Redação Conversa Afiada

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Delfim: economista tem é que se preocupar com o Emprego

    Publicado em 19/10/2011
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Saiu na Folha (*), artigo de Delfim Netto:

Trabalho


por ANTONIO DELFIM NETTO


O principal divisor de águas entre os economistas reside nas suas “crenças” sobre o problema do desemprego involuntário. De um lado, estão os que acreditam que, deixado este a si mesmo, os mecanismos de mercado, com tempo suficiente, tendem a eliminá-lo. De outro, os que não acreditam nessa tendência natural: deixado a si mesmo, sem a intervenção do Estado, ele pode perpetuar-se por falta de demanda efetiva.


A experiência que estamos vivenciando sugere que os fatos recusam muito mais a primeira hipótese que a segunda.


Nossa atual organização social é produto de um processo histórico. O homem, ao construir o mundo, com seu trabalho, exerce uma pressão seletiva no sentido de aumentar a sua liberdade de expressão, o que exige cada vez mais eficácia produtiva.


Há uma evolução simultânea, civilizatória e quase biológica que amplia o altruísmo e a solidariedade social exatamente porque a cooperação é mais “produtiva” e libera mais tempo para a expressão criativa do homem.


Uma das construções mais impressionantes de Marx é a sua leitura do papel do trabalho nos “Manuscritos”, de 1844, antes de ele ter sido seduzido por Ricardo. O trabalho é o processo pelo qual o homem se produz e projeta para fora de si as condições de sua existência e a sua capacidade de transformar o mundo.


No atual estágio evolutivo, a sociedade se divide entre os que têm capital (e “empregam” o trabalho em troca de salário) e os que detêm a força de trabalho (e só podem utilizá-la “alugando-a” ao capital em troca de salário).


Com as políticas sociais, o Estado do Bem-Estar transformou (transitoriamente!) o sistema salarial alienante de Marx no símbolo da segurança do trabalho. Ele dá, por sua vez, a garantia para o funcionamento das instituições da nossa organização social, particularmente os mercados e a propriedade privada.


Os economistas precisam incorporar, como disse Mauss (“Sociologie et Anthropologie”, 1950), que o trabalho é o “fato global”. O desemprego involuntário é o impedimento insuperável de o cidadão incorporar-se à sociedade. Por motivos que independem de sua vontade, ele não pode sustentar honestamente a si e à sua família. O desemprego involuntário é o “mal social global”.


Não importam filosofia ou ideologia. No presente estágio evolutivo da organização social, que o homem ainda procura fazer florescer plenamente a sua humanidade, é a natureza e a qualidade do seu trabalho que o colocam na sua posição social e econômica, que afetam sua situação física e emocional e que determinam o nível do seu bem-estar.


É por isso que o desemprego involuntário é o problema contra o qual os economistas têm que lutar.

Navalha

A cada dia, o Delfim tira um tijolo da construção dos Neolibelês (**).

Saiu na Folha:

Custo de mão de obra na construção dispara

É o que o mesmo Delfim chama de “processo civilizatório”…

Paulo Henrique Amorim

 




(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.


Artigos Relacionados

  • m.fóerbah disse:

    Na terra de Santa Cruz
    Chicote, espada e arcabuz
    Assim era até 2002,
    Quando entrou em ação Lula o metalúrgico
    Com seu instrumento cirúrgico- o voto civilizatório-,
    E extirpou da Nação
    A ação da nefasta visível invisível mão
    do Dem e do Psdb via Fhc

  • Thiago Kurovski disse:

    “De um lado, estão os que acreditam que, deixado este a si mesmo, os mecanismos de mercado, com tempo suficiente, tendem a eliminá-lo.”

    “No longo prazo, estaremos todos mortos.”
    John Maynard Keynes

  • Sergio disse:

    A direita raivosa que trate de tirar o “cavalo da chuva”, a classe C não vai querer retornar para a senzala.
    O dircurso deles (tucanos neoliberais, Demos, PIG, etc) de ética e honestidade não cola. Os brasileiros os conhecem bem.

  • Yacov disse:

    A guerra entre Mercado e Estado é uma estupidez… Essa não deve ser uma relação conflitiva, mas cooperativa. Só assim todos saem ganhando, e a renda não se concentra nas mãos de uns poucos CEOS…

    “O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBO – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS”

  • Francisco disse:

    Delfim era e continua sendo liberal. Isso não é um “xingamento” contra ele, é uma tristeza para nós todos. Ele, Afonso Arinos e uns tantos outros mostram que a condição normal do liberal iluminista é ao lado da dignidade. Principalmente quando somada à sabedoria do tempo.

    Maturidade que faz olhar com mais manha para os cantos de sereia “esse, Delfim, é o emprego da sua vida”, “cala boca rapaz, você é o czar da economia”, etc. Não temos liberais de fato no Brasil e é pouco mais que poeira os que se animam na politica sob esse rótulo autentico (vide nosso finado vice-presidente José Alencar). O pior é que não foi só no Brasil que as pessoas um pouco mais instruídas (instruídas ao ponto de não serem meros robôs repetidores) tiveram a voz calada. A censura ideológica campeia em todo o mundo ocidental. Censura ao socialismo? Não. Censura ao debate.

    • Paulo Geroldo disse:

      Existe uma diferença muito grande entre liberal e neoliberal. Mas Delfim não chega a ser um liberal completo, ele defende que o Estado interfira na economia para conter excessos.

  • Eduardo Raio X disse:

    Se tem tantos e tantos economistas sabichão aqui no Brasil com S principalmente essa turma que diz todo santo dia que o país não vai passar da próxima semana, porque eles ainda não ganharam um NOBEL por tais previsões feita na base do biscoitinho da sorte??? Delfim tem suas razões pra fazer gozações e tripudiar em cima dessa turma que baseia suas analises nas leituras diária de jornais e revistas de alto ajuda econômicas publicada pelo PIG.

  • 'Lenir Vicente disse:

    ” A cada dia o Delfim tira um tijolo da construção dos neolibelês”.Essa foi Dilmais, Paulinho!Amei.

  • Edvard disse:

    O Delfim esqueceu uma classe: a dos que acumulam capital às custas do Estado.
    Há um enorme contingente neste pais, alguns deles vão às marchas contra a corrupção, outro são apoiadores e apoiados pelos demo-tucanos, outros fazem parte do PIG, e há aqueles que dedicam toda a vida à obtenção de cargo político de apoio ao governo (seja qual for).

    • Yacov disse:

      A Resposta é aumentar os mecanismos de combate à corrupção e valorizar o servidor, gente. Simples assim. Ah… E um judiciário realmente JUSTO E IMPARCIAL também não faria mal a a niguém.

      “O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBO – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS”

  • Marcos F. Alves disse:

    Bem, como diz o ditado popular, ” quem te viu, quem te vê”, o Delfim anda surpreendendo. Sou velho, ajudei a combater a ditadura militar e Delfim era inimigo-mor, artífice então de várias propostas econômicas dela . Mas parece que a vida também ensina quem quer aprender: de fabiano a citador de Marx, usando vários de seus conceitos e teses. Claro que ainda desconfio de algumas teses do Delfim, mas não há como não concordar com ele em várias outras, principalmente quando faz a crítica ao tal estado mínimo ou ao neoliberalismo. Bem vindo, Delfim, ao mundo daqueles que querem efetivamente torná-lo de todos.

  • Gustavo Barcellos disse:

    Parece que os donos das grandes redes varejistas não viram a cobertura do JN sobre a ocupação das favelas do Rio. Como eles podem investir milhões de reais nelas, se a operação do Beltrame foi um fracasso?
    http://www.valor.com.br/empresas/1057812/varejistas-abrem-lojas-na-maior-favela-do-rio

  • Gilvan Miranda disse:

    Delfim pode ter tidos seus defeitos, mas é lúcido, rendido aos fatos. Simples como foram as estratégias do Nunca Dantes e agora do seu “poste” ainda mais sábio (a): Dilma. Simples.

  • Renan disse:

    A Dilma é formada em economia SIM…
    …o que levou Dilma a prestar vestibular para Economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Graduou-se em 1977… Fonte: Wikipedia

  • VJ disse:

    Do jeito que os “economistas” plantadores de mentiras do jornal que só publica mentira, O Globo, são ruins de boato (nenhum boato deles cola…) eles vão ter que se preocupar é com o emprego deles, porque em breve a Internet vai ter desempregado essa cambada toda.
    Consegui que 50 pessoas aí no Brasil cancelassem suas assinaturas do O Globo. Se cada um de nós fizer o mesmo em breve levamos esse esquema de lavagem de dinheiro, que os filhotes do Marinho chamam de jornal, a falência. De 50 em 50 quebramos O Globo.

    PS: o capataz com o chicotinho da charge do Bessinha, querendo que a Classe C volte para a senzala, tá parecendo com os playboizinhos e as patricinhas fascistinhas do MCC da vassourinha da Daslu do Twitter…

  • m.a.p disse:

    Prezado Paulo Henrique
    Tem cada uma!
    “o cara nos levou a uma década perdida”.
    O tal de Arthur deve ter gazetado as aulas de Historia.

  • O Copom tem feito opção por adotar uma política voltada para manter a soberania brasileira. Por isso, o “mercado” critica com tanta veemencia suas decisões que não são restritas às questõe financeiras e abrange a esfera política. Qualquer decisão que for tomada hoje – com a tendência de mais uma queda nos juros – será recebida com críticas, pedradas e pontapés por aqueles que estão do lado do “mercado” e não do Brasil.
    Sugiro a leitura do Projeto Nacional: http://blogprojetonacional.com.br/hoje-e-dia-de-taxa-selic/

  • Urbano disse:

    Exagerou ‘cerço’…

  • Urbano disse:

    Deeeele! Com esse aí não pode ser outra coisa. De informações imediatas não, mas mediatas minha mente é mais difícil de falhar.

  • Arthur Bennet disse:

    O cara nos levou a década perdida e virou um sábio. Ministro da ditadura, adorava ter o poder de esconder a informação, de forjar situações econômicas, além de ser um grande defensor do protecionismo. Esse é o ” sábio” que PHA coloca todas as semanas como o homem a se seguir. Com ele e o Mantega, estamos bem….bem mal.

    • Helder disse:

      Precisamos de um americano, espanhol, italiano ou quem sabe um greco para esse cargo não? hehe

    • Arthur Bennet,

      você tem realmente acompanhado as críticas que o Delfim Netto tem feito ao estado mínimo? Ele cometeu inúmeros erros no passado e o pior foi se aliar e se tornar o czar da economia na época da ditadura. Não há dúvidas sobre isso. Mas daí desqualificar suas opiniões sobre economia e não enxergar que as críticas que vem disparando contra os neoliberais que só veem o mercado como o salvador da economia, é desfigurar a argumentação que o Delfim Netto desenvolve em seus mais recentes artigos na imprensa. Note que as críticas dele, se realmente você as acompanha, tornam-se a cada dia uma referência de informações e têm deixado a oposição reacionária e conservadora com as calças na mão. Não sabem como responder e mandam seus asseclas sem conhecimentos mínimos de economia responderem tolamente os argumentos e as teses defendidas pelo Delfim. Só a Miriam Leitão, coitada, não dá conta. Merval Pereira? Só rindo. Reynaldo Azevedo? rrrr. Augusto Nines? Piada. Arnaldo Jabor? Casal 45? Ali Kamel? Boris Casoy? Joelmir? Estou até rindo em citar essas figurinhas. Falando sério: convenhamos que o cara mudou, se não totalmente, mas nem por isso merece ser desrespeitado. Na minha modesta opinião, ele está revendo suas posições e tentando contribuir para uma discussão civilizada e republicana sobre a atual conjuntura econômica. Por isso, merece toda atenção e ser acompanhado sem preconceitos ou má intenção. Ou não?

      • Yacov disse:

        Clap clap clap clap!!!

        “O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBO – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS”

      • José Sabino disse:

        Pestana,

        Não.

        A menos que ele (o Delfim) volte atrás em uma afirmação sua: “… o Brasil não tem que comprar um milhão de dólares por dia, tem que comprar é muito mais…”

        Oras, oras e oras…

        Entesourar uma moeda que breve e inexoravelmente se transformará em pó… Nobre Delfim, sais de lítio só lhe farão muito bem, OK?

        Abraços
        José Sabino
        O pueril

  • Fernades disse:

    É, mas como isso pode acontecer? a Dilma e o Lula nem sao economistas!!! Isso é coisa pro Padim Cerra conquistar, ele é o Jênio!!! rsrsrsr.

  • Yacov disse:

    No mundo capitalista, se vc nãoganha dinheiro você é economicamente inviável. Ora, para ganhar o seu dinheiro, sem descambar pars o crime, o sujeito tem que trabalhar, mas nunca há trabalho suficiente para todo. È dessa tensão que vivem os capitalistas, pagando miséria para os trabalhadores e arrancado-lhes o máximo possível de mais-valia. E, a meu ver, a única instância que pode manter um nível de emprego adequado, com a contratação de obras e implantação de programas sociais inclusivos e distributivos, e compatível com um grau de bem-estar social minimamente aceitável para todos os cidadãos é o Estado. Portanto, o Estado nunca deve ser mínimo, mas o MÀXIMO!!!

    “O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo – O que passa na glObo é um braZil para TOLOS”

  • Paulo Erivan disse:

    No judiciário brasileiro, os familiares dos ministros, desembargadores e juízes, não teem o problema do desemprego involuntário, pois, seja pelo nepotismo direto ou cruzado, seja pela mãozona dada pelos escritórios de advocacia, todos são regiamente remunerados. A BOLSA NEPOTISMO é um dos maiores gastos dos governos e um dos ralos da corrupção no Brasil.

  • Antonio Carlos disse:

    Mas o JN disse ontem que setembro foi o pior mês de criação de empregos desde 2006??? e eu perdendo meu tempo vendo aquela porcaria…… 2 milhões de novos empregos no ano (até setembro)…..FHC gerou 5 milhões em 8 anos, o Obama pintaria o cabelo de loiro de conseguisse essa quantidade nos EUA….

  • Marcos Lima disse:

    O Sr. Delfim Netto, mostra que persistir no erro é burrice, e ao que “parece”!, ele esta convergindo para o lado real e factual da nossa sociedade o lado daqueles que sempre buscam o bem estar de todos e não de uma minoria privilegiada.

  • A cada dia o prof. Delfim Netto se supera. Seus artigos teem um caráter claramente pedagógico.

    Para mim o prof. Delfim Netto já não pode mais ser tratado como um mero economista (seria até uma ofensa), mas sim como um Sábio.

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