Sábado, 25 de Maio de 2013

Publicado em 31/10/2011

Quero salvar a USP para a minha filha

Quero salvar a USP para a minha filha

 

Flagrante da política tucana para a USP



O Conversa Afiada reproduz e-mail que recebeu do amigo navegante Rodrigo:



 

Paulo, bom dia!


Cresci na USP, lá eu ia junto dos meus amigos ainda criança, de bicicleta, munido de varas de pescar para “atacar” o lago que fica na Biologia.


Nesses tempos, a USP era totalmente aberta, as pessoas jogavam bola nos espaços livres, andavam de bicicleta.


No bosque havia rampas de “cross”, as pessoas faziam piquenique e a utilização do campus como parque era a apropriação de uma entidade pública pela sociedade.


Com lideranças de diversas tendências partidárias, a USP foi aos poucos sendo fechada e o campus foi suprimido da sociedade.


Os argumentos eram vários: desde a falta de verba para cuidar dos próprios públicos até a segurança (apesar de, na época, haver um número muito inferior de casos de criminalidade).


Escutei de pessoas muito próximas que a favela do entorno só causa problemas, que o aluno foi morto dentro da USP etc.


Aí perguntei por que o pessoal da favela sentiria raiva da USP.


A favela dali parece muito com a que vivia no Pelourinho, onde a população, quando houve a restauração, foi jogada atrás de um muro de contenção de seres humanos.


Também sinto raiva da USP.


Raiva por estar fechada.


Raiva da reitoria – a anterior – ao argumentar que as bicicletas atrapalhavam o trânsito, e, por isso, suprimiram um bem coletivo a que tinham acesso pessoas comuns.


Houve tentativas de privatização de vagas.


E houve o preencimento de vagas em grande parte pela elite de escolas particulares – o que também não me agrada.


Agora, e quem não foi estudante? Quem não conhece (de verdade) as drogas, as bebedeiras, etc, nem manteve contato com universitários ?


Me parece que, excluindo os mais grosseiros, que não merecem resposta, a sociedade não não quer uma sociedade pasteurizada, nem teme os questionamentos dos mais jovens.


Ainda mais que se trata de uma faculdade de ciências humanas.


A eles não caberia questionar ?


Quanto aos policiais envolvidos, também são vítimas das políticas de tras de mesa e não são o foco do problema.


O problema é a política que os colocou lá.


Tenho uma filha, muito nova ainda para estar na faculdade.


Espero e incentivo para que ela questione, que ela não seja pasteurizada.


Só assim acredito que ela poderá escapar, inclusive, das drogas.


Rodrigo Frateschi

Comentários

  • Urbano

    Vai ter que combinar com um magote de lesados…

  • Francisco

    Aqui em Piracicaba não é diferente, ao contrario de 15 anos atras, não podemos andar de bicicleta e a USP chegou ao limite de usurpar terreno publico, pois cercou todo o trevo de acesso as entradas, colocndo uma guarita e impedindo que sequer vc estacione seu carro em RUA publica da cidade, a AV. Padua Dias foi tomada pela USP.

  • Guilherme

    Eu concordo que as universidades públicas devam ser um espaço aberto a toda a sociedade. Mas tendo estudado em uma federal do interior de minas, e estando agora na unicamp, sou obrigado a admitir a necessidade que há em um grau maior de proteção nas universidades em função do aumento da criminalidade em seu entorno. Estudantes – se não a maioria, grande parte – são pessoas que vem de fora, despreparadas e desacostumadas a violência. O processo de democratização das vagas nas universidades tem ampliado ainda mais o acesso de pessoas de cidades menores. Essas pessoas são as vitimas. Não quem já morava perto da universidade e conhece os problemas dali.
    Entretanto, fechar a universidade não resolve o problema dos estudantes, só transfere o problema para os arredores. Aqui em campinas, ao que parece, dentro da unicamp as ocorrências tem diminuído, mas nos bairros adjacentes onde os estudantes moram, as ocorrências tem aumentado muito.
    Falta plano, falta estrutura, falta comunicação e principalmente, falta vontade política para uma articulação que coíba a violência e o tráfico de forma organizada.

    • I.F.Neto

      Falta um outro governo para o estado de SP, não dá mais para negar que a coisa piorou muito nos últimos 17 anos. Tem que mudar. 2012 tái, 2014 tb. A campanha já começou. Muda SP.

  • Lucas

    Para escapar das drogas comece por não assistir a globo

  • sergio

    A USP dos tucanos é policialesca, talvez queiram privatizá-la, afinal SP tem o maior índice de privatização no ensino superior.

  • Francy Granjeiro

    Nem eu entendi…..terminei numa pública….[rsrs]

  • Regina Braga

    Acho que entendi…Tbém acredito que a UPS pode ser resgatada e aberta.Autonomia,já!!!

  • Parabéns pelo texto Rodrigo Frateschi, seu discurso assemelha-se muito ao da minha geração que esteve na Usp no meio dos anos 70/80, época em que também não éramos pasteurizados e nos integramos na luta contra a ditadura, contra o arbítrio, quanto ao autoritarismo de quem governa. A gestão do psdb reflete e muito nossa história recente de atraso político.

  • Roberto Niadi

    Fumar maconha é crime. Lugar de maconheiro é na cadeia.

  • Reg

    Fico com o ex reitor da UFRJ, que na década de 60, disse que para entrar na universidade só com o vestibular.
    Penso haver mais coisa por baixo desta briga dos universitários com a polícia.
    Portanto, em caso de dúvida, sempre ao lado dos estudantes.

  • pap

    A entidade usp se tornou uma “alphaville”.

    Só se tornará uma universidade pública de fato quando
    for para o centro da capital paulistana e o campus do
    butantã virar um centro de lazer e de preparação de atletas.

    Sim para os estudantes,professores, funcionários e para
    a população. Um não para a reitoria,para o psdb, o pig,
    o mundo corporativo,os politicos.

  • Alex

    Se a USP é atacada é por própria culpa, é ela que está afastada da sociendade, os (pseudo)intelectuais dos meios academicos acreditam que a sociedade não faz parte de seus lindo devaneios. Se a USP quer paz, leve a sociedade para dentro de suas dependencias, faça a sociedade entender que aquilo é um bem de todos, construido com dienheiro de todos e para uso de todos, assim será a sociedade a primeira a zelar pelas dependencias da USP.

  • jaques

    Interessante,

    Conheço muitas instituições públicas com a mesma mentalidade da USP. Fiquei horrorizado um dia quando fui a uma instituição de ensino e parecia uma penetenciária com câmeras por todos os lados. Fiquei com medo de ir entrar. As instituições públicas deveria tomar muito cuidado em fechar espaços ou torná-los eletistas. Uma pena como nosso país precisa crescer muito.

  • 'Lenir Vicente

    Os neolibelês da tucanalha ao invés de investir num sitema de segurança da própria Universidade prefere cha mar os truculentos da PM.É mais simples, econômico e eficás, na leitura fascista deles.Aqueles mesmo que trataram os professores com bombas de gás quando eles exigiam apenas melhores salários. Não eram estudantes fumadores de maconha, eram o corpo de elite que colocou a Universidades no ranking das melhores da América do Sul.É próprio dessa “elite”.Um espetáculo digno da ditadura.Pelo triste relato do sr.Rodrigo a USP não é uma escola onde se preze a Democracia.Lastimável!

  • Antonio

    Os tucanos acabam com tudo que não dê lucro a eles e que pode virar uma arma contra seu desmantelamento e usufruto do Estado. De onde eles podem arrancar dinheiro eles privatizam, terceirizam. O que favorece a Educação, a politização, o aprimoramento para o trabalho, eles destroem. A droga pode correr solta, pois ela aliena, despolitiza, desagrega. Para os demotucanos é bom. É bom para eles também ter um pedágio como o da Anchieta/Imigrantes, que custa R$ 20,10. Só um povo carneiro como o de SP não acaba com esse furto. Só um povo caolho como o de SP mantém esses sujeitos por tanto tempo arruinando e saqueando o Estado de SP.

  • Joao Barbosa

    Porque os alunos do, ensino médio (antigo segundo grau) Colegio “Professor Pardal”, lá no fundão de São Paulo, no Capão Redondo, não podem usufrir livremente os seus baseados.
    Porque a midia não cobre os “abusos” da puliça contra eles.
    A polícia aogra deu para bater só em mauricinho?
    Acabou a grotesca repressão sobre os usuários lá dos fundões de Sampa?

    Hipocrisia….esta palavra define a capital paulista!!!

    Portar drogras é crime!

    E enquanto assim for, a polícia terá o meu apoio no combate ao tráfico.

  • Lenna

    @Alexandre Bueno: Se é público, é de todos. Tem que impedir o uso incorreto. Mas não se pode impedir a utilização, oras, isso não devia ser uma alternativa.. Deviam encontrar outras soluções pra esse problema

  • Fred Azevedo

    Se os paulistas querem realmente salvar a USP é só parar de votar em tucano. Caso contrário, a tendência é piorar.

    Algo, natural para os tucanos; é aquele velho ditado: não há nada de ruim que não possa ser piorado…

  • Tiago Franco

    tudo muito legal, mas passo aqui só para lembrar que a FFLCH é um caso raríssimo onde se paralisaram as atividades para garantir direitos dos trabalhadores terceirizados de limpeza, em 2002 a FFLCH segurou sozinha uma greve de 6 meses para contratação de professores no auge da política de ajuste fiscal do governo tucano. A FFLCH é a única faculdade do campus Butantã que faz um grande festival (Osama bin Reggae) onde a juventude fora do campus é convidada a participar e não se cobra entrada (a despeito das proibições do Reitor)

    Não, não é a maconha, estúpido!

  • Esta é realmente uma questão preocupante: o distanciamento da universidade do povo em geral. O fato de a universidade ter estado a serviço da parcela da sociedade mais abastada, criou um fôsso gerador de segregação e talvez “ódio”. A reação contra o ENEM está no fundo desta questão. O povo menos favorecido (o pobre) que agora está tendo acesso facilitado à universidade melhora a auto estima do povo mas gera reações das elites. A abertura da Univ. à sociedade vai melhorar essa relação, espero.

  • Francy Lisboa

    Liberdade para se drogar não é um bom argumento na minha opinião.

    Brigar com a polícia pq ela está fazendo o trabalho dela? Coibir as drogas.

    Quem nunca viu corpos pulando em frente de sua casa não sabe o poder de destruição que a violência gerada pela venda de drogas provoca.

    Vivi nesse contexto e não quero saber de drogas e apoio quem, como eu, as combata.

  • Alexandre Bueno

    Nos tempos em que o “campus foi fechado” era estagiário da FAU e estudante de História da FFLCH. O que a pessoa em questão não conta é que todo fim de semana vidraças eram quebradas, bibliotecas e laboratórios furtados. Era comum chegarmos para o trabalho ou aula nas segundas e ver a equipe de manutenção trocando peças quebrads: Por outro lado, a conta de água de uma das unidades chegou a R$100 mil em um mês, pois as madames e similares que frequentavam o Campus utilizavam as torneiras dos prédios para dar banhos nos seus respectivos cachorros. Isso tudo com dinheiro do povo, claro.

    Que a USP é um espaço nobre e com alto potencial de lazer, isso ninguém nega. Que São Paulo carece de espaços como este, também não. No entanto, fato é que os prédios foram desenhados para serem abertos e, a partir do momento que a violência explodiu nas grandse metrópoles, o uso da USP para o lazer ficou inviável.

  • Bruce Guimarães

    Não entendi nada…Mas é lindo!!!

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