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SP: vice-campeão de Bolsa Família

Campello desmonta o preconceito contra o Bolsa. ​São Paulo é o vice-campeão de Bolsa Familia, Fernando Henrique!​​ Minas Gerais está em 4o.!​
publicado 07/10/2014
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Diante do pelotão de fuzilamento contra os eleitores da Dilma - o presidente Fernando Henrique Cardoso está à frente dessa tropa do atraso -, e das “análises” da Fel-lha (ver no ABC ) sobre a mecânica conversão do beneficio do Bolsa à votação num candidato, o Conversa Afiada entrevistou a Ministra Tereza Campello do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome.

O programa Bolsa Família atende 14 milhões de famílias que tem, na média, 3,6 membros.

É o maior programa do mundo, no gênero.

A tecnologia do cadastro do Bolsa o Brasil exporta para muitos países.

O Governo FHC, de fato, foi pioneiro na matéria, mas o programa não tinha cadastro ...

Não tinha como saber se sabe se entregava o beneficio, nem a quem entregava...

E atingiu, no máximo cinco milhões de famílias. E como diz a presidenta Dilma, nos programas sociais, importa saber quantas pessoas são beneficiadas...

E São Paulo, acredite navegante, está no top 5 dos que mais recebem:

- Bahia, 1,8 milhão;

- São Paulo, 1,2 milhão;

- Pernambuco, 1,1;

- Minas, 1,1;

- Ceará, 1,1)


A entrevista também está disponível em áudio:



PHA - Eu vou conversar com Tereza Campello, que é Ministra do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome. Ministra, a primeira pergunta que eu gostaria de fazer é a seguinte: a senhora concorda com essa vinculação que está sendo feita - e eu vi isso na Folha de SP e no jornal O Globo também - entre beneficiários do Bolsa Família e comportamento eleitoral. Faz sentido esse tipo de raciocínio? Ou seja, quem se beneficia do Bolsa Família tem um comportamento eleitoral padrão, previsível ?


Ministra Tereza Campello - Eu acho engraçado que os argumentos mudam ao sabor dos interesses. Eu lembro que, se você for olhar a imprensa uns 4 ou 5 meses atrás, todo mundo dizia exatamente o oposto. Todo mundo dizia que o Bolsa Família tinha influenciado muito as eleições de 2006 e de 2010, mas que já estava consolidado e, portanto, as pessoas não iam votar por causa disso. Aí, abriram as urnas e acham que votaram por causa disso. Então, primeiro que os argumentos mudaram de uma forma completamente radical.



A outra coisa que diziam era que todos os candidatos eram a favor do Bolsa Família. Aliás, pouca gente tem coragem de falar mal do Bolsa Família, não é, Paulo Henrique ? Você acompanhou o processo eleitoral e sabe que todos os candidatos se posicionaram a favor do Bolsa Família. Eu acho que essa é uma vitória do Bolsa Família, de um programa de transferência de renda com condicionalidades, que é um sistema brasileiro e que hoje serve de exemplo para o mundo todo. E que o conjunto dos políticos teve  que se render às evidências científicas que mostram as qualidades do Bolsa Família, não só para aliviar a pobreza, mas para garantir as crianças na escola, saúde, vacinação, e para garantir o próprio funcionamento da economia. Então, eu diria ao contrário. Ninguém tem coragem de falar mal do Bolsa Família, porque se falar bem do Bolsa Família dá voto, se falar mal tira voto. Isso é líquido e certo.



Eu acho que as pessoas, antes de fazerem afirmações diretas como essas, deveriam olhar o conjunto do mapa e o conjunto dos outros indicadores econômicos.

 

PHA - Por exemplo...

 

Ministra - Por exemplo, falam muito que o Nordeste votou majoritariamente na Presidenta Dilma por causa do Bolsa Família, mas os indicadores no Nordeste são bons em todas as áreas. Não é só o Bolsa Família, que é excelente no Nordeste. Por que? Porque o Nordeste tem um nível de efetividade do Bolsa Família, os melhores cadastros do Brasil são do Bolsa Família, tem um nível de cobertura alta. (Além disso),  o crescimento do PIB no Nordeste foi um crescimento chinês, o emprego no Nordeste aumentou muito. Nós temos obras estratégicas que foram feitas no Nordeste, exatamente porque o Nordeste era abandonado. Antes, quando você ia fazer qualquer grande atividade econômica, você fazia no Sul e no Sudeste. Essa visão política - essas grandes obras e grandes empreendimentos - seja no Ceará, Pecém, seja o Porto de Suape, em Pernambuco, sejam as obras do São Francisco. São obras importantes, que impactaram muito o Nordeste, e vão continuar impactando.

 

Então, eu acho que nós temos que olhar que o Nordeste se destacou num conjunto de indicadores, mesmo estando num período de seca. Então, quando a gente olha os indicadores, a gente vê: o PIB do Nordeste cresceu muito mais que no restante do Brasil, mesmo a gente estando vivendo um período de seca muito importante. A população não abandonou (o interior), não teve êxodo rural, mesmo com a seca. Quer dizer, a vida das pessoas melhorou, não obstante a seca, e isso logicamente que tem resultados.


Agora, o que eu temo, Paulo Henrique, e eu gostaria de aproveitar - porque a imprensa nesse momento tem um papel importante - porque eu acho que a gente não pode deixar que o preconceito contra os pobres e nordestinos aumente no Brasil.

Então eu temo que esse argumento de ficar jogando o Nordeste contra o Sudeste e o Sul, ficar dizendo que o eleitor do Bolsa Família é eleitor de cabresto, acaba estigmatizando ainda mais e dividindo o Brasil. E eu acho que isso não é bom para o país, independente da questão eleitoral. A gente tem que ter muito cuidado com esse tipo de argumento.



PHA - Eu posso entender do seu raciocínio que, como todos os candidatos defenderam o Bolsa Família todos os candidatos se beneficiaram do Bolsa Família?

Ministra - Por que o Bolsa Família é tão valorizado ? O que estão querendo dizer é que esse voto é desqualificado. E é isso o que eu quero ir contra, que …  era aquele antigo voto de cabresto, que foi substituído pelo Bolsa Família. A gente tem que ser radicalmente contra, porque essa foi uma vitória do Brasil. Eu acho que as pessoas votaram porque a vida delas melhorou, com o Bolsa Família, com o Pronatec, com o Mais Médicos, com o ProUni, com o FIES, com um conjunto de ações que beneficia a população pobre, beneficia a população negra, que majoritariamente está no Nordeste. Eu acho que essa é uma questão.


Agora, a outra questão é o oposto disso, que é aqueles que dizem que o voto do Bolsa Família é um voto de cabresto. O Brasil já teve um voto de cabresto, e o Bolsa Família é um voto bastante valorizado exatamente porque ele é um voto anônimo. Antes, as pessoas votavam em torno de uma quantidade de tijolos, em torno de um caminhão pipa... com o Bolsa Família, a pessoa tem um cartão e, se ela é pobre, ela recebe o cartão e esse dinheiro está desvinculado do que ela vai  fazer. Ela precisa ser pobre e quem faz o cadastro do Bolsa Família é a prefeitura. São 5.570 prefeituras no Brasil, de todos os partidos, em todos os lugares. Hoje, quando os prefeitos cadastram, as pessoas estão se posicionando. Então, não dá para a gente fazer uma vinculação direta de um programa com o seu resultado, chamando de voto de cabresto, quando a pessoa recebe um benefício condicionado ao resultado das urnas. O Bolsa Família rompeu com isso. O cartão é impessoal, quem faz é o prefeito, independente do partido. A vitória do Bolsa Família é a vitória do fim do voto de cabresto.



PHA - Agora, ministra, tem Bolsa Família em São Paulo?

Ministra - Tem. São Paulo é o segundo Estado com maior número de pessoas recebendo o Bolsa Família. O primeiro é Bahia, e o segundo é São Paulo. Proporcionalmente, menor. Mas, no ponto de vista absoluto, é uma população bem grande.


(Esses são os Top Cinco do Bolsa Familia:

- Bahia, 1,8 milhão;

- São Paulo, 1,2 milhão;

- Pernambuco, 1,1;

- Minas, 1,1;

- Ceará, 1,1)



PHA - E o que a senhora acha de associar - como fez o ex-Presidente Fernando Henrique - o voto na Presidenta Dilma a um eleitor mal informado? A senhora diria que o beneficiário do Bolsa Família é mal informado?

Ministra - Eu acho triste a gente começar a chamar pobre de mal informado, nordestino de mal informado. Eu acho que isso é uma ofensa à população brasileira. E eu acho que a nós já temos tempo suficiente de Democracia no Brasil, programas e campanhas eleitorais livres, para que a gente precise ficar usando esse argumento.


Uma outra coisa que tem sido dita, e que eu também acho que é importante o uso da imprensa para esclarecer, é que, neste caso, o mal informado é aquele que não recebe o Bolsa Família, que acha que quem recebe o Bolsa Família não trabalha.



PHA - É o Bolsa Esmola...

Ministra - Metade do pessoal do Bolsa Família de fato não trabalha. Tem menos de 18 anos de idade. 42% tem menos de 16 anos de idade. Inclusive é crime trabalhar com menos de 16 anos de idade. E o Bolsa Família felizmente contribuiu muito para (evitar) o trabalho infantil.



PHA - Deixa eu entender os números, Ministra. Quantos têm menos de 18 anos?

Ministra -  49%



PHA - E desses 49%, quantos têm menos 16?

Ministra - 42%.



PHA - Então não pode trabalhar...

Ministra - Com menos de 16 anos, inclusive, é crime. Entre 16 e 18 anos pode trabalhar, em algumas condições. Mas, a gente quer que esses jovens e as crianças estejam na escola. A gente fala muito que o Brasil precisa aumentar a produtividade. Aumentar a produtividade generalizadamente. Como a gente pode melhorar a produtividade do Brasil? Melhorando a escolaridade da nossa população. Ou seja, quanto mais anos as crianças estiverem na escola, melhor. Então, estar na escola é um valor, e é um valor para o Brasil.



Agora, para os adultos que podem trabalhar, no caso do Bolsa Família, 75% dos adultos trabalham. Então, não é verdade que as pessoas recebem o Bolsa Família e estão encostados. Se a gente olhar nas redes sociais, na internet, isso cresceu muito, que a pessoa é encostada. Isso é desinformação de quem está bem de vida e tem preconceito contra a população pobre. As pessoas são pobres porque elas não tiveram acesso à  oportunidade. E eu acho que essa é a grande agenda do Brasil. O Bolsa Família é uma oportunidade. Não só porque leva as crianças para a escola, leva as gestantes para o posto de saúde, mas é uma oportunidade, ao melhorar um pouco e aliviar um pouco a pobreza, também é uma oportunidade para essas pessoas.


Saiu recentemente um estudo em Harvard, que até o Dráuzio Varela reproduziu nesse final de semana, mostrando que a pobreza, a fome e o desalento prejudicam a tomada de decisão das pessoas. Falam assim "Ah, o pobre é burro". Então, prejudica. Melhorar a condição de vida e aliviar a pobreza é bom para que essas pessoas tenham mais capacidade de tomar decisão. Agora, essas pessoas trabalham. 75% dos adultos do Bolsa Família trabalham. Isso está em linha, é o mesmo percentual dos que não são do Bolsa Família. Então trabalham tanto quanto os demais, do ponto de vista de percentual. Imaginando que eles trabalham mais arduamente, trabalham na construção civil, de sol a sol, com vendas. Muita gente trabalha vendendo coisa o dia inteiro embaixo de sol, trabalham carregando peso. É um trabalho, nesse sentido, da dureza do trabalho, trabalham muito mais do que nós. Então por que não ganham mais?



PHA - Ou seja, da população adulta que não está no Bolsa Família, 75% também trabalham ?

Ministra -  É. Da população economicamente ativa. Eles trabalham tanto quanto. 75% nos dois casos. Na PEA, que é a População Economicamente Ativa, é 75% para o Bolsa Família, e da população vai variar entre 74% e 76%. Então, não dá para acusar o Bolsa Família de que  (levar) as pessoas parar de trabalhar.


Até porque o valor médio do Bolsa Família, e também é uma informação importante - porque muita gente é desinformada sobre o Bolsa Família - está em média R$ 168. Então, imaginar que um pai de família deixa de trabalhar para ganhar R$ 168 por mês é também muita desinformação.



PHA - Ou seja, Bolsa Família é o alvo principal do preconceito do brasileiro?

Ministra - Infelizmente tem se tornado. Tinha diminuído, e essa eleição tem, infelizmente, se expressado para aumentar. A outra coisa que precisa (esclarecer), sabe o que é, Paulo Henrique? "Não pode ser só Bolsa Família", que o Governo só dá o Bolsa Família. Isso também não é verdade. Isso também é muita desinformação. O Bolsa Família, na verdade, se tornou uma grande porta de entrada para um conjunto dos programas sociais do Governo, inclusive para os programas de qualificação deste público adulto. Por exemplo, estar no Bolsa Família é, também, uma garantia de receber informações sobre o Pronatec. Nós conseguimos levar para os bancos escolares 1 milhão e 400 mil pessoas pobres, que passaram a fazer cursos de qualificação profissional. Em áreas simples, modestas, mas que aumenta produtividade do Brasil.


Você vê... muita gente de classe média vive reclamando dos nordestinos, porque vai para as praias do Nordeste e falta garçom qualificado, falta camareira. É isso que nós estamos fazendo, qualificando auxiliar de cozinha, cozinheira, camareiro, costureira, eletricista, garçom, cuidador de idoso, cuidador de criança... e isso é bom para o Brasil todo. É bom que as pessoas saibam disso. Não é bom só para o pobre. É bom para ele e é bom para o Brasil ter gente qualificada e de produtividade. Aumentou o número de microempreendedores individuais formalizados do Bolsa Família. Aumentou o número de pessoas do Bolsa Família que tiveram acesso a crédito para produção. Portanto, melhoraram sua produção. O Brasil tem melhorado bastante, felizmente, e o Nordeste se destaca. Não só graças ao Bolsa Família, mas graças a esse conjunto de ações do setor público. E pela força do povo nordestino, que é um povo trabalhador e guerreiro, e que tem ajudado o Brasil a crescer.


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Tereza-Campello-1.mp3 por redacao — última modificação 07/10/2014 14h17