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CPI: Cardozo e
PF fogem da raia

Posted By redacao On 13 de junho de 2012 @ 14:08 In Brasil | 57 Comments

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O amigo navegante deve ter percebido que o Ministro da Justiça Zé Cardozo – clique aqui para ver [2] por que os amigos do Daniel Dantas o chamam, carinhosamente de “Zé” – não sai em defesa da Polícia Federal, quando ela sofre um ataque tão grave quanto o do Desembargador Tourinho [3]: trabalhar com “meros indícios”.

O chefe da Polícia Federal deixa seus profissionais expostos ao sol e à chuva, sem proteção institucional.

Mas, convenhamos, amigo navegante, a Polícia Federal tem feito um trabalho que merece críticas: a Polícia Federal foge da raia.

O material que ela enviou ao Supremo e, agora, está na CPI, é deliberadamente (não pode ser outra a interpretação) confuso, caótico, opaco e, portanto, inútil.

Mais grave: as lacunas fazem supor, até, o interesse de proteger (“acobertar” seria uma palavra impensável), confundir, ou, quem sabe ? , dificultar o acesso às informações obtidas.

Senão, vejamos o que um atento analista do material da Polícia Federal informou a este Conversa Afiada:   

“Ao ler os relatórios da Operação Monte Carlo – nos autos do processo 13279-78.2011.01.3500 – é possível notar um curioso modus operandi nas investigações da Polícia Federal.

Um trabalho de mostra e esconde.

São centenas de interceptações telefônicas em 6 volumes, algo em torno de 1500 páginas.

Conversas que aparecem nos chamados “encontros fortuitos”, onde Demóstenes, Leréia, Sandes Junior, Policarpo e assemelhados são apanhados na intimidade do chefe da organização criminosa, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

(Embora o Collor tenha dito [4] que o chefe da operação criminosa, na verdade, era do diretor da Veja em Brasiia, o Policarpo.)

A maioria das conversas é transcrita integralmente.

Outras são resumidas, em que o dialogo é apenas descrito.

A PF descreve o assunto que foi tratado.

Esses resumos acabam, de forma abrupta, por esconder informações importantes.

É o caso, por exemplo, de uma conversa entre Jairo Martins, o “personal araponga” de Carlinhos Cachoeira, com o seu chefe:

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A notícia a que os dois se referem é essa aqui:

Medo de espionagem leva até STF a pagar agentes [6]

O repórter Vannildo Mendes, do Estadão, foi um dos primeiros a divulgar que Jairo Martins prestava serviços como “personal araponga” – expressão usada pelo próprio repórter – também para o então presidente do Supremo, Gilmar Mendes.

Não seria interessante conhecer na integralidade as experiências profissionais de Jairo Martins?

Por que a PF não foi adiante?

Outro expediente do relatório da PF é a “censura” a escutas telefônicas.

É o caso de uma repórter da Folha em busca de informações sobre a Delta no Centro-Oeste.

A notícia de que a Folha estaria interessada nas atividades da Delta apavorou Cláudio Abreu, diretor da Delta, que passou desesperadamente, com Cachoeira, a procurar o nome da repórter.

Primeiro, Cláudio afirma que tem influência sobre a Folha. Em seguida, pergunta a Cachoeira se ele não poderia fazer com a Folha “o mesmo” que fez com a Veja. Contudo, o desfecho da história parece não ter interessado à PF.

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As ligações terminam aí, sem esclarecer o acontecido. E o nome da repórter permanece um mistério.

A PF subitamente, “gira a pauta” e passa a relatar diálogos grampeados de outros investigados.

Outro mistério que o relatório da PF contém é o real significado da frase “uma gelada no Gurgel”.

A história, que foi reproduzida no Conversa Afiada, é outro exemplo de abrupta quebra da sequência das interceptações.

O que é “uma gelada no Gurgel” ? [10]

Navalha

O Conversa Afiada está longe de imaginar que a Polícia Federal, deliberadamente, quisesse submeter o Ministro Ricardo Lewandowski e os mebros da CPMI ao trabalho hercúleo de abrir, eles mesmos, as interceptações em 1.500 páginas, até chegar ao crime organizado.

O Conversa Afiada não ousaria sequer imaginar essa possilibidade: algo como “virem-se”!

Este mesmo amigo navegante informa que, se você digitar o nome “Policarpo Júnior” nos diversos apensos enviados ao Supremo e à CPMI, será impossível localizar o teor das 200 ligações entre o supra citado “repórter” e o Carlinhos Cachoeira.

Será que a Polícia Federal precisaria da colaboração de um arquivista profissional, com “expertise” em informática?

Não, o Conversa Afiada não ousa imaginar essa deficiência na instituição que o Ministro da Justiça protege com o seu imaculado peso institucional.

 




Paulo Henrique Amorim





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[2] clique aqui para ver: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/12/29/ministro-da-dilma-defendeu-dantas-no-mpf-e-com-a-turma-do-berlusconi/

[3] o do Desembargador Tourinho: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/06/13/desembargador-tourinho-um-campeao-da-democracia/

[4] Collor tenha dito: http://www.conversaafiada.com.br/video/2012/05/29/60017/

[5] Image: http://www.conversaafiada.com.br/wp-content/uploads/2012/06/JairoXCachoeira.png

[6] Medo de espionagem leva até STF a pagar agentes: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,medo-de-espionagem-leva-ate-stf-a-pagar-agentews,713189,0.htm

[7] Image: http://www.conversaafiada.com.br/wp-content/uploads/2012/06/FOLHA-II.png

[8] Image: http://www.conversaafiada.com.br/wp-content/uploads/2012/06/FOLHA-IV.png

[9] Image: http://www.conversaafiada.com.br/wp-content/uploads/2012/06/FOLHA-VI.png

[10] O que é “uma gelada no Gurgel” ?: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/06/04/o-que-e-uma-gelada-no-gurgel/

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