vendados, foram colocadas em dois carros e levadas para o Pozo de Quilmes, um quartel da Brigada de Investigações da polícia localizado numa cidade da região metropolitana, ao sul da capital.


Forti para Bussi: "Não tenho problema nenhum em cravar a faca cinco vezes em você. Mas a formação que recebi de minha mãe me diz que esta não seria a maneira certa"


Uma semana depois, as crianças reapareceram, vendadas com lençol e amarradas na árvore de uma praça no Parque Patrícios. Azucena ainda foi vista por um prisioneiro de Quilmes na primeira semana de março, até ser transferida para a chefatura de polícia de San Miguel de Tucumán, sua cidade de origem, 1.300 km a noroeste de Buenos Aires. A ordem de prisão e transferência para Tucumán partiu do general Antonio Domingo Bussi, que comandava a repressão mais feroz à guerrilha rural mais ativa do país na menor província da Argentina.


Azucena foi vista com vida, pela última vez, no centro clandestino de detenção conhecido como Arsenales, na saída norte da cidade, onde funcionava a Companhia de Arsenais Miguel de Azcuénaga, da V Brigada de Infantaria. Era um típico campo de concentração, cercado por duas cercas de alambrado separadas por uma faixa de terra vigiada por soldados e cães e altas torres de sentinelas.


Alfredo Forti e seus cinco irmãos nunca mais tiveram notícias de Azucena. No final da década de 1990, advogado com banca em Washington e consagrado assessor político dos governos do Peru, Equador e Guatemala, ele descobriu que dividia casualmente o mesmo voo da Aerolíneas com o algoz de sua mãe, Bussi, então um septuagenário general reformado. Naqueles tempos, a refeição era servida com talheres de metal, não de plástico. Em pleno voo, Forti deixou sua poltrona e foi até onde se sentava o general. Sem se apresentar, inclinou-se sobre ele, entreabriu o paletó e lhe disse:

Até o parceiro norte-americano exigia explicações sobre a mãe de Forti


— Estás vendo esta faca? Não tenho problema nenhum em cravá-la cinco vezes em você. Mas a formação que recebi de minha mãe me diz que esta não seria a maneira certa de resolver as coisas. Eu quero te ver apodrecer no cárcere! — amaldiçoou Forti, deixando para trás, tremendo, o homem que fazia a Argentina estremecer na década de 1970.


Caso americano


O nome de Bussi fazia abalar o prestígio da Argentina até nos Estados Unidos, no auge da ditadura. O National Security Archive da Universidade George Washington revelou, em 2002, o conteúdo de 4.600 documentos secretos do Departamento de Estado que abordavam violações de direitos humanos no país. O telegrama 04997 que a Embaixada em Buenos Aires enviou a Washington, no dia 29 de junho de 1978, relacionava os nomes de 103 pessoas das quais o governo norte-americano exigia informações. Um dos “casos de direitos humanos de interesse para os Estados Unidos” era o nº 71-77-5, de Nélida Azucena Sosa de Forti, com o status de “desaparecida”.


Cópia do telegrama da embaixada


Azucena e milhares de compatriotas começam a desaparecer quando emerge, no mapa argentino, a sinistra figura do CCD. É a sigla dos Centros Clandestinos de Detenção, instalações secretas das Forças Armadas para executar o mesmo plano que Adolf Hitler, em 1941, batizou poeticamente de Nacht und Nebel (Noite e Névoa): um projeto de Estado para o desaparecimento de opositores ao regime. Os generais argentinos, como seus confrades nazistas, programaram a eliminação física dos dissidentes numa operação que começava com os sequestros, geralmente sob o manto da noite, e depois se completava pela névoa do desaparecimento sem pistas, sem rastros.


Havia método na loucura, como bradava Hamlet. Os CCD, apesar das diferenças, tinham uma estrutura básica e eficiente: uma ou duas salas de tortura, alojamento decente para abrigar os guardas e torturadores e espaço amplo e indecente para receber os presos. Todos tinham serviço médico e, em alguns casos, até um capelão para atender a consciência pesada dos mantenedores da ordem.


Inspiração brasileira


Começaram em meados da década de 1970 como pequenas casas ou porões clandestinos e, à medida que endurecia o regime, cresciam os CCD, espalhados pelos maiores quartéis do país, todos engolfados no turbilhão da tortura. Em 1976, ano do golpe de 24 de março, 610 CCD assombravam o país. Havia 68 deles só na província de Buenos Aires, 13 apenas na capital — incluindo os notórios CCD da ESMA, a temida Escola de Mecânica da Armada, e do Campo de Mayo, o maior quartel do país.


Bussi: uma das mais terríveis faces da repressão argentina.


A província de Tucumán, onde reinaria o general Bussi, tinha 16 CCD, a metade deles apenas na capital, San Miguel, terra onde nasceu a cantora Mercedes Sosa e onde desapareceu Azucena. Era um número espantosamente grande de terror disseminado por um único país. Os CCD excediam, em número, aos DOI-CODI da ditadura no Brasil (1964-1985), um país três vezes mais extenso, quase cinco vezes mais populoso e assolado por um regime de arbítrio três vezes mais longevo do que a da ditadura na Argentina (1976-1983).


A receita brasileira surgiu bem antes, em 1969, com a modelar OBAN, a Operação Bandeirante do II Exército, em São Paulo, que inovou unindo inteligência e violência das Forças Armadas, da Polícia Militar e dos policiais mais truculentos das delegacias da capital, onde despontou a liderança do delegado Sérgio Fleury, que se tornaria o símbolo internacional da repressão brasileira como estrela maior do DOPS.


Um ano depois, a fórmula de sucesso foi definitivamente militarizada, sob o comando do Exército, com a criação dos Destacamentos de Operações de Informações, os DOI do serviço sujo, que saíam às ruas para combater, sequestrar e torturar os militantes da guerrilha urbana. Eram coordenados pelos Centros de Operações de Defesa Interna, os CODI. Nascia a marca mais letal do regime brasileiro: os DOI-CODI, parceria macabra que se estendia pelos dez mais importantes comandos militares do país, nas grandes capitais.


Essa dezena de repartições públicas do terror, na estimativa do historiador Carlos Fico, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, autor de Como eles agiam — os subterrâneos da ditadura militar: espionagem e polícia política (ed. Record, 2001), abrigava cerca de 1.000 pessoas diretamente envolvidas com a repressão e a tortura — a quinta parte do efetivo do SNI, 5.000 arapongas, no auge do Governo Figueiredo. Antecipando os CCD argentinos, os militares brasileiros ainda montaram sete centros clandestinos de tortura em cinco Estados diferentes.

DOI-CODI Hilton e CCD Sheraton, maus locais de hospedagem


Hilton e Sheraton


Um sítio em Sergipe, um apartamento em Goiânia, uma casa no Recife, três locais em São Paulo (uma casa na avenida 23 de Maio, um sítio em Atibaia e uma chácara em Parelheiros, na zona rural paulistana) e a ‘Casa da Morte’, uma residência de aspecto acolhedor, com varanda e lareira na sala, numa rua tranquila de Petrópolis, na serra fluminense. O lugar, como um superlativo dos horrores comandados pelo CODI, ganhou um cifrado apelido dos militares que o frequentavam: “Codão”.


Os DOI-CODI mais importantes estavam nas duas maiores cidades brasileiras. O do Rio de Janeiro, instalado no quartel da Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, registrou 735 denúncias de torturas, segundo o projeto Brasil Nunca Mais. Num espaço de 21 meses, entre julho de 1972 e março de 1974, quando o I Exército era comandado pelo general linha-dura Sylvio Frota, morreram ali 29 presos. O maior e mais notório DOI-CODI do país era o de São Paulo, com 250 homens da PM e da polícia civil, integrado ainda por 10 oficiais do Exército, 25 sargentos e cinco cabos sob o comando de seu fundador, o major Carlos Alberto Brilhante Ustra.


Ele redesenhou o 36º Distrito Policial, uma decadente delegacia a cinco quadras do ginásio do Ibirapuera, para instalar ali o DOI-CODI que se tornou o símbolo mais sangrento do regime: passaram por lá 2.541 ‘subversivos’ e 51 ‘terroristas’ morreram trocando bala com sua equipe barra-pesada, na heroica versão do próprio Ustra. Nos 40 meses em que o major reinou ali, entre 1970 e 1974, houve 502 denúncias de tortura (uma a cada 60 horas) e 40 mortos (um por mês) nos interrogatórios, segundo levantamento da Arquidiocese de São Paulo.


O centro de torturas de Ustra ficava na esquina da rua Tutóia com Tomás Carvalhal. Quando um preso era levado para lá, os agentes do DOI-CODI brincavam com a fama do lugar: “Agora você vai conhecer o Tutóia Hilton“, diziam. O que era Hilton, no Brasil, era conhecido como Sheraton na Argentina. O CCD Sheraton funcionava na subcomissaria de polícia de Villa Insuperable, em La Matanza, o mais populoso dos municípios da região metropolitana de Buenos Aires, onde vivem 13 milhões de pessoas, a maior aglomeração do continente, abaixo só de São Paulo.


O ministro Martinez de Hoz, com um CCD (Centro Clandestino de Detenção) em sua empresa


Era um prédio de dois andares, com a garagem e as celas no térreo e a sala de tortura no andar superior, situado a quatro quadras da avenida General Paz, uma movimentada via de 24 km de extensão que margeia a capital ao norte e a oeste.  Um CCD chegou a funcionar em 1975 na maior siderúrgica do país, a Acindar, presidida por José Alfredo Martinez de Hoz, a versão portenha de Delfim Netto, o poderoso ministro da Economia ao longo dos cinco anos do brutal governo do general Jorge Videla.


A patota dos Falcon


Talvez para amenizar a sombra que pairava sobre os CCD, os generais da névoa argentina lhes outorgavam codinomes ou apelidos singelos, quase inocentes, que camuflavam sua lúgubre destinação: El Campito, La Perla, Los Plátanos, El Banco, El Chalecito, La Casita de Los Mártires, El Olimpo, El Motel, La Escuelita para Mudos.  Como os DOI brasileiros, os CCD argentinos contavam com seus grupos de busca e apreensão, os GT (ou grupos de tarefas), conhecidos como patotas.


Milhares de retratos em branco e preto que jamais foram atualizados | Foto-montagem de Emmanuel Frezzotti / Flickr


A eles cabiam a captura dos subversivos, circulando pelas ruas das cidades nos temidos sedã Ford Falcon azul ou verde, quatro portas, que formavam a frota da repressão. Os presos eram detidos, encapuzados, algemados e levados ao CCD para a tortura, praticada pela mesma patota, durante um ou dois meses.  Após este período, os detidos simplesmente desapareciam, sumiam.


Como toda ditadura, a argentina recriava o idioma para ocultar sua maldade. Ninguém era preso, apenas chupado, eufemismo militar para quem era preso. Entre os repressores, os CCD eram conhecidos como chupaderos. Da mesma forma, ninguém morria. Os detidos que eram desaparecidos passavam apenas por um translado.  Não importava a forma final utilizada, fuzilamento em massa, fossa comum, incineração de cadáver ou uma tumba com a lápide NN (no nombrado), todos eram apenas transladados.


Pichação num muro de Buenos Aires


Quem tivesse o azar de ser sugado por um chupadero dos CCD dificilmente escaparia do translado. No CCD El Olimpo, num bairro do lado oeste, a 100 metros da agitada avenida Rivadavia que atravessa Buenos Aires, foram chupados cerca de 700 homens e mulheres. Menos de 50 saíram vivos dali. Na ESMA, a escola de morte da Marinha na capital argentina, passaram mais de 5.000 presos, dos quais sobreviveram pouco mais de cem. O CCD El Campito foi instalado no coração do maior quartel argentino, o Campo de Mayo, a 30 km do centro de Buenos Aires. Ali sobreviveram apenas 43 dos 5.000 detidos chupados pela repressão. Ele tinha um requinte a mais: o hospital militar utilizado para os partos clandestinos nas prisioneiras. Após o nascimento, o bebê era chupado para famílias dos militares e a mãe, usualmente, era submetida ao translado inapelável. Cerca de 500 bebês, sequestrados de pais desaparecidos, fazem parte desta tétrica estatística argentina.


"Temos que matar e aniquilar a todos os guerrilheiros", ordenou Isabelita Perón


O primeiro CCD do país surgiu, por ironia, na terra natal da transladada Azucena. Em 1975, ainda antes do golpe de Videla, o Exército aproveitou o prédio inacabado de uma escolinha na saída oeste da cidade de Famaillá, a 40 km da capital de Tucumán, San Miguel, para instalar o seu primeiro centro clandestino, que passou à história como La Escuelita.  Das oito salas de aula, sete viraram celas e a última, o local de tortura. A menor província do país estava agitada, como foco guerrilheiro escolhido pelo grupo trotskista ‘Exército Revolucionário do Povo’ (ERP) para confrontar o regime da presidente Isabelita Perón, aproveitando a geografia montanhosa da região aos pés dos Andes.


Genera Vilas, linha duríssima superada por Bussi


A sanha de Isabelita


O governo lançou a ‘Operação Independência’, para reprimir a guerrilha do ERP, sob a chefia do general Acdel Edgardo Vilas, comandante da V Brigada de Infantaria de Montanha, baseada em Tucumán. Linha duríssima, ele confiava mais na bala do que na lei: “É mais fácil passar um camelo pelo buraco da agulha do que condenar um subversivo num tribunal”, avisava Vilas. Pela agulha do CCD de Famaillá passaram, nas contas do general, 1.507 pessoas, mas cálculos mais realistas falam em mais de 2.000 pessoas.


La Escuelita já operava com força quando a presidente da República visitou o Comando Tático de Famaillá, a cinco quadras dali, para insuflar a sanha assassina dos militares: “Temos que matar e aniquilar a todos os guerrilheiros”, ordenou Isabelita, com ímpeto chupadero, meses antes dela mesmo ser transladada do poder pelos companheiros de armas de Vilas.


Bussi logo encontrou o que fazer


Uma investigação posterior de parlamentares apurou que, sob o comando do general, Tucumán assistiu a 123 sequestros de opositores — dos quais 14 foram assassinados e 77 simplesmente desapareceram, transladados. Quando o general Antonio Domingo Bussi chegou para assumir o comando, no final de 1975, lamentou-se com seu antecessor: “Vilas, você não me deixou nada por fazer!…”.


Modéstia de Bussi. Entre 1976 e 77, o general fez três vezes mais do que Vilas: aconteceram 371 desaparecimentos na província — 194 deles supostos militantes Montoneros ou meros simpatizantes. Numa comissão de investigação parlamentar, Osvaldo Humberto Pérez — que foi chupado pelo CCD Arsenales e, ao contrário de Azucena, sobreviveu — contou que ali, no espaço de um ano, foram fuziladas entre 800 e 1.000 pessoas. Em abril de 1976, o lugar ganhou o reforço de 40 soldados enviados desde Campo de Mayo.


Um deles, Omar Eduardo Torres, depondo na década de 1980 perante a Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP), presidida pelo escritor Ernesto Sábato, contou como era a vida (e a morte) no CCD Arsenales, subordinado diretamente ao general Bussi.


— Uma vez vi como um preso desnudo era enterrado vivo, só com a cabeça fora do buraco, com a terra em volta molhada para ser compactada com os pés. O preso ficava lá 48 horas. O buraco provocava cãibras dolorosas e infecções na pele. Por duas vezes presenciei fuzilamentos ali, e quem efetuava o primeiro disparo era o general Antonio Bussi. Depois ele fazia com que todos os oficiais de maior hierarquia atirassem também. O local das execuções estava localizado a uns 300, 400 metros da Companhia de Arsenais, montanha acima. Estendiam um cordão de segurança a uma distância de 20 metros e outro a uns 100 metros do local. Os disparos eram feitos com pistolas calibre 9 mm ou 11.25 mm, sempre entre as 23h e 23h30. A cada 15 dias se assassinavam entre 15 a 20 pessoas — relatou o soldado Torres.


A coisa certa


O ex-soldado Domingo Jerez garantiu ao juiz Carlos Jiménez Montilla, em fevereiro de 2010, que testemunhou o general Bussi matar a bordoadas a dois homens em um campo de concentração em Timbó Viejo, localidade ao norte de San Miguel, na rodovia 305. “Vi quando colocaram o cano de um fuzil na vagina de uma mulher grávida”, contou o soldado.


O general Bussi no tribunal


Bussi trocou La Escuelita pelo CCD Nueva Baviera, um velho engenho de açúcar dotado de heliporto e vários caminhões para transporte de tropas e prisioneiros. Ele descentralizou a tortura e ampliou suas patotas. Atacou com bombas a universidade local, os partidos, os opositores. Advogados, sindicalistas e políticos foram alvo de sequestro, prisão e tortura. Bussi, como se via, ainda tinha muito que fazer. Dono de um par de olhos azuis frios como as rajadas que sopravam dos Andes, Bussi mantinha a cara fechada, casmurra, apropriada para aqueles tempos azedos. Seu braço longo cruzou a longa distância até Buenos Aires para alcançar a montonera Azucena minutos antes de alçar voo para a liberdade.


Alfredo Forti abriu processo contra o general Bussi em 2005


O secretário Alfredo Forti, o garoto sequestrado por ordem de Bussi, abriu um processo contra o general em 2005, depois que o Governo Kirchner revogou as anistias do Ponto Final e da Obediência Devida, que deixavam impunes os torturadores. Assim, outros 800 processos por sequestro, tortura e morte, antes engavetados, voltaram a assombrar o velho general, que passou a frequentar os tribunais como uma caricatura de seu decrépito poder, envelhecido, enfraquecido por doenças dos pulmões e do coração, com uma sonda de oxigênio sempre enfiada no nariz.

Bussi: "Não nego, nem afirmo"


Acossado também por denúncias de contas clandestinas no exterior, respondia ao melhor estilo Maluf: “Não nego, nem afirmo”. Em 2003, eleito para a prefeitura de San Miguel, a cidade que ele aterrorizou na ditadura, foi impedido de assumir o cargo, acusado pelo desaparecimento e morte do senador peronista Guillermo Vargas Aignasse.


Foi denunciado também por crimes de lesa humanidade e pelo desaparecimento de outras 72 pessoas, o que lhe rendeu a prisão perpétua em agosto de 2008. O chefe temido da repressão argentina foi destituído com desonra do Exército. Não conseguiu ver as outras condenações iminentes, porque o coração enfim falhou, em novembro passado, determinando o seu translado irremediável aos 85 anos.


Um único deputado de Tucumán animou-se a pagar o anúncio de falecimento num jornal local, assim mesmo com o estrito cuidado de citar o nome do filho vivo, não do pai morto: “O deputado Alberto Colombres Garmendía participa com dor o falecimento do pai do deputado Ricardo Bussi”.


O secretário de Assuntos Internacionais da Defesa, Alfredo Waldo Forti, não viu o sequestrador de sua mãe apodrecer no cárcere, como imaginava.


O filho de Azucena viu coisa pior: o general Antônio Bussi, como acontece com os criminosos de todas as ditaduras, apodreceu em vida, chupado pela memória de seus abusos, cravado pela lâmina aguda dos tribunais e da Justiça.


Como ensinava Azucena a seus filhos, é a maneira correta de resolver as coisas num país que respeita sua história, sua memória, seu povo.


* Luiz Cláudio Cunha é jornalista.

[cunha.luizclaudio@gmail.com]

Comentários

  • Joel Miranda

    Não chores por nós, Argentina, …ainda podemos imitá-la!

  • Maria Bonita

    muitas crianças órfãs da ditadura foram criadas como empregadas domésticas por famílias militares. todo o tipo de sofrimento, um desprezo, e raiva de uma mãe fajuta. perseguição e vontade de ver a criança morrer, sofrer, ser tida como louca, desequilibrada (como se houvesse alguma herança envolvida). No mais, pouco se pode fazer, pois consta no registro de nascimento destas crianças a paternidade e maternidade falsas, pois a rede criminosa era tão grande que tudo podia, inclusive emitir certidões de nascimento para essas famílias militares assassinas e torturadoras. Todo o tipo de abuso e sem provas (apenas memórias desconexas de um bebê de aproximadamente 4 anos, hoje com 31).
    Sem mais.

  • Heber Ayala

    Talvez os argentinos tenham capacidade e vontade de fazer tudo isso, porque nao tem acima a pressao dos meios de comunicaçao que esteveram tao envolvidos com a ditadura, e hoje fazem de tudo para que a historia nao venha a limpo. Em cuanto a Presidenta, cade a coragem que supostamente tinha pra enfrentar a estrutura militar daquela epoca e hoje nao tem para enfrentar um grupo de meios de comunicaçao com privilegios!!!! Com 60% de aprobaçao!!. E uma piada isso aí..

  • Mardones Ferreira

    Pode encaminhar para a ilustríssima Presidenta da República Federativa do Brasil?

    Vamos aproveitar que essa semana a Ilma Dilma terá reunião com os ministros.

    “Como ensinava Azucena a seus filhos, é a maneira correta de resolver as coisas num país que respeita sua história, sua memória, seu povo.”

    A Argentina está iluminada não só no futebol de Messi, mas sobretudo na justiça para com o seu povo. É como sofrimento pelo Brasil e orgulho pelos hermanos que escrevo isso.

    Até quando DILMA!!!!!!!!!

  • Luís

    Por isso que eu digo que a Argentina é melhor que nós. E melhor em tudo.

  • Duda

    Que a extrema-direita apodreça em vida, são os meus votos. E que apodreçam tabém seus braços políticos ao redor do mundo. Por falar nisso, alguém duvida que o vampiro da Moóca teve o apoio unânime da extrema-direita brasileira nas últimas eleições?

  • gilvan

    É medo da Globo, a dona desse país. Na ordem: Criar a ley de medios; depois a revogação da lei de “anistia”.

  • Afonso

    Meus amigos, não alimentemos esperança. Aqui, ninguém conseguirá levar torturadores para a cadeia. 99% dos nossos juízes estão preocupados em faturar (em São Paulo muitos levaram milhões para casa, com a desculpa de “proventos atrasados”). Jamais eles condenariam os bandidos. Mais fácil seria eles condenarem os torturados por calúnia e difamação, obrigando-os a pagar indenizações milionárias. A Justiça aqui está a serviço dos poderosos.Sempre foi assim e não há mínimos sinais de mudança.
    E viva Gilmar Dantas!

  • Carlos J. R. Araújo

    PHA, quando penso na omissão do STF eu só me lembro da frase de Rui Barbosa: “O bom ladrão salvou-se, mas não se salvará o juiz covarde”

  • Paulo de Tarso

    Caro Luiz, seus textos são irreparáveis. Muito obrigado!

  • 'Lenir Vicente

    Um dia a gente chega lá.A esperança é a última que morre.

  • Julio Lopes

    PH, admiro-te pela tua consciencia cidadã. Mas fora alguns despojados cidadãos audazes e capazes de doar suas vidas em prol da evolução de nossa nacionalidade e de nossa cidadania. A verdade é que possuimos uma população que sequer é sabedora da importancia de uma revisão histórica e legal dos acontecimentos que trabalharam pelo enfraquecimento da cidadania e da evoluçao e respeito democraticos. Não são e sequer irão querer ser criticos, fora alguns, para evitar que os ativos e os latentes apoiadores dos arbitrios voltem a preocupar o andamento democratico. Nosso País que não é nação teima em não querer aprender, por isso não evolui.

  • Ricardo Pereira

    Me pergunto apenas que autoridade no Brasil de hoje teria condições éticas e morais de fazer um juramento desses ao tomar posse (pela Pátria, por sua mãe e pelos mortos da ditadura)? Talvez algum Ministro do STF, quem sabe?

  • Dejair Schettert

    Valeu, Luiz Claudio Cunha! Isto é história viva!

    O defeito do meu presidente Lula, foi o de não ter ido atráz destes caras. A Dilma, infelizmente não sei o que esperar. Penso que nós vamos morrer com esta magoa no peito. Cadeia para os bandidos que restaram. Eles ainda estão aí. A mentalidade da polícia paulista é a mesma da época da ditadura. Taí o exemplo do Pinheirinho, em S J dos Campos, domingo (22).

  • Antonio Vieira

    Na Argentina, o numero de desaparecidos foi muito maior que no regime militar do Brasil. Mas, acredito que, a eficácia do sistema brasileiro em alijar as lideranças politicas e a formação de novas lideranças foi inigualável. A longa duração do regime de exceção proporcionou a formação de grupos empresarias como as organizações globo a perpetuar a chacina moral e intelectual do povo brasileiro.

  • odilon

    Geraldo Alckmin, o Atoleimado, ao ler este artigo decerto salivaria na primeira parte, e verteria copisoo choro na segunda….

  • Leônidas Costa Andrade

    Enquanto lá a presidenta e as demais instituições públicas fazem de tudo para identificar, responsabilizar e punir os criminosos, aqui nossa presidenta faz de tudo para atraí-los para a base aliada e oferece cargos de confiança, imunidade e altos salários.
    Que inveja!

  • nadja rocha

    Hoje já não consigo ler tais fatos.Quando criança vivi na ditadura e sei as consequências da tortura. Meu pai foi preso por um monstro chamado Freury, foi torturado por vários meses no DOI-CODI, a gente nunca esquece, fica o gosto e cheiro para sempre.

  • Mata-se, no Brasil, cerca de 50 000 por ano. Que horror! Mais do que no Iraque e no Afeganistão. Já pensaram se os nossos governantes tivessem que responder por isso? Estariam, por certo, no banco dos réus.

  • Alexandre

    Os maiores problemas do Brasil resumem-se em: primeiro nas indicações para as altas cortes (onde daniel mendes alega ter facilidades, de fato comprovadas por fatos), geralmente motivadas por crenças e motivações nada nobres; segundo na falta de autoridade moral de grande parte dos nossos parlamentares, eleitos pelo povo, mas bancados por interesses escusos; terceiro pela falta de compromisso ético e de reserva moral dos proprietários dos grandes veículos de “comunicação”.

  • Ergo Sum

    Viva nostros irmanos (as) argentinos!

  • SILVIO

    quem refugiou nazistas a rodo, pode ser chamado de país democrático ????
    ainda bem que o comunismo não matou mais de 150 milhões, não é ?
    busca outra pauta….

  • Inveja da Argentina? Que horror! Lá, eles mataram milhares para impedir que o terrorismo vermelho tomasse conta do país. Aqui, o mesmo trabalho foi feito com uma perda muito menor de vidas humanas. A única coisa que devemos lamentar por aqui é que aqueles que atentaram contra a democracia naquela época estejam, hoje, concorrendo em eleições livres e exercendo cargos públicos.

  • celio heleno

    Brasil is uma esculhambeition!

  • Zuleica Jorgensen

    Relato impressionante e emocionante. A crueldade das ditaduras latino-americanas é estarrecedora. Precisamos desvendar nosso passado e punir os torturadores da ditadura brasileira. O Brasil precisa disso. Precisamos da paz que só a Justiiça aos torturados e mortos pode nos proporcionar.

  • Ricardo Pereira

    Para Renato 23 de janeiro de 2012 às 21:12

    Certamente você prefere a injustiça de direita aos juízes da esquerda (se for possível existir um juiz de esquerda).

  • Alberto Santos Neto

    Enquanto a Argentina está se tornando um país cada vez mais civilizado e democratico, no Brasil está acontecendo exatamente o contrário. Como pode um povo composto por 190.000.000 de individuos, não se dar conta ou simplesmente não dar importancia para o descalabro (social, político e Legal) que ocorre em nosso país. Na Argentina foram 30.000 mortos pelos militares (militares que hoje estão sendo condenados), e aqui no Brasil, quantos foram? com certeza, não foram somente 140 pessoas, como se alega. No Brasil, até hoje morre pessoas torturadas.

  • Valdo

    Ah, que inveja …..nao seria por isto que alguns comentaristas, falam tão mal de argentino e criam um rivalidade, que só existe no futebol.este povo mostra que tem acima de tudo inteligência. E nao se acovardaram e com todos os possíveis riscos estão acertando as contas com a historia.Aqui, eunucos fardados ainda rondam a casa grande para saber, quando sum paulo, sempre eles, vão dar o comando de novo. Os covardes sempre estão a espreita, ah Presidenta esperava mais da senhora, que foi presa , por sonhar um país melhor. Coisa que os eunucos fardados evitaram matando nossas lideranças. E nao me venham com esta historia de comunismo.

  • Urbano

    É hermanos… dessa vez nós macaquitos não remendaremos vocês. Está nos faltando Bulhões…

  • anarquista

    Bomba! O cacique antecipou se voto: deu no estadão.com.br

    O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apontou o senador mineiro Aécio Neves como “candidato natural” do PSDB à Presidência em 2014. Em entrevista à publicação britânica The Economist, FHC prevê uma “luta interna muito forte” entre Aécio e o ex-governador de São Paulo, José Serra, pela indicação do partido nas eleições nacionais.

    Em uma conversa com a jornalista Helen Joyce, chefe do escritório da revista em São Paulo, realizada no dia 12 de janeiro, o ex-presidente destaca a importância de unidade dentro do PSDB para a escolha de seu candidato daqui a três anos. Questionado sobre quem seria o “candidato natural”, FHC respondeu sem rodeios: “Aécio Neves”.

    O tucano não retira Serra da disputa, indicando que “as coisas ficarão mais claras depois das eleições municipais”. No entanto, FHC indica que o ex-governador pode desistir da disputa para promover a renovação do partido e chega a compará-lo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputou a Presidência diversas vezes.

    “No caso do PSDB, o ex-governador Serra desempenha o papel do Lula: ele tem coragem, ele gosta de competir. Eu não sei até que ponto ele vai estar convencido de que isso não é para ele, que deve abrir espaço para os outros”, avaliou o ex-presidente.

    Leia mais em Para FHC, Aécio Neves é ‘candidato natural’ do PSDB à Presidência

  • Evaristo Almeida da Silva

    Que inveja da Argentina.

    Mas la, tal qual aqui tambem seria, deve ocorrer uma convulção social não é mesmo Ministro Grau??????

    Deve estar começando não?

    Evaristo

  • Anderson

    Uns dizem que a ditadura militar no Brasil foi muito violenta (não descordo), pra mim foi um mal que mostrou a força do povo brasileiro. E agora o pior de tudo que pessoas (cabos da FAB) por exemplo pré 1964 que foram exonerados de seus cargos por pura perseguição politica na época pela portaria 1.104GM3/64. Depois de 3 décadas e muito sacrifício estes conseguiram ser anistiados políticos
    Hoje estes Homens (senhores pois a maioria tem mais de 70 anos de idade) estão sendo mais uma vez vitimas de um sistema ineficiente pois o GTI (Grupo de Trabalho Interministerial) está tentando de todas as formas cancelar anistia que já foram julgadas pelo STF a mais de 7 anos em favor destes ex-militares da FAB.
    O Brasil deveria aprender com nuestros hermanos um pouco de decencia!

  • José Luiz Rossi

    Os militares executores do golpe partem para o oblívio,(como pediu um deles)mas alguns dos civis permanecem impunes,fagueiros e festejados colaboradores de órgãos da mídia democrática(sic) e plural.

  • silv

    E estes degenerados estavam protegendo a pátria dos terroristas e do perigo comunista.
    Gratificante ver que foram condenados antes de morrer.
    Teve troco!
    Enquanto aqui IMPUNIDADE contra crimes do Estado.
    Os agentes e cumplices não perdem por esperar se ainda tiver alguns vivos…

  • Lusimar Wanderley Moreno

    Estou emocionada…
    Que inveja tenho da Argentina…
    Que vergonha tenho da Justiça do nosso País…
    Acorda BRASIL…
    Obrigada FORTI…
    Obrigada Luiz Claudio…
    Obrigada PHA…

  • Vanda

    Como sinto inveja da ARGENTINA,,,

    Parabéns presidenta Cristina…

    Desejo que a presidenta DILMA tenha Coragem de punir TODOS os torturadores, não importando a idade.

  • Paulo J D F J

    Sem sacolinhas, qual será a desculpa para os alagamentos em SP? Edredons?

  • Arlene

    Emocionante (não contive as lágrimas). Que vengonha do brasil que não passa sua história a limpo! Nunca seremos de fato uma nação, se não enfrentarmos com justiça o nosso passado. Lembrei-me entre tantos Gregório Bezerra (grande brasileiro), quanto sofrimento!

  • Ronaldo Pacheco

    FHC lança Aécio para 2014,…, bye, bye Aécio.

  • marcosomag

    Enquanto isso, todos os ditadores de plantão morreram sem pagar pelos seus crimes, Ulstra continua serelepe por aí, Henning Boilesen, justiçado pela Resistência, ainda é nome de rua no bairro do Jaguaré na capital paulista, e por aí vai.

  • Mario Coutinho

    Excelente texto. Pena que por aqui os torturadores ainda andam livres. Presidenta, quando a Sra. vai botar esta turma para apodrecer num cárcere ?

  • Claudio Machado

    Tive a oportunidade de estudar na Argentina durante 6 meses. Isso foi em 1984, no início do Governo de Raúl Alfonsin, primeiro presidente eleito após a queda do último regime militar argentino, o mais sanguinário deles, que assombrou aquele país por 7 anos. Percebi nos argentinos um espírito ao mesmo tempo leve, pelo fim da barbárie, e amargurado, pelos seus 30 mil mortos e desparecidos. Com quase todos que convivi, a recente tragédia havia deixado suas marcas. Ou eram parentes ou conheciam alguma vítima do regime. Fiz esse pequeno relato de minha experiência por entender que tamanha, e quase coletiva, comoção, tem muito mais potencial para mover as autoridades e a opinião pública em direção ao julgamento e punição dos criminosos do regime autoritário. Mas nada pode justificar que o Brasil não venha cumprir sua obrigação histórica, constitucional e humanitária de fazer tudo para resgatar seus mortos e desaparecidos e punir aqueles que comandaram e executaram as atrocidades cometidas contra os opositores do regime militar brasileiro.

  • Jurgen

    Acredito que o que aconteceu aqui é um pouco diferente. Não foi coisa apenas de militar. Não consigo acreditar que o judiciário inteiro não estava junto, assim como toda imprensa.

  • Gilmar Dantas, o meretissimo com a palavra. Acorda Dilma.

    • Yacov

      VOcÊ quis dizer “Meretríssimo”, não?! REpugnante, é a palavra correta para qualificar o comportamento desses canalhas que se prestam ao serviço torpe de esconder os criminosos da ditadura e toda essa vilânia. DEUS meu!!Me sinto enojado… Será que um dia vamos conseguir tirar toda essa sujeira de cima da gente ou vamos andar para sempre exalando esse cheiro asqueroso de sangue pÕdre??

      “O BRASIL PARA TODOS não passa na glObo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS”

    • Oscar Marcos Tibúrcio

      Mucio, não é meretíssimo e sim MERETRÍCIMO !

  • Rod

    Nunca imaginei que um dia sentiria inveja da Argentina.
    Porque não temos governantes ou Agentes Públicos como Alfredo Waldo Forti??
    Sinto-me realmente envergonhado.

    • Christiano Almeida

      E nós, abobalhados, achando que somos os reis da cocada-branca/preta/marrom, alimentando esta cantilena analfabeta da Globo – los hermanos non tiene futbol -. Quanta bobagem. Refluxo para sonegar diferenças discrepantes, tais como: Sejamos senhores de nossa História. Los Hermanos Argetinos nos dão lições disso e para isso. Há outras coisitas que precisas apreciar sobre os nascidos en tierra de Mercedes Sosa. Há uma década atrás havia mais livrarias em Buenos Aires do que no Brasil! Acreditas, hermanos?

      • VJ

        E além disso tudo, eles tem o Messi, que precisa somente do dedo mindinho do pé esquerdo para destruir todos os “craques” que a Globo criou e ainda vai criar… Então até no futbol, eles estão dando baile nos brasileiros… Duvida? Pergunte para qualquer dirigente de clube de futebol Europeu o que ele acha de jogadores do Brasil. Cuidado para o homem não enfartar de tanto rir…

    • Ué,temos Gilberto Carvalho, “Zé” Cardoso, Paulo Bernardo, etc. etc.

      Gente corajosa por aqui não falta.

      Ass.: Velhinha de Taubaté.

  • Texto para guardar, para que gerações futuras não corram o risco de ignorar esses tristes fatos.

  • pha demais este artigo,por essa e outras que não posso deixar de passar todo o dia por aqui.
    25 de fevereiro desligue a globo.

  • ita

    Temos que fazer o mesmo aqui no Brasil! Com os militares e
    os jornalistas que até hoje falam a favor do golpe de 1º de abril de 1964!

  • PedroAurelioZabaleta

    Ah, que inveja da Argentina !
    Eu quero ver inventada a Justiça brasileira.
    Gracias Forti, por las enseñanzas !
    Saludos.

  • marilamar

    Na ARGENTINA existe Juiz e uma CORTE DE JUSTIÇA e no Brasil só tem advogados porta de cadeia travestidos de bandidos de toga num BALCAO DE NEGOCIOS(vulgarmente chamado STJ/STF)???

  • Fred Azevedo

    Bravo, Argentina!
    Grande artigo! Parabéns Luiz Cláudio…

    Que bussi (minúsculo mesmo) apodreça no inferno!!!

    • Mardones Ferreira

      Criminoso deve apodrecer na cadeia!

      Deixa o inferno para o diabo, pois seria injusto o inimigo ter concorrência.

      Já pensou Bussi, Roberto Marinho e ACM no inferno? Não. Se existirem almas e espíritos desencarnados espero que os de Bussi, Roberto Marinho e ACM vaguem por todos os tempos.

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