Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

Publicado em 19/06/2012

Euro: xenofobia paga
a conta da destruição

Saiu na Folha: Estabilidade no caos, artigo de Vladimir Safatle.

O Conversa Afiada reproduz artigo de Vladimir Safatle, que não se deixa contaminar pelo que ao lado está, na página 2.

É tambem uma singela homenagem aos neolibelês (*) brasileiros, que torcem pela destruição da Europa em nome da ortodoxia fernandista.

Aquele pessoal que vai à Academia Brasileira de Letras salvar o Capitalismo, como observou o Vasco, ao analisar as frutas cítricas que parecem envolver o Cerra.

Saiu na Folha (**):

Estabilidade no caos


Vladimir Safatle


A Europa pode respirar aliviada. Tudo continuará do mesmo jeito. Com a derrota “in extremis” dos esquerdistas do Syriza nas eleições gregas do último domingo, a União Europeia poderá continuar sua bem-sucedida farsa visando levar a opinião pública mundial a crer que os gregos são os únicos responsáveis por uma crise que eles não inventaram.


A diretora-geral do FMI poderá continuar afirmando que tem mais dor no coração pelo sofrimento dos filhos dos nigerianos do que pelos filhos dos gregos, mesmo que não faça absolutamente nada para salvar um ou outro.


Por fim, os economistas, preocupados em continuar a trabalhar e fazer consultorias para bancos e fundos de investimento, continuarão a creditar toda a destruição pela qual passa a Grécia à “gastança” excessiva do Estado e à “preguiça” dos povos do Sul.


Durante toda a campanha, a imprensa mundial criou uma dicotomia sintomática entre os partidos “pró-europeus” (no caso, a direita da Nova Democracia e a social-democracia do Pasok) e os “antieuropeus”, Syriza à frente.


Mas a boa pergunta é: o que significa, nesse contexto, “ser europeu”? Uma associação entre os que partilham esperanças de cosmopolitismo, igualdade social e segurança para os mais vulneráveis? Ou um clube daqueles que permitem a condução da economia de seus países pelos imperativos de salvação do sistema financeiro internacional?


Como se não bastasse a destruição da Europa após a espoliação de recursos públicos para salvar bancos falidos, vemos agora o sequestro de seu significante. Daqui para a frente, “Europa” significa: “aqueles que aceitam jogar, até a morte, as regras de um jogo econômico no qual a destruição social é compensada pela xenofobia”.


Nas eleições gregas, os verdadeiros europeus eram do Syriza, pois eles representavam o histórico de lutas sociais que marcaram o continente. Suas propostas sobre a dívida grega consistiam, em larga medida, na aplicação das mesmas condições das quais a Alemanha se beneficiou após a Segunda Guerra Mundial: prazo distendido de pagamento, possibilidade de usar o dinheiro emprestado para investimentos públicos, cláusulas de salvaguarda para políticas sociais, entre outras. Mas isso era pedir demais.


Enquanto isso, a única nação que conseguiu recuperar-se da crise econômica foi a Islândia: um país que se recusou a usar dinheiro público para pagar a dívida de seu sistema bancário, que impôs controle de capital e estatizou todas as operações domésticas de seus bancos. Uma nação que, simplesmente, não existe no mapa da maioria dos analistas econômicos.


VLADIMIR SAFATLE



Em tempo: não deixe de ler “Folha mata o Lula”.


(*) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.




Comentários

  • Helder

    “Islândia: um país que se recusou a usar dinheiro público para pagar a dívida de seu sistema bancário, que impôs controle de capital e estatizou todas as operações domésticas de seus bancos. Uma nação que, simplesmente, não existe no mapa da maioria dos analistas econômicos.”

    Na Islândia não tem urubólogos???

    Viva a Islândia! rs

  • PAP

    A Grécia, um dos baluartes da humanidade, esta sendo tratada
    como “bagaço” por abominaveis burocratas a serviço de ban-
    queiros que quando se fala em cultura acham que é aquela de
    bactérias.
    Tratar mal países como a Grécia lembra a história do filho que
    trata mal os pais e os manda para o asilo e ai o neto diz para
    o pai – “um dia vou mandar o senhor e a mãe para o asilo tbm”
    E a Alemanha e os Estados Unidos, se estivessem no lugar da
    grecia(alias os Eua já estiveram às portas do “asilo”), gostariam de igualmente ser tratadas como “bagaço”
    A Alemanha que o diga!

  • Antônio Mattarazzo

    Tem que regulamentar! E manter as amarras da regulamentação bancária no Brasil, senão já vê acontecer aqui como nos outros países.

  • CAFÉ DO BODE

    Reis e rainhas, principes e princesas vão continuar em seus salões de chá, em seus iates, em seus desfiles com amantes. Uma maravilha.
    E o Falso, Hipócrita e Calhorda a nos aconselhar a limpar os salões e a juntar os guardanapos babados de nos fazer de besta.
    Nojentos, Tchan!!!

  • Luis R

    A Europa virou Americana

  • jose rainha juniur

    e viva a mira latão,
    so , somente mira que não tem mira , portanto não entende nada e não aserta nada na economia.

  • José do Ceará

    Se estivessemos sendo governados por tucanos (cruz credo!) o consórcio do satanás (pig+psdb+dem) estaria preconizando que a a causa dessea crise eram os direitos trabalhistas e as estatais.Para isso, aqueles deveriam ser extintos e ,estas, vendidas , o mais rápido possível.Essa corja de mentirosos que só conseguem enganar os trouxas….

  • LeandroS

    A globalização é, na realidade, uma maneira de imperialismo “econômico” em que os que detêm o poder militar ameaçam aqueles que tentam crescer e ter uma economia mais autônoma. Paraguai, uns bons anos atrás, andava na bonança econômica, praticamente autossuficiente… O que aconteceu? Alguns incomodados deram um jeito de ver naquele país uma ameaça e deram um jeito de arrumar uma guerra para acabar com ele. Imagina se os vizinhos seguissem o exemplo? Os BRICs que se cuidem… Vão começar a acusar os BRICs de terrorismo… econômico!

  • O salutar do texto do Safatle é tornar explícito o quanto miópe e simplista se faz a cobertura da crise econômica da zona do euro e os desdobramentos políticos para o seu enfrentamento, conforme tomemos os grandes veículos de desinformação, vulgo PIG, para compreendermos tal situação.

  • Eugênio L. da Costa

    O FHC está certo ou errado. Como ele e o lula são analfabetos em ciências economicas, não sabem especificar o que dizem nesta área. Se ele dissesse que é preciso ir mais devagar para não criar a bolha imobiliaria, para não atiçar os especuladores. O economista filosofoco Eduardo Gianetti sabem dessas coisas, coloca questão como qual o mais importante aumentar o consumo de geladeiras e fogoões em 1 bilhão de dolares, o aumentar em na produção de automoveis.
    Ágora, precisamos de qualidade nos investimentos Dona Dilma.

    • Eugênio L. da Costa

      Como o LULA dá aulas aos economistas ortodoxos, liberais, urubologas, etc. Digamos que o FHC, o governo mais corrupto, fui a mãe dos banqueiros e o LULA o pai.

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