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Dilma está costeando o alambrado da Globo

Uma coisa não mudou desde os anos 70: a participação da Globo no bolo publicitário ...
publicado 07/11/2014
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O Mestre (da Dilma e do ansioso blogueiro) Leonel Brizola dizia que um político estava costeando o alambrado, quando ele se preparava para pular o muro e aderir à corrente adversária.

A expressão, porém, com o tempo, acabou por se confundir com outra, “comer pelas beiradas”.

Costear o alambrado para ir comendo pelas beiradas.

Assim, se pode dizer que, ontem, quinta-feira (6/11), na entrevista ao PiG, quando o Conversa Afiada noticiou "monopólio da Globo, não !", a Presidenta começou a comer pelas beiradas, ou a costear o alambrado da Globo.

Literalmente, o que ela disse aos pigais repórteres (notou-se a ausência sempre conspícua da Eliane Tucanhêde) foi, segundo a (sempre) precária reprodução da Fel-lha (no ABC do C Af):

"Eu acho que tudo o que é concessão" entraria no escopo da regulação, afirmou Dilma.

No Brasil, rádios e TVs são concessões públicas. Mas ela negou o direcionamento (sic)  à Globo, considerando que ela não é "a Rede Globo dos anos 70": "Isso é uma visão velha da questão da regulação da mídia. A gente está demonizando uma rede de televisão, quando as regras têm de valer para todo mundo".

Ela comparou a necessidade de discussão com o debate em torno do Marco Civil da Internet, cuja aprovação é considerada um sucesso político pelo governo.

Navalha

De fato, a Rede Globo não é a dos anos 70.

O regime militar acabou.

O Chacrinha não balança mais a pança.

Dr Roberto, inexplicavelmente, nos faltou.

E o Boni foi substituído por cem que, somados, não valem um Boni dormindo.

O Brasil também não é mais o dos anos 70, quando a Presidenta era torturada e, hoje, ela submete o Aecioporto a tratamento comparável em desmoralização.

Porém, uma coisa não mudou, desde 1970 !

A participação da Globo no bolo publicitário.

Entre as jovens Democracias, um monopólio como o da Globo só existe no Brasil.

Uma jabuticaba …

Não se fala em “velhas” Democracias, onde a Globo seria tratada como uma excrescência.

Nem nas novas Democracias – Espanha, Portugal, México, Argentina, Uruguai, Chile, - existe monopólio igual.

Veja bem, amigo navegante.

Nos anos 70, a Globo detinha 80% da audiência e controlava 90% da verba publicitária da tevê aberta.

Hoje, a audiência desabou, está abaixo de 40%, mas ela detém 80% - veja bem, amigo navegante ! - 80% da verba publicitária da tevê aberta.

É ou não um “monopólio” ?

E o Bolsa PiG, ao alcance da mão da Presidenta, entrega à tevê aberta nada menos que 60% de seus recursos !

Veja bem amigo navegante: a tevê aberta é 50% de toda a publicidade brasileira.

Ainda.

A Globo fica com 80% de 50%.

Ou seja, para cada um Real investido em qualquer tipo de publicidade no Brasil, a Globo fica com 50% de 80%, ou seja, R$ 0,40 !!!

Isso sem falar no que ela embolsa em jornais, rádios, revistas, internet, teve paga e o diabo a quatro nessa maravilhosa “propriedade cruzada” que, nos Estados Unidos, é crime !

E por que a Globo consegue manter 80% da verba publicitária da tevê aberta com uma audiência inferior (e cada vez menor) a 40% ?

Primeiro, porque ela controla o GLOBOPE.

Que diz qual a audiência que ela tem.

Segundo, por causa do BV, a Bonificação por Volume, que dá às agencias e aos mídias das agências participação correspondente aos anúncios que veicula na Globo.

E o BV – como ao Clube dos Treze – é pago ANTES, para evitar a traição ...

Para encarcerar o Pizzolatto ( no Brasil …), o Supremo considerou o BV crime.

Para a Globo, o BV é casto.

Na Inglaterra chamam isso de “kick-back”, propina...

E terceiro, porque tem o Bolsa PiG.

Porque o Banco do Brasil, a Caixa, a Petrobras, os Correios e o Governo Federal bancam o Ataulfo Merval (no ABC do C Af) e a Eliane Tucânhede na GloboNews !

Portanto, amigo navegante, é preciso submeter as palavras da Presidenta ao filtro do Brizola.

Uma coisa é certa.

Os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio - dentro do alambrado ou no prato de mingau - entenderam tudo !

O ansioso blogueiro também.

 




Paulo Henrique Amorim


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