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Jango foi assassinado no Governo Geisel

Médici matou, Geisel enterrou os ossos.
publicado 19/03/2013
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Saiu na Folha (*):

Ministra crê que Jango tenha sido morto



DE PORTO ALEGRE

A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) disse ontem ser muito clara a possibilidade de que o presidente João Goulart (1961-1964) tenha sido assassinado em seu exílio na Argentina, em 1976.

Rosário fez a declaração em audiência da Comissão Nacional da Verdade em Porto Alegre e defendeu que o caso seja apurado "a fundo".

Oficialmente, Goulart, deposto no golpe de 1964, morreu de ataque cardíaco. A família diz acreditar que ele tenha sido envenenado.

"Há indícios que não podem ser desconhecidos da responsabilidade da Operação Condor [aliança entre ditaduras da América do Sul] com aquilo que não podemos fechar os olhos, que é a possibilidade muito clara de que o presidente João Goulart tenha sido assassinado", disse.



Na mesma linha, a advogada criminalista Rosa Cardoso, da Comissão da Verdade, e que defendeu a prisioneira Dilma Rousseff, considera que há indícios fortes de assassinato:

Advogada aponta indícios de assassinato de Jango pela ditadura


Integrante da Comissão Nacional da Verdade (CNV), a advogada criminalista Rosa Cardoso disse hoje que os "indícios concludentes" de que o ex-presidente João Goulart, deposto pelo golpe de 1964, foi vigiado no exílio pela "Operação Condor" (uma aliança entre as ditaduras do Cone Sul nos anos 1970 para perseguir os opositores dos regimes militares da região), sugerem também que ele pode ter sido assassinado por ordem da ditadura brasileira. Rosa participou hoje de audiência pública realizada em Porto Alegre.

(...)

Navalha

No espaço de nove meses entre 1976 e 1977 do Governo Geisel morreram, na ordem e em circunstâncias estranhas, Juscelino, Jango e Lacerda, que articulavam uma Frente Ampla para substituir os militares no poder desde 1964.

Dezoito – DEZOITO ! - pessoas ligadas a Jango e à morte dele morreram do mesmo “ataque cardíaco”.

Como se sabe, foi o Brasil que inaugurou a Operação Condor, com o sequestro do Coronel Jefferson Cardim, no Governo Geisel, como demonstrou reportagem de Wagner William, em Os Brasileiros.

Da mesma forma, o livro “Vala clandestina de Perus – desaparecidos políticos, um capítulo não encerrado da história brasileira”, do Instituto Macuco, do Projeto Memória, do Ministério da Justiça, deixa claro que houve uma divisão de tarefas no regime militar:

– Médici matou;

– Geisel enterrou os ossos.

Sem cadáver não há crime.

Porém, quando os cinemas brasileiros puderem exibir o impecável documentário “Dossiê Jango”, de Paulo Henrique Fontenelle, com a ajuda de Roberto Farias e Paulo Mendonça, no argumento e no roteiro (excelentes !), ficará claro que o Governo Geisel teria mandado matar também.

Teria mandado o delegado Fleury executar Jango na Argentina, com a ajuda da Operação Condor (e, portanto, dos “químicos” dos Estados Unidos).

Segundo o depoimento de um uruguaio – que deu informações plenamente confirmadas –, Jango foi envenenado com um “remédio” para o coração preparado pela CIA.

Dramático nessa história é que o Ministério Público da Argentina deverá exumar o corpo, investigar e esclarecer de que morreu Jango antes que o Governo brasileiro faça qualquer coisa !!!

Tão vergonhoso quanto isso é o Historialismo brasileiro – não é História nem Jornalismo – disseminar a crença de que Geisel e Golbery são o Washington e o Thomas Jefferson, Pais Fundadores da Democracia no Brasil.

Geisel e Golbery fizeram a “revolução” para evitar o Golpe (que nunca houve) do Jango e instalaram a democracia quando bem entenderam.

Como se sabe, segundo um desses notáveis historialistas, Jango merecia cair porque gostava de pernas – de cavalos e de coristas ...

Viva o Brasil !

 




Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.