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Policial leva a PEC 241 para casa

Calem a boca dessas crianças!
publicado 02/11/2016
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O Conversa Afiada recebeu e-mail e um artigo imperdíveis:

Conversando com alguns amigos, no trabalho, eles começaram a defender a PEC 241 repetindo velho argumento da economia familiar. Na hora, veio-me a ideia de fazer uma analogia que eles, talvez cegos pelo ódio induzido, não entenderam, fazendo comentários fora do contexto. Foi triste, mas foi engraçado. Aí eu resolvi colocar aquela analogia no texto em anexo.

Sou policial federal e, com profunda tristeza, percebo uma incapacidade assustadora, em grande parte da corporação, de compreender a realidade além da versão posta nos veículos ditos tradicionais. E mais assustador ainda é ver que este perfil é refletido em grande parte dos outros setores das classes média e média alta.

O maior erro, acredito, do governo PT, principalmente Lula, foi não tentar mudar esta grave situação. Né não?

***

De tão absurda a justificativa para a PEC 241, nem na analogia familiar ela encontra esteio. Se não vejamos: Uma família tem renda de mil. Com despesa primária, ela paga seiscentos. Isto inclui educação dos filhos, saúde, transporte, alimentação, luz e água.

Além disso, ela tem uma terrinha com uma fonte quase inesgotável de água doce, muita fertilidade, umas reservas de urânio, petróleo, ferro, manganês, ouro, diamante, etc. Uma riqueza. E sem cataclismos naturais, guerra civil ou ameaça terrorista. Uma terra bem tranquila. O que resultaria em, fora toda aquela riqueza natural, uma sobra de quatrocentos para algum tipo de investimento ou gasto. Resultaria.

Acontece que, há alguns anos, seus ascendentes solicitaram empréstimos para algumas melhorias naquela terrinha. O ‘banco’, percebendo a ‘ingenuidade’, proporcional à disponibilidade de lastro, dos solicitantes, aproveitou para embutir um monte de produtos que encareceram, desnecessariamente e criminosamente, o negócio. E, a despeito de todas as garantias que traz o superávit primário de quatrocentos, e, claro, de toda dádiva naquele torrão, se cobra uma taxa de juro tão absurda neste empréstimo, que obriga aquela família a arcar com uma prestação de quinhentos. Assim, recorrentemente, ela fica com um déficit nominal de cem.

Aí, um belo dia, malandramente, o ‘banco’, reunido com os chefes daquela família, faz a proposta desumana: “Vocês vendem todo o petróleo, ferro, urânio, água doce que há na terrinha. Como terão que fazer um bom abatimento, dada à situação de recessão, não resolverá o problema da dívida. Mas vocês podem, olhem só a ‘sacada’, tirar alguns dos seus filhos da ‘escola’, abandonar o ‘plano de saúde’ de outros, quem sabe de seus pais e sogros, reduzir consumo de água e luz, e, claro, readequar o ‘cardápio’. Assim, o orçamento de vocês reduzirá para algo entorno de quatrocentos, dando um superávit nominal de cem. Não é uma maravilha?”

Os pais, ‘emocionados’, já faziam menção de concordar, quando umas das crianças, que acompanhava a reunião, questionou: “Peraí! Se nós temos tantas garantias, por que esta taxa de juro tão absurda? Por que não readequamos esta taxa para algo minimamente civilizado, fazendo com que esta prestação caia para algo entorno de trezentos e cinquenta, garantindo uma sobra de cinquenta, e controlando o volume da dívida sem condenar nenhum de nós à ‘morte’ ou ‘ignorância’?”

Os pais, meio que aturdidos, ouvem a voz, meio que contrariada, meio que agressiva, do ‘banco’: “Ponham estas crianças pra fora! Isto aqui não é pra ser questionado! Principalmente por criança! Ou vocês fazem os cortes e ajustes que nós determinamos até o fim do ano, ou nós arranjamos outros pais para estas crianças! Entendido?”

E assim, aqueles pais, com pavor de perder a chefia daquela família, e sabendo que outros ‘candidatos’ salivam aguardando a vez, inexoravelmente, subjugam-se. Né não?

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