Redação Conversa Afiada

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Como Golbery assaltou a opinião pública para derrubar Jango

    Publicado em 28/09/2011
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O Conversa Afiada tem o prazer de publicar artigo do jornalista Luiz Cláudio Cunha, que trava polêmica com o neto do general, também conhecido, carinhosamente, como o “Feiticeiro”.

GOLBERY & COMISSÃO DA VERDADE

Histórias de tirar o sono


Por Luiz Cláudio Cunha em 27/09/2011 na edição 661


“Me sinto extremamente ofendido, com o artigo do Sr. Luiz Cláudio Cunha. Em parte pela infantilidade que entorta os fatos rumo ao que se deseja, ou seja: Demagogia. Em parte pela covardia de ofender o caráter de quem já não pode mais defender-se. Obrigado. (Golbery do Couto e Silva Neto, e-mail ao Observatório da Imprensa, 9/9/2011)

O sr. Golbery Neto, compreensivelmente, não gostou do que foi publicado neste Observatório (ver “Golbery: benfeitor em Rio Grande, malfeitor no Brasil“) sobre o avô. Gastou quatro linhas e 44 palavras, sem nenhum argumento, para tentar desqualificar um texto de 221 linhas e 2.552 palavras calcado em fatos e na ficha do general gaúcho, inventor do golpe de 1964 e prestes a ser homenageado com um monumento em sua terra natal, Rio Grande.


Quase nada se sabe do neto, que diz residir no Rio de Janeiro e se identifica profissionalmente como ‘internacionalista’, seja lá o que isso possa significar. Mas muito se sabe do avô, que, aliás, sabia muito mais. Sabia quase tudo sobre todos nós, como criador e chefe primeiro do SNI, o Serviço Nacional de Informações que bisbilhotava a vida dos brasileiros em geral, e dos opositores em particular. A vida pregressa de Golbery do Couto e Silva (1911-1987) ganhou súbita atualidade em agosto passado, com a desastrada ideia dos vereadores e do prefeito de Rio Grande (RS) de homenagear o general no mês do centenário de seu nascimento, cravando um monumento na praça central da cidade.


A oferenda sangrou como uma estaca na memória dos brasileiros, especialmente dos gaúchos, que justamente nesse agosto festejavam o cinquentenário da Campanha da Legalidade – o movimento popular de 1961 liderado pelo governador Leonel Brizola em defesa da posse de João Goulart na presidência da República, vaga com a renúncia inesperada de Jânio Quadros. A transição constitucional foi vetada pelos três ministros militares que leram um manifesto golpista redigido, ironicamente, pelo então coronel Golbery do Couto e Silva. Essa brutal contradição entre as poucas benfeitorias municipais e as muitas malfeitorias nacionais do general teve baixa repercussão na imprensa – com exceção de alguns blogs e opiniões isoladas, contra ou a favor – e nenhum eco entre os políticos brasileiros, desconectados com a coerência histórica e descomprometidos com a memória nacional.


O jovem prefeito de Rio Grande, Fábio Branco, de 39 anos, nem justificou a homenagem intempestiva: “Não vou fazer juízo da ditadura militar. Eu nem era nascido…”. O neto do general, talvez ainda mais jovem, também evita qualquer consideração sobre a obra política do avô, sob o infantil argumento de que seria “covarde” avaliar a biografia dos mortos. Sob este prisma obtuso, prefeito e neto se eximem, portanto, de julgar episódios como a escravidão e o nazismo ou de opinar sobre personalidades já finadas como Hitler, Stálin, Pinochet ou Médici.


Imprensa complacente


Esta omissão deliberada não contaminou os cidadãos mais conscientes, de Rio Grande ou não. Uma pesquisa online do jornal local, o Agora, mostrou que mais da metade (58,5%) da população discorda do monumento. Um abaixo-assinado na internetregistra mais de 1.600 assinaturas de todo o país condenando a homenagem. Indignados, movimentos de sindicatos, estudantes e populares de Rio Grande formaram uma Comissão “Ditadura Nunca Mais” e, na semana passada, entregaram às autoridades locais dois livros do jornalista Elio Gaspari: A Ditadura Escancarada foi ofertadaao prefeito sem juízo e A Ditadura Derrotada foi agraciada aos vereadores sem tino. Nas duas obras, parte de uma magistral tetralogia de 2002 – portanto escrita quando o general, morto em 1987, já não podia mais se defender, para desencanto do neto – o feiticeiro Golbery refulge merecidamente como personagem central, dividindo a cena com o sacerdote Ernesto Geisel.


A mesma imprensa complacente de hoje com o passado tenebroso do general lembra muito a imprensa conivente de ontem com o general golpista de sempre. Golbery carrega na sua ficha a proeza de ter derrubado Jango duas vezes do poder. A primeira, em 1954, quando redigiu o manifesto de 82 coronéis e tenentes-coronéis que levou à demissão de João Goulart, então ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, criticado pelos militares pelo aumento de 100% do salário mínimo. A segunda, dez anos mais tarde, quando depôs Jango da presidência da República no golpe vitorioso de 1964, resultado final de uma científica, pensada e cara conspiração civil-militar que juntou o grande empresariado nacional e multinacional com a direita dos quartéis sob a fachada do dissimulado IPES, o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais. O coordenador do IPES, que deu em 1964 o troco no golpe frustrado em 1961 pela brava resistência dos seus conterrâneos gaúchos, era o incorrigível Golbery.


Seria útil que o jovem neto de Golbery aprendesse sobre os fatos da tortuosa carreira do avô lendo um livro, pelo menos um livro, o clássico1964: a conquista do Estado – ação política, poder e golpe de classe (Editora Vozes, 1981), do professor uruguaio René Armand Dreifuss (1945-2003). Ali, em 814 páginas irrespondíveis, Dreifuss desentorta os fatos para revelar ao neto distraído, com documentos do próprio IPES, a lenta, gradual e segura conspirata do vovô Golbery para derrocar um governo democrático e botar no seu lugar uma ditadura de 21 anos sob o rodízio de cinco generais-presidentes – três deles (Castelo Branco, Geisel e Figueiredo) tendo o próprio Golbery como inquilino e feiticeiro-mor no Palácio do Planalto.


O IPES nasceu em novembro de 1961, três meses após a vitória popular da Legalidade – quando nem o prefeito de Rio Grande, nem o neto do general, haviam nascido. Parecia um inocente clube de homens de negócios. Entretanto, na sua face oculta, sob siglas e codinomes, o IPES concentrava a execução metódica de um pensado plano da burguesia nacional para combater de forma clandestina os seus três principais inimigos: o governo Jango, a aliança nacionalista do PTB e o comunismo, que aparentemente resumia tudo aquilo.


O braço político ostensivo do IPES de Golbery era o IBAD, Instituto Brasileiro de Ação Democrática, que apesar do nome tinha ligações com o MAC, Movimento Anticomunista, e com a organização da direita católica Opus Dei. O fundador do IBAD em 1959 foi o integralista Ivan Hasslocher, dono da Promotion, uma agência de publicidade que promovia o lobby do IBAD e seu braço parlamentar, a ADP – Ação Democrática Popular, um núcleo conservador de 160 parlamentares da centro-direita no Congresso Nacional reunido em torno da UDN, PSD e PSP. Segundo Dreifuss, a ADP tinha sua ação política patrocinada pela estação no Rio de Janeiro da CIA, a agência de inteligência americana focada em campanhas políticas e grupos de pressão.


Assalto sincronizado


Homens da mesma linha de pensamento e com igual propósito juntaram, a partir de 1962, as duas entidades: nascia o complexo IPES/IBAD, matriz ideológica e operacional da conspiração que daria o golpe e, depois, forneceria os quadros e dirigentes do aparato estatal que sustentou o regime militar. O IPES operava como centro estratégico e o IBAD, como uma unidade tática. O monstro crescia junto com a conspiração. Em 1963, os 80 membros originais do IPES pularam para 500. Eram sócios 26 dos 36 líderes da FIESP, a maior federação industrial do país. A entidade se espalhava pelas capitais do país.


A articulação dos empresários com os militares era feita pelo Grupo de Levantamento da Conjuntura (GLC) do IPES, comandado pelo general Golbery, que atuava sobre o I (Rio) e III (Porto Alegre) Exércitos. A “ordem de serviço com calendário” do GLC, que definia a estratégia de ação, tinha uma edição limitada de 12 exemplares, que não eram registrados nas atas do IPES. A equipe de Golbery distribuía nos quartéis uma circular bimestral mimeografada, sem citação da fonte, avaliando a atividade “comunista” no país, apontando o dedo para subversivos infiltrados no governo e mapeando suas ações.


Só no Rio de Janeiro o clandestino GLC de Golbery tinha três mil telefones ilegalmente grampeados. O grupo dirigente do general ocupava quatro das 13 salas que o IPES havia alugado no 27° andar do edifício Avenida Central, na Avenida Rio Branco, então o prédio mais moderno no centro da cidade. A conta do telefone era faturada em nome do general da reserva Henrique Geisel, irmão de Ernesto, futuro sacerdote no Planalto.


O GLC do vovô Golbery escrutinava a produção diária da imprensa do país, um total de 14 mil edições no ano, e produzia mensalmente cerca de 500 artigos, disseminados pelos jornais ou divulgados em forma de palestras. O Grupo de Atuação Parlamentar (GAP) do IPES tinha vergonha do que fazia. Proibia qualquer menção à sigla, que era camuflada como “Escritório de Brasília”. Ele coordenava a campanha anti-Jango na capital, mas quem aparecia publicamente era o IBAD e o fazendeiro baiano João Mendes, deputado udenista e líder ostensivo da Ação Democrática Parlamentar.


O plano era simples e mortal: o IPES de Golbery, por intermédio do IBAD e da ADP, emparedava o governo no Congresso, criando um beco sem saída parlamentar e um ponto morto do Executivo. A inércia legislativa levaria ao clamor popular pelo poder “moderador” das Forças Armadas, única instituição capaz de tirar o país daquele atoleiro fabricado pela conspiração urdida pelo general no Parlamento.


Neste trabalho era fundamental manipular a opinião da sociedade. Na dura expressão de René Dreifuss, “o IPES conseguiu estabelecer um sincronizado assalto à opinião pública” pela relação especial com os principais veículos da mídia nacional. O objetivo central do Grupo de Opinião Pública (GOP) do IPES era disseminar seus objetivos na imprensa falada e escrita. Dissimulado, o grupo evitava o nome “opinião pública”, preferindo as expressões “divulgação” e “promoção”. José Luís Moreira de Souza, dono da Denison Propaganda, dizia que “conquistar a opinião pública” era a essência da ação política do grupo. O principal articulador do GOP era um ex-comissário de polícia, José Fonseca, que começou na vida como “tira” no 16° Distrito Policial de São Cristóvão, um subúrbio operário da zona norte do Rio, no réveillon de 1952.


Conspiração sem twitter


Em 1958, trocou a delegacia por um cargo de relações públicas da Light, a empresa americana de energia que se tornaria uma das líderes do IPES e da conspiração. Em 1963, um ano antes do golpe, o ex-comissário José Rubem Fonseca deu aos 38 anos seu primeiro tiro certeiro na literatura: lançou o livro de contos Os prisioneiros com o nome literário de Rubem Fonseca. O festejado autor de Feliz Ano Novo, A grande arte e Bufo & Spallanzani tornou-se nas décadas seguintes o maior contista vivo do país, ganhador em 2003 do Prêmio Camões, uma espécie de Nobel para escritores da língua portuguesa.


Outros destaques do GOP no Rio eram os jornalistas Glauco Carneiro e Wilson Figueiredo, este do corpo editorial do Jornal do Brasil.Em São Paulo, o GOP atuava com Geraldo Alonso, dono da Norton Propaganda, e nomes ilustres de O Estado de S.Paulo, como Ênio Pesce e Flávio Galvão. Contava ainda com Jorge Sampaio e Alves de Castro, os dois nomes centrais do Repórter Esso da TV Tupi, o equivalente ao Jornal Nacional da Rede Globo de hoje, patrocinado pela Esso do Brasil, membro importante do IPES do vovô Golbery.


Em tempos sem e-mail ou twitter, o GOP se valia da tecnologia da época: enviava milhares de cartas e telegramas e fazia chamadas telefônicas, antecipando em décadas o odiado telemarketing. Em novembro de 1962 chegava a três mil nomes a lista de organizações de rádio e TV mobilizada pelo GOP. Aliado a ele funcionava o GPE, Grupo de Publicações/Editorial, que disseminava material impresso pelo país. Esta campanha de guerra psicológica era tarefa do ex-comissário e contista Rubem Fonseca, que incluía intelectuais respeitados como Augusto Frederico Schmidt, Odylo Costa Filho e Rachel de Queiroz, prima do general Castelo Branco, líder do golpe que derrubou Jango. Rachel foi presa no golpe do Estado Novo, em 1937, acusada de subversiva, e teve seus livros queimados. Um quarto de século depois, a comunista de Fortaleza era uma intelectual engajada na equipe de propaganda de direita de Rubem Fonseca no IPES. O primo Castelo Branco, já ex-presidente, morreu num acidente aéreo em 1967 quando retornava de um passeio à fazenda da prima Rachel.


Os propagandistas do GOP atuavam em três frentes: artigos para jornais e revistas, panfletos para circular entre estudantes, militares e operários, e livros que comparavam a democracia com a empresa privada. Em comum, eram todos anticomunistas, antitrabalhistas e antinacionalistas – a tríade que embalava o cérebro do vovô Golbery. Nomes fortes do mercado editorial, como Saraiva, Cia. Editora Nacional e GRD Editora, colaboravam na publicação da chamada “literatura democrática”.


Balcão de deputados


A escolha dos candidatos agraciados com o apoio financeiro pelo IPES de Golbery obedecia a uma regra rígida, quase um contrato de compra e venda. Quem se habilitava a integrar a lista de “democratas convictos e anticomunistas de primeira ordem” passava pelo crivo dos analistas do complexo IPES/IBAD. Mais importante do que a filiação partidária era a orientação das ideias. Cada candidato era compelido a assinar um “ato de compromisso ideológico”, pelo qual prometiam lealdade ao IBAD acima da fidelidade ao seu partido, prometendo ainda lutar contra o comunismo e a defender o investimento estrangeiro.


Mas a mercadoria custava caro. O chefe do GAP (Grupo de Ação Parlamentar) do IPES, o banqueiro Jorge Oscar de Mello Flores, avaliava os candidatos pelo coeficiente eleitoral. De início, ele calculava que cada deputado “custaria” cerca de 6 milhões de cruzeiros (cotação atual: R$ 317 mil), mas percebeu que esta seria a conta de nomes da Paraíba e outros Estados menores. O preço aumentava no Ceará e ainda mais na Bahia. Os candidatos de Rio e São Paulo eram mais caros, explicou Mello Flores, avaliando a conta per capita dos deputados no balcão do IPES do vovô Golbery: 15 milhões de cruzeiros (cotação atual: R$ 792 mil).


O orçamento de um candidato pouco conhecido e de limitada agressividade eleitoral incluía despesas com equipamento de som, 40 mil cartazes, 600 faixas, fotografias, espaço em jornais, mensagens no rádio e TV, discos de jingle, gasolina, correspondência e pessoal de apoio… Tudo isso ao custo de uns 10 milhões de cruzeiros, o que não era pouca coisa. Dez milhões, que hoje valem R$ 528 mil, equivaliam então à renda diária de 20 mil trabalhadores de salário mínimo, número de votos atualmente suficientes para eleger vereador em capital.


O IPES de Golbery recebeu apoio financeiro de 297 corporações americanas. Passavam o chapéu entre empresas britânicas, suecas, alemãs. A Fundação Konrad Adenauer, órgão do Partido Democrata Cristão alemão, canalizava recursos pelo sólido complexo siderúrgico Mannesmann e pela gigante Mercedes Benz. O neto certamente não sabia, mas o vovô Golbery encarregou-se pessoalmente do contato com o presidente da Mercedes.


Grampo na Casa Branca


Os amigos do general estavam ativos, também, em Washington. Na segunda-feira, 30 de julho de 1962, o presidente John Kennedy entrou no Salão Oval e ligou pela primeira vez seu novo brinquedinho, instalado no fim de semana: o sistema secreto de gravação de voz da Casa Branca. A estreia prometia: era uma conversa cabeluda de Kennedy com o seu embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, parceiro de Golbery no caminho para o golpe militar que derrubaria João Goulart dois anos depois. Começava pelo gasto não contabilizado de US$ 8 milhões nas eleições de 1962, adubando secretamente candidatos apoiados pela CIA e simpáticos aos EUA. A conexão americana do mundo político brasileiro com os militares golpistas era feita por outro amigo do peito de Golbery – o discreto adido militar da embaixada, coronel Vernon Walters, que chegaria a vice-diretor da CIA no auge do Caso Watergate que derrubou Nixon, em 1974.


A transcrição das fitas foi revelada no livro do jornalista americano Tim Weiner, Legado de Cinzas – Uma história da CIA (Ed.Record, 2008), outra leitura instrutiva que poderia iluminar a cabeça de Golbery Neto. Ela mostra, numa frase de Gordon para Kennedy, que o alvo central da conspiração era o mesmo de Golbery – o próprio Jango:


– Para expulsá-lo, se necessário – disse o embaixador, esclarecendo – O posto da CIA no Brasil deixará claro, discretamente, que não somos necessariamente hostis a qualquer tipo de ação militar, em absoluto, se ficar claro que o motivo da ação militar é…


–… contra a esquerda – completou o presidente Kennedy, dando o sinal verde para o golpe que aconteceria vinte meses depois.


Na véspera da eleição de 1962, a Promotion de Ivan Hasslocher, líder do IBAD, arrendou o jornal carioca A Noite por 90 dias, ao custo mensal de 2 milhões de cruzeiros (cerca de R$ 100 mil no câmbio atual) para propaganda direta. A revista Repórter Sindical também era operada pela entidade. O órgão oficial do IBAD, Ação Democrática, circulava mensalmente com 250 mil exemplares e textos de gente graúda como o economista Eugênio Gudin e o líder udenista Aliomar Baleeiro. Era gratuita e, ainda assim, não tinha um único anúncio. No início de 1963, um manifesto de 500 profissionais de prestígio, organizados pelo Centro Democrático de Engenheiros, ligado ao IPES, foi publicado no Jornal do Brasil e em O Estado de S.Paulo.


Manifestos variados, todos “democráticos”, proliferavam na imprensa e eram retransmitidos pela dupla IPES/IBAD. Eles tinham uma agência de notícias, a Planalto, que redistribuía o material a 800 emissoras de rádio e jornais do país. Tudo gratuito, tudo pela pátria, tudo pela “democracia”. Um milhão de cópias da Cartilha para o Progresso, feita pelo IPES, exaltando os benefícios da Aliança para o Progresso do governo americano, foi encartada como suplemento da Fatos&Fotos, revista na época de grande circulação da Editora Bloch.


O extremista do Estadão


Num país de elevado analfabetismo, o esperto vovô Golbery percebeu a importância do rádio e da nascente televisão. O IPES gastou 10 milhões de cruzeiros para produzir 15 programas de TV para três canais diferentes. Eram entrevistas de questionários preparados pela entidade, com jornalistas de confiança e gente selecionada para responder sobre reforma agrária, custo de vida, democracia. Estavam escalados nesse time alguns ilustres conterrâneos de Golbery, como o senador Mem de Sá (presenteado com a cadeira de ministro da Justiça no governo Castelo Branco), os deputados Daniel Faraco, Egydio Michaelsen e Raul Pilla, o prefeito de Porto Alegre Loureiro da Silva e o arcebispo dom Vicente Scherer.


Em 1962, o IBAD operava diariamente mais de 300 programas de rádio no horário nobre das principais cidades do país. A rede de mais de 100 estações ligadas a ele formava a “Cadeia da Democracia”, sob o comando do senador João Calmon, dos Diários Associados, que tinha o cuidado de ir ao ar no mesmo horário das transmissões do líder trabalhista Leonel Brizola, que derrotara Golbery um ano antes com a “Cadeia da Legalidade”.


O maior produtor de filmes comerciais do país, Jean Manzon, foi contratado por Golbery para produzir filmes como Que é a democracia, Deixem o estudante estudar, Uma economia estrangulada, Criando homens livres. Eram filmetes de 10 minutos, projetados antes do vibrante faroeste exibido nas matinês do interior do país, onde se espalhavam três mil salas de cinema. Quando a plateia não aparecia, o cinema ia até o público. O IPES montou o projeto do “cinema ambulante” em caminhões abertos e ônibus com chassis especiais, que percorriam favelas, bairros populares e cidades distantes. Era um mutirão democrático: a Mesbla fornecia os projetores, a Mercedes Benz emprestava os caminhões e a CAIO montava a carroceria dos ônibus.


Na medida em que avançava a conspiração, crescia a presença militar sobre a base parlamentar. Era hora de sair do discurso para a prática. O IBAD cede seu lugar de destaque para outra sigla – a ESG, a Escola Superior de Guerra, de onde provinham Golbery e o núcleo fardado do golpe. O novo complexo IPES/ESG alinhava 330 oficiais, de majores a generais de Exército, fazendo a ligação do mundo empresarial com os quartéis. Sempre sob a liderança do vovô Golbery, lá estavam nomes que, mais tarde, fariam parte do poder revolucionário, como ministros ou até presidentes. Orlando Geisel, Mário Andreazza e Walter Pires formulavam planos com Castello Branco, Ernesto Geisel e João Figueiredo.


Um grupo que Dreifuss nomeia como “Extremistas de Direita” juntava fanáticos anticomunistas com adeptos da modernização industrial conservadora. Curiosamente, o grupo era mais ligado ao jornalista Júlio de Mesquita Neto, expoente da “linha dura” paulista que pregava uma forte mensagem anticorrupção e contra a esquerda. Com Mesquita estavam seu irmão Ruy e os deputados Abreu Sodré e Paulo Egydio Martins, mais tarde governadores indiretos de São Paulo indicados pelos quartéis.


Os três ministros militares que Golbery transformou em locutores de seu manifesto no golpe frustrado de 1961 – o marechal Odylio Denys, o almirante Sílvio Heck e o brigadeiro Grun Moss – mandaram emissários da conspiração a São Paulo para um encontro, no início de 1962, com Júlio Mesquita Filho, a quem entregaram um documento sobre as normas que iriam orientar o governo militar após a queda de Jango. O grupo, integrado pelos generais Cordeiro de Farias e Orlando Geisel, foi mais explícito com o dono do Estadão: o regime discricionário teria de ficar no poder por pelo menos cinco anos. Animado com a conversa, Mesquita chegou ao ponto de sugerir oito nomes para o futuro ministério revolucionário. Com o jurista Vicente Rao, advogado da mineradora americana Hanna, Mesquita chegou a fazer o rascunho de um Ato Institucional para fechar Senado, Câmara e Assembleias e cassar mandatos – o mesmo instrumento de força que a ditadura anos depois faria seu jornal engolir com o AI-5, na forma de versos e receita de bolo.


Ciência e violência


No Rio Grande do Sul, quartel-general do III Exército, a maior concentração de tropa terrestre do país e foco principal da resistência de Brizola na Campanha da Legalidade, dois terços da oficialidade já estavam engajados na rebelião. O coronel da Brigada Militar Peracchi Barcelos (PSD), eleito deputado pela máquina do IPES do general Golbery, tratava de sublevar a força pública do estado.


O general Armando Cattani – que comandou no período 1958-59 a poderosa 6ª Divisão de Exército em Porto Alegre, exatamente quando Brizola deixava a prefeitura da capital gaúcha para assumir o governo do estado – organizava grandes fazendeiros no interior do Rio Grande do Sul em unidades paramilitares que seriam acionadas na hora precisa do golpe.


O general Cattani era tão amigo do general Golbery que foi selecionado por ele para assumir como interventor a prefeitura de sua terra natal, Rio Grande. O posto ficou vago de repente graças à quartelada de março de 1964, que transformou a cidade portuária em “área de segurança nacional” e cassou o mandato do prefeito do PTB, Farydo Salomão, no cargo havia apenas três meses. Não é a juventude, mas a alienação, que pode explicar o desconhecimento que o atual prefeito de Rio Grande e o neto do general têm sobre as violências praticadas pela ditadura de Golbery e seus comparsas nos primeiros dias do golpe exatamente na cidade onde ele nasceu.


Golbery, evidentemente, não tem nenhum envolvimento pessoal com as truculências na sua terra. Mas o general tem tudo a ver com o regime de força que permitiu esses abusos. Como porto e área estratégica no extremo sul do país, Rio Grande coordenava a repressão ali pela SOPS-RG, a Seção de Ordem Política e Social que unia forças do 6º Grupamento de Artilharia de Campanha (GAC) do Exército, o Batalhão de Polícia Motorizada, a Polícia Federal e a Polícia Civil, que cobriam seis municípios da região, de Pelotas a Chuí.


A SOPS era subordinada ao DOPS de Porto Alegre, onde brilhava o nome mais importante do aparato repressivo gaúcho, o delegado Pedro Seelig. Foi pelo Chuí que ele devolveu à ditadura uruguaia os ativistas Lilian Celiberti e Universindo Diaz, sequestrados em Porto Alegre em novembro de 1978 por um comando binacional da Operação Condor, integrado por agentes de Seelig e militares enviados por Montevidéu. A SOPS de Rio Grande e o DOPS de Seelig eram todos membros fraternais da “comunidade de informações”, gerenciada desde Brasília pelo SNI criado pelo grande-irmão Golbery.


O neto ainda não deve saber, mas as brutalidades do regime não poupavam nem os conterrâneos do avô. Um bom exemplo foi relatado por Leandro Braz da Costa, mestrando em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, num trabalho sobre repressão publicado este ano na Jornada de Estudos sobre Ditadura e Direitos Humanos, do Arquivo Público do Rio Grande do Sul. O historiador ouviu em 2009 um inspetor lotado em Rio Grande, na década de 1970, na 7ª Delegacia Regional da Polícia Civil, dotada de celas especiais com pau-de-arara e choque elétrico para a prática de torturas. A sofreguidão por informações do preso excitava a criatividade, como revela o inspetor:


[...] quando o delegado exigia que obtivéssemos rapidamente uma confissão ou uma informação, tínhamos que apertar o cara ainda mais… levávamos o indivíduo vendado e sem roupa lá pra praia do Cassino, na madrugada. Daí amarrávamos as mãos e os pés dele com uma corda e entrávamos com ele no mar. Afogávamos o cara… contávamos a passagem de seis ou sete ondas e depois retirávamos ele da água. Repetíamos isso várias vezes, até quase ele não aguentar mais. Se mesmo depois disso ele não falasse nada, nós eletrocutávamos ele com os fios ligados no dínamo [do motor] do Opala. Isso sempre funcionava [...]


Tortura no mar


Na terra de Golbery, o terror vinha do mar. Em 28 de março de 1964, três dias antes do golpe, o NHi Canopus (H22), um navio hidrográfico da Marinha de 1.800 toneladas e 78 metros de comprimento, concluiu seu trabalho científico de 30 meses para o levantamento da costa sul brasileira desde Torres até Chuí. Missão cumprida, tomou o caminho de Rio Grande, onde ancorou ao largo do porto. Era comandado pelo capitão-de-fragata Maximiano da Fonseca, que na década de 1980 seria colega de ministério de Golbery, como almirante e ministro da Marinha do governo Figueiredo. Levava a bordo 116 tripulantes, um helicóptero e 14 cientistas. Mas, naqueles dias agitados dos idos de março, o barco abrigou uma carga inesperada: presos políticos.


Transformado em navio-prisão, o Canopus de Maximiano virou o cativeiro do prefeito cassado Farydo Salomão, ali submetido a torturas por ser amigo de Brizola e Jango. A violência é denunciada no livro Centenário do Colégio Lemos Júnior, escrito pelo jornalista Willy Cesar, riograndino como Golbery e que hoje defende o preito ao general. Outro depoimento, ainda mais forte, é do ex-capitão da Brigada Militar Athaídes Rodrigues, vereador e aliado do prefeito. No dia 7 de abril de 1964, 50 homens cercaram sua casa e o levaram preso, ainda de pijama, num jipe que rodou pela cidade até chegar à Capitania dos Portos. Dali, o vereador trocou o jipe por uma lancha e foi transportado à prisão flutuante do Canopus, onde se juntou a vários ferroviários detidos, incluindo o presidente do sindicato, Miguel Gomes.


Incorporado à Marinha em 1958, seis anos antes do golpe, o Canopus sobreviveu ao regime, aposentando-se doze anos após a queda da ditadura, em 1997. Nesse período, passou 3.342 dias no mar e navegou mais de um milhão de quilômetros, o suficiente para 26 voltas ao mundo. A longa, impecável ficha funcional do Canopus ficou manchada, contudo, pelo desvio de rota ética que o imobilizou no porto de Rio Grande, abandonando por uns tempos a ciência das águas para lançar âncora na violência das mágoas políticas.


O navio-prisão na terra de Golbery era um resumo preciso do país-presídio a que Golbery e sua conspiração reduziram a terra dos brasileiros. O cativeiro temporário do Canopus em Rio Grande não era uma exclusividade do sul, mas uma fatalidade que se reproduzia em outras águas, em outras terras. No maior porto do país, Santos, no litoral paulista, estava fundeado o caso mais notório de navio-prisão do país, o Raul Soares. Era um velho transatlântico alemão construído em 1900, comprado pelo Lloyd Brasileiro em 1925 e transformado em navio de carga e passageiro para a rota Santos-Manaus.


Faca para o bife


Quase duas vezes maior que o Canopus, com 125 metros de comprimento, o Raul Soares tinha 110 tripulantes e acomodação para 580 passageiros. Os 80 da primeira classe tinham cabine reservada, salão de jantar e orquestra a bordo com pista de dança. Os outros 500 se acomodavam em redes e cobertas nos quatro porões, e comiam ali mesmo, disputando espaço com a carga – homens na proa, mulheres na popa. No espaço de dez anos, o Raul Soares navegou ao sabor das marés da história: serviu de prisão para os comunistas da fracassada rebelião de 1935 e trouxe para casa em 1945 os pracinhas da FEB que, aliados aos comunistas da União Soviética, derrotaram o Eixo nazifascista.


Em 24 de abril de 1964, o navio lúgubre de casco negro e uma enorme chaminé fumegante foi rebocado pela nova ordem militar até um banco de areia na ilha do Barnabé, em Santos. Cinco dias depois recebeu ali sua primeira leva de passageiros compulsórios: 40 sargentos do Exército que se opuseram ao golpe. Outros mais – militares e civis, sindicalistas e suspeitos em geral – chegariam depois, num total de quase 500 presos políticos, todos sem processo legal, sem direito a cabine reservada, nem orquestra, nem pista de dança. Ousaram desafiar a partitura desafinada da ditadura e foram jogados como carga nos seus porões infectos.


O Raul Soares tinha três calabouços, batizados pelos presos com nomes de boates famosas da época. O “El Morocco”, um salão metálico sem janelas, ventilação ou luz ao lado da caldeira, tinha uma atmosfera irrespirável de mais de 50 graus. O “Night and Day”, colado à geladeira, era uma sala menor onde os presos ficavam com água gelada na altura do joelho. O “Casablanca”, talvez o pior deles, era o depósito de fezes, onde a elas se misturavam os presos que precisavam ter a resistência quebrada, pela humilhação ou pelo mau cheiro. Este era o fedor institucional e jurídico emanado pela desordem militar manipulada no caldeirão malcheiroso do vovô Golbery.


Os detalhes escabrosos dessa história foram publicados em 1979 pelo repórter Mauri Alexandrino no jornal Preto no Branco, da Cooperativa dos Jornalistas de Santos. A desordem gerada pela prepotência da nova ordem foi percebida no dia em que 16 presos receberam uma boa notícia: haviam recebido habeas-corpus do juiz da 2ª Vara Criminal de Santos, Antônio Granda. À noite, aliviados, embarcaram na lancha e deixaram para trás aquele inferno. Foram direto para a sala do capitão dos Portos de São Paulo, Júlio de Sá Bierrenbach, encarregado dos inquéritos policiais na área sindical e política. O capitão chamou a imprensa, autorizou fotos, dispensou os jornalistas e, a sós com os presos, avisou:


“Quero comunicar que vocês estão soltos. Agora que estão em liberdade, estou dando nova voz de prisão. Vocês saíram do processo da Aeronáutica, mas ainda não enfrentaram o da Marinha. Estou abrindo novo inquérito.”


Os soldados reconduziram os presos para a lancha que os devolveu ao inferno. Muitos deles choravam, afogados num sentimento que mesclava tristeza e ódio. Jornalistas só tinham acesso ao Raul Soares como prisioneiros ou pelo filtro rigoroso do servilismo. Certo dia, dois jornalistas da Gazeta de Santos, escolhidos a dedo pelos militares, foram convidados a visitar a prisão flutuante. Elogiaram muito os comandantes pelas “ótimas condições carcerárias” e, na edição do dia seguinte do jornal, lembraram-se de uma única queixa dos prisioneiros: “Não existiam facas para cortar os bifes”, anotaram.


Caneta e metralhadora


Um jornalista subiu a bordo a contragosto: Nelson Gatto, repórter policial dos Diários Associados, penou ali 43 dias encarcerado. Sobreviveu para contar seu martírio em 1965 num livro – Navio Presídio – que ninguém leu. Foi apreendido pelo DOPS antes de alcançar as livrarias. A Justiça mandou liberar, a Aeronáutica mandou apreender de novo. No Superior Tribunal Militar (STM), Gatto ganhou por 10 a 0, com voto do ministro Olympio Mourão Filho, o general de Juiz de Fora que botou os tanques na rua em 31 de março.


O movimento militar desfechado em nome da santa hierarquia se convertera, naqueles dias agitados, num constrangedor foco de subversão: os oficiais-generais da suprema corte militar do país mandaram liberar o livro, um reles oficial da Aeronáutica fez exatamente o contrário. O coronel-aviador Francisco Renato de Melo invadiu a gráfica, recolheu toda a edição e a jogou no mar. Escapou um único exemplar. O coronel da Aeronáutica justificou assim a truculência: “Os juízes têm canetas, nós temos metralhadoras”. Em 1967, cumprindo a maldição do capitão Bierrenbach, Gatto foi preso novamente para responder sobre o livro que nunca circulou.


Os defensores de Golbery, sem a ingenuidade do neto, lembram sempre o seu papel na distensão e na abertura do regime executadas pelos dois generais – Ernesto Geisel e João Figueiredo – que lhe deram o longo reinado de sete anos como poderoso ministro da Casa Civil, entre 1974 e 1981. É verdade. No entanto, indulgentes, esquecem-se de dizer que Golbery estava também na outra ponta do processo político, fechando o ciclo democrático em 1964 e inaugurando uma ditadura que sobreviveria 21 anos.


A diástole que descontraía o sistema, segundo seu cardíaco pensamento político, foi antecedida pela contração da sístole. O general que comandou a sístole de 1964 não conseguiu pilotar a diástole de 1984, que acelerou com a hipertensão popular das multidões nas praças e avenidas das Diretas-Já e terminou com o surto de Tancredo Neves em pleno Colégio Eleitoral. Os amigos não lembram, e o neto não diz, mas é sempre bom repetir que o candidato de vovô Golbery no colégio era Paulo Maluf, confirmando sua teimosa vocação para estar sempre do lado oposto aos interesses populares.


Príncipes do bruxo


O teórico da “doutrina da segurança nacional” instaurou, por ardis, aparatos e artimanhas, uma rotina de insegurança pessoal que sacramentou o medo e a delação num país intimidado pela repressão e assustado pela síndrome da intriga, do grampo, da denúncia. Essa inclinação para o mal, como já deve ter suspeitado o jovem Golbery Neto, reforça a tese de que o avô tinha forte inclinação por dois príncipes – o de Maquiavel e o de Lampedusa.


O ardiloso general tinha a consciência da fortuna, a idéia romana de sorte, definida pelo gênio florentino como algo inevitável, que pode levar alguém ao poder ou tirá-lo de lá. Como se sabe, uma obsessão muito golberyana. E, como o autor de O Leopardo, o generaltentava “tudo mudar para que tudo ficasse como está”. A desastrada campanha de Maluf no Colégio Eleitoral mostra que Golbery tentava “mudar para preservar”, dando uma sobrevida civil ao regime militar que definhou como a aristocracia siciliana do século 19 desenhada por Lampedusa.


Maluf, na cabeça de Golbery, era o meio que justificava – ou adiava – o fim.


Golbery Neto provavelmente era nascido em 1977, quando o vovô Golbery cometeu sua derradeira bruxaria bem sucedida, o “Pacote de Abril”. Como de hábito, contra o povo. Sob o comando do sacerdote Geisel, o feiticeiro e meia dúzia de áulicos cozinharam uma sulfúrica emenda constitucional e seis decretos leis que, em resumo, dissolviam a vontade popular, um estorvo permanente aos planos de Golbery. Fecharam o Congresso para ruminar em paz seus feitiços, cancelaram a eleição direta de 1978 para governadores, inventaram um monstrengo sem voto (o senador-biônico), ampliaram para seis anos o mandato do sucessor de Geisel e aumentaram o peso de Estados menos populosos e politizados no Congresso Nacional.


Era Golbery, de novo, num surto de Lampedusa.


Mito na granja


Dois anos depois vovô Golbery recrudesceu, cada vez mais assustado com o crescimento do MDB, que pela força do voto emparedava a ARENA, a sigla da ditadura. Era preciso mudar o quadro partidário, implodindo a frente oposicionista, para que tudo ficasse como estava.


A ARENA virou PDS (o povo não esquece) e o MDB virou um caco, rachado entre cinco legendas: o PMDB de Ulysses, o PTB de Ivete Vargas, o PP de Tancredo Neves, o PDT de Leonel Brizola e o PT de Lula. A fortuna do mago florentino sorria para o bruxo riograndino. O marido de Ivete, Paulo Martins, trabalhava com Golbery no Gabinete Civil.


Ivete, que tinha o apoio de Golbery para arrebatar o PTB das mãos de Brizola, foi chamada em 1979 à Granja do Ipê, residência do general em Brasília, para ouvir este satânico raciocínio do feiticeiro:


– Precisamos trazer o Brizola de volta para o Brasil, porque ele está se tornando um mito muito forte fora do país. É melhor que ele volte e dispute eleição, porque assim perderá prestígio político.


O ex-deputado federal Sinval Boaventura, um radical arenista mineiro, foi lá na granja conferir a ideia com Golbery. O general ampliou sua tese, apostando num nome:


–A estratégia é estimular a imprensa para projetar Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, um grande líder metalúrgico de São Paulo, uma liderança inteligente e expressiva. Ele precisa ser preparado para ser o anti-Brizola.


Todo esse prontuário de Golbery passou em branco pela grande imprensa, que não abriu espaço para a atrevida homenagem ensaiada em Rio Grande. Um historiador da terra, Chico Cougo, 24 anos, portanto bem mais jovem que o alienado prefeito de sua cidade, nasceu dois anos após a queda da ditadura. Nem por isso deixa de abastecer seu blogpara emitir seu juízo ferino sobre o conterrâneo general, alinhando textos inteligentes, devastadores numa série imperdível sobre “Golbery e a cidade surreal”.


Outra exceção à regra do silêncio é o jornalista e escritor Juremir Machado da Silva, que acaba de lançar o livro Vozes da Legalidade, tem programa na rádio Guaíba e coluna no Correio do Povo, onde provocou:


“Rio Grande quer homenagear o ‘Rasputin’ nacional. Por que não uma estátua para os ministros militares que tentaram dar o golpe em 1961?… O mais incrível é que [o prefeito] Fábio Branco pertence ao PMDB, que se orgulha de ter combatido a ditadura… Resta uma hipótese radical: Branco quer expor Golbery às pombas da praça Tamandaré…”


A maior corrupção


Duas vozes expressivas da imprensa gaúcha discordam. Lasier Martins, âncora da RBS TV, o principal grupo de comunicação do sul, acha que a homenagem é parte da democracia. Indaga: “É tão difícil assim entender isso?”. É, é muito difícil entender, considerando que nenhuma democracia deve exaltar quem conspirou contra a democracia.


O experiente jornalista Érico Valduga, dono do Periscópio, um respeitado blog políticodo sul, acha que a homenagem “é uma questão local legítima” em que “a sociedade de Rio Grande preferiu ver no conterrâneo o governante que beneficiou a cidade com obras públicas importantes”.


Há dois graves problemas nesse raciocínio. A sociedade riograndina, pelo que se vê na pesquisa do jornal local, vê mais as malfeitorias nacionais do que as benfeitorias municipais, condenando como ilegítima a homenagem por maioria de quase 60%. A proposta ainda foi aprovada por menos da metade dos vereadores da Câmara, apenas seis em 13 representantes.


Valduga arrisca uma tese mais ousada para condenar os que se opõem ao louvor a Golbery: “É uma irresponsabilidade diversionista, que contribuirá para desfocar as lutas contra a corrupção”. O jornalista esquece que não há maior exemplo de corrupção do que um golpe que fecha o Parlamento, castra a vontade popular pelo veto ao voto, cassa mandatos políticos, censura, prende, tortura e mata, impondo ao país uma treva de 21 anos, consagrando a impunidade e estimulando a corrupção. Foi o louvado Golbery quem pensou esta irresponsabilidade que nos privou da democracia por duas décadas.


Nada mais diversionista.


O que espanta, de fato, não é a voz condescendente de alguns jornalistas, mas a afonia das principais lideranças do PMDB gaúcho, herdeiro do mais aguerrido e mais atingido MDB do país, que lutou e sangrou contra a ditadura gestada pelo general Golbery. O autor da proposta indecente é vereador do PMDB de Rio Grande, Renato Albuquerque, que viu seu PLV (projeto de lei de vereador) nº 93/2009 aprovado pela minoria da casa na sessão de 21 de dezembro de 2009. Cinco dos 13 vereadores estavam ausentes, só seis (menos da metade) aprovaram, contra dois votos. O prefeito Fábio Branco, também do PMDB, apôs sua assinatura na lei nº 6.835 exatos dez dias depois, em 31 de dezembro, quando a cidade e o país, desatentos, só estão preocupados com o réveillon damadrugada. Cobrado pela homenagem ao general, o prefeito que veio ao mundo em 1972 evocou o calendário para se eximir de um juízo sobre a ditadura de 1964: “Eu não era nascido…”


Tributo à treva


Não se conhece nenhum juízo, qualquer manifestação pública ou privada das principais lideranças, dos nomes históricos do PMDB gaúcho – todos nascidos e crescidos bem antes das malfeitorias antidemocráticas de Golbery. O Congresso Nacional, três vezes fechado e pesadamente mutilado pelo golpe engendrado pelo general desde os idos de 1961, recebeu a decisão de Rio Grande com um atordoante silêncio. À esquerda e à direita, nenhum dos 513 deputados, nenhum dos 81 senadores emitiu uma palavra, um só discurso, um mísero aparte, a favor ou contra.


Do PMDB nacional não se podia esperar nada de mais. Afinal, o MDB velho de guerra que um dia foi comandado por gente como Ulysses Guimarães, Teotônio Vilela, Tancredo Neves, Alencar Furtado, Itamar Franco, Mário Covas, José Richa e Franco Montoro hoje é um PMDB rebaixado a gente como José Sarney (o último presidente do PDS, que o povo não esquece), Michel Temer, Renan Calheiros, Romero Jucá, Jáder Barbalho, Henrique Eduardo Alves, Newton Cardoso, por aí.


O alheamento do Parlamento a uma questão moralmente tão grave mostra o grau de desmemória a que se relegou a política brasileira, talvez o derradeiro legado do general Golbery para um país que não preza sua história e não consegue nem identificar os malfeitores da democracia. O desastrado, debochado ensaio de louvor a Golbery do Couto e Silva no sul coincide com a criação de uma Comissão da Verdade em Brasília que, em tese, irá dissecar a obra mais monstruosa do general: a ditadura de 21 anos. Um país que se recusa a discutir um tributo infeliz ao mentor da mais longa escuridão da República pode estar, na prática, erigindo um mausoléu da decência, da justiça, da consciência política.


Golbery Neto, antes de se ofender com um simples artigo baseado na história, devia ler e estudar um pouco mais para entender a real dimensão de seu avô, um contumaz cérebro do arbítrio que deve ser conhecido, debatido e lembrado pelos brasileiros – jamais exaltado.


Afinal, se a omissão paralisa até a sociedade politicamente organizada, essa sanção moral ficará por conta dos pombos da praça Tamandaré.


***


[Luiz Cláudio Cunha é jornalista, Brasília, DF]



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  • Este artigo deveria se transformar em livro. Deveria ser imprimido e publicado em todos os cantos deste País.
    Grande Luis Carlos Cunha!!!

  • Jorge Hidalgo disse:

    O artigo me lembrou uma frase escrita num muro na Alemanha, que fiquei sabendo pela imprensa ou internet, e dizia: “Qual seu nazista preferido? Goebbels, Hitler, ou vovô???

    risos…se é que se pode rir disso…ainda sofremos muito os efeitos da dita-dura neste país de quinta categoria…eu também era bebê quando do golpe em 1º de abril (dia da mentira), digo, 31.3.1964, segundo a história(?), mas até hoje vejo a incompetência, arrogância, roubalheira, o engodo grassarem neste país…

  • Will Belmeck disse:

    São textos assim de puro jornalismo e história que fazem a imprensa sabuja, cínica, mentirosa, manipuladora, mercenária, demagógica, provinciana e corrupta, perder credibilidade.

  • Manuel Henrique disse:

    Do episódio, é de se lamentar a ideia estapafurdia (é o mínimo que podemos dizer) de homenagem a um dos principais ideologos e gestores do golpe de 64 e da ditadura. Mas, como toda moeda tem dois lados, propiciou esse artigo excelente, que une jornalismo e História. Mesmo para nós, que vivemos todos esses momentos muito de perto, o texto revive informações, acrescenta outras etc. Parabéns, Luiz Claudio Cunha. Taí um bom viés pra vc explorar mais: a recuperação da nossa história recente. Os leitores irão agradecer.

  • ZédasCovi disse:

    Eu teria vergonha de me apresentar como parente do Golbery e iria ao judiciário para mudar meu nome.

  • Dalmo disse:

    Ao Neto, peça para sair enquanto há tempo.
    Esta homenagem é resultado da própria ditadura, que, deixou várias gerações de alienados políticos.
    Somos um País de pessoas que não sabem escolher seus governantes, por não saber o que é cidadania.

  • Alex Oliveira disse:

    Vou salvar esse texto: Hei de mostrar aos meus filhos, para que entendam melhor essa mancha podre da história nacional.
    Parabéns, Sr. Cunha.

  • Mário SF Alves disse:

    Faltam-me as palavras para agradecer a verdadeira aula de História do Brasil que acaba de nos presentear o Luiz Cláudio Cunha. Parabéns!
    É isso aí, caro blogueiro sujo, PHA. Vossa Sujidade acaba de nos permitir enxergar um pouquinho de o “Por Quem os Sinos Dobraram” nos rincões da ex-república das bananas; ou, mais precisamente, nesse cômodo escuro e malcheiroso da Casa Grande. Quanto sofrimento foi imposto pelos tal senhor/entidade Golbery e Cia. Quanta violência, quanto derramamento de sangue, quanta dor e quanta violação de corpos e mentes se impôs a todos os brasileiros que se recusaram a submeter-se ao pensamento único da época. E essa desgraça toda em nome do quê? Por quê? Que democracia preconizavam? Que democracia implantaram? Quem ganhou com tudo isso? A quem ou que privilégios, efetivamente, o Jango ameaçava? E mais, e tanto pior, após 24 anos de usurpação do poder [e dessa vez sob a pressão inconteste do movimento Diretas Já] ainda agiam em defesa de mais um golpe, tentnado impor ao Brasil mais um outro senhor de escravos.
    Náuseas, meu caro blogueiro sujo. Náuseas.

  • Eurico disse:

    Obrigado Luiz Cláudo Cunha por este belo documento. Um peça a ser copiada e ser passada para a frente.

  • Rosinete-Recife disse:

    Primorosa aula de história! O jornalista Luiz Cláudio Cunha refrescou a memória dos que viveram esse triste período da história do Brasil e ensinou aos mais novos o que realmente aconteceu durante a ditatura.

    Parabéns jornalista pela brilhante matéria!!!

  • LUIZ CLÁUDIO CUNHA disse:

    Maria Amalia, minha cara,
    É isso exatamente que está escrito: o PMDB não existia em 1977, quando Golbery e Geisel inventaram o Pacote de Abril. Dois anos depois, eles implodiram a frente da oposição rachando em cinco partidos — um deles, o PMDB.
    É o que contei no texto. Por favor, releia.
    Obrigado, um abraço, Luiz Cláudio Cunha

  • Mauro disse:

    Faltou o Cunha citar o “conveniente e muito util” transporte aéreo gratuito para os coronéis de 54, enquanto conspiravam para 64, realizado pela prestimosa “VIAÇÃO AÉREA RIO-GRANDENSE” ou VARIG, como queiram.
    “Coincidentemente” em 65 a PANAIR dançou…

  • javier disse:

    e bom que façam um monumento em nome do feitiçeiro Golbery de preferencia uma estatua para que os pombos possam defecar nela, pois esta a e parte da historia que lhe resta.

  • AD disse:

    “covardia de ofender o caráter de quem já não pode mais defender-se”

    Covardia era ele nao deixar as pessoas falarem quando ele podia se defender.

    Coragem seria ouvir agora uma explicacao pelos atos cometidos durante os anos do governo militar, e como foi beneficiado o Brasil pelo governo militar-UDN.

    • Covardia é alguém vir a público exaltar o ideólogo dos covardes gorilas que infelicitaram essa nação e impediram-na de seguir o seu rumo verdadeiramente livre e democrático para satisfazer a sanha golpista beneficiando as oligarquias retrógradas e entreguistas ligadas à udn&afins + a hieraquia fascista das igrejas + e principalmente, os mentores do império ianque que encheu as burras desses traidores da pátria, cujo único lugar que merecem é a LATA DE LIXO DA HISTÓRIA!!!
      Como brasileiro e patriota, e tenho certeza que represento os milhões que sofreram comigo os tenebrosos idos de 1964, jamais perdoarei àqueles que nos impediram de ser nós mesmos, de dar vazão à nossa criatividade ansiando por um grande país, rico de saúde, cultura e gente decente!

  • Urbano disse:

    Os trevosos assaltaram a opinião, a dignidade, o pão, o circo, a saúde, a vida e tudo mais de nosso povo.

  • Mardones Ferreira disse:

    Artigo de lavar a alma. Com nomes e sobrenomes de alguns dos patrocinadores da ditadura: Mencedes Benz, Mesbla.

    Para que mais pessoas saibam da história do Brasil.

    Sem falar na criminosa Comissão da inVerdade.

  • kalifa disse:

    A democracia infelismente se constroi assim é muito doloroso!

  • Eduardo Figueiredo disse:

    Dizem que a intenção original dos golpistas de 64 (autoproclamados de “revolucionários”) era arrumar as casa e convocar novas eleições para 1965. Mudaram rapidamente de ideia e só largaram o poder na marra 21 anos depois.
    Golbery foi parte importante nesse infeliz momento da história brasileira. Fazer homenagem a esse cidadão é como se alemães resolvessem homenagear na Alemanha em praça pública a figurões militares do nazismo…
    Degradante!

  • Rafael Patto disse:

    Que essa descabida homenagem sirva ao menos para erguer na Praça Tamandaré não um monumento da cultura de Rio Grande, mas sim um monumento da barbárie nacional. Que esse busto sirva não à amnésia contemplativa que reverencia inadvertidamente um personagem obtuso de um capítulo não menos obtuso da nossa história, mas à reflexão sobre esse período político tenebroso que não pode ser esquecido. Que os pombos (esses símbolos da paz e da liberdade, dois valores universalmente humanos tão aviltados por aquele regime sanguinário) se encarreguem de, em nome de todos os brasileiros, depositar sobre esse busto os votos de que é merecedor.

  • joao andrade disse:

    Com todo respeito à veneração que um neto deva ter a um avô, é necessário que este moço entenda a verdade explicitada com veemência pelo jornalista. Infelizmente, meu jovem, avô também comete crimes contra a Democracia. Parabéns ao jornalista. Fui informado com detalhes de muitas tramas e situações que naquela época tínhamos conciência da existência e lendo-as ( dejá vu ) recordei-me dos velhos tempos de luta. ” Não está morto quem pelea”, como dizem aqui no Sul.

  • JORGE disse:

    PH

    O artigo do jornalista Luiz Cláudio Cunha é uma verdadeira aula de história.

    Aqui com os meus botões, indagaria ao mestre: O que ele pode nos presentear sobre O JUDICIÁRIO E O MINISTÉRIO PÚBLICO e as artimanhas do general?

    Acho que o país hoje tem muito a se conhecer, radografando essas instituições.

    Um abraço.

  • Thomas disse:

    E sabemos bem que ainda existe dentro da política brasileira, da mídia conservadora e dos quartéis generais viuvas nostálgicas da ditadura militar para esse tipo de gente a palavra liberdade é sinônimo de perca de poder e de muito dinheiro.

  • gilberto silva disse:

    O Netinho poderia ter ficado sem essa se estudasse mais .
    Que aula de história fantastica.

  • Alberto disse:

    Alimentem os pombos ó querido povo riograndense, pois eles vingarão os brasileiros.

  • M. Andrea Matos disse:

    Gzuis…Como diz aquele velho chavão, depois que morre vira bom??
    Um torturador desses nem memória deveria ter…

  • sérgio disse:

    O vovô foi um santo (hehehe).
    Na verdade foi o todo poderoso que, por trás dos acontecimentos, articulava os passos para o golpe e depois o da ditadura.
    Foi um dos responsáveis por um regime de força que fulminou os sonhos de uma geração e seivou várias vidas.
    Agora a direita perdedora e raivosa que ressuscitar o IPES como Instituto Millenium.

  • walfredo disse:

    A maior missão da Comissão da Verdade é propor mecanismos que impeção ou dificultem um novo golpe. É criar mecanismos para a defesa da democracia contra novos Golberys.

  • Luis R disse:

    Grande texto, nada como a verdade.

  • Leonel Paulo do Amaral disse:

    General Golbery e todos os outros ditadores nao devem ser esquecidos, devem ficar na memória de todos brasileiros como um atrozes.

  • Carlos N Mendes disse:

    Preciso voltar a freqüentar o OI. Depois da reforma gráfica, achei que o site perdeu personalidade. Mas vejo que não perdeu o fio da História. Quem não conhece, vale a pena visitar: http://www.observatoriodaimprensa.com.br

  • Alex disse:

    Sr. Golbery neto, eu nasci bem antes do golpe de 64, mas não conhecia a “biografia” de seu avô. Sempre fui contra a DITADURA, mesmo desconhecendo os crimes praticados por ela. A grande imprensa(que é a mesma de hoje), escondia tudo, não por censura, mas por conivencia. Sinceramente, eu sentiria vergonha de ter um parente com essa “biografia”.

  • Piragibe Silva Borges disse:

    Impressionante aula de história.
    Sabia da ação sabotadora da CIA, da atuação do coronel Walters, menos modesta do que deu a entender o articulista, mas muitos fatos relatados eu não imaginava acontecidos, como a cooptação de Ivete Vargas.
    Gostaria que Cláudio Cunha informasse quantos daqueles 40 bravos e heróicos sargentos que não se submeteram à sanha golpista sobreviveram ao cárcere. Esses têm o direito de serem homenageados e lembrados.

  • nádia disse:

    Esse texto deverá ser transformado em filme, para alcançar todo povo brasileiro, é a verdadeira história do Brasil. Nasci em 1964, ano do golpe, e repudio o país que os golpistas da pátria me ofereceu. Ficaram no poder de 1964 até 2002, sim 2002, a ditadura acabou em 1985, mas, continuou a mesma política dos dominantes até Lula tomar posse em 2003. Essa mesma turma golpista, atrasou 30 anos o progresso do país, a miséria aumentou, a fome estava nas casas dos brasileiros, deixaram um país sem emprego, dívida externa exorbitante, sucatearam a educação e saúde, prejudicaram a minha geração, e as seguintes,nos tirando oportunidade de estudar, ter um bom emprego. DIREITA, NUNCA MAIS! Espero que essa turma antipatriotas não se metam na política e que nos deixa em paz, não suporto mais esses joguinhos sujos que a mídia vêm fazendo, estou cada vez mais enojada. VIVA LULA! VIVA DILMA! VIVA PT que nos salvou desses bandos de vampiros que sugou toda nossa vida.

  • Francy Granjeiro disse:

    http://colunistas.ig.com.br/poderonline/2011/09/28/ministro-de-fhc-emplaca-revisao-constitucional-do-psd/

    ex-ministro Luiz Carlos Santos, que deixou o DEM e ingressou no PSD
    O DEM ta ficando pra tras….. perdeu 17 Deputados…kkkkkkkk

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    • Marta disse:

      Acho melhor a gente começar a chorar ao invés de rir. O PSD é um partido organizado pela direita que pretende participar do governo petista e confundir o povo menos avisado de que é tudo igual,isto é, não há diferença entre as ideologias partidárias. Se acontecer desse partido um dia fazer parte do governo, será o fim. Torço para que o PSDB e DEM nunca se acabem. Eles fazem o contraponto com os partidos de esquerda e centro tornando mais fácil identificar a visão de mundo de cada agremiação. POr isso, a oposição é importante. Mas, tem ficar bem pequena, escondidinha pra não atrapalhar.
      O PT no governo fez a direita ficar sem discurso. Ao se darem conta disto, querem se juntar.

      • Desde quando o pt é de esquerda. Nem o pcdob do sr. aldo rebelo, neo-ruralista agraciado com louvores pela udr/kátia abreu (aquela que acha que pobre tem mesmo mais é que comer alimento com agrotóxico e transgênico…). O próprio sr. Lula, que convidou, compungido quando o companheiro dele bush jr. teve que deixar o cargo de gerente do império, convidou-o para uma pescaria por aqui… Sim o proprio lula sempre disse, preferencialmente longe daqui, que nunca foi de esquerda e muito menos socialista (sic!)

  • Maria Amalia disse:

    PHA parabéns pela publicação da matéria. Sem duvida um relato histórico.
    Apenas uma necessária observação. O PMDB no “Pacote de Abril”, não existia.
    Foi fruto da fusão do PP de Tancredo Neves/Magalhães Pinto com o MDB de Ulisses Guimarães.
    Lamento que não tenha sido publicado meu comentário na matéria relativa a censura praticada pelo judiciário.

  • Francisco disse:

    Normalmente eu concordaria que é feio vituperar quem não esta vivo para se defender, mas durante a ditadura todo aquele que achou algo para vituperar, nunca mais foi achado…

    Ainda hoje dá medo falar!

  • Luiz Fernando disse:

    Fiquei com dó do netinho, coitadinho a vovó mentiu para o netinho, ou quem foi que disse para o garotinho que o vovô era um santo. O cara foi mentor do golpe de 64 e sabia de tudo, tortura, sequestro etc.. Netinho agora resta a você contar pra seus filhos que o vovô não era um santo! Não passe vergonha em seus filhos netinho.

  • André Boavistta disse:

    Esse neto de golbery se sente ofendido? O caráter do avô dele é indefensável: verdadeiro rasputin nacional, responsável indiretamente por milhares de atos de violência e covardia.

    Parabéns ao jornalista Luiz Cláudio Cunha pelo texto – uma verdadeira aula de história que mostra a sordidez do “vô” golbery.

  • Plínio disse:

    Cá dê aquele “parlapatão” chamado pedro simon neste episódio.

  • emerson57 disse:

    pha,
    dado a dimensão histórica deste post,
    sugiro que a sua equipe o mantenha visivel na página inicial do blog.
    para sempre!

  • José Honório disse:

    Amorim, caso idêntico aconteceu em São Paulo, a Av Aguas Espraiadas passou a ser Av Jornalista Roberto Marinho por obra e graça de Marta Suplici. Até hoje eu não entendi, uma vez que aquele jornalista representava o que de mais podre existia na nossa mídia golpista. Por acaso, a Marta nunca leu os grandes editorias do Globo nos anos 64 escritos e redigidos por aquele jornalista, festejando a democracia da ditadura?

    • Christian Schulz disse:

      Se você olhar o mapa de São Paulo, verá que todos os malfeitores citados no texto hoje são nomes de logradouros públicos.

      Nenhuma rua, avenida ou praça Getúlio Vargas, diga-se. Mas túnel com o nome da mãe do Maluf tem!

      Marta, infelizmente, coadunou a patética tradição paulistana de homenagear facínoras…

    • Paulo Erivan disse:

      Marta já foi especialista da Piglobo, com programa bem ao gosto dos piguentos. Talvez porisso o Lula prefira o Fernando Haddad como candidato a prefeito de São Paulo.

  • Marcos disse:

    Tenho vergonha de se conterâneo desse gaúcho.
    Em compensação o meu Rio Grande deu Vargas e Brizola para o Brasil.

    • Dalmo disse:

      Marcos
      Você acha que o Vargas, não usava de truculência contra os opositores?
      Antes de se orgulhar de um sujeito como o Vargas, vá ler a história política não contada desta figura nacional.

  • RicardoJ. disse:

    Muito esclarecedor este texto, sobre o lixo de nossa história. Na insistência da instalação deste monumento à Golbery, “a sanção moral ficará por conta dos pombos da praça Tamandaré.” =^|
    Vejo este mesmo tipo de conspiração, contra a vontade do povo, nas publicações “PIG”, em TV, rádio, revistas e jornais… Principalmente, na crescente quantidade de revistas e jornais gratuitos que entopem as caixas de correio de todos… Você não assina, não paga, mas recebe, nominal em seu endereço… E são publicações caras, em papel de primeira… Como a revista atual VIVER Brasil, que vem com encarte regional. A conselho de meu professor de sociologia em sua primeira aula, faço as perguntais fundamentais: A mando de quem? Quem banca e porque?

    • Mário SF Alves disse:

      É a história se repetindo. Só que dessa vez como farsa. Resta saber se é o *Instituto Millenio que fará o papel do IBASE e quem será o novo Gol[pe]bery? E, importante não subestimar, qual seria o mote dessa vez, mesmo porque o discurso/a cruzada anti-comunista não cola mais. E aí?

      *Atenção ao detalhe: Instituto Millenium se identifica como uma OSCIP dedicada à promoção da democracia, da economia de mercado, do estado de direito e das liberdades individuais no Brasil. É…, pode ser, mas, afinal, quem banca quem? Cadê a transparência das contas da dita OSCIP?

  • São Leopoldo disse:

    Ao longo dos tempos sempre existiram heróis, que contribuiram com a miséria e o atraso do Brasil. Golbery do Couto e Silva: Um herói que não merece homenagem.

  • José Roberto-SP disse:

    Infantilidade, de quem ??? O Sr. Golbery do Couto e Silva Neto perdeu a oportunidade de ficar no ANONIMATO.

  • Alberto disse:

    Lacombe Lucien du Bresil

  • Edvard disse:

    Nada se perde, nada se cria, tudo se copia.
    Este é um bom lema para a ação atual do PIG.
    Por outro lado, já entendi porque os demotucanos rejeitam o farol e porque ele negou suas idéias, a base ideológica foi estabelecida lá nos idos de de 1960. Aliás, o jênio fez pós nos EUA para se tornar especialista nisso: como vender o país e servir ao próximo (presidente americano).

    Para encerrar: pode ser que o feiticeiro tenha pensado em colocar o Lula contra o Brizola, mas à época a mídia pegou pesado contra o “agitador” e o partido que veio do sindicato dos metalúrgicos. Quando ambos se enfrentaram, o PIG apoiou o colorido caçador de marajás e deu no que deu.

    • VJ disse:

      Passa uma borracha nessa parte meu amigo, porque o nosso Lulinha querido naquele momento (junto com os Trotskistas do PT…) serviu mesmo como inocente útil nas mãos do Golbery, para evitar que o maior líder nacional da época, LEONEL DE MOURA BRIZOLA se tornasse o presidente que tiraria o Brasil do atraso e teria tornado o Brasil uma das três maiores potências mundiais por volta de 1995.
      Mas o que passou, passou, e nosso Brizola apoiou nosso Lulinha no final da vida, e o Lula fez muito bem parte do trabalho que Brizola teria feito.
      No mais, parece que o netinho do Bruxo Golbery, não herdou 1% da inteligência do avô…

  • São Leopoldo disse:

    Golbery do Couto e Silva: Um herói da miséria, que a ditadura deixou para os brasileiros.

    • Paulo Augusto disse:

      Um General Brasileiro, presidente de uma multinacional estadunidense a “Dow Quimica”

      • Mário SF Alves disse:

        E por aí vai. Agora imagine as possívies explicações para o exercício de tal incumbência junto à citada multi. De-mo-cra-cia! Democracia, desenvolvimento nacional, ação anti-comunista, e por iria… É a ladainha de sempre. Só queria saber como é que elles iriam ressuscitar o Lenin? Será que o Hugo Chavez teria o perfil. Não. Ficaria caro demais uma revolução bolchevista na Venezuela. Talvez… na Bolívia, quem sabe? Um novo 11, um 11 tupiniquim, talvez?

  • Daniela Xavier disse:

    Simplesmente embasbacante. Infelizmente, a esmagadora maioria dos brasileiros não possuem conhecimento destes fatos que a “grande” imprensa se esmera em esconder. Por que a RECORD não faz uma baita minissérie intitulada: “Ditadura:1964-1985?” com tudo amplamente baseado em fatos rais?

  • spin disse:

    Com relação ao combate a corrupção o pig não pratica jornalismo e sim publicidade.
    São peças publicitárias a título de notícias para alardear por ai que só há corrupção no governo federal, sendo as prefeituras e governos estaduais um mar de honestidade
    Tem que abrir o mercado da área do jornalismo, isso tem que ser encarado como um importante setor da economia com oportunidade para o pessoal da área jornalistica, pois como está os profissionais são obrigados a se sujeitar a trabalhar sob o chicote do baronato da midia
    Que capitalismo é esse que não aceita abertura nem competição
    Afinal de contas ja na Era Collor ja se aventava por ai a necessidade do fim da reserva de mercado e a abertura da economia
    Porque afinal de contas isso não vale para o jornalismo, só por uma questão de se manter o poder politico nas mãos de umas casta?
    Desde quando isso é democracia?

  • Geraldo Chaves disse:

    Em 1964 eu tinha apenas 13anos e mal sabia o que estava ocorrendo.
    Quando leio textos como esse (ainda bem que temos muitos disponíveis na blogosfera) tenho sempre a mesma sensação de terem me ROUBADO exatos 21 anos de minha vida…
    E o pior é que “elles” continuam na mesma luta, tentando iludir alguns (ou muitos) “inocentes”. Só que agora (infelizmente para “elles”) a informação circula de forma livre e sem controle.
    O meu sonho é ver um dia essa cambada sumir de vez de nossas vidas.

  • ulysses freire da paz jr. disse:

    Até 1962 a mulher brasileira não podia trabalhar sem a permissão do pai ou responsável. Eis que Jango extingue mais este jugo e fomenta outros projetos sociais contra os quais, apátridas de carteirinha sempre conspiraram. Conluios de mesmo “modus operandi” ocorreram igualmete contra Emiliano Zapata, Juan José Arévalo, Salvador Allende Gossens,Thomas Sankara, Patrice Lumumba……

    Sem discutir literaturas de pensadores como Thomas Paine, Noam Chomsky, Jean Ziegler, Eduardo Galeano….., sem apontar os métodos e todos que conspiraram contra as reformas agrárias, a independência econômica, a justiça social…. delega-se inexoravelmente o destino da espécie humana e do planeta ao MERCADO e aos poucos que o manipulam.

  • Arnobio Freire disse:

    Eu fico imaginando quanta grana o Golbery Neto deve ter embolsado de herança do avô…

    Deveria herdar também a futura condenação que esse sanguinário deveria sofrer da justiça brasileira, porque na história, queira o neto ou não, o avô está condenado!

  • Cerra e similares com o voto distrital tentam reviver Golbery, com a bênçao do bipo de Guarulhos.Saudosistas…

  • Tarso Freire disse:

    Texto sensacional do jornalista Luiz Cláudio Cunha! Vou distribuí-lo com os meus amigos.

  • Eduardo Vieira disse:

    Quem diria a Rachel de Queiroz…

    Não sabia que ela virava a casaca.

    Fiquei surpreso.

    • VLO disse:

      Sim, ela virou a casaca mesmo e disse isso claramente e descaradamente em um dos últimos livros que publicou onde trata de sua biografia. Como mulher e cearense, tenho vergonha do que Rachel fez.

  • Amaro Shakur disse:

    Uma aula de história que os brasileiros que não lerem esse post nunca terão, que os estudantes das escolas brasileiras nunca terão, que os leitores da mídia dominante nunca terão…que bom que tivemos essa oportunidade, obrigado Luiz Claudio Cunha, obrigado Conversa Afiada.

  • Mauro disse:

    Caro neto “golberyano”:leia sem preconceito e “sem farda” este excepcional artigo, aprenda com humildade um pouco de história; e por fim recolha-te na tua insignificância !

  • Washington disse:

    É de deixar qualquer um zonzo! É para levantar as mãos aos céus e agradecer por nossa democraciazinha tão bebê, ainda, e já levando chute no traseiro a todo momento pelos pés imundos da imprensa fedida e de políticos saudosistas das horrendas histórias que seus avós contavam.

  • Gilvan Miranda disse:

    A obra-prima do golpe. Não daria para fazer um filme e instruir a nova geração sobre o mal que se abateu no país? Se esperar pela Globo…

  • maria do ceará disse:

    Lição de história perfeita e indispensavel, mas quantos a lerão? Quanto ao homenageado, não vale o barro da estátua. O bravo povo gaúcho saberá reagir a tamanho absurdo!

  • Helena Pahl disse:

    Carissimos

    Nao me controlei, tinha que comprovar a inveja do Reinaldo Azevedo. Vivenciar o despeito dos caes raivosos do PIG, nao tem preco. Ele acha que o Lula fala bobagem, ele só esqueceu de avisar ao Sciencies Po. Vila Lula.

    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/lula-esbanja-bobagem-na-franca-e-encanta-a-todos-a-europa-nao-esta-no-vinagre-por-acaso/

  • Michel Dib disse:

    E aí Netinho, tomô???????????

  • Reginaldo disse:

    Golbery neto faz mais ou menos o mesmo que faz o Frias Filho. Este ultimo, quando chamado a opinar sobre a imponente presença de seu papai entre os organizadores da tortura, veio com algo assim: o país estava numa guerra… Esse mesmo filhote nao cansa de chamar de assassinos os guerrilheiros cubanos, que fuzilaram jaguncos dos ianques. Ali, sim, o país estava numa guerra. De libertação.

  • edson gomes disse:

    Magnífica “estocada”! Dá para imaginar, daqui alguns anos, um “Sérgio Naya Neto” também mostrar-se indignado com os dados negativos, quanto à memória dos feitos do vovô?

  • Vivian Agnoletto disse:

    O netinho que se condoeu pelo facínora,déspota,sanguinário,lambe botas dos americanos,conhece NADA da HISTÓRIA.Deve estar vivendo das rendas adquiridas,em troca de vidas ceifadas,de famílias destruídas,que ainda procuram pelos corpos dos seus.Vergonha de Rio Grande e da ignorância de um prefeito e seus vereadores.Assinei contra essa desfaçatez e esse bofetão na cara dos que querem ver passada a limpo,esse negro período.Temos Jango,Brizola,Prestes,Getúlio.Mas na contramão,temos os Jbim Waine,Geisel,Golbery.Jamais tão poucos,fizeram tão pouco e envergonharam um povo altivo,valente,guerreiro e determinado.Como gaúcha,repudio totalmente essa intenção de homenagear um dos piores vultos que esse estado concebeu. Nota:Golbery não é gaúcho.É erva daninha.E ervas daninhas nascem sem cuidado,entre as frestas da obscuridade,tipo inço,prejudicando plantas úteis.Talvez o ranço seja hereditário.Será que a maldade também?Quem defende déspotas,déspota é.Viva Brizola!

  • Helena disse:

    Não é difícil entender a posição desse infeliz netinho da ditadura. Não lhe resta outra opção a não ser manter-se na ignorância.
    Conhecer toda a cruel verdade sobre um avô como esse…deve doer muito na alma. Ou dói, ou não se tem alma.
    Às vezes, tenta-se contra-argumentar com a tal desculpa do bem agindo contra o mal (o comunismo). É a velha desculpa daqueles que não têm desculpa, mas que não resiste a meros 15 minutos de debate. Melhor continuar alienado…

  • Antonio Sotero de Gois disse:

    Dona Maria do Rosário, esse documento deve ser o livro de cabeceira da Comissão da Verdade. Não essa comissão que o governo quer empurrar de guela abaixo. Brava Erundina, o documento é para o conhecimento do congresso.

  • Roberto disse:

    O prefeito de Rio Grande,RS que quer o monumento ao Golbery completou ontem 1000 dias de mandato. Ele não sabe nada da ditadura nem sobre o Hitler,pois não era nascido na época. Maior atestado de ignorância que esse eu não conheço.
    Transformou Rio Grande na Sucupira gaúcha que tem ele próprio como o Paraguaçú,tem a Porcina que diz que “as más ações de uma pessoa devem ser apagadas pelas boas”(hilário), e tem até o Dirceu Borboleta no dep.de transportes,que conseguiu implantar o caos do trânsito em uma grande metrópole,numa cidade de 200.000 habitantes.

  • Maria Izabel L. Silva disse:

    E Pedro Simon? Morreu? Não disse nada? O Eduardo Bueno, que é gaucho e falastrão, esta no History Channel todo dia repetindo um ditado muito conhecido, mas pouco compreendido: ” um povo que não conhece a sua História esta condebnado a repeti-la”. parece que a gente esta caminhando para outra UDN, outro IPES/IBAD e outro golpe!

  • emerson57 disse:

    pha,
    será que existe algum estudo sobre a evolução da renda e dos bens dos golpistas de 64 e de suas famílias?
    fizeram o que fizeram “patrioticamente em favor da democracia”, sem benefícios financeiros?

  • maria izabel disse:

    Espero que este neto tenha tomado conhecimento do que fez o seu avo de tão ruim para os braileiros. Mas como diz a musica que os pais as vezes se esquecem de dizer a verdade da realidade que só se aprende depois de crescer. Este artigo é a mais pura verdade do que aconteceu naquela época, onde imperava a mentira e principalmente a tortura. Muito jovens como voce foram mortos , por defenderem idéias ,e pessoas como vece faz agora com seu avÕ.

  • Ginah disse:

    Artigo de primeira, uma aula de História do Brasil.
    E por falar em história, a história se repete, a primeira como tragédia e a segunda como farsa (Instituto Milenium?). Quem foi mesmo que disse isto? E quando? Parece que foi há séculos atrás!

  • Ronaldo Pacheco disse:

    Globery…

  • Alberto Santos Neto disse:

    Ainda dizem que o João Goulart foi um presidente fraco por não ter resistido ao golpe. Como resistir contra uma força avassaladora como esta montada pelo Golbery. O que me dá mais nojo é ver que jornais como o Estadão, O Globo e a Folha, que vivem a falar em democracia e liberdade de imprensa foram grandes apoiadores dos militares e dos americanos que perpetraram um golpe que prejudicou e ainda prejudica toda uma nação. E o pior, é que estão agindo hoje como agiram contra o Getúlio Vargas e o João Goulart. A criação do Instituto Milenium e o combate seletivo à corrupção, são os primeiros passos para um golpe de direita, com ou sem os militares.

  • Julio Cesar Costa dos Santos disse:

    Meu Deus! Esta é uma expressão que eu uso para explicar pelo menos duas situações: a de celebração, de agradecimento por, a serviço da História (esta ciência que nos apoia em razão do comprometimento com a verdade factual e que nos obriga a questionar atitudes do passado, por articular e dialogar com o presente, promovendo um possível futuro menos funesto ou sob as exigências de não se cometer os mesmos erros de então, e manter os acertos de sempre como forma participativa) o jornalista Luiz Cláudio Cunha dela se utiliza a seu favor, como profissional, e a nosso favor, como cidadão e leitor que é, e aos que o são. Louvado seja Deus, por ainda existir pessoas com tal comprometimento, bem como você, PHA.
    A segunda situação do “Meu Deus!” é a de repulsa e espanto, mediante tanta maldade numa pessoa só. É salutar a orquestração dos episódios, mostrandando que tínhamos dentro de nossos arraias um verdadeiro inimigo a serviço de pessoas que não tinham nenhum compromisso nem com o ser humano de um modo geral e muito menos com cada brasileiro. Pior: boa parte dessa gente ainda solta, gozando e gastando dinheiro conseguindo com a desgraça alheia , de um sem número de pessoas que tiveram os seus direitos humanos em todos os sentidos violados.
    Por isso, ainda acredito num Brasil sério e de gente corajosa, disposta a lutar pelos os ideais do respeito e responsabilidade. E Deus, o verdadeiro Deus, certamente se alegrará e recompensará os seus aglutinadores.

  • Wilhelm disse:

    Um sujeito que tem 39, como é o caso do prefeito, nasceu em 1972 e tinha no mínimo 12 em 1985, quando saiu o general Figueiredo.

    Se não se lembra de nada, esse sujeito não teve infância (para o bem e para o mal).

  • Anna Ferreira de Souza disse:

    Quem escreveu com o próprio sangue a história daqueles tempos sabe exatamente o que aconteceu. Os que sobreviveram às prisões e às torturas sabem o preço da democracia. Ainda vem essa coisa de homenagens a quem humilhou a gente brasileira. Ora, ora, era só o que faltava…

  • Yacov disse:

    A DITADURA Militar foi a maior excrescência que a história brasileira já registrou, e GOLBERY foi o seu mentor. Acho que não é preciso falar mais nada para o seu neto, não!?

    “O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo – O que passa na gLOBo é um braZil para TOLOS”

    • VLO disse:

      Apoiado Yacov! As pessoas que viveram esse famigerado período de ditadura, sabem que muitos sofreram torturas ou foram assassinados nas mãos dos facínoras apoiadores de Golbery. Vergonha a esse bruxo maldito por todos os séculos!

  • Paulo disse:

    O Luis Claudio Cunha vai bem até o momento que endossa a cantilena do velho partidão ( hoje nas mãos combativas e corajosas de Roberto Freire, que deu ao Brasil o impagável Luis Medeiros e Paulinho da Força) que o Lula é produto do Golbery. Insatisfeito, ainda tece loas a quem? Ao convertido Teotonio Vilela, prócer da ARENA nordestina; ao vice presidente do Collor Itamar Franco, ao (pasmem) José Richa, pai do censurador de blogs, ao espertíssimo Tancredo Neves. Digamos, para ser condescendente, que faltou um pouquinho de honestidade intelectual.

  • Lino disse:

    PHA
    a vida do Golbery, homem público, sua vida foi marcante nos momentos decisivos para o país, se manifestou publicamente para que outros o seguissem, e vem um neto deste senhor dizer que nós não podemos julgar os atos do Golbery. Mas era só o que faltava. Sr Golbery Neto escreva um livro defendendo seu avô, mas não castre a liberdade de alguem poder julgá-lo. Os atos do Golbery tem influência até hoje no Brasil.

  • sergio disse:

    Terminei arrepiado esse artigo, que coisa belíssima, o Brasil é mesmo grande, quiçá os pombos da Praça Tamandaré farão a justiça que setores retrógrados se negam a fazer.

  • Franciscesco disse:

    Luiz Fernando Verissímo, você não vai deixar passar este episódio em branco. Va? Você é a melhor pessoa para fazer-me escorrer lágrimas de emoção diante de tanta indignação e falta de respeito com os brasileiros.

  • Cardoso Neto disse:

    Essa matéria é uma obra prima. Uma verdadeira aula de história. Seria interessante que professores de história copiassem e repassassem aos alunos. Tenho certeza de que serviria para abrir a cabeça de muita gente. Tenho certeza, também, que a leitura de artigos dessa envergadura nos livraria de opiniões como as que foram postadas pelo ‘neto’ do trevoso.

  • maria maria disse:

    Enfim, o que sabe este neto a respeito do seu primoroso vovo? Nada, a nao ser que era o vovo querido dele, com todo respeio pelo sentimento do rapaz. Tem um desavisado feito o prefeito lá, que tambem nada sabe do pais, mas, coitado,tambem nasceu depois e deve ter aquela doença que acomete a quem nao quer saber a quantas anda o nosso pais e fica se omitindo ou se prestando a certos papeis como,por exemplo, o de homenagear um dos que nos fez passar por coisas piores do que “comer o pao que o diabo amassou”.

  • Dejair Schettert disse:

    Que aula de história. Parabéns, Luiz Cláudio Cunha!

  • Marcelo Solidade disse:

    O Luiz Cláudio fez um inigualável relato aos desinformados sobre o ocorreu nos negros 21 anos que assolaram a história do país. Peço licença para reproduzir esse artigo e distribui-lo para alguns que se alienam desse trecho da história de nosso país que, infelizmente, não ensinam nas escolas.

  • Calij disse:

    Puxa, agora eu posso dizer que conheço um pouco de nossa história. Parabéns Luis Cláudio. Será que estou delirando ou o plano do Cerra tem tudo a ver com o de 64 acima narrado: Instituto, igreja católica, imprensa golpista, Chevron, Austlon, privatizações, etc., chega a dar medo…

  • AlvaroTadeu disse:

    Ora, o neto defende o general porque deve ter se dado bem com a herança do avô. Não há descendente dos golpistas de 1964 em má situação financeira. Agora, uma pergunta ao autor, Luiz Claudio Cunha: apoio seu texto integralmente, mas me espantei com a citação do nome de Paulo Martins, que trabalhava no gabinete do Golbery. Soube, não sei se é verdade, que Ivete era prima de Golbery, mas seu marido, Paulo Martins, escreveu um livreto para as eleições de 1962 chamado “Um Dia Na Vida de Brasilino”. Um livreto nacionalista que escancarava a exploração do Brasil pelas empresas estrangeiras. O livreto foi patrocinado pelo antigo PTB. Como um sujeito nacionalista trabalhou no gabinete do general entreguista?

  • Edinho disse:

    Coitadinho do Golbery…

    Perguntinha que não quer calar: os homens e mulheres torturados e assassinados pelos capachos do vovozinho querido tiveram oportunidade de se defender?

  • luisfernando- rio de janeiro disse:

    tributo a treva nada mais apropriado quando se lembra de golbery do couto e silva.

  • Jorge Leite Pinto disse:

    Muito doido esse estado (RS). Consegue ter entre seus filhos o que há de mais extremo.
    De um lado nos deu Prestes, Brizola, Getúlio, só pra citar alguns brasileiros de quem me orgulho.
    De outro, bem… Parece que a lista é um pouco maior:
    Golbery, Médici, Geisel, Costa e Silva, esses vereadores aí, Johnbim…

  • Luiz fernando Viegas disse:

    Caro neto do auxiliar-criador de ditadores, isso que acabaste de ler não é o comum ato de fuzilar reputações, que o PIG utiliza, mas sim, e verdadeiramente, estabelecer a reputação de um facínora.

    A estátua, e os argumentos dos que a quererem ergir, são um monumento à estupidez, um insulto á memória daqueles combatentes contra o arbítrio. Os pombos farão justiça.

  • Eunice disse:

    Me arrepia pensar que em 30 anos pessoas que se lembram desses fatos e os descrevem com paixão estarão fora da mídia. E as novas geraçãoes empenhadas em ganhar dinheiro e sobreviver, nem lerão isto.

  • Toni disse:

    Lição de moral??? Não!!! Lição de HISTÓRIA!!! Sem ofensas e sem tendenciosidade, a não ser q se queira demonizar o direito a lutar pela justiça e pelo respeito, visto q em virtude de intenções inconfessáveis, aquele q demoniza não pode revelar-se um inimigo da liberdade alheia. Essa “intenções inconfessáveis” revelam uma doença psico-social (ou mesmo intelectual), pois elas não deixam ver as consequencias a longo prazo sobre a economia e a soberania nacional q essas intenções mesmas lançam sobre uma sociedade. Balela??? Então observe q 2 dos 3 autores da concepção moderna de conspiração e manipulação social foram destruídos e o 3º começou a destruir-se sob a toxicidade de seus venenos próprios: Alemanha nazista, URSS e EUA… O q ganhamos? Apenas adiamos o enfretamento de nossos reais problemas.

  • Marcio Varella disse:

    o j.f.kennedy não valia nada, um sem caráter, sem princípios. imagine só: dar o sinal verde para a derrubada do Jango. pior: nos eua, queria acabar com a máfia e por ela acabou morto. acabar logo com quem?
    com a máfia, única instituição americana que entende de distribuição da renda.

  • Leno Lindo do Amor Divino disse:

    Tudo é muito escabroso…Só discordo,se me permite,a insinuação,algo ingênua,de q o colégio eleitoral era a vontade da população.Se podemos falar em vontade expontânea,fora do figurino das grandes corporações midiáticas,a galéra fechou com as Diretas Já(-há quem diga q,desde aí,a conciliação já estava sendo gestada).E,por favor,vc mesmo expressa,embora n d nome,o golpe foi civil-militar.Ném seus patrões,Cunha,vão querer saber de apurações -principalmente eles;os Mesquitas é só a ponta do iceberg.

    • Paulo disse:

      Não era vontade da população, não. Isso é outro deslize do Luis Claudio. O povo queria eleições diretas. O PMDB, que abrigava a turma formada no partidão, boicotou o primeiro ato pelas diretas no Pacaembu, com o também elogiado pelo jornalista, Franco Montoro tentando fingir de árvore. Montoro e Tancredo haviam combinado, em encontro em Poços de Caldas, a ida do segundo ao Colégio Eleitoral. A campanha das Diretas atropelou os dois. Tancredo deu a senha para a traição da campanha, quando estava em Juiz de Fora e disse – “A hora é de diálogo”. Não mais povo nas ruas… O Luis Claudio precisa exorcizar suas origens para ser o grande historiador que pode ser.

  • Maria Lucia disse:

    Luiz Claudio Cunha lava a honra do Jornalismo Brasileiro com esse texto impecável e irretocável,que deveria vir a fazer parte da documentação da Comissão da Verdade.
    É uma leitura obrigatória para todos os brasileiros.
    Mesmo quem viveu aqueles tempos e se organizou para lutar contra a ditadura embora intuisse a vileza de Golbery não avaliava a sua extensão e profundidade.
    Esse texto do Luiz Cláudio arma o quadro geral e o apresenta em toda sua hendiondez.

  • nadja rocha disse:

    Um resposta à altura da ingnorância

  • Elizabete Oliveira disse:

    Golbery do Couto e Silva: seu nome será sempre lembrado pelos torturadores, seu grande inspirador.
    Pessoal do site, não esqueçam também de ver as declarações de Jo Soares contra a Globo. Fala mais Jo Globista.
    http://www.youtube.com/watch?v=frP0TLlLnrA

  • Pardalzinho disse:

    “o IPES conseguiu estabelecer um sincronizado assalto à opinião pública pela relação especial com os principais veículos da mídia nacional. O objetivo central do Grupo de Opinião Pública (GOP) do IPES era disseminar seus objetivos na imprensa falada e escrita”

    Substituasse GOP (Que lembra Partido Republicano… que lembra Fox News…) por Instituto MIllenium e a charada está devidamente esclarecida…

  • Felipe disse:

    Sobre as ações secretas dos diplomatas americanos na China:
    http://www.chinadaily.com.cn/hkedition/2011-09/27/content_13796808.htm

    Após revelação do wikileaks…. o que deveríamos ter feito há mto tempo!

  • Gil disse:

    Pois os bageenses, da também gaúcha Bagé, não deixaram por menos e nem levaram medo e continuam sem tomar vergonha na cara: só me orgulho de ter enfiado os pés, e no mau sentido, além de ter cometido algumas coisas meio desavergonhadas, na avenida que toma o nome do general Emilio Médici.

    Pra contrabalançar, o atual prefeito, petista, poderia ou fechar essa ou inaugurar a Avenida dos Torturados do, ou pelo Emilio.

  • leonardo-pe disse:

    ainda bem q estamos vendo quem é o grupo RBS(e por tabela,a mídia Brasileira)!esse grupo q ferrou o Rio Grande Do Sul principalmente,no período 2003-2010.só tenho pena de quem baba essa gente da qual,são anti democraticos!

  • escorpião rei disse:

    Golbery foi uma figura trágica em nossa vida politico-institu cional no periodo da ditadura: aparelhou o estado com as famigeradas “assessorias de segurança e informação” nos moldes do SNI e foram muitas as vitimas dessa perseguição implacável inclusive, eu, na época funcionário do IBRA, vi meu nome vetado sem qualquer explicação após vários anos de serviços prestados em diversas funções de responsabilidade.

  • Israel Almeida disse:

    Toda honra da desonra sera maculada.

  • Herminio disse:

    Talvez esse neto que é internacionalista(quer ver a pátria mãe subalterna aos estrangeiros) viva as benesses que a carreira militar do avô lhe proporcionou, assim como às filhas dos oficiais que não casavam no papel mas tinham familia até pouco tempo atraz, eta que era bom pros militares e seus apoiadores, ver o bando de coronéis/latifundiários que havia no Brasil até pouco tempo e ainda perduram os latifundiários infelizmente.

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