Como se sabe, mesmo na ritualística sabatina do Senado, quase que Fernando Henrique não consegue emplacar a indicação de sua mais desastrada herança: Gilmar Dantas (*).
Foi uma votação apertada – o que foi uma excepcionalidade, como tudo na carreira do ex-Supremo.
Agora, o mestre Joaquim Falcão, que deveria ter ido para o Supremo, dá uma Aula Magna aos Senadores.
O que senadores deveriam perguntar aos indicados para o Supremo.
Perguntas que o ex-Supremo Presidente Supremo não respondeu.
A sociedade quer perguntar
JOAQUIM FALCÃO, DIEGO WERNECK ARGUELHES e PEDRO VIEIRA ABRAMOVAY
O Senado Federal pode inovar a democracia e construir, de maneira colaborativa, uma pauta de perguntas que se faria a todo candidato ao STF
A presidenta Dilma indicou a ministra Rosa Weber, do TST, para a vaga de Ellen Gracie no Supremo.
O próximo passo é a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Oportunidade para valorizar o potencial democrático do Senado no equilíbrio dos poderes.
O Senado pode inovar a democracia. Construir de forma colaborativa, com mídia, redes sociais, universidades e associações, uma pauta de perguntas que se faria a todo candidato ao Supremo.
Em geral, as sabatinas são diplomáticas, sem ativa participação da sociedade civil. Quando não desfilam elogios, procuram saber como o candidato vai votar no futuro.
Querem que o candidato antecipe o voto. Como vai votar no mensalão? Na questão da interrupção da gravidez de fetos com anencefalia? Como votaria quanto aos royalties do pré-sal?
Sabatinas adivinhatórias.
Tarefa inglória. O futuro ministro, por dever de imparcialidade, não pode antecipar seus futuros votos. Dará respostas polidamente enigmáticas. Tem que ser assim.
Na sabatina democrática que propomos, porém, não se trata de comprometer o futuro do candidato por meio de uma sutil negociação: se votar assim, então aprovamos.
Trata-se de esclarecer o passado da pessoa indicada, permitindo que se avalie o sentido ético-político da indicação. Quais seriam as partes -sobretudo empresas, escritórios de advocacia e interesses de governos- que a candidata se sentiria suspeita para julgar imparcialmente? Qual a filiação política, atividades ou causas políticas que abraçou no correr de sua vida?
Qual o histórico da sua vida associativa? Sua declaração de bens? Tem parentes no setor público? A ministra Rosa Weber, como juíza, tem cumprido as metas de produtividade do CNJ?
Responder, antes da sabatina, a perguntas sobre seu passado é prática nos EUA. A então juíza Sonia Sotomayor, indicada para a Suprema Corte em 2009 por Barack Obama, teve que responder, por escrito, a questões bastante precisas sobre sua vida profissional.
Como Sotomayor fora advogada, pediu-se a relação de todos os seus clientes. E, como depois fora juíza, pediu-se também o resumo dos principais casos que julgou, incluindo todos os que foram à Suprema Corte. Poderia servir de inspiração a nossos senadores.
Há dois tipos de controle democrático sobre o STF.
O primeiro acontece no debate público sobre as decisões. De jornais a redes sociais (o STF tem se tornado um dos assuntos mais comentados do Twitter), a discussão feita pela academia e pela sociedade antes, durante e depois dos julgamentos -impulsionada pela transmissão ao vivo- está se consolidando como prática. Reflete saudável participação democrática no processo decisório do STF.
O segundo controle é mais institucionalizado. Tem sido menos efetivo. Trata-se deste controle prévio sobre a vida e as ideias dos indicados pela Presidência. É necessário criar uma cultura jurídico-política em que a sociedade tenha perfeita consciência de quem é a pessoa indicada. É hora de mudar o hábito das discretas sabatinas. Escapar da cultura da opacidade, que limita o potencial democrático do Supremo.
Nessa pauta permanente de perguntas públicas que exigem respostas públicas e prévias, poderíamos inclusive ter uma pergunta também inspirada no processo americano.
Com que pessoas a indicada se encontrou especificamente para os fins relativos às indicações para seus cargos anteriores na magistratura? E para a atual indicação para o STF? Essas perguntas servem para legitimar o futuro ministro e dignificar a democracia.
JOAQUIM FALCÃO, mestre em direito pela Universidade Harvard (EUA) e doutor em educação pela Universidade de Genebra (Suíça), é professor de direito constitucional e diretor da Escola de Direito da do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas (FGV Direito Rio). Foi membro do Conselho Nacional de Justiça.
DIEGO WERNECK ARGUELHES e PEDRO VIEIRA ABRAMOVAY são professores da Escola de Direito da FGV Direito Rio.
(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.



Joaquim, Diego e Pedro poderiam também pedir para as OAbs contribuírem com a democracia. Afinal, qual a utilidade democrática dessas ordens?
Não vejo um movimento organizado em nome da democracia por aqueles que em tese têm um conhecimento maior das leis e da justiça. Não sou estudante de Direito nem frequento o meio jurídico, mas como cidadão comum percebo uma certa paralisia desses profissionais e estudantes que poderiam contribuir mais com a nossa democracia. Sei que há muito o Direito deixou de ser vocação ou ambiente para aqueles desejosos de mais justiça social e transformou-se em escada para concursos.
Se o Gilmar responder, está assinando a propria condenação.
Pra que serve mesmo essa leiteria holandesa? Para nos causar prejuízo é certo e, também, para querer mais. E o quê mais?
Mobilaizaçãp popular para que este processo de escolha seja instituído…=^)
No Brasil, o unico patrao a quem nao dao satisfaçao alguma, é a populaçao. Alimenta e nutre todo o sistema, financeiramente falando, elege os representantes do legislativo e do executivo que sao julgados, assim como nós,por aqueles que, alem de nao ter sido eleito diretamente pela gente, nao temos o direito de sabatinar para saber quem sao, o que vao fazer com a gente, etc., e nem sequer sabemos, ao vivo e na integra, como foi feito. Elegemos o presidente e este INDICA quem vai para o supremo, e o senado aprova ou nao, mas isto nao quer dizer que pode ir qualquer um e muito menos sem sabermos como foi feito pra ir. Que maravilha!!!!
pam param pampam pam pam paaaaammm…
pam param pampam pam pam paaaaammm…
pam param pampam pararam pampampam…
ding ding ding…
tum!!!!!!
Hoje no programa do Rô temos… nossa “querida” Urubologa… Jatinho porque posso… eee… aliii kamell com seu mais novo livro, nós não somos racistas…
UM BEJO DO GORDO!!!
Pô, que mau gosto! Pra quê estragar a festa que tem sido essa sabatina feita pelo Senado? Na da substituída Helen Gracie, o que mais se viu foi elogios à sua aparência. Não é uma beleza?
Concordo plenamente com o professor. Alguma coisa precisa ser feita para melhorar o nível de nossos juízes e de nossa justiça, tão aviltada, coitada. A coisa “tá feia… Detesto trazer isso a “BÁLIA” (Seja lá o que for isso), mas a coisa está horrorosa… Em matéria de Justiça, estamos num mato sem cachorro.
“O BRASIL PARA TODOS não passa na glObo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS”
Pensei que era o Jô soares em algum papel; engraçado!.
Tá na hora de FECHAR o STF!!!
Reforma JUDICIÁRIA já!!!!!!!!!
Também pudera! Qualquer coisa saindo das mãos dos tunganos, com o máximo de boa vontade e otimismo, noventa e cinco por cento não presta, não vale nada.
Um senado composto, em sua maioria, de bandidos, vai escolher alguém honesto (e corajoso) para o supremo?
Antes disso, cabe à população tirar esses caras do senado nas eleições, ou tocar fogo no circo.
Muito bom, mas a pergunta que a maioria dos parlamentares gostaria de fazer é: “se eu for processado, V. Excia. me concederá um habeas corpus?”
E esta basta Paulo, tem razão, acho que nos bastidores eles até perguntam ou até negociam, não fosse assim o Gilmar “Dantas” não conseguiria ser nem advogado de porta de cadeia.
Excelente a orientação dos 3 Mestres, mas isso não funciona no Brasil. 1- Seria considerado invasão de privacidade, coerção à liberdade individual e até bisbilhotice! 2- Se funcionasse, quase nenhum candidato preencheria os requisitos para tão alto cargo. Esquecem que aqui é o Patropi? É uma triste constatação.
isso é piada, né não, de que as sabatinas buscam que o indicado se antecipe antes de ser referendado como ministro?
esse país…
o brasil só não entra em conflito porque, ainda, é abundante…
não à divisão dos royalties (royal ties? – eu desconfio que ainda enriquecemos a inglaterra com os nosso ouros)!
Vcs estão querendo seriedade demais na indicação para o STF!
O negócio é mesmo fazer uma cena e mandar prá lá alguém que possa perpetuar o “status quo”. Quem quer um Judiciário de verdade ? Não devem chegar a 1% da população estes.
Se Gilmar tivesse que responder a qualquer pergunta sobre ele mesmo, levaria “bomba”. A herança maldita de FHC, foi maior do que pensávamos!!!
Belíssimo artigo do Mestre Joaquim Falcão!
Olha o PHA querendo comprometer os senadores…ora, eles por acaso irão colocar no STF alguém que irá lhes incomodar?Afinal não é o STF que tem poder para julgar esta corja… perder tempo em querer moralizar a sabatina feita pelos senadores.
incluiria ai também, mandato de no maximo 4 anos, sem reconducão……agora, se assim fosse, dos que estão lá, jamais tomariam posse, a sua maioria.
reinaldo carletti
O nosso querido Rô Soares!