Brasil

Você está aqui: Página Inicial / Brasil / Esmael: quem financia as manifestações golpistas?

Esmael: quem financia as manifestações golpistas?

Nem Rolling Stones tem o aparato de som e propaganda dos golpistas em Curitiba
publicado 18/03/2016
Comments
esmael

O Conversa Afiada reproduz artigo de Esmael Morais, extraído do Blog do Esmael:


Dinheiro suspeito (caixa 2) financia manifestações de golpistas no país

Na noite desta quinta-feira (17) o DataEsmael contou cerca de 300 pessoas vestidas de “camisas amarelas” se concentrando em frente à Praça do Homem Nu, centro de Curitiba, em apoio ao juiz Sérgio Moro e o golpe contra a democracia – que eles também denominam de impeachment da presidente Dilma e contra a posse do ministro Lula na Casa Civil.

O que chamou a atenção não foi o fiasco de mais uma manifestação dos “camisas amarelas” – em alusão aos “camisas negras” das jornadas fascistas –, mas sim a estrutura de mobilização que os poucos gatos-pingados tinham e têm à sua disposição para lutar contra o governo democraticamente eleito. Nem o show do Rolling Stones possuía aparato de som e propaganda que dispõem os golpistas na capital paranaense ou “Capital da Lava Jato” como eles se orgulham nas redes sociais.

Dinheiro de caixa dois? De onde vem a bufunfa que patrocina os golpistas? A grana vem do estrangeiro? Podem eles utilizar verbas de origem duvidosa para supostamente combater criminosos, a exemplo de grampos ilegais para punir supostos crimes? Evidentemente que não, mas nesses tempos de fascismos tudo pode e [quase] tudo é acobertado pela carcomida mídia golpista.

Não há a quem recorrer para pedir investigação sobre a origem do dinheiro dos golpistas, pois eles se uniram à mídia e aos juízes que, aliás, ontem à tarde, em Curitiba, realizaram comício em frente à Justiça Federal em defesa da Lava Jato.

Parte dessa turma que organiza o movimento e grita “fora, Dilma” é composta de gente que tem problema na Justiça; outra é ligada a movimentos extremistas, fundamentalistas, com direito a financiamento público por meio de uma organização criminosa chamada “Tenda Digital” – da qual os leitores do Blog do Esmael já estão de saco cheio de tanto ouvir falar.

Mas os juízes estão atrás de um “mal maior”, que seria prender Lula e derrubar Dilma; possivelmente sonhem instituir uma “ditadura-jurídica-policial” para eles mesmos, haja vista o enfraquecimento dos partidos políticos.

Esse ativismo judicial da magistratura tem como objetivo a derrubada do governo constitucional, a tomada do poder, e nada a ver com democracia. Até mesmo o jornal Folha de S. Paulo, em editorial, na edição de hoje, vê excessos do juiz Sérgio Moro: “… não pode avançar à revelia das garantias individuais e das leis em vigor no país”, diz o jornalão dos Frias, que sabe do que fala porque na década de 60 apoio o golpe que resultou numa ditadura militar de 21 anos.

Abaixo, leia a íntegra do editorial da Folha:

Protagonismo perigoso

“Em momentos de crispação nas ruas como estes que o Brasil conhece, nada mais importante que dispor de instituições sólidas e equilibradas, capazes de moderar o natural ímpeto das manifestações e oferecer respostas seguras dentro de um quadro de legalidade.

Preocupam, por isso, os sinais de excesso que nos últimos dias partem do Judiciário, precisamente o Poder do qual se esperam as atitudes mais serenas e ponderadas.

Não se trata de relativizar o peso das notícias acerca da Operação Lava Jato, ou de minimizar o efeito político e jurídico das gravações telefônicas divulgadas nesta semana.

O imperioso combate à corrupção, entretanto, não pode avançar à revelia das garantias individuais e das leis em vigor no país. Tal lembrança deveria ser desnecessária num Estado democrático de Direito, mas ela se torna relevante diante de recentes atitudes do juiz federal Sergio Moro, em geral cioso de seus deveres e limites.

Talvez contaminado pela popularidade adquirida entre os que protestam contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), Moro despiu-se da toga e fez o povo brasileiro saber que se sentia “tocado pelo apoio às investigações”.

Ocorre que as investigações não são conduzidas pelo magistrado. A este compete julgar os fatos que lhe forem apresentados, manifestando-se nos autos com a imparcialidade que o cargo exige.

Demonstrando temerária incursão pelo cálculo político, resolveu assumir de vez o protagonismo na crise ao levantar o sigilo de conversas telefônicas de Lula (PT) bem no momento em que o ex-presidente se preparava para assumir a Casa Civil.

Por repulsiva que seja a estratégia petista de esconder o ex-presidente na Esplanada, não cabe a um magistrado ignorar ritos legais a fim de interromper o que sem dúvida representa um mal maior. Pois foi o que fez Moro ao franquear a todos o acesso às interceptações e transcrições que, como regra, devem ser preservadas sob sigilo.

Ao justificar a decisão, Moro argumenta de maneira contraditória. Sustenta que o caso, por envolver autoridades com foro privilegiado, deve ser remetido ao Supremo Tribunal Federal, mas tira da corte a possibilidade de deliberar sobre o sigilo das interceptações.

Pior, a lei que regula o tema é clara: “A gravação que não interessar à prova será inutilizada”. Quem ouviu as conversas de Lula pôde perceber que muitas delas eram absolutamente irrelevantes para qualquer acusação criminal. Por que, então, foram divulgadas?

Ademais, a conversa entre Lula e Dilma ocorreu depois que o próprio Moro havia mandado ser interrompida a escuta. Acerca disso o juiz a princípio não se pronuncia.

É sem dúvida importante que a população saiba o que se passa nas sombras do poder. Daí não decorre, obviamente, que os juízes possam dar de ombros para as leis. Mais do que nunca, o exemplo deve partir do Poder Judiciário –sua eventual desmoralização é o pior que pode acontecer”.