O Conversa Afiada tem o prazer de publicar editorial escrito por Rubens Glasberg, três ano atrás, na indispensável publicação Teletime.
De lá para cá, como previa Glasberg, a BrOi foi para o saco.
Daniel Dantas não pagou o que devia.
E botou no bolso um cala-aboca de U$ 1 bilhão.
As duas gigantes tipicamente nacionais deram uma super-gigante portuguesa no Brasil.
Desde Cabral, nunca os portugueses ocuparam um espaço tão largo (de Banda Larga, claro) na economia brasileira.
E viva o Brasil (dirão os portugueses) !
E viva a clarividência do Glasberg:
EDITORIAL
O risco da “ambevização” e “opportunização”
segunda-feira, 9 de abril de 2007, 20h42
De repente, o assunto começou a ganhar espaço na grande imprensa: a mudança das regras vigentes há quase dez anos no setor de telecomunicações, permitindo fusões e incorporações das concessionárias fixas, particularmente de empresas como a Brasil Telecom e a Telemar. Nos feriados da Semana Santa, Folha, Estadão e um colunista da Veja destacaram o assunto. Todos, talvez inadvertidamente, trabalharam com a mesma pauta. Como conseqüência, hoje na Bovespa, Brasil Telecom e Telemar lideraram as altas com 6% em um único dia.
Deixando de lado, sob o beneplácito da CVM, mais uma forte especulação em bolsa com base em boatos sobre fusões e aquisições de empresas de telecomunicações no Brasil, vamos tentar entender as razões, pressões e possíveis conseqüências. Enfim, como se dizia já na antiga Roma, quem se beneficia ?
As razões para a fusão Brasil Telecom e Telemar até que são convincentes. As duas empresas têm presença predominante de capital público e semi-público nas ações com direito a voto. Na Telemar, por exemplo, BNDES, fundos de pensão e subsidiárias do Banco do Brasil chegam a deter mais de 50% das ordinárias da holding controladora, sem participar, no entanto, do grupo de controle que gerencia a operadora. Só o BNDES, com 25% das ordinárias, tem direito (nunca usado) a veto no conselho, onde as decisões são tomadas pelos representantes dos grupos GP, La Fonte e Andrade Gutierrez.
Na Brasil Telecom quem manda são os fundos juntamente com o Citi depois que ambos defenestraram o Opportunity, antigo gestor comum.
Essas duas operadoras enfrentam separadamente no País a concorrência das duas principais empresas multinacionais atuantes na América Latina – Telefônica e Grupo Carso, do empresário mexicano Carlos Slim. Ambas têm faturamento em torno de US$ 40 bilhões cada, com vantagens de escala e capacidade enorme de investimento com fácil acesso ao mercado internacional de capitais.
É razoável aceitar os argumentos dos gestores da Brasil Telecom e da Telemar, com faturamentos respectivamente em torno de US$ 7 bilhões e US$ 10 bilhões, de que isoladamente não conseguirão sobreviver e competir com os dois gigantes estrangeiros e de que seria importante ter pelo menos uma grande empresa de telecomunicações nacional. Juntas, ainda teriam alguma chance.
As decisões, porém, não são tão simples. Apesar do discurso patriótico/nacionalista, quem garante que a empresa resultante da fusão continuará nacional? Todos nós estamos lembrados do recente caso da Ambev. Permitiu-se a fusão entre a Brahma e a Antártica para formar uma grande multinacional brasileira. Durou pouco. As ações se valorizaram em bolsa por causa da fusão e os controladores aproveitaram a oportunidade para vender a Ambev para os belgas e foram viver na Europa. Triste fim do discurso nacionalista.
Mas esse não é o único risco envolvido. Por trás de tudo, mais uma vez, está ainda o Opportunity de Daniel Dantas, arregaçando as mangas e preparando-se (quem sabe?) para voltar ao controle das duas teles, já que ainda detém participações em ordinárias na Brasil Telecom e na própria Telemar. Quanto, exatamente, não se sabe, porque grande parte das ações foram compradas por meio de garimpagem ou são parte de litígio com o Citi e com os fundos de pensão. Com discurso patriótico, talvez usando consultorias de ex-ministros petistas ou dirigentes antigos da Anatel, Dantas não largará o osso. Continuará tentando convencer com seu time de advogados regiamente remunerados que é um injustiçado e que cabe a ele como predestinado ser uma espécie de Slim brasileiro. Já chegou a desenhar este projeto em entrevista ao jornal Valor, em 2001. Dantas quer gerir empresas, não vendê-las, e as conseqüências sabemos quais são. Depois de sete anos à frente da Brasil Telecom, Telemig e Amazônia Celular, o Citi cobra indenização na Justiça de Nova York de US$ 300 milhões, mais “punitive damages”, que podem chegar a US$ 1 bilhão. E a nova gestão da Brasil Telecom apresentou à CVM um conjunto de denúncias por fraudes em torno de R$ 600 milhões.
O Brasil e o setor de telecomunicações não merecem a repetição dessa história. Se a eventual fusão Brasil Telecom e Telemar for inexorável para garantir a competição e impedir uma eventual cartelização quando os dois gigantes internacionais não tiverem mais mercado a disputar, que ela ocorra de acordo com o interesse público e, portanto, de acordo com uma política pública estabelecida pelo governo. Preservar o interesse nacional é importante, mas nesse caso específico, vale sempre lembrar a frase de Samuel Johnson: “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”.
Rubens Glasberg

A BrOi é uma das ultimas vítimas da ideologia da “burguesia nacional”.
Durante um certo tempo, vigorou no Brasil uma peripécia ideológica que consistia em supor que o fortalecimento da “burguesia nacional” seria um obstáculo à expansão do “imperialismo yankee”.
Muitos intelectuais comunistas cairam nessa esparrela.
Marx não tinha nada com isso: ele que nunca imaginou que empresário fosse nacionalista.
Era coisa tipicamente soviética: criar embaraços ao “imperialismo yankee”, onde quer que fosse.
Aqui no Brasil se pensava (e pensa) assim: se você juntar um Matarazzo com um Klabin dá uma Esso.
Não deu.
Deu banha embrulhada em papelão.
A Ambev, concebida no cérebro privilegiado do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, foi produto dessa quimera.
Duas empresas genuinamente nacionais – a Brahma, e a Antarctica – deram uma empresa belga.
Agora, a mesma concepção juntou a Oi à Brasil Telecom.
Deu Portugal Telecom.
Nos Estados Unidos se chama essa política de “pick the winner” – o Estado escolher quem vai ganhar a corrida.
O Luciano Coutinho é um especialista em “pick the loser”.
(Com o dinheiro do FAT.)
Em tempo: as ações da Telemar, da Oi, caíram hoje na Bolsa na proporção da perda de poder dos acionistas controladores.
Paulo Henrique Amorim











Imagine se o Dirceu permanece? Fortuitamente o Jefferson acabou prestando enorme serviço ao Pais.
A não ser que a Telebrás venha a compra a BROi, absorvendo (e absolvendo) a sua estrutura. Neste caso, muda-se a máxima para: Vão se os anéis e juntos os dedos!
Já viram as novas mudanças, nos planos de Internet Móvel, das operadoras? O que antes já era ruim, piorou (em qualidade de acesso, quantidade de acesso e preço do serviço). Por que será que ninguém fala nada sobre isso? Cadê o nosso direito à informação? A Anatel vai continuar a representar os direitos das operadoras e se fingir de morta, como sempre? Para quê realmente, serve a Anatel?
ANATEL = Associação Nacional dos Aproveitadores da Telefonia.
Com relação à Ambev , numa entrevista o Carlos Lessa-ex-BNDS-afirmou que Banco cansou de emprestar dinheiro para levantar as duas cervejeiras(Brahma e Antártica),e aí vem os belgas e levam!
É o capital(FAT,Fundo de Amparo ao Trabalhador)ismo brasileiro contribuindo para manter o altíssimo padrão de vida do cidadão belga.
FAT = Fundo de Amparo aos Trambiqueiros.
O problema é que no Brasil não existe nenhuma preocupação com a carterialização e o monopólio da economia. Nem mesmo no PT existe essa preocupação, o mesmo naõ acontece na Alemanha onde existe fiscalização para que nenhuma empresa domine totalmente o mercado. É necessário um marco regulatório para a economia proibindo que empresas possam dominar mais que 30% do mercado de algum determinado produto e obrigando a empresa que exceder esse limite se divida vendendo uma parte ou então que a empresa diminua sua produção excedente.
Por que o Lula entrou nessa? De qual partido político é o Presidente do BNDES? Posso ser injusto, mas o que me parece é que o Senhor Coutinho é um belo exemplar de tecnocrata, a turma da “jestão”, e são muito necessários para atuar no 3º e 4º escalões de governo, mas não à frente de um Banco da importância do BNDES. Deve ter coisa nesse angu que ainda não veio a público.
E começa tudo de novo, porque a roda capitalista não pode parar. Estou quase acreditando que Marx tinha razão!
Pode ficar pior, porque me parece que a Telefônica da Espanha comprou as ações da Portugal Telecom. Vocês já imaginaram uma só Telefônica no Brasil “tirando o nosso couro”?
Quero deixar aqui o meu profundo protesto contra o governo, por permitir que a única operadora nacional de telefonia seja entregue aos portugueses.Já não basta os portugueses encherem as burras as nossas custas com as empresas entregues pelo FHC, e agora o LUla faz a mesma coisa?O setor de telefonia é estratégico, se o empresário brasileiro não quer entrar nesse negócio, então que o governo entre no setor e não permita que seja entregue a grupos estrangeiros. É uma humilhação para o Brasil que se prossiga neste entreguismo desenfreado.
Nunca chegaremos ao primeiro mundo se continuarmos subservientes, e em não acreditarmos que somos capazes de comandar as decisões sobre este importante setor que é a telefonia.Enquanto isso, tome envio de lucros para Portugal e Espanha as nossas custas.Eu protesto envergonhadamente contra isto que está acontecendo.
Neste caso da BrOi, o governo está dando dinheiro o PNBL para a Portugla Telecom e esta pega este dinheiro para comprar 1/4 da Oi. É para rir!! Ou chorar…
Bem feito ao Brasil, aqui não tem obelisco nem um povo que veja além de um palmo a frente dos olhos. Agora quando vc diz que a BrOi é a P36 do governo Lula, isto deve ficar bem claro ao internauta:”Governo Lula”. Dilma, na época, era contrária a mudança na Lei de Outorgas, foi convencida a mudar de ideia, claro que o governo não era dela, ela era apenas uma ministra, recebia ordens. A mudança da Lei de Outorgas saiu pq Lula salvou o couro do Zé Dirceu, aquele que Dilma já disse, não terá incluência em seu futuro governo. A BrOi é a P36 do Governo Lula sim, mais a P36 se chama Zé Dirceu.
vocês esqueceram que a telebràs vem ai ?? lula não da ponto sem nó. deixa o resto com dilma só assim pra concertar a lambança do psdb
Sim; e com o dinheiro dos trabalhadores (BNDES; CEF; BB; etc.). E começa tudo de novo, porque a roda da fortuna não pode parar. Eu já vi esse enredo.
Na verdade, caro Paulo Henrique, não se trata de clarividência.
Certas pessoas tem visão privilegiada, mente aguçada, inteligência acima da média.
Em outra palavras, enxergam longe.
A patranha já era prevista por vários jornalistas isentos, há muito.
Aí está.
Fazendo uma apologia, arrumei uma grande briga com alguns amigos quando disse, e escrevi, no início deste ano, que o Alonso ia dar um golpe e assumir a Ferrari.
Não era premunição.
Existem coisas que são lógicas.
Enquanto for presidente a Oi será uma empresa nacional
O presidente Lula disse, em entrevista coletiva no Palácio Itamaraty, após a visita do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que a Oi permanecerá sendo uma empresa nacional. Ele fez esta afirmação ao ser indagado sobre o processo de negociação envolvendo a operadora de telefonia e o grupo Portugal Telecom. No entanto, o presidente brasileiro explicou que o governo não pretende interferir nesta etapa dos entendimentos pois deve-se respeitar a soberania das empresas.
O que posso garantir é que enquanto for presidente a Oi será uma empresa nacional.
Texto na íntegra e áudio
http://blog.planalto.gov.br/enquanto-for-presidente-a-oi-sera-uma-empresa-nacional/
PHA,
Essa questão da AMBEV é maléfica, prejudicial e degradante das relações comerciais em qualquer economia. Pois antes da AMBEV tinha-se concorrência no mercado de cervejaria, com a instalação da AMBEV a concorrência morreu, com a seguinte agravante, a AMBEV conseguiu estabelecer o piso nacional da cerveja, ou seja, em todo território nacional a cerveja é tem o mesmo preço. Isso é, para dizer o mínimo, uma aberração, visto que como pode uma cerveja produzida em São Paulo que é um centro industrial, ter o mesmo preço de uma cidade do interior do nordeste?
Por oportuno, citei a cerveja, mas é óbvio que essa descarada falta de concorrência ocorre em todos os seguimentos da AMBEV como o refrigerente e outros produtos. Para registro, fiz um comentário sobre a falta de concorrência com a criação da AMBEV no blog do Nassif, o Nassif disse que havia recebido um telefone de um Diretor da AMBEV questionando a afirmação de que não havia concorrência, afirmando que entre as principais cervejas da AMBEV, quais sejam, Skol e Antártica era possível encontrar diferença de até R$ 0,20 (vinte centavos de real), isso é no mínino brincadeira de mau gosto, é brincar com a cara do consumudor.
Aberração? Não seja ingênuo. Quando duas ou mais empresas se unem é para eliminar a concorrência e elevar preços e não o contrário.
é pha, a merenda estragada do bndes, esta engordando alguem do ramo.
Uma vergonha que deve ser posta nas costas do Lula.
Nunca antes na história deste país houve ou haverá um defti nas transações correntes. Economia de colonizado
Só quero saber quando nós brasileiros vamos ser os colonizadores e não os colonizados.
Os Tucanos (em quem nunca votei ou votarei) pelo menos eram mais coerentes entre a prática e o discurso…
É a colonização, capítulo II, PH… Essa burguesia nacional só quer o filézinho. Trabalhar que é bom, esquece!!! Me pergunto como é que nenhuma empresa nacional se cadastrou ainda, para lucrar nesse mercado gigantesco de telecomunicações do BRASIL, e que está em franco crescimento. Depois eles vem falar da eficiência da iniciativa privada… Seria este, apenas outro mito da direita???
“O BRASIL DE VERDADE não passa na gLOBo – O que passa na glOBoé um braZil para TOLOS”
Parece “remake” de filme classe B.
Lula nega interferência no caso Portugal Telecom e Oi
Karla Mendes – 28/07/2010 – 16:55 http://www.hojeemdia.com.br
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que o governo brasileiro não teve nenhuma interferência sobre as negociações da Portugal Telecom na compra de participação na Oi. O presidente frisou que Brasil e Portugal são “dois países soberanos”, que podem negociar entre eles participação em empresas.
O presidente ressaltou, porém, que a entrada dos portugueses no capital da Oi não faz com que a operadora deixe de ser uma empresa nacional. “Vai ser uma empresa nacional”, disse Lula após almoço com o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no Itamaraty. Lula citou o exemplo da Petrobras e da Vale, que têm investidores estrangeiros e continuam sendo empresas brasileiras.
Questionado se espanhóis ou os mexicanos teriam o mesmo tratamento para possível compra de participação na Oi, Lula confirmou que sim, que teriam o mesmo tratamento. “Se fossem espanhóis, mexicanos ou franceses, seria a mesma coisa”. O presidente observou, no entanto, que desconhece qualquer tentativa de entrada na Oi por outros grupos estrangeiros.
“Vai ser uma empresa nacional”. Discordo totalmente. O capital não tem pátria e nem ideologia.
Prezado PHA,
para entender porque quando se junta um Matarazzo com um Klabin não (não) dá uma Esso é fundamental ler a teoria da revolução permanente de Leon Trotsk.
Não entendo muito bem desta canalhice toda, mas sei que quem perde, ah, com certeza, somos nós cidadãos, que continuaremos a pagar um serviço caro e de baixa qualidade.
Fala sério…
“Matarazzo e Klabin: banha embrulhada em papelão”…
Muito boa!
Esse PHA…
Conclui-se que BROi e “PTeleco”: “telefonia de tamancos”
BrTchau. PtOi.
Acho que vou dizer um segredo, torço que a portugal telecon fique dono e cria-se uma estatal para concorrer com ela.