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Se o Sírio Libanês fosse francês

Conto a amigo navegante francês que um hospital particular se tornou peça central na sucessão da Presidenta Dilma.
publicado 26/12/2011
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Conto a amigo navegante francês que um hospital particular de São Paulo, o Sírio Libanês, se tornou peça central na sucessão da Presidenta Dilma.

Conto que a Rede Globo e a Folha (*) têm “inside information", acesso privilegiado a informações sigilosas de pacientes com câncer.

Especialmente da Presidenta, Dilma Rousseff, e seu antecessor, Luis Inácio Lula da Silva.

- Acesso, como ?

Pergunta ele, perplexo.

- Através de vazamentos.

- Como, vazamentos ?

- “Leaks”, uso a palavra inglesa.

- “Leaks” de dentro do hospital para a mídia ?, continua ele, incrédulo.

- Sim, e não é para qualquer mídia.

É para campeões do PiG (**), a Folha e a Globo.

(Tento dar breve explicação sobre o que significa “PiG” em português.)

Explico que um dos mais notáveis colonistas (***) do PiG chegou a dizer que a sucessão da Dilma será decidida no Sírio.

O meu amigo francês não consegue conter a estupefação.

Conto que uma seção da Folha, que se intitula “Ilustrada”, mas não tem ilustres nem ilustrações, publica boletins não-oficiais, atribuídos à "equipe médica” de Lula, e é possível acompanhar quase diariamente a oscilação do estado de espirito e as atribulações físicas do paciente de quimioterapia.

Incroyable !, brada o amigo francês.”

Nesta segunda-feira, por exemplo, notável colonista da Ilustrada diz que “nas primeiras semanas” (sic) de janeiro (devem ser cinco, seis primeiras semanas, não, amigo navegante ?) Lula vai sofrer o pão que o Diabo amassou.

O amigo francês só não manifesta a perplexidade com mais interjeições para poupar o interlocutor do sentimento da vergonha.

E resolve contar uma história.

O presidente François Mitterrand teve um câncer de próstata.

Quem dele tratou e o operou foi o Urologista Bernard Debré.

Debré era médico e deputado pelo partido conservador, a UMP, o partido de Chirac e Sarkozy.

Debré era filho de Michel Debré, que foi ministro de De Gaulle.

Ninguém soube que o presidente tinha um câncer nem que tinha sido operado.

Desconfiava-se, porque ele começou a ficar inchado, com a cortisona.

Mitterrand morreu deste câncer na próstata e a doença só se tornou pública quando ele estava no fim da vida.

E pode exercer a presidência em sua plenitude

Pergunto ao amigo francês o que aconteceria se o Sírio Libanês fosse francês.

Seria fechado, respondeu ele.

Quem iria se tratar num hospital que “vaza” ?, perguntou ele em português.


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(***) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.