Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

Publicado em 25/11/2013

Investigação 2474:
quem botava $ no Valeriodantas ?

Não se dá Golpe de Estado com Manual de Psicologia Aplicada. O Golpe está lá atrás, no Ali Babá

Há lógica na sua loucura” (Shakespeare, Hamlet, Ato 2o, cena 2).

No dia 11 de setembro de 2008, o Conversa Afiada publicou um post sobre a investigação 2474.

O ansioso blogueiro foi atrás desse post instigado pela reiterada questão que o Stanley Burburinho formula no twitter: o que está dentro da investigação 2474 ?

Em 2008, o Conversa Afiada dizia que tinha recebido a visita de passarinho, que pousou na janela de casa.

E contou:

Há várias ações derivadas dos crimes do mensalão.

A denuncia da primeira ação chegou ao Supremo e ao relator nomeado e re-nomeado por Lula, Antônio Fernando, ANTES da conclusão dos trabalhos da CPI do mensalão.

Antônio Fernando, então, propôs a ação 470 ANTES do fim da CPI.

Ou seja, não esperou as conclusões da CPI para denunciar aqueles que batizou de “Ali Babá e os 40 ladrões”.

Como eram 40 réus, o Ali Babá só poderia ser o Lula.

Portanto, tratava-se de uma ameaça velada ao Presidente da República: cuidado que, a qualquer hora, você entra na roda.

Tem um semi-aberto à tua espera, Ali Babá …

Segundo o Nassif, hoje, Antônio Fernando advoga para … quem ? Para o imaculado…

Encaminhar Lula ao “semi-aberto” do Barbosa foi o que se tentou várias vezes, no julgamento do mensalão (o do PT), inclusive quando o Ministro Marco Aurélio (Collor de) Mello chamou Lula de “safo “ – clique aqui para ler “a que safo Mello se refere ?”.

Como se sabe, a CPI do Mensalão tentou, até os 45′ do segundo tempo, livrar o imaculado banqueiro.

Com a gentileza do deputado Eduardo Cardozo, dos senadores Heráclito Fortes, Delcídio Amaral (tucano infiltrado no PT), e do relator do PMDB, Osmar Serraglio, quase que Dantas consegue ficar fora do relatório final.

A verdade é que ficou.

Porque Antônio Fernando procurou, procurou, procurou e achou 40 ladrões, achou um Ali Babá e não achou o imaculado.

Agora vem a outra ação.

Trata-se daquela que deriva da investigação 2474.

Aí, dizia, textualmente o Conversa Afiada, então: “Dantas, esse é o teu número: 2474”.

Em 2013 se soube que a investigação 2474 está sob sigilo de Justiça.

E, por decisão do Presidente Barbosa – que, segundo a AMB, usou do “canetaço”- só Dantas teve acesso a ela.

Aí, na 2474 deve estar a resposta a uma pergunta trivial: de onde o Marcos Valeriodantas tirava dinheiro para financiar o Caixa Dois do PT.

(Sim, porque o dito “mensalão” sempre foi e será um Caixa Dois de campanha.)

Porque se sabe que o dinheiro da Visanet não foi usado para isso.


A Visanet não era estatal nem tinha grana suficiente para pagar as dividas do PT com o PL, com Duda e com o PTB.

Àquela altura, o Valeriodantas e Clésio Andrade – vice de Aécio – já não tinham acesso ilimitado aos cofres do PSDB – de Eduardo Azeredo, em Minas, e de Fernando Henrique Cardoso, na SECOM de então.

Nem os laços afetivos e financeiros  de Pimenta da Veiga com o Valeriodantas levantavam mais dinheiro no Rural e no BMG.  

Com os tucanos, Valeriodantas se esbaldava.

Mas, Itamar derrotou Azeredo, que tentava a reeleição, numa milionária campanha dirigia por Valeriodantas.

E sem os tucanos de Minas ?

E sem os tucanos generosos da SECOM ?

Com Itamar e Lula, Valeriodantas ficou sem guichê.

De onde, então, vinha o dinheiro do Valeriodantas ?

Quem botava grana naquele duto largo ?

Fala, Valerio, fala !

Clique aqui para ler um resumo das relações do Valeriodantas com BRT, então administrada (?) pelo imaculado banqueiro.

O amigo navegante entendeu por que interessa provar que o dinheiro da Visanet era estatal ?

Porque tira o imaculado banqueiro da roda.

E por que tantos defendem o Pizzolato, mas, subitamente, param diante da muralha, diante do imaculado ?

Por que a 2474 ficou em segredo ?

Agora, chegamos a Hamlet.

Há uma lógica no bonapartismo de Joaquim Barbosa.

É a lógica que vem lá detrás, do Antônio Fernando, que concebeu e montou a operação que equivale a apear o PT do Poder.

Um Golpe de Estado.

Pelo MP, uma adaptação do Golpe Paraguaio.

Clique aqui para ler “MP, o DOI-CODI da Democracia”.

A lógica que seguiu o prevaricador, segundo Collor da tribunal do Senado.

É a mesma que o relator, juiz e juiz de execuções penais, Joaquim Barbosa executou.

Barbosa não foi acometido de súbita instabilidade emocional.

Reações que, mal interpretadas, possam dar a ideia de falta de equilíbrio.

Não.

A questão não é pessoal, produto de uma personalidade belicosa.

Não é uma questão de pessoas ou temperamentos.

Não se dá um Golpe de Estado com manuais de Psicologia Aplicada

Shakespeare tem razão.

Ele entende de reis e de césares.

E de punhalada pelas costas.

Tem uma lógica.

A questão não é ser ou não ser.

É mais simples, mais terra-a-terra: de onde vinha o dinheiro do Valeriodantas ?

Caía do céu ?

Chovia dinheiro na horta dele ?

Ele achou na lata do lixo ?

Ganhou na mega-sena da virada?

Está tudo lá: na 2474.

Por isso ela é secreta, Burburinho.

Paulo Henrique Amorim

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