Sarnustra ou Ustraney ?

O Conversa Afiada publica artigo do jornalista Luiz Claudio Cunha que, recentemente, em solenidade na Universidade de Brasília, recomendou a extinção da Lei da Anistia.
O valente Sarney do lado de lá
Luiz Cláudio Cunha *
Pego em flagrante delito como defensor do indefensável, o senador José Sarney, presidente do Congresso Nacional, esperou calado até a véspera da audiência na Justiça paulista para externar sua repulsa à condição de testemunha de defesa do coronel da reserva do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra.
Como major, nos anos chumbados do Governo Médici, Ustra criou e comandou no II Exército de São Paulo o DOI-CODI da rua Tutóia, ganhando por merecimento a condição de símbolo vivo da repressão mais feroz da ditadura — o regime que Sarney defendia sem rebuço, como cacique do partido dos militares, a ARENA. Se não apoiava, Sarney nunca expressou publicamente esta suposta contrariedade. Permaneceu corajosamente silente.
Nesta quarta-feira, 27, começou em São Paulo o processo em que a família do jornalista Luiz Eduardo Merlino acusa Ustra pela morte em julho de 1971 do jovem de 22 anos, após quatro dias de brutal tortura na máquina de moer carne administrada por Ustra. Os depoimentos devastadores do primeiro dia dos presos políticos que sobreviveram àquele circo de horrores — segundo relato do criminalista Fábio Konder Comparato, advogado da família Merlino — incluem a ordem de Ustra para que um caminhão passasse várias vezes sobre o cadáver do jornalista, para justificar a farsa posterior do atropelamento numa rodovia. Na verdade, Merlino morreu num processo agudo de gangrena nas pernas, após horas pendurado no pau-de-arara, o instrumento de trabalho preferido na repartição de Ustra.
Estes são os fatos, que resgatam a história que começa a ser garimpada no tribunal paulista. Sarney não se incomodou com isso, mas sim com o texto, assinado por mim, onde eu denunciava a abjeta irmandade entre o senador e o torturador no âmbito da Justiça.
Um dia antes da audiência histórica desta semana, o senador tentou se desvincular da sanguinolenta figura do coronel. Através de sua assessoria de imprensa, Sarney enviou-me uma contestação contra minhas “imprecisões de ordem técnica”. O senador alinhou este exemplo de sua pretérita valentia: “Em 1967, o general Dilermando Gomes Monteiro já acusava Sarney de proteger comunistas, conforme documentos da 10a Região Militar levantados pela jornalista Regina Echeverria. O mesmo general Dilermando que comandava o II Exército quando foi assassinado o operário Manoel Fiel Filho.”
É apenas uma baita imprecisão de Sarney, que eu corrijo agora: Dilermando Gomes Monteiro, o general que perseguia no Maranhão os comunistas que o governador José Sarney dizia proteger, em 1967, não é o mesmo comandante do II Exército de São Paulo, de 1976, quando morreu o operário Fiel Filho.
Detido em dia 16 de janeiro por dois agentes do DOI-CODI na fábrica onde trabalhava, Fiel apareceu morto no dia seguinte, enforcado com as próprias meias. O mesmo desfecho de quatro meses antes, quando ali morreu, de forma semelhante, o jornalista Vladimir Herzog. O general que comandou as duas mortes era Ednardo D’Ávila Melo, exonerado dois dias depois pelo presidente Ernesto Geisel. É justamente o general Dilermando Gomes Monteiro quem assume o comando paulista para refrear os radicais do DOI-CODI.
O atual presidente do Congresso espanca impiedosamente a verdade quando diz, com comovente autoindulgência: “Sarney, como mostram os fatos, esteve sempre do lado oposto ao dos torturadores.”
É fácil provar que é exatamente o oposto: Sarney estava lá, do lado deles. Em 20 de dezembro de 1975, três meses após a morte de Herzog, o Exército divulgou o relatório do IPM criado por ordem de Geisel para supostamente investigar o assunto.
Com o cinismo peculiar ao coronel Ustra, que hoje nomeia Sarney como sua testemunha de defesa, a Portaria do Comando do II Exército justificava a instauração do inquérito policial-militar “para apurar as circunstâncias em que ocorreu o suicídio”. Ou seja, na largada, os militares já davam o veredito forçado — ‘suicídio’ — para a investigação ainda não consumada sobre a morte de Herzog, um assassinato sob torturas que repetia, cinco anos depois, o que ocorreu com o jornalista Luiz Eduardo Merlino no mesmo DOI-CODI da rua Tutóia, então sob a administração direta de seu criador, o coronel Ustra.Indignados com a desfaçatez, os jornalistas brasileiros redigiram no início de janeiro de 1976 um manifesto — ‘Em Nome da Verdade’— denunciando na 1ª Auditoria Militar de São Paulo os termos absurdos daquele relatório fraudulento, que sacramentava a farsa e acobertava o crime. Eram tempos de muito medo e as assinaturas precisavam ser recolhidas uma a uma.
Então chefe da sucursal da revista Veja em Porto Alegre, eu percorri com outros colegas todas as redações de jornais, rádios, TVs e sucursais na capital gaúcha. No total, sob a liderança do bravo Audálio Dantas e do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, recolhemos 1.004 assinaturas em todo o país. Nenhum jornal quis publicar nosso abaixo-assinado, que reclamava verdade e justiça. A exceção foi O Estado de S.Paulo, que publicou o documento como matéria paga.
Na lista de 1.004 jornalistas, todos em franca oposição aos torturadores, podem ser encontrados 43 jornalistas com José no nome.
Entre eles, não existe nenhum José Sarney, embora o atual senador fosse também jornalista, dono de jornal e emissoras de TV e rádio no Maranhão.
Sarney não estava no abaixo-assinado justamente porque estava do outro lado. O bravo jornalista maranhense, aliás, exercia o seu primeiro mandato como senador da ARENA, a legenda da ditadura que sustentava politicamente o regime de ferro e fogo que sustentava os métodos e aparatos doídos de Ustra e seus comparsas do DOI-CODI.
Estes são os fatos, não meras ‘imprecisões de ordem técnica’.
Sua estrondosa e oblíqua aparição no tardio julgamento de Ustra escancara, agora, o melancólico mergulho do imortal Sarney neste brejal de inverdade, violência e desmemória.
Sarney, como mostram os fatos, não estava do lado oposto ao dos torturadores. Sarney escolheu, há tempos, o seu lado.
Sarney estava lá, ao lado deles. Como está agora, na defesa de Ustra.
* Luiz Cláudio Cunha é jornalista, sempre do lado de cá.
cunha.luizclaudio@gmail.com
O Caso Merlino e a Face oculta de Sarney.
UstraNey, a herança maldita que a antiga UDN nos reservou.
Está aí, o divisor de águas, donde podemos concluir, que os colaboradores do regime nefasto, ainda estão por todos os lados, mesmo que votássemos corajosamente contra todo este tipo de aparelhamento, quando se manda um cidadão destes, abre-se as portas para outros, que como o interesse é delinquente, pois querem somente encobrir sua mazelas, e como o importante é se dar bem, eis a corrupção de dinheiro público, e o que mais preocupa é a corrupção de valores humanos, tão generosamente encobertos por verbas publicitárias de Estados como Sampa, indiretamente acobertados, e no caso do Maranhão escancarado, pois o causídico é dono de meios de comunicação, tortura dos dias de hoje, portanto Senhores, o golpe continua, mas a luta também…maumau
Pois é. E o governo o tem na mais alta conta como aliado político. A presidenta deveria se lembrar que foram “amiguinhos” desse tipo que propiciaram a sua tortura e a de centenas de brasileiros, muitos dos quais não tiveram a mesma sorte que ela. Só de conversar com indivíduos assim deveria fazer nojo à senhora Dilma mas…………….
Além de tudo isso ainda falta o Senador Sarney explicar os verdadeiros motivos que o levaram a abandonar a candidatura Mário Andreazza/Divaldo Suruagy para a presidência da República pela ARENA no Colégio Eleitoral em 1985 ganha pelo Tancredo Neves contra o Maluf. Será o Maluf o responsável pela corrida do Sarney aos braços do Tancredo quando impediu as prévias desejadas pelo Sarney (presidente da ARENA) para escolher a candidatura governista?
Em um país sério, ambos estariam dando depoimentos com uniformes beges, dentro da cadeia. E não com ternos armani.
É muito triste para nós brasileiros, aceitarmos um sujeito como o Sarney ser senador e ainda por cima presidente do Senado. O Brasil jamais punirá seus torturadores, nem depois que todos morrerem, o que não falta muito para acontecer. O descaso do brasileiro com a tortura é realmente estarrecedor e é este desacaso com a torutura que leva o brasileiro ao descaso também, com a corrupção, com os assassinatos, o descaso com a saúde e com a educação. O Brasileiro na realidade só se preocupa com os problemas acima, somente quando estes problemas atingem à ele e aos seus, individualmente, porém, quando ocorre com seu vizinho, este que se dane. Dizem que o brasileiro é solidário. Não existe nada mais falso do que isso.
E tem certo alex gracinha da globo que diz que no trânsito brasileiro morre centenas de pessoas a mais todo o ano e não dão a repercussão que dão por uns que morreram pelo regime militar. Porpositalmente o infeliz comparou que morrer sob torura e acidente é a mesma coisa. Já que alguns dizem, deve ser fofoca, que este sujeito assitiu alguns sendo torturado e acho que não percebeu nada de mais.
Sarney será sempre imortal. Seu nome NUNCA desaparecerá dos livros e da memória nacional. A historia lhe concede o direito de tratá-lo, SEMPRE, como um dos apoiadores e beneficiário da ditadura militar, com o premio da senadoria, dono de redes de telecomunicações, jornais, governança de estado, etc. Apesar de voce, SirNey, negar um passado negro de apoiador da ditadura e seus metodos cruéis de governo, o amanhã será sempre um novo dia.
Sarney está do lado de quem sempre esteve… Do lado da vergonha, da hipocrisia, da mentira e da ganância. Sarney é uma vergonha nacional!
Asco é o termo que me ocorre para essas vivandeiras de quartel. Parasitas dos instrumentos de força e do poder característico das forças armadas, instituição de defesa da nossa soberania, usaram e abusaram muitas vezes de pacóvios militares idealistas na convicção e vazios de senso político, não digo nem democrático. Colocaram um boné na presidência e deitavam e rolavam na esbórnia financeira que se seguiu. Ao povo? Circo, que a patuléia se satisfaz com muito pouco. Quem plantou postes em duplicata para dizer que distribuia luz para todos a dez mil habitantes onde havia cinquenta teria moral para falar de algo a respeito de conveniência, ética ou seja lá o que for?
Sarney é perigoso. Desde sempre se alinha com o lado obscuro da nossa democracia. Agora, com medo dessa “subita” defesa do Ustra, quer dar uma de santinho, inocente, não sabe de nada, etc. Mas sabia tudo sobre a Arena, partido dos generais assassinos. Sarney, mostra a tua cara! você está velho demais para ser biruta de aeroporto, o vento te leva e não traz mais!
Sarney nunca teve ética. É de dupla e dubia personalidade. É igual ao camaleão, se adapta ao momento. Só que para o camaleão é uma peculiariedade natural sua. O que Sarney fala sentado, ele não sustenta de pé. O que escreve com a mão, apaga com o cotovelo. Se Sarney for testeminhar ou não para o torturador, para mim nada agrega.
Então o Sarney e o Ustra são batatas do mesmo saco. O torturador no momento em que nomeia o senador como sua testemunha de defesa manifesta, sem querer, laços de profunda amizade e fidelidade. Quem diria que esses dois … são amigos de longa data. Não sei no que deu a audiência mas o ideal seria meter os dois em cana.