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Um jênio! Alckmin vai consumir água de esgoto!

​As obras que ele anuncia estavam previstas há dez anos ​
publicado 05/11/2014
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O Conversa Afiada reproduz do Estadão:


São Paulo vai tratar esgoto para consumo


Governador Geraldo Alckmin anuncia construção de estações que enviarão água de reúso de volta para bacias de dois sistemas

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin anunciou nesta quarta-feira, 5, a construção de duas estações de produção de água de reúso que vão abastecer diretamente as bacias dos sistemas Guarapiranga e Alto Cotia. Serão as duas primeiras instalações no Estado para captar o esgoto e transformá-lo em água de reúso, que servirá mais tarde para consumo.


"Na estação do Guarapiranga, vamos gerar 2 metros cúbicos por segundo de água de reúso. Teremos esse valor a mais sendo devolvido ao Guarapiranga independentemente de chuva", disse ele. A outra estação será feita na região do Rio Cotia e terá capacidade de produção de 1 metro cúbico por segundo. Cada metro cúbico de água é suficiente para abastecer 300 mil pessoas, segundo o governador.


(...))



Em tempo:

 

Do Tijolaço:


O “terrorismo” da Folha não tem torneira em casa





O Operador Nacional do Sistema (Elétrico” divulgou nota chamando de “inverídica” (uma palavra gentil para mentirosa) a manchete da Folha de hoje.

Não é inverídica, é estúpida como um ato terrorista.

Porque parte de uma aparente “obviedade” para chegar a uma estupidez alarmista.

“Se não chover” é vago o suficiente para não dizer coisa alguma.

“Se não chover” hoje, não acontece coisa alguma. Se não chover por três meses, é um desastre.

Mas como assim “se não chover”, em pleno início de uma estação chuvosa e as chuvas não apenas começaram quanto têm previsão de continuar, com uma ou outra interrupção, até pelo menos a metade do mês?

E se os meteorologistas são unânimes em prever novembro, dezembro e janeiro com precipitações até acima da média histórica?

Não é possível continuar confundindo desejo político com a administração de bens essenciais à coletividade, como água e energia.

Ou achar que o mundo acabou com três dias sem chuva ou que tudo está resolvido (ou teria de estar) se os mesmos três dias fossem chuvosos.

Se a Folha quer aplicar este tipo de premonição, já vão aí, na ilustração, as sugestões de “copidesque” em sua manchete.

Porque, “se não chover”, mesmo a lama da segunda cota de “volume morto” que abastece metade dos paulistanos secaria até o final do ano.

Os leitores são testemunhas de que aqui se tratou com absoluta severidade da crise hídrica em São Paulo, mas isso não impediu que se registrasse que, no curto prazo, as chuvas vão aliviar – sem resolver – a situação.

Não por “chute” nem por otimismo – porque otimismo, além de certo ponto, é tolice.

Mas porque o tempo, embora não seja previsível em termos absolutos, é hoje previsível cientificamente, com dados de observação e modelos de alta confiabilidade.

Como o que mostra, aí ao lado, a previsão de chuva acumulada no Brasil, produzida pela Climatempo, uma empresa privada.

Um jornalista não pode escrever sobre apenas “alguém disse”, embora esteja na moda transformar em verdade absoluta até o que uma pústula moral como Alberto Youssef “teria dito”.

Se for assim, fechemos os jornais e deixemos tudo por conta do Facebook.

Curioso é que o mesmo exercício de catastrofismo poderia ser feito em relação a São Paulo, com muito mais base na realidade.

A  poderosa redação da Folha, estupidamente, apresenta um gráfico escandalosamente errado.

Segundo ele, 47% é menor que 40%. E 15,8 é muito mais perto de 10% que de 20%.

Poderia ter feito o mesmo quanto ao cantareira.

Se não fez, este blog, modestamente, o faz.

Em vermelho, seus índices de armazenamento.

É preciso dizer algo sobre como cuidar da possibilidade de incêndio na sala enquanto o fogo arde na cozinha?

O grave é que o repórter que produziu a matéria, por iniciante ou por ignorar o assunto, até poderia ter errado.

Jamais seu editor, muito menos o editor de primeira página que a escolheu como manchete.

A menos que estejam se candidando a alguma vaga na Veja.



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