Brasil

Você está aqui: Página Inicial / Brasil / Moro obrigou Lula a ser candidato

Moro obrigou Lula a ser candidato

Marinho: eleição para presidente em 2017!
publicado 02/01/2017
Comments
MoroVeja.jpg

Luis Marinho pode vir a ser presidente do PT, no lugar de Rui Falcão.

Prefeito reeleito de São Bernardo, ministro do Governo Lula e um dos conselheiros de Lula, deu entrevista à Fel-lha:

(...)
O TSE [Tribunal Superior Eleitoral] cassar a chapa Dilma-Temer é um erro. Novo impeachment, outro erro. Sangrará a economia, como já sangrou no impeachment da Dilma. O impeachment da Dilma já foi um erro. O impeachment do Temer seria o erro dois.

Como seria?
Uma emenda constitucional antecipando as eleições. Pode ser para agosto de 2017, setembro. Faz um mandato excepcional, de cinco anos. A partir de 2022, 2020, voltaria a normalidade dos mandatos.

O Congresso teria esse desprendimento de reduzir o próprio mandato? E os governadores, deputados estaduais?
Será preciso uma pactuação política entre partidos e líderes políticos. Seria uma mesquinharia falar no próprio mandato. Estamos falando do Brasil, de desemprego, da ausência de emprego para jovens, de não enxergarmos saída. Suportar a situação até as eleições de 2018 é sangrar demais a economia.

(...)
Nesse caso, o Lula deveria ser candidato?
O Lula deve ser candidato. Na circunstância de ataque, de agressão, de busca de destruição do legado do Lula, ele não tem saída a não ser sair candidato. Lula tem consciência disso.

O PT estaria disposto a negociar com Temer depois do processo traumático do impeachment?
O PT não vai se recusar a discutir uma saída para o país. O governo Temer está mostrando que não tem capacidade. Temos que lançar mão dos elementos constitucionais para a saída da crise. Então, quem está trabalhando a partir da prestação de contas, forçando a barra da prestação de contas da campanha Dilma-Temer para afastar o Temer, condenar a Dilma-Temer para viabilizar uma eleição indireta, esse é outro grande golpe. Golpe dois.

Há no Congresso líderes capazes de conduzir esse processo?
Claro. Até para recuperar sua imagem. Quando se está mais lascado, tem que ser mais ousado. Evidente que Temer tem responsabilidade, e as lideranças partidárias também. Se o Congresso estiver imbuído da busca de uma solução, a tendência é que as lideranças possam apoiar.

Não devemos nos lançar num processo de revanchismo: porque a Dilma foi cassada, querer cassar Temer. Precisamos de uma saída. Aguentar o governo Temer até 2018 é muito sacrifício para o povo.

(...)
Existe a possibilidade de apoiar Ciro Gomes?
A hipótese é quase zero. O PT tem candidato. E não é o Ciro Gomes. A próxima eleição vai reproduzir a de 1989. Muitas candidaturas e uma pactuação no segundo turno, que significará a pactuação política para conduzir o país. Vejo a candidatura do Ciro Gomes com bons olhos. Mas não como candidato do PT.

(...)
O Instituto Lula divulgou uma nota afirmando que a Lava Jato atingiu um grau de loucura para inviabilizar sua candidatura. Há um risco de a candidatura Lula ser inviabilizada?
Acredito que a loucura irresponsável da condução da Lava Jato, se não é, parece que querem inviabilizar a candidatura da Lula. A melhor maneira de Lula é denunciando, fazendo enfrentamento. Não é baixar a cabeça para Moro nem para ninguém.

(...)
Não existe o risco de o PT ficar sem plano B?
Não acredito que vão condenar o Lula e tirá-lo da eleição. Acredito que seja um desejo. A melhor maneira de impedir essa irresponsabilidade é fazer o debate conforme o Lula está fazendo.

Que avaliação o sr. faz dos agentes da Lava Jato, Sergio Moro, procuradores...
Poderiam estar na indústria cinematográfica. São ações espetaculosas. Não somos contrários às ações de combate à corrupção. Mas temos que combater toda a hipocrisia presente na sociedade em relação aos sistemas. Para Vaccari estar preso, a rigor, todos os tesoureiros de todos os partidos, com raríssimas exceções, deveriam estar presos. Se não é perseguição contra o PT, parece.

Então, o sr. vê perseguição política dos agentes.
Eminentemente. Ou uma indução política e eles estão cegos.