Saiu no Tijolaço:
O brucutu distrital
Hoje, nas páginas da Folha, reemerge das sombras Eduardo Graeff, o brucutu da campanha de Serra.
Graeff é um homem de méritos. Ao contrário do eterno chefe, Fernando Henrique Cardoso, ele não sofistica muito a linguagem e, assim, confunde menos.
Mas hoje ele faz um esforço e tenta apresentar argumentos e contra-argumentos. E adota a falsa erudição que acha bonito no “mestre” para defender o voto distrital.
Primeiro, tenta mistificar, é claro, dizendo que o voto distrital equivale às “diretas-já” e que está ganhando a opinião pública.
“Não sei quanto tempo pode demorar para essa ideia se espalhar na sociedade até ganhar força no Congresso. Os movimentos de opinião às vezes atingem um ponto em que a curva de crescimento passa de incremental a exponencial. Foi assim com as diretas-já para presidente da República. Pode ser assim com as diretas-já para deputado, que é o que voto distrital significa.”
E ataca o voto em lista partidária dizendo que é “uma usurpação do seu direito de escolha”.
Seria muito interessante, sobre esta questão da usurpação, que o senhor Graeff lesse o artigo do sociólogo Alberto Carlos Almeida, mostrando como é excludente o voto distrital, de onde retiro estes trechos:
“Para se obter a maioria dos deputados em uma Câmara eleita por meio do voto distrital, basta que um partido obtenha somente 25% dos votos nacionais. Isso porque é preciso ter 50% de votos em 50% dos distritos, o que resulta nos 25% dos votos nacionais mencionados. Resultado: a maioria governa graças a uma minoria de votos, e a maioria dos votos – 75% – fica de fora do governo. É impossível ser mais excludente. No sistema proporcional, um partido só poderá ter a maioria da Câmara dos Deputados se obtiver 50% dos votos nacionais”. (acrescento eu: um pouco menos no caso do Brasil, já que o voto brasileiro não é totalmente proporcional, mas “distritalizado” por Estados).
Logo, os problemas de ilegitimidade da representação eleita surgem com evidência e Almeida reproduz várias situações de fato na Inglaterra, onde, aliás, o voto distrital tirou Winston Churchill do Parlamento logo após ter ganho a 2ª Guerra Mundial.
“(Na Inglaterra), em 1983 os liberais-democratas britânicos tiveram 25,4% dos votos, mas somente 3,5% das cadeiras, um completo absurdo, uma completa falta de proporcionalidade, uma total injustiça distributiva quando se considera a relação entre votos e cadeiras. Em 1987 foram 22,6% dos votos que resultaram somente em 3,4% de cadeiras; em 1992 ocorreu que 17,8% dos votos foram traduzidos em somente 3,1% de assentos no parlamento. Em 1997 a injustiça foi menor, mas permaneceu: 16,7% dos votos os levaram a obter 7% de cadeiras. Daí para a frente, a situação só fez piorar: em 2001, 18,3% dos votos resultaram em 7,9% de assentos parlamentares; em 2005, 22,1% dos votos conquistaram 9,6% das cadeiras, e em 2010 a situação foi ainda pior, quando 23% dos votos resultaram em somente 8,8% de cadeiras”.
O poder da maioria, então, torna-se avassalador:
“Em 1983, Margaret Thatcher foi eleita primeira-ministra pela segunda vez, com seu partido obtendo 42,4% dos votos. O impressionante é que o Partido Conservador conquistou nada menos do que 61% das cadeiras do Parlamento, praticamente 20% a mais do que sua votação. Em 1987 a desproporção também ficou muito próxima disso: com somente 42,3%, obteve-se 57,9% dos assentos. Em 2001 foi a vez dessa injustiça distributiva favorecer o Partido Trabalhista: foram 40,7% de votos que resultaram na conquista de 62,5% das cadeiras. Em 2005, foram 35,2% de votos para o partido de Tony Blair, e eles conquistaram 55,2% de cadeiras. Isso seria intolerável no Brasil.”
E a proximidade com o eleitor garantiria a plena representatividade do eleito sobre o eleitor?
“Os defensores do voto distrital no Brasil afirmam que ele é bom porque há mais proximidade entre o eleito e o eleitor. Os distúrbios de Londres eclodiram no distrito de Tottenham, cujo representante é um negro de 39 anos chamado David Lammy nascido e criado em Tottenham. Na eleição de 2010, o comparecimento foi de 58,2%, ou seja, 41,8% dos eleitores não foram votar, talvez porque achassem que os candidatos em disputa não os representavam. Adicionalmente, Lammy teve 59,3% de votos. Isso significa que 40,7% de quem foi às urnas no distrito de Tottenham não têm representante no parlamento britânico. Lammy representa somente 34,5% de todos os eleitores de seu distrito, isto é, 65,5% não têm representantes. Assim, não surpreende que os eleitores que não se sintam representados tenham, utilizando seus aparelhos BlackBerry, organizando os distúrbios que vimos. O sistema eleitoral distrital cria as condições dos distúrbios que aconteceram em Londres porque se trata de uma forma de representação que joga no lixo uma
enorme proporção de votos, ou seja, esses votos ficam sem representação no parlamento.”
Eduardo Graeff diz que “o debate teórico também vai ser fácil” em favor do voto distrital. Fácil, nada. O que é fácil é identificar a origem desta ideia: Guilherme Afif Domingues, José Serra, agora Eduardo Graeff… Só será fácil se, como de outras vezes, a mídia abafar os que falam que essa ideia é o que realmente é: a aposta dos tucanos e seus penduricalhos conservadores de voltarem ao poder que não conseguem pelo voto direto.
Quem hoje reclama das “emendas parlamentares”, do fisiologismo na representação política e do despejo de dinheiro nas campanhas eleitorais ganha, com o voto distrital, tudo isso em quantidades muito maiores, embora divididas em “pedacinhos distritais”. Para os cariocas, basta lembrar como Chagas Freitas construía suas maiorias: algumas bicas d’água nas favelas X, Y e Z garantiam um deputado “benfeitor” local.
Os nossos porta-vozes da “representatividade local” não querem outra coisa. Um “baixo clero” político que se mantenha com as piores práticas, a eliminação daqueles que buscam o voto de opinião e convicção e o poder exercido por uma casta incontestável, como foi a que imperou na obscura Era FHC.
Mas justiça seja feita: FHC eleger-se-ia deputado pelo distrito de Higienópolis. Afinal, a gente “diferenciada” não vota lá.
PS. Podendo, leia o artigo de Antonio Carlos Almeida, um trabalho sério e cheio de dados, embora ache discutíveis algumas de suas conclusões. Mas é assim a democracia não-distrital, nenhum pensamento é o “único”, como adoram que seja – o seu,claro – os neoliberais.



Peço um esclarecimento: Sempre fui favorável ao voto distrital por achar que é a melhor forma de se ter cada metro quadrado de um Estado representado no Congresso. Pego o exemplo de São Paulo, que tem 70 representantes e ter o Vale do Ribeira, por exemplo, sub-representado em Brasília. Pergunta: – Não seria possível que cada Estado fosse dividido em distritos em número correspondente às vagas na Câmara e que cada um elegesse o seu candidato com campanhas independentes, sem que houvesse voto em lista? fechada?
essa proposta é interessante. se diminuiriam o número de municípios e cada distrito teria sua representação garantida no congresso. porém: o voto é universal, como cláusula pétrea. a direita acha que pode mudar uma cláusula pétrea e quando alguém conclama um direito fundamental garantido, como a inclusão social, é populismo barato.
Após sucessivos furos n’agua,o pig agora vai colocar todas
as fichas no voto distrital.
O voto distrital é virada de mesa. Só isso…
Esse atentado contra a Democracia é herança dos ingleses que os americanos ainda amargam .Dai o Bush ter ganho sem maioria de votos do Al Gore.Não que esse fosse diferente,(vide Barack Osama Obama), mas teve mais votos do que o texano.Aqui eles já estam em franca campanha.Já recebi mensagem de gente “amiga” pregando o voto distrital.Não se pode dormir numa hora destas.
Comparar o voto distrital (golpista) com o movimento das diretas é muita hipocrisia.
O voto distrital prevaleceu durante a ditadura militar, ou estou errado?! Assim, já sabemos que o sistema do voto distrital, não representa a vontade da maioria dos eleitores.
VOTO DISTRITAL É GOLPE. Ainda mais, se o Cerra o defende!
Não, o Brasil sempre teve o sistema proporcional. A ditadura estabeleceu uma série de mudanças de ocasião nas regras eleitorais com a intenção de beneficiá-la, que ficaram conhecidas como “casuísmos”, mas não chegou a implantar o voto distrital.
Existia o voto distrital na República Velha. Não por acaso, conhecida como o Regime do “curral eleitoral”.
No sistema distrital, qualquer partido pode ter 30% dos votos nacionais e não ter representante algum(ou pouquíssimos).A PERGUNTA: A quem interessa tamanha distorção ? Quem quer ser governado por uma minoria na qual não votou ? Não somos livres para votar no candidato de nossa escolha ? Por que terei que votar em uma ou duas opções ,se posso ter várias(melhorando a escolha)? A realidade se resume a 02 opções somente ? Trata-se de um REDUCIONISMO funesto e que deve interessar só a interesses inconfessáveis.VOTO DISTRITAL é golpe(da direita fascista)
concordo José…
No sistema distrital, a terceira força é praticamente nula!
A tendência é sempre dois partidos. Tome como exemplo os EUA, só ouvimos notícia de Republicanos e Democratas… mas, na verdade, são mais de 20 partidos por lá!
A essa tal Democracia que provoca tanta azia na direita brasileira, porque a direita pensa que uma vez colonizado sempre colonizados.
O maior erro de quem acessa esse site, e mesmo quem comenta no da Veja, é achar que são tão diferentes. Esquerda e direita? Utilizam meandros diferentes para atingir o mesmo objetivo: poder. Alguns pensam mais no povo, outros menos, mas no final, tanto os vermelhos quanto os reaças querem chegar ao poder e, uma vez lá, se utilizar de todas as formas e meios e mecanismos para lá ficarem.
E o pior? Tem gente, como você, e muitos aqui nesses comentários, que acreditam que são melhores por serem diferentes do “inimigo”. Na verdade, sempre farinha do mesmo saco.
Em tempo. Esquerda? Por favor…o governo Lulla, e o governo Lulla 2 (via Dilma) é tão direitista quanto o do fhc. Só é, talvez, mais populista.
É bom pra direitona, elite e o PIG?
Então sou contra.
E que eles todos vão à m….
Qual o problema de vocês com o voto distrital? Preferem ver o Tiririca elegendo o Waldemar da Costa Neto?
Prefiro ter a opção de votar no tiririca e ter a certeza, que, se a maioria assim o quiser, ele vai se eleger!
Bertold é preferível um Tiririca do que um ACMinho, contaminando um distrito cheio de detritos qualquer.O voto distrital é a imagem da discriminação, é simplesmente o poder do dinheiro representando o forte direitão.
é cláusula pétrea o voto universal. dizem que um adorno é mais prosaico que uma frase de t(f)hc.
Agora está muito claro pra mim. Querem enterrar a possibilidade de surgir novas lideranças que alcance altos níveis de aceitação pela sociedade. Como tal coisa se torna cada vez mais impossível, tentam criar uma nova forma de engolirmos suas beldades.
Do meu xará (eca!) Guilherme Afif, não se pode esperar nada.
Lembro-me do Mario Covas (quem diria!) no debate presidencial em 1989, que enquadrou o Afif, dizendo mais ou menos:
“O Sr. como constituinte sempre se ausentou na hora de votar melhorias nos direitos dos trabalhadores. O Sr. continuará em cima do muro?”.
Afif ficou calado, com cara obviamente contrariada, pois não tinha nada a dizer.
O voto distrital é a meta dos opositores para não sumirem do senário político nacional.
Apenas replicando: “…Só será fácil se, como de outras vezes, a mídia abafar os que falam que essa ideia é o que realmente é: a aposta dos tucanos e seus penduricalhos conservadores de voltarem ao poder que não conseguem pelo voto direto”.
Será que os deputados iriam aceitar esta mudança?
Não ao voto distrital. Os derrotados em 2002,2006 e 2010 querem achar uma maneira de reverter a quarta derrota que vai acontecer em 2014.Imagina ser governado por uma minoria fascista e excludente. Voto distrital exclui grande parte da representatividade(principalmente minorias,votos ideológicos etc) .Um partido pode ser maioria parlamentar com uma parcela pequena de votos ,enquanto todo o resto(a maior parte dos votos ) fica fora.Mais excludente e injusto,impossível.Essa é a proposta dos dem/psdb para tentar deter a extinção a qual estão condenados.Voto distrital é golpe(da minoria).Tô fora…
No Brasil o voto é obrigatório, ou seja, que se: “Isso significa que 40,7% de quem foi às urnas no distrito de Tottenham não têm representante no parlamento britânico.” ocorresse no Brasil ele teria sido eleito pela maioria da população.
“Para se obter a maioria dos deputados em uma Câmara eleita por meio do voto distrital, basta que um partido obtenha somente 25% dos votos nacionais”
Acontece que o voto distrital que os tucanalhas estao propondo baseia-se no 2 turno, ou seja, que essa afirmacao e mentirosa!
Informem-se: http://www.euvotodistrital.org.br/voto-distrital/o-que-e/
“Que tipo de Voto Distrital o Movimento defende? Puro ou Misto? O movimento #euvotodistrital defende o sistema majoritário de dois turnos. Essa modalidade, além de trazer todos os benefícios do Distrital como conhecemos, preserva os interesses das minorias ao exigir segundo turno, caso o candidato não tenha 50%+1 dos votos.”
eu ainda sou favorável ao voto distrital, mesmo com seus prós e contras. Afinal, o que está em curso no brasil é as sindicancias sendo representadas, e não os cidadãos de cada região brasileira.
Ainda é pouco, mas acho que pode transformar o brasil em um pais menos favorável a corrupção
O sistema misto que há hoje causa muita discussão e no final das contas, pelo sistema de votos, palhaços como tiririca acabam levando ao congresso várias pessoas sem voto que o povo já não vota mais..
Nada disso. O país considerado menos corrupto pela Transparência Internacional é a Finlândia, que tem o mesmo sistema eleitoral que vigora hoje no Brasil: voto proporcional e lista aberta.
Temos que fazer um contraponto com a representatividade que nós eleitores temos no Brasil. O formato atual privilegia os partidos, mas nem sempre quando votamos em alguém também estamos votando nos ideais do partido dele. Já votei em candidatos que não foram eleitos, mas meu voto e de outros ajudaram outros integrantes de seu partido a se eleger.
Temos que deixar claro na campanha eleitoral que estamos votando primeiro no partido e, em seguida, no candidato. Hoje isso não é evidenciado no modelo utilizado.
Essa é a maturidade da democracia. Votar nos ideais e não nas pessoas. O sistema já existe, basta aos eleitores atingirem a maturidade eleitoral. Nunca nos esqueçamos que nossa democracia ainda é recente!
Para completar:
Os demotucanos devem ter cuidado com essa proposta porque:
Quem entende de cacique local é o PMDB;
Os demotucanos correm o risco de ter representantes limitados a Higienópolis e bairros similares.
Enquanto houver justiça ficcional, onde há redução de pena para qualquer tipo de crime, e infinitos recursos para quem pode pagar, qualquer reforma política será engodo! Um cara é pego bêbado ao volante e tem o direito de não fazer o teste!!!!! Não gerar prova contra sí é direito constitucional? Então essa constituição não vale NADA!
Os brucutus do voto distrital são os mesmos que pedem a cabeça do Orlando Silva.
Distrital para o Graeff e seus asseclas de todos os matizes. Diastrital, ou seja, trancafiamento no primeiro distrito policial! E é preciso renovar as ratoeiras, porque os ratos não desistem de acossar.
Os psdebistas esperneiam, pois o problema deles é o Lula, o de muitos tentáculos, e a sua herança. Eles, sentido já as ventosas no pescoço, acham que o voto distrital é a ilha que vai salvá-los do afogamento, mas espero que morram muito antes de chegar à praia.
É preciso combater duas ideias antidemocráticas:
- O voto distrital (e o “distritão”)
http://maisumbloginteligente.blogspot.com/2011/03/diferenca-entre-voto-distrital-e.html
- e a Lista Fechada.
http://maisumbloginteligente.blogspot.com/2011/03/reforma-politica-lista-fechada-nao-e.html
O voto distrital não é eficiente para o regime democrático. A Lista Fechada é um grande golpe, é de interesse das cúpulas, enfraquece a democracia.
A direita reacionária sempre foi assim, sempre procurou através de mecanismos escusos barrar a participação popular que tanto lhe incomoda. Eles nunca quiseram uma democracia de verdade, por que são golpistas de nascimento, para eles o povo é só um detalhe por isso procuram a todo custo denegrir a imagem honrada de um trabalhador que chegou a presidência e fez o que nenhum deles será capaz de fazer. Portanto, vamos mandar esse tal de voto distrital as favas! E viva cada vez mais a INCLUSÃO !
Os falastrões do voto distrital levantam a bandeira de que vai melhorar a fiscalização, porque o eleito do distrito é como se fosse um vizinho seu. Conversa mole. Pegando o exemplo de São Paulo, existiriam distritos com mais de 150.000 habitantes. Já morei em cidades com essa população. Tinha prefeito que nunca recebeu um cidadão sequer em seu gabinete.
O que se pode ler nas entrelinhas desse pessoal é que não conseguem e nem vão conseguir a maioria dos votos no sistema atual. Partiram para o desespero e querem o poder a qualquer custo. Voto distrital: NÃO, NUNCA e JAMAIS!!!!
Voto contra esse distritamento.
Enquanto houver alguma coisa que ela possa usurpar, a oposição ao Brasil não se aquieta.